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sábado, 18 de agosto de 2012

POR VIANA ANTI-TOURADAS

Defensor Moura 
Alguns jornais insistem na divulgação de que a declaração de "Viana do Castelo Cidade anti touradas" foi aprovada na Câmara Municipal apenas pelos membros do PS, esquecendo-se de referir que foi por uma maioria de dois terços da vereação! Além disso as oposições, que tinham e têm maioria na Assembleia Municipal, não apresentaram, durante três anos, qualquer proposta de revogação da deliberação . Finalmente é bom recordar que, entretanto, houve eleições autárquicas e a mesma equipa (sem mim) que votou e ia manter a deliberação, foi reeleita por mais de 50% dos vianenses!!! Mas este não é uma causa de partidos e por isso todos estão silenciosos, deixando o processo ser liderado pelo representante legitimo dos vianenses - o Presidente da Câmara José Maria Costa. Hoje todos os vianenses têm uma causa comum que os une contra a tortura sanguinária dos inocentes touros. POR VIANA ANTI-TOURADAS

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

COMO PODE O TRIBUNAL DESAUTORIZAR A CÂMARA MUNICIPAL ???

INACREDITÁVEL 
- Nos terrenos onde estão a ser montadas as bancadas para a tourada em Viana do Castelo (Areosa), a Lei nem sequer permite que um lavrador construa um casebre de madeira para guardar os utensilios agrícolas!
COMO PODE O TRIBUNAL DESAUTORIZAR A CÂMARA MUNICIPAL ???


Segundo o Plano Director Municipal de Viana Do Castelo os terrenos onde se está a instalar a infraestrutura para a realização da tourada classificam-se como sendo "Espaços Agrícolas", sendo também Áreas de Elevado Interesse Paisagístico.

Segundo o Regulamento desse mesmo PDM, publicando em Diário da República, 2.ª série — N.º 67 — 4 de Abril de 2008 os terrenos Agricolas Classificam-se da seguinte forma:

SECÇÃO II
Espaços Agrícolas
Artigo 13.º
Caracterização
1 — Estes espaços, delimitados na Planta de Ordenamento,
caracterizam -se pela sua aptidão agrícola actual ou potencial e destinam-se à prática da actividade agrícola.
2 — Alguns destes espaços encontram -se classificadas cumulativamente como “Áreas de Elevado Valor Paisagístico”


Acerca da Edificabilidade nestes mesmo terrenos expôe-se o seguinte no Artigo 15º do mesmo Regulamento:

"Artigo 15.º
Edificabilidade
1 — Os Espaços Agrícolas de Elevado Valor Paisagístico são non
aedificandi, não sendo permitidas quaisquer construções, de carácter
definitivo ou precário, incluindo estufas e painéis publicitários.
2 — Exceptuam -se do número anterior:
a) A construção de estruturas de apoio à actividade agrícola e aquiculturas previstas em planos de âmbito sectorial;
b) A execução de obras de conservação, reconstrução e alteração de
edifícios habitacionais existentes, admitindo -se ampliação até 20 % da área bruta de construção existente;
c) A construção de infra -estruturas e de empreendimentos turísticos
de reconhecido interesse municipal sem localização alternativa viável."

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

José Maria Costa: Viana sem tourada

O presidente da autarquia de Viana do Castelo afirmou ontem estar “seguro de que não haverá tourada” a 19 de Agosto, por violação do PDM.

Apoio dos Açores para Viana do Castelo, cidade antitourada


A propósito das investidas do lobby tauromáquico, que tenta realizar uma tourada naquela que é a primeira cidade declaradamente anti-tourada do país, o Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia dos Açores (MCATA) enviou hoje uma carta de apoio ao Município de Viana do Castelo.
Olhando para Viana do Castelo como um exemplo para todos os que defendem um mundo sem barbárie, na carta enviada, o MCATA afirma estar sempre solidário com todas as entidades que combatam as pressões exercidas pelos mercados de espetáculos violentos e deseducativos, como está a acontecer com a autarquia daquela cidade.

O movimento açoriano manifestou assim o seu total apoio à posição de resistência da Câmara Municipal em manter a cidade livre de crueldade.





Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia dos Açores apoia Viana do Castelo, Cidade Antitouradas


Exmo. Sr. Eng.º José Maria Costa,
Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo:


Excelência,

Somos um Movimento Cívico, açoriano, com o objetivo de lutar pela abolição da tauromaquia nos Açores. Contudo, do mesmo modo que apelamos a todos os que defendem um mundo sem barbárie para com os animais nos apoie no nosso combate, não podemos ficar indiferente a quem noutras paragens persegue os mesmos objetivos.

Assim sendo, é sempre com orgulho que apresentamos o exemplo de Viana do Castelo, a única cidade portuguesa antitouradas e foi com muito agrado que tomámos conhecimento da não- autorização por parte da Câmara Municipal presidida por V. Exª, para a realização de uma tourada no próximo dia 19 de Agosto.

Sabendo-se das pressões exercidas sobre a Vossa Autarquia por parte de entidades sem escrúpulos que mais não pretendem do que alargar os seus mercados para um espetáculo violento e deseducativo, vimos manifestar o nosso total apoio à posição tomada pelo Vosso município de manter a não-autorização à tourada prevista.


Com os melhores cumprimentos,
MCATA

sábado, 11 de agosto de 2012

Precisamos de argumentos?

por Ricardo Petinga
Os aficionados têm uma extrema dificuldade em compreender que aquilo que defendem é indefensável. Não vêem nada de errado naquilo que fazem, e se alguns o vêem, deixam que o negócio fale mais alto que a ética. Do mesmo modo, muitos outros violadores dos direitos fundamentais de seres inocentes não consideram que estão a cometer alguma imoralidade, estejam eles a molestar crianças, a explorar mulheres ou a assassinar em massa indivíduos com religiões ou orientações políticas ou sexuais diferentes. Todos esses perpetadores de crimes sentem-se sempre ou quase sempre justificados pelas suas convicções. Os aficionados ficam sempre chocados com estas comparações, e por mais que os activistas se manifestem pela defesa dos direitos dos animais, continuam a não entender que estamos apenas a tentar defender vítimas (neste caso os touros e cavalos) dos seus opressores (toureiros, forcados, ganadeiros e empresários tauromáquicos), tal como defendemos vítimas humanas. Continuam a pensar que é uma simples questão de não gostarmos de touradas e que podemos simplesmente olhar para o lado e permitir que continuem a acontecer e que eles continuem a desfrutar das mesmas, mas se o fizermos somos cúmplices da injustiça e do sofrimento de que os animais por eles explorados são vítimas. Chamam-nos fascistas e terroristas e extremistas, mas se realmente acreditam nisso deveriam olhar para a sociedade como um todo e ver que existem muitos actos que não são permitidos, que se tornaram ilegais por serem imorais, e essas proibições não podem ser consideradas como privação de liberdade porque estão na verdade a salvaguardar a liberdade de seres inocentes de não serem vitimizados por esses actos. A maior diferença entre esses actos e o acto de estropiar touros numa arena é que por enquanto, estropiar touros ainda é legal. Isso significa apenas que não chegámos ainda ao fim da nossa evolução civilizacional e que devemos continuar a lutar por essa evolução. A abolição das touradas e de quaisquer actividades de exploração animal serão passos na direcção certa, para uma sociedade mais justa, compassiva e ética.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Lesões Oculares nos Touros

Lesões Oculares nos Touros - Tristemente Frequente e Presente em Corridas

Um estudo realizado em Espanha, apoiado numa amostra de mais de 6000 touros, revelou um grande número de lesões oculares sofridas por estes animais durante o desembarque da viatura de transporte, no período de espera para entrada na arena ou no decorrer da lide. Em 23% deles, foram encontradas úlceras de córnea, descolamento de retina, luxação e subluxação de lente, fratura da borda orbital na fronte, e hemorragia intra-ocular.

Não é, pois, de estranhar que, recentemente, num espetáculo tauromáquico emitido pela RTP1, um touro não rejeitado durante a inspeção, tenha acabado por revelar cegueira na arena, em direto.

Segue-se a transcrição de algumas palavras proferidas pelo cavaleiro tauromáquico Tito Semedo e pelo comentador da RTP Vasco Lucas, com referências à forma como o diretor de corrida Ricardo Pereira e o médico veterinário João Pereira se foram posicionando, durante um muito triste momento televisivo que durou cerca de 5 longos minutos, contados desde que o cavaleiro tauromáquico disse, pela primeira vez, bem alto, que o bovino não via nada, até o animal ter sido mandado retirar da arena:

Toureiro – “O toiro não vê! Não vê! Não vê! O toiro tem problemas de visão! Não vê nada, nada, nada!”

> Diretor de corrida manda o toureiro lidar o touro

Algumas voltas à arena depois:

Toureiro – “Sr. Diretor, o toiro não vê nada! Não vê! Ponho o ferro!?”

> Diretor de corrida faz gesto para o cavaleiro avançar, indicando “um”

Durante as mal-sucedidas tentativas de fazer o bovino reagir:

Comentador da RTP – “Já tenho visto toiros com muita reação semelhante e depois de levarem o ferro, despertam.”

Algumas voltas à arena depois:

Toureiro – “Não vê nada!”

> Diretor de corrida e médico veterinário fazem, de novo, sinal para a lide prosseguir

Toureiro – “Vou enganar o público? Ponho o ferro e fica toureado? Ah, é um ferro e depois fica toureado!...”

> Diretor de corrida manda continuar

Durante mais algumas mal-sucedidas tentativas de fazer o touro reagir:

Comentador da RTP – “Porque é que o Tito não coloca o ferro?” (...) “Até porque se o toiro não vê é porque já não tem outra utilidade; portanto, tanto faz ir sem ferro como com ferro!”

Toureiro (desta vez dirigindo-se não ao diretor de corrida mas ao público) – “O toiro não vê!”

Comentador da RTP - “Conseguiu virar o público contra o diretor de corrida e médico veterinário, que ao fim ao cabo gostaria de ver como é que o toiro reage ao castigo, como todos nós gostaríamos de ver!”

(...)

E lá foi, finalmente, dada a instrução para que o desgraçado do animal fosse retirado da arena!

Acabaram-lhe com a vida após longas horas de cegueira, mas, pelo menos, não foi também perfurado, ao som de música e aplausos, por ferros com arpões.

O Sortudo – assim se chamava – foi mais uma vítima da tauromaquia, com a conivência de quem apoia esta cruel atividade, como seja a RTP.

Fonte:  Marinhenses Anti-touradas

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Argumentos: Touradas II [Touro Bravo]

Texto exemplarmente completo e detalhado sobre todas as questões que se levantam nos debates sobre tourada, incluindo a ideia de que as touradas evitam a extinção do touro bravo:
"Não vamos entrar pelos argumentos, porque aí, lamento, mas espalham-se os aficionados. O único argumento legítimo e verdadeiro que têm, [os aficionados], é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos.
O sr. que fala em adrenalina ou no sangramento para alívio do touro obviamente não entende nada de biologia, de fisiologia ou de comportamento animal; percebe apenas da sua adrenalina quando assiste a espectáculos de violência. Essa dos sangramento para alívio dos humores foi uma prática médica muito em voga na Idade Média mas abandonada posteriormente. 
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. É por demais evidente que os pedófilos gostam crianças; mas é uma maneira de gostar que passa pela exploração dos menores e pela negação dos seus direitos. Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados. 
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. Aqui podemos cair na questão de comparar coisas parvas como campos de concentração, por exemplo: seria melhor acabar em Auschwitz ou em Treblinka? É melhor morrer à nascença ou aos 4 anos? Com uma facada no peito ou afogado? Tudo isto são questões absolutamente laterais e cujo único objectivo é desviar a atenção de uma pergunta muito simples: 
É eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim?

Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral. 
Vi agora que ainda há mais uns pseudo-argumentos: comparar injecções ou vacinas com as bandarilhas. Parece uma brincadeira comparar uma agulha fina com o objectivo de tratar uma doença ou evitar outra - no caso das vacinas - com a introdução de 9cm em metal grosso, cujos 3cm finais são em forma de arpão para não sair e continuar a rasgar os músculos e os ligamentos durante a lide. Das duas, três: ou está a brincar, ou não usa o raciocínio ou quer enganar os outros. 
Depois vem mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pro-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano."
Cristina d'Eça Leal

Fonte:  Texto escrito por uma Amiga e publicado em 2009 no Fórum MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal

(des)Argumentos: Touradas II


Dificilmente se muda a opinião de alguém que concorda com Touradas. Isso é normalmente adquirido pela educação, e a razão pouco costuma conseguir influenciar.

No entanto, ficam expostas algumas respostas aos argumentos mais vulgares de quem se esforça por tentar justificar uma prática sem justificação. Para quem se decidir a pensar.


1 - As Touradas são uma tradição antiga e por isso devem ser defendidas e perpetuadas.

As touradas são de facto uma tradição (importada de Espanha). Mas isso por si só não deve justicar que se pratiquem. As tradições têm normalmente origem em tempos antigos, em que as sociedades, mentalidades e modos de vida eram bastante diferentes dos actuais. Com o tempo, o Homem e as suas comunidades tendem a aperfeiçoar e desenvolver a sua forma de viver e pensar. Chama-se a isso evolução. É por essa razão que já não tomamos banho com baldes de água aquecida numa fogueira, é por essa razão que a escravatura, que tanto agradava a algumas pessoas, foi abolida e é também por essa razão que já não acreditamos que basta dançar ou sacrificar um animal para fazer chover.
As tradições, por muito bonitas que sejam, só fazem sentido quando são compatíveis com as formas de pensar e os conceitos vigentes. Como hoje em dia, o respeito pelo sofrimento dos animais começa a fazer parte da forma de pensar de muita gente, as Touradas deveriam ser postas em causa e abolidas (ou repensadas, colocando na arena, por exemplo, o Toureiro nu em frente ao Touro - sempre era mais masculino do que com aqueles fatos - E cada um que se desenrascasse. Se é espectáculo que querem...)
O que o Homem deve ambicionar é uma sociedade mais inteligente, mais culta, com menos violência, injustiça e sofrimento. As tradições não devem nunca ser um obstáculo à prática de valores mais importantes.

2 - Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.

Isto é evidentemente falso. Os Pandas e outros animais que correram risco de extinção nunca serviram para as Touradas e continuam a existir. Felizmente existem no nosso país reservas e espaços destinados a que determinadas raças subsistam caso os seus habitats naturais não o permitam. De qualquer forma com certeza de que os aficionados que dizem tanto amar os Touros se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada.
Independentemente de tudo isto, o mais importante é deixar claro que perpetuar uma espécie de animais apenas para que estes possam ser usados em espectáculos que se baseiam no seu sofrimento não é um acto nobre nem louvável. E muito menos favorável ao próprio animal. Se é para isso, que se extingam!

3 - Quem não gosta ou não concorda, não veja.

Felizmente na nossa sociedade, as coisas não são assim. Se toda a gente fechasse os olhos às injustiças que se passam à sua volta o mundo seria certamente bastante diferente.
É evidente que quando sabemos que se passa algo com que não concordamos, o remédio não é olhar para outro lado. Isso já muita gente faz em relação a demasiadas coisas.
Este argumento é tão despropositado que torna-se quase ridículo combatê-lo. No entanto pode dizer-se o seguinte:
Quem se insurge contra as touradas não o faz por prazer nem proveito próprio. Esse esforço deve, por isso, ser respeitado por quem consegue assistir ao espectáculo sem a mínima misericórdia e reflexão pelo que lá se passa.

4 - Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães.

O Ser Humano tem a capacidade de se preocupar com várias coisas ao mesmo tempo. É uma espécie de dom.
O facto de se ser contra as Touradas não invalida que a pessoa não se preocupe com muitas outras coisas que se fazem a outros animais. Não é por haver uma guerra no Iraque que não nos podemos preocupar com os assaltos ou com a inflação.
Há sempre coisas mais e menos graves, mas temos evidentemente o direito de nos preocupar com todas.
Certamente que quem critica as touradas insurge-se também contra o abandono de cães, lutas organizadas de animais e muitos outros assuntos.

5 - Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais.

Esta é uma afirmação que não se baseia em nada (nem em lógica nem em senso comum) a não ser na experiência pessoal que eventualmente alguém terá.
Pessoas e argumentos hipócritas haverá sempre, e não é por isso que se pode generalizar e tomar a parte pelo todo.
Ao contrário daquela afirmação, o razoável é supor que quem é contra as touradas preza os sentimentos dos animais de uma forma profunda e geral. E é normalmente isso que se verifica.

6 - O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.

É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes. O touro fica com nervos e músculos rasgados, e a quantidade de sangue que perde continuamente enfraquece-o. Não parece ser sensato pensar que isto pode ser agradável para o Touro, ou mesmo indiferente.
O touro, tal como os outros mamíferos, ao ter sistema nervoso central tem capacidade para sentir dor, ansiedade, medo e sofrimento. E os sinais exteriores que mostra na arena denunciam essas emoções. Não é portanto razoável aceitar a ideia de que os Touros sofrem pouco numa tourada.

7 - Os Touros nascem para serem lidados. São animais agressivos por natureza.

Uma coisa é o instinto de sobrevivência e auto-defesa de um animal, outra é o seu temperamento e personalidade. Embora o cortex cerebral de um Touro seja bastante mais básico do que o Humano (o que faz com que a sua personalidade seja igualmente menos complexa), cada animal tem o seu próprio temperamento, fruto, como no Homem, de factores genéticos associados a experiências vividas. O que todos têm em comum dentro da espécie é a sua técnica de defesa, que utilizam sempre que se sentem em perigo. Isto não deve ser confundido com a chamada "natureza" do animal. Com certeza que um Touro saudável deixado em paz no campo não anda a atacar tudo o que se mexe.

8 - Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária?

Toda a gente respeita as opiniões de todos e na realidade a opinião de quem é favorável às touradas também deve ser respeitada.
A sua prática é que não.
É fácil entender isto se pensarmos que Hitler era da opinião de que todos os Judeus deviam ser exterminados.
Mesmo que alguém tenha o direito a ter opiniões bizarra sobre qualquer assunto a sua colocação em prática não tem que ser respeitada nem tolerada se isso for ilegítimo. Se a prática de Touradas choca contra princípios considerados importantes por quem se lhes opõe, esta não tem que ser admitida.

9 - A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la.

A “arte” de tourear pode de facto ser considerada bonita, ter grande mérito artístico e principalmente técnico. Mas perde toda a legitimidade quando necessita de fazer sofrer física e psicológicamente animais para ser executada. Tal sofrimento não se pode impôr a um animal que não tem nada a ver com o assunto. É injusto, prepotente e cobarde fazê-lo. Esta arte, se bonita, é injusta e cobarde e nenhuma arte pode ter mérito assim. Nesse aspecto penso que todos concordarão. É uma arte desonrosa, para utilizar a linha de valores da tauromaquia.
A arte de lutar até à morte dos gladiadores era considerada bastante mais honrosa e bonita por quem assistia. Mesmo essa acabou. Será também uma pena?

10 - As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.

Só uma mente muito ignorante ou distorcida pode realmente acreditar que os Touros quando vão para uma arena cumprem um qualquer desígnio divino.
A justificação de que o Touro é nobre por lutar pela vida numa tourada vem de quem alimenta o seu negócio e enriquece à custa deste espectáculo perverso mas rentável.
A nobreza é um conceito inventado pelo homem. Na natureza todos os animais são iguais e todos lutam pela sobrevivência. Ninguém duvida de que o Homem, numa luta com as suas armas e condições consegue ser superior a qualquer outro animal. Provar isso numa luta desigual não é nobre, é estúpido.

Os argumentos contra as Touradas:

Não há qualquer justificação moral para se causar sofrimento a um animal para fins de entretenimento.A recusa em ter consideração pelo sofrimento de um animal só pode ter origem em três factores:falta de cultura, falta de educação ou falta de carácter.É muito simples, pouco mais há a dizer sobre o assunto.

Fonte

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As corridas de touros são o espetáculo com mais público a seguir ao futebol

Começa logo por ser discutível o futebol deixar a categoria de atividade desportiva para passar a ser considerado espetáculo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os concertos de música ligeira são os que movimentam maior número de espectadores (3,2 milhões), seguidos pelo teatro (1,6 milhões), variedades, música clássica, circo e, por último, a tourada. Isto para falarmos apenas de espetáculos ao vivo, porque se contabilizarmos as visitas a museus (10,3 milhões), galerias de arte (5,5 milhões) e cinema (16,4 milhões), então a clivagem é muito superior.

A ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou que «[a] tauromaquia existe e movimenta 650 mil espectadores. É nossa obrigação cumprir a lei e a lei diz que temos que a regular». Aqui temos mais uma abusiva manipulação de números: os espetáculos tauromáquicos registaram a entrada (venda de bilhetes, incluindo aqueles que são comprados pelas autarquias, como forma encapotada de subvenção) de 650.000 espectadores. É sabido que o público das corridas de touros é errante; não assiste apenas a uma corrida de touros por ano, assim como um frequentador de museus faz diversas visitas anualmente. Só nos grandes recintos a tourada consegue hoje em dia números significativos de audiência; não porque o público local marque presença em força, mas porque os aficionados viajam até às praças onde podem assistir aos eventos mais publicitados. Assim, teríamos que estabelecer uma média de participações para se ter uma ideia aproximada do real número de pessoas mobilizadas (se forem 5, o número de aficionados desce imediatamente para 130 000; se forem 10, baixa para 65 000).

As verbas destinadas à compra de bilhetes para atividades tauromáquicas estão anotadas nos registos públicos referentes às despesas das autarquias. Dos alegados 650 mil espectadores, uma enorme percentagem assistiu às corridas de touros gratuitamente. Estranhamente, esses convidados dos promotores da tauromaquia, para a estatística, contaram como público.

Terá sido por o anterior Ministério da Cultura ter esgotado a sua função no cumprimento de leis, ao invés de refletir sobre o que se entende por «espetáculo artístico», que foi despromovido a Secretaria de Estado?

Se o Estado considera que um espetáculo artístico pode consistir em infligir sofrimento em animais para entretenimento público, então por que razão havemos de excluir da regulamentação as lutas de cães ou de galos? Se os critérios se baseiam no interesse do público e na receita de bilheteira, é completamente subjetivo considerar que as touradas sejam defensáveis e as lutas de cães ou de galos não o sejam.

Mas mesmo que assim não fosse, não podemos esquecer que os autos de fé não terminaram por falta de público, mas por se considerar que eram indignos e que contribuíam para a banalização da violência.

Fonte

domingo, 5 de agosto de 2012

Extinção do touro de lide caso se proíbam as touradas - Falso!

Um dos argumentos mais recorrentes dos aficionados é que se as touradas forem proibidas o touro de lide extingue-se.

Nada mais falso.

De acordo com o Ministério do Ambiente espanhol, só um escasso número de animais é destinado a espectáculos tauromáquicos.
Segundo dados do mesmo ministério, o número de reses bravas inscritas é de 275.748 exemplares. Anualmente cerca de 15.000 touros são usados em espectáculos tauromáquicos que têm lugar em todo o território espanhol; sejam em corridas de touros ou em espectáculos populares, tipo largadas, etc.

De acordo com este ministério, os ganadeiros poderiam reconduzir o seu negócio para que estes animais se destinassem somente ao consumo. Uma opção comercial que já é explorada na actualidade, mas que os ganadeiros não consideram tão rentável como a venda dos animais para espectáculos tauromáquicos.

Por tal motivo, o governo espanhol, descarta a possibilidade de criar reservas naturais para proteger o touro de lide, caso as touradas venham a ser proibidas, já que a exploração comercial dos touros continuaria a ser rentável e seriam os próprios ganadeiros que salvaguardariam a sua existência.

O ministério assegura ainda que existe a possibilidade de criar reservas naturais para acolher raças que sejam classificadas em perigo de extinção, mas estas nunca albergariam o touro de lide, porque este animal mesmo não se destinando a touradas, não se extinguirá.

Estes são dados e estudos do Ministério do Ambiente espanhol, não foram inventados pelos anti-touradas.

Cai pois por terra, o estafado argumento, da extinção dos touros de lide caso as touradas sejam proibidas.


Fonte:  El Gobierno asegura que sin lidia el toro bravo no se extinguirá
2010
"El departamento que dirige Elena Espinosa considera que, del total del censo de reses bravas, "sólo un escaso número de animales se dedica a los espectáculos taurinos". Medio Ambiente señala que el número de reses bravas en la actualidad es de 275.748 ejemplares inscritos. Cada año, se utilizan alrededor de 15.000 toros en los distintos festejos taurinos que tienen lugar en toda España, ya sean corridas en plazas o sueltas de vaquillas en los pueblos.

El ministerio asegura que aunque "existe la posibilidad de reservas naturales para albergar razas clasificadas en peligro de extinción" en ningún caso sería el caso del toro de lidia, "puesto que las razas de interés productivo se crían en explotaciones ganaderas con otras consideraciones y circunstancias". Aun así, el toro de lidia ya es hoy por hoy una estirpe protegida en el catálogo oficial como raza autóctona, circunstancia que obliga a su fomento y protección por parte de las administraciones."

Crueldade!

Barrancos
"Crueldade é algo que está presente em famílias humanas por incontáveis eras. É quase impossível alguém que é cruel com os animais ser generoso com as crianças. Se se permite às crianças a crueldade contra seus animais de estimação ou outros que cruzem seus caminhos, elas aprenderão facilmente a ter o mesmo prazer com a miséria de seus semelhantes. Essas tendências podem facilmente levá-las ao crime."

"Cruelty has cursed the human family for countless ages. It is almost impossible for one to be cruel to animals and kind to humans. If children are permitted to be cruel to their pets and other animals, they easily learn to get the same pleasure from the misery of fellow-humans. Such tendencies can easily lead to crime."

Frederic McGrand citado em "The extended circle: a dictionary of humane thought"

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Portugal já foi um País Sem Touradas

No ano de 1836, Passos Manuel, ministro do reinado de D. Maria, promulgou um Decreto no qual proibia as touradas em todo o país (Diário do Governo nº229, de 1836):



“Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de Nações civilizadas, bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade, e desejando eu remover todas as causas que possam impedir ou retardar o aperfeiçoamento moral da Nação Portuguesa, hei por bem decretar que de hora em diante fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de touros”.


A 1 de Novembro de 1567, o Papa Pio V publicou a bula “De salute gregis dominici”, ainda em vigor:

“(…) Nós, considerando que estes espectáculos que incluem touros e feras no circo na praça pública não têm nada a ver com piedade e a caridade cristã, e querendo abolir estes vergonhosos e sangrentos espectáculos, (…) proibimos terminantemente por esta nossa constituição (…) a celebração deste espectáculos(…)”

A 15 de Outubro de 1978, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
Artigo 10º:

“Nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem. As exibições de animais e os espectáculos que se sirvam de animais, são incompatíveis com a dignidade do animal.”

Ao fazer do sofrimento de um animal um meio de diversão, o Ser Humano está a propagar e banalizar a violência gratuita como forma de ser e estar na sociedade. De geração em geração, o sofrimento alheio banaliza-se no inconsciente colectivo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

"Quem não gosta não vai."


 Estas pessoas reduzem ÉTICA e MORAL a simples "gostos". Como se a VIDA e SOFRIMENTO pudessem ser comparados a um objecto do qual se possa ou não gostar. Quem diz um objecto diz uma música, um livro, um filme, um programa de televisão...

Não se coloca a questão de se gostar ou não de touradas, isso é absolutamente IRRELEVANTE perante o que está em causa, que é o SOFRIMENTO de um SER SENCIENTE. Lá por haver gente que ADORA ver acidentes de viação e que até pára o carro, provocando grandes engarrafamentos, APENAS na esperança de "apreciar" as possíveis vítimas, não vamos encorajar a que haja mais acidentes apenas para satisfazer os "gostos" mórbidos dessas pessoas. VALORES como o direito ao BEM-ESTAR e à VIDA quer de animais humanos e não humanos, têm de prevalecer independentemente dos "gostos" das pessoas.

É um princípio, e foi por esse princípio que se aboliu a escravatura e outras situações análogas. As pessoas das touradas ainda não compreenderam que o mundo evoluiu e que a luta pelos direitos dos animais equivale à luta, no passado, pelos direitos dos escravos, judeus e de outros seres considerados de 2ª e descartáveis, como o são ainda os animais. Nem se dão conta de que com esta atitude arrogante, cruel e ORGULHOSAMENTE IGNORANTE, acima do bem e do mal, da ética e da moral, da ciência, do conhecimento e da cultura, estão a provocar na maioria das pessoas, sentimentos tão negativos, como outrora se nutriram pelos nazis.

Ganadeiros, toureiros, forcados a aficionados: o MUNDO já não vê os animais como objectos interactivos descartáveis. A ciência já provou que estes além de sentirem como nós têm também consciência e que cada vez mais a sua integridade física e psicológica tende a ser respeitada. Como tal, uma vez que as touradas NÃO SERVEM NENHUMA NECESSIDADE BÁSICA nem são INDISPENSÁVEIS à nossa SOBREVIVÊNCIA, não são mais do que CRIMES cometidos contra SERES PUROS E INOCENTES que promovem a violência GRATUITA, provocam traumas psicológicos nas crianças e contribuem para a degradação ética e moral dos cidadãos.

Os nazis também estavam protegidos pela lei e não foi por isso que o mundo deixou de os considerar CRIMINOSOS. Será assim que vocês ficarão na História também à semelhança dos esclavagistas que se opuseram fortemente à abolição da escravatura. Os ganadeiros e afins, são hoje, os Lanistas do passado.

Uma vergonha para a humanidade.

por Cláudia Vantacich

Portugal, a luta pela abolição das touradas

A propósito do desinteresse manifestado por Plínio pelos
espectáculos circenses, o nosso Castilho considerou "selvajaria
inqualificável" os espectáculos de touradas, verdadeira "nódoa da nossa sociedade", e chegou a elaborar um requerimento dirigido a Sua Alteza Real para que pusesse cobro a tal "nódoa".
Júlio de Castilho

Requerimento a sua magestade el-rei pedindo a abolição das touradas em Portugal, Lisboa, 1876 
(apresentado em nome da Sociedade Protectora dos Animais)


" A Acção Dissolvente das Touradas"
 Vitória Pais Freire de Andrade (Madeira)

"... frontal oposição à realização de touradas..."
"... tema
 a
 que
 regressa
 no
 ano
 seguinte
 considerando
 que
 se
 os

educadores
 se
 empenhassem
 aquela
 diversão
 acabaria,
 não
 sendo
 possível
 defendê‐la
 e
 ensinar
 simultaneamente
 às
 crianças
 o
 amor
 pelos
 animais...."
in "Uma
 mulher
 à 
frente
 do 
seu 
tempo"

Interessante publicação em separata de uma conferência
pronunciada a 29 de Março de 1925 na Associação de Classe de
Empregados de Escritório, que consistia num ataque “ao barbaro e
selvático espectáculo que constituem as diversões tauromáquicas."
É muito curioso identificar a quantidade significativa de instituições que apoiaram a publicação desta separata e que se vêem apresentadas no texto introdutório da obra, bem como o estilo e enquadramento do
argumento que aqui se desenvolve.
in otiumcumdignitate

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Touradas: Factos, Razão e Ética – Parte III (Maiorias e Minorias)

24 DE MAIO DE 2009

A indústria tauromáquica em Portugal (assim como noutros países, diga-se) está, mais do que nunca, numa situação de crise de aceitação social e de apoio político (algo que tem cada vez menos, enfrentando cada vez mais oposição e crítica ou, pelo menos, distanciamento), o que tem também reflexos económicos. É, por isso, uma indústria que, mais do que nunca, se encontra em estado de verdadeiro desespero. E, como indústria que é, tem estado a apresentar inúmeras evidências de quão ameaçada se está a sentir, o que teve o seu pico numa primeira manifestação pró-tauromaquia em frente ao Campo Pequeno (a primeira manifestação do género alguma vez feita, que confessou, de forma explícita, quão social e politicamente pressionada está esta indústria). Esta indústria está também a tentar dar respostas aos seus críticos e a preparar contra-ataques para defender a tauromaquia. Isto tem vindo a acontecer, e sabe-se que será intensificado, mas é algo que está condenado ao insucesso, não só porque é uma indústria que desenvolve uma actividade indefensável – a de torturar animais em nome do entretenimento – mas também porque todas as linhas de resposta ou contra-ataque da indústria tauromáquica são ostensivamente inválidas, inúteis e não respondem nem resolvem o problema que se lhes coloca. Numa série de artigos, da qual o presente faz parte, a ANIMAL analisa, individualmente, e com base em factos, na razão e numa ética universal e objectiva, cada resposta / contra-ataque da indústria tauromáquica às críticas que enfrenta.

1) Tem sido frequente, e começa a ser uma insistência muito repetida, a alegação feita pelos defensores das touradas de que as pessoas que se opõem às touradas são uma minoria, enquanto as pessoas que gostam de touradas são uma maioria. O raciocínio que preside a esta alegação é o seguinte: do facto de haver poucas dezenas ou centenas de activistas contra as touradas a participar nas manifestações semanais promovidas pela ANIMAL em frente ao Campo Pequeno quando ali há tourada, enquanto alguns milhares de aficionados entram na praça para assistirem às mesmas touradas, pode-se concluir que o mesmo ocorre, em termos globais e de forma proporcional, na sociedade portuguesa: poucos opõem-se às touradas enquanto muito mais gostam delas e querem que elas continuem.

Esta ideia enferma, antes de mais, de um problema de raciocínio evidente: generaliza a partir de casos particulares não representativos do fenómeno sobre o qual a generalização é feita. Tomemos como exemplo a noite de 7 de Maio do ano corrente, em que cerca de 200 pessoas participaram na manifestação anti-touradas promovida pela ANIMAL que decorreu no Campo Pequeno, enquanto cerca de 7.000 aficionados terão entrado na Praça de Touros do Campo Pequeno para assistir à tourada que ali decorreu. Significa isto que há apenas 200 pessoas que se opõem às touradas e 7.000 pessoas a favor destas? Claro que não. Significa isto que, proporcionalmente, há muito menos pessoas que se opõem às touradas na sociedade portuguesa enquanto muitas mais são a favor delas? Também não. E porquê? Porque aquela situação particular não é de todo ilustrativa / representativa da sociedade – que é maioritariamente composta por indivíduos que nem são aficionados das touradas, nem são activistas anti-touradas. Uns gostam de touradas, outros são-lhes indiferentes e outros detestam-nas e querem que elas sejam proibidas. Só estudos científicos, que tenham por base perguntas formuladas de forma correcta, clara e não dirigida, que sejam realizados por empresas de sondagens qualificadas e insuspeitas e que sejam rigorosamente preparados por profissionais de sociologia e estatística, por exemplo, é que poderão dar respostas válidas neste sentido. E a verdade é que as poucas sondagens com cientificidade e rigor que existem sobre o assunto das touradas apresentam resultados que indicam que uma percentagem grande ou muito grande dos portugueses não gosta de touradas. Segundo uma sondagem DN/Marktest de 25 de Julho de 2002, já nesse ano havia 74,5% dos portugueses que não gostavam de qualquer tipo de touradas, com ou sem morte dos touros na arena. Cinco anos depois, uma resposta formulada em termos mais fortes pelos portugueses (no sentido em que se pronunciaram acerca da proibição das touradas e não apenas sobre se gostam delas ou não) foi apresentada no contexto de uma sondagem MetrisGfK/CIES/ISCTE, realizada entre Fevereiro e Março de 2007, segundo a qual 50,5% dos portugueses queriam, já há mais de dois anos atrás, as touradas proibidas em todo o país (enquanto apenas 39,5% discordavam de uma tal proibição), enquanto 52,4% dos portugueses queriam que não fossem autorizadas touradas nas cidades e vilas onde residem, nomeadamente através da transformação oficial destas localidades em cidades ou vilas anti-touradas (enquanto apenas 36,8% discordavam desta medida). Significa isto que os estudos preparados e realizados de forma rigorosa e científica mostram exactamente o contrário daquilo que os defensores das touradas gostariam que acontecesse – a maioria expressiva ou extremamente expressiva dos portugueses quer as touradas proibidas ou, pelo menos, não gosta de qualquer tipo de touradas.

Há ainda um outro aspecto que deve ser referido a propósito dos números de apoiantes e opositores das touradas – e que é importante para compreender as dimensões de quaisquer movimentos com visões opostas integrados em qualquer área da sociedade portuguesa. Há manifestações anti-touradas que têm apenas 50, 100 ou 200 participantes. Mas também há manifestações anti-touradas que têm 500, 1.000 ou 2.000 participantes. Num país onde é incomum as pessoas manifestarem-se nas ruas por razões éticas e estritamente altruístas – em defesa dos direitos dos animais, em defesa dos direitos humanos, em defesa da conservação da natureza ou da protecção do equilíbrio ecológico do planeta, etc. –, o número de manifestantes nunca pode ser visto como um sinal proporcionalmente representativo do número de apoiantes da causa que esse movimento que se está a manifestar tem. Por exemplo, uma manifestação de extrema-direita, se estiver bem organizada e conseguir mobilizar todos os seus apoiantes, pode conseguir ser bastante participada – mas tal não significará que a maioria dos portugueses se revê naquela visão política. E, do mesmo modo, se uma acção de protesto contra a tortura de prisioneiros políticos promovida pela Amnistia Internacional tiver apenas 20 manifestantes, daí não se seguirá – ao contrário do que implicaria a lógica dos aficionados das touradas – que só uma minoria de portugueses é que se opõe à tortura de prisioneiros políticos.

Por último, a propósito de questões éticas, de maiorias e minorias, de democracias, votações e referendos, é ainda fundamental estabelecer o seguinte ponto. Uma questão ética deve ser analisada e tratada com base em factos relevantes para a discussão, para o tratamento dos quais em tudo releva o recurso à melhor informação cientificamente obtida e validada que estiver disponível acerca desses factos e que seja relevante para a discussão, e por meio do uso de raciocínios válidos e de um genuíno interesse em chegar a conclusões verdadeiras – e não às que são apenas convenientes. Ora, se de uma tal análise de questões éticas como as touradas, a tortura de prisioneiros políticos, etc., resultar a conclusão de que são práticas eticamente condenáveis que não devem ser permitidas em circunstância alguma, isso será o bastante para levar sociedades, governos e parlamentos a pôr termo a essas práticas. É com base neste processo de análise e decisão ética que se devem tratar questões éticas e não com base em gostos subjectivos variáveis de indivíduos ou na opinião eventualmente mal-informada de maiorias ou minorias. É por isso que, se por um lado é, apesar de tudo, nas democracias que os direitos humanos e os direitos dos animais são mais respeitados e protegidos, por outro lado, o respeito pelos direitos humanos e pelos direitos dos animais nunca deve depender do que pensam as maiorias acerca destes direitos. São direitos que nunca devem ser votados nem devem ser referendados. São valores de tal maneira fundamentais, que devem estar consagrados nas constituições políticas dos estados e que, independentemente das orientações políticas de quem governe os estados e de quem eleja quem os governe, devem estar sempre juridicamente protegidos. Não o fazer será errado, injusto e extremamente perigoso. Segue-se daqui que, apesar de ser verdade que a maioria dos portugueses se opõe às touradas, não é isso que faz com que elas sejam erradas e devam ser abolidas. Pelo contrário, é porque há factos e razões morais apoiadas nesses factos que fazem com que as touradas sejam erradas e devam ser abolidas que, felizmente, a maioria dos portugueses já percebeu e concluiu que elas devem ser proibidas.

2) É também comum os defensores das touradas dizerem que “a tourada é o segundo espectáculo pago com mais espectadores a seguir ao futebol”, aqui alegando que, como tal, do suposto grande interesse do público que a tourada teria (e que não é verdadeiro, como de seguida se demonstra), resultaria a implicação de que a tourada seria imediatamente aceitável.

Esta afirmação – além de ser totalmente irrelevante para a discussão porque em nada contribui para fazer das touradas uma prática eticamente aceitável – é objectivamente errada e falsa. Errada, desde logo, porque o futebol não é um espectáculo, mas sim uma actividade desportiva. Mas, mais do que errada neste sentido, esta é uma afirmação falsa.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) acerca das actividades culturais realizadas em Portugal e da resposta que estas tiveram dos espectadores em 2006 (sendo que, depois destes dados, foram publicados novos resultados em 2007 que não reflectiram mudanças importantes, no âmbito da tauromaquia, face aos números de 2006), no ano de 2006 realizaram-se 24 717 sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 8,8 milhões de espectadores. Destes, os espectáculos com maior número de espectadores foram os concertos de música ligeira, com 3,2 milhões de espectadores. O teatro teve 1,6 milhões de espectadores. A seguir ao teatro, os espectáculos de variedades, música clássica, dança e, por último, circo foram os que tiveram mais espectadores. E só depois surge a tauromaquia, com uma pequeníssima percentagem de 2,4% de espectadores na contagem geral de espectadores em espectáculos ao vivo. Nesse ano, 10,3 milhões de visitantes percorreram os museus do país, mais de 5,5 milhões de visitantes foram a exposições temporárias de artes plásticas e o cinema registou 16,4 milhões de espectadores. Ora, como facilmente se conclui, não só em relação aos outros espectáculos ao vivo, como também em relação a todas as outras actividades culturais, a tauromaquia registou um número extremamente pequeno de espectadores – enquanto muitas mais pessoas, felizmente, foram a espectáculos de música, teatro, dança, visitaram museus e exposições e foram ao cinema. Depois da análise destes dados do INE, facilmente concluímos que a afirmação vulgarmente avançada pelos defensores das touradas de que “a tourada é o segundo espectáculo pago com mais espectadores a seguir ao futebol” é, numa palavra, risível.

Finalmente, importa ainda analisar um outro valor mais recente. De acordo com o Relatório de Actividade Tauromáquica de 2008, publicado pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais, em 2008 os espectáculos tauromáquicos em Portugal registaram a entrada de 698.142 espectadores. Com base nestes dados, os defensores das touradas alegraram-se grandemente e passaram a dizer que, em 2008, 698.142 pessoas foram às touradas em Portugal. No entanto, isto não é verdade. Estes números referem-se sempre às entradas de espectadores em praças de touros – e, obviamente, não à entrada de pessoas diferenciadas. Ou seja, se considerarmos que a maior parte das pessoas que vai a touradas vai a várias touradas, sendo a mesma pessoa espectadora de diversas touradas, isso significa que, por exemplo, na época tauromáquica de 2008, uma mesma pessoa pode ter sido espectador 5, 10 ou 15 vezes em diversas touradas, numa mesma zona ou em diversas zonas do país, contando, neste caso, como espectador 5, 10 ou 15 vezes, mas continuando a ser apenas uma pessoa. Logo, é fundamental ser-se rigoroso e afirmar apenas que, em 2008, as touradas registaram a entrada de 698.142 espectadores e não de 698.142 pessoas (do mesmo modo que, em 2006, os museus registaram a entrada de 10,3 milhões de visitantes e não de 10,3 milhões de pessoas diferentes – ou a população portuguesa quase não teria chegado para corresponder a este número de visitantes).

Touradas: Factos, Razão e Ética – Parte II (Os ataques Ad Hominem e os apelos à autoridade)

24 DE MAIO DE 2009

A indústria tauromáquica em Portugal (assim como noutros países, diga-se) está, mais do que nunca, numa situação de crise de aceitação social e de apoio político (algo que tem cada vez menos, enfrentando cada vez mais oposição e crítica ou, pelo menos, distanciamento), o que tem também reflexos económicos. É, por isso, uma indústria que, mais do que nunca, se encontra em estado de verdadeiro desespero. E, como indústria que é, tem estado a apresentar inúmeras evidências de quão ameaçada se está a sentir, o que teve o seu pico numa primeira manifestação pró-tauromaquia em frente ao Campo Pequeno (a primeira manifestação do género alguma vez feita, que confessou, de forma explícita, quão social e politicamente pressionada está esta indústria). Esta indústria está também a tentar dar respostas aos seus críticos e a preparar contra-ataques para defender a tauromaquia. Isto tem vindo a acontecer, e sabe-se que será intensificado, mas é algo que está condenado ao insucesso, não só porque é uma indústria que desenvolve uma actividade indefensável – a de torturar animais em nome do entretenimento – mas também porque todas as linhas de resposta ou contra-ataque da indústria tauromáquica são ostensivamente inválidas, inúteis e não respondem nem resolvem o problema que se lhes coloca. Numa série de artigos, da qual o presente faz parte, a ANIMAL analisa, individualmente, e com base em factos, na razão e numa ética universal e objectiva, cada resposta / contra-ataque da indústria tauromáquica às críticas que enfrenta.


Não é uma ideia nova, mas tem sido mais comum, nos últimos tempos, os defensores das touradas tentarem proteger a tauromaquia através de ataques a pessoas e às suas supostas fragilidades (com falácias ad hominem) ou através de elogios e apelos à autoridade de pessoas (argumento da autoridade).


1) No primeiro caso, tem sido comum os defensores das touradas acusarem a ANIMAL e os activistas anti-touradas de oporem às touradas, fazendo campanhas e promovendo manifestações contra estas, porque, segundo os defensores das touradas, estes gostam de protagonismo e querem promover-se através da oposição que fazem às touradas.


Este é um dos contra-ataques típicos. Começa por ostensivamente esquivar-se à questão central – as razões éticas pelas quais a ANIMAL e os activistas anti-touradas se opõem às touradas – para se limitar a lançar apenas um ataque pessoal contra quem se opõe às touradas. Este contra-ataque é falacioso e não responde ao problema em discussão. É a chamada falácia ad hominem. Em vez de se atacar o argumento apresentado pelos indivíduos que se opõem às touradas, ataca-se os próprios indivíduos pessoalmente, deixando completamente esquecida a única parte que interessa na discussão – o(s) argumento(s) ético(s) contra as touradas. Ou seja, em vez de se apresentarem contra-argumentos que invalidariam os argumentos éticos contra as touradas, aquilo que os defensores fazem é atacar os defensores dos animais.


Para percebermos melhor quão falacioso, tolo e ineficaz é este contra-ataque, vejamos o seguinte exemplo. Suponhamos que, como acontece muitas vezes, a organização de defesa dos direitos humanos X (chamemos-lhe Organização X) está a acusar o governo do país Y (chamemos-lhe Governo Y) de permitir ou ordenar a execução de actos de violação de direitos humanos. Suponhamos que, neste caso, o Governo Y responde à Organização X acusando-a e aos seus dirigentes e membros de se quererem promover através da crítica a este Governo, assim tentando obter o protagonismo que, defende o Governo Y, a Organização X e os seus membros procuram. Neste caso, a Organização X está a acusar o Governo Y de violar, por acção ou omissão, os direitos humanos, baseando essa acusação num argumento moral de defesa dos direitos humanos. E o Governo Y, em vez de responder à acusação moral de que é alvo, a propósito dos direitos humanos que é acusado de violar, por acção ou omissão, ataca *pessoalmente* a Organização X e os seus membros, escusando-se totalmente a responder ao que está em causa – a violação dos direitos humanos de que é acusado de permitir ou ordenar.


Este exemplo ajuda-nos a compreender, de forma óbvia, que esta resposta dos defensores das touradas não serve para defender as touradas, levantando uma questão completamente alheia ao debate, sem responder, em momento algum, à questão principal – a dos argumentos éticos contra as touradas.


Acresce que este contra-ataque revela um tremendo cinismo. Dizer que a ANIMAL se opõe às touradas para se promover é o mesmo que dizer que a Amnistia Internacional condena o Governo do Nepal e a ausência de medidas de protecção dos direitos das mulheres por parte deste governo como meio de obter notoriedade, que a UNICEF denuncia a fome e a pobreza extrema e o modo como estas afectam dramaticamente as crianças para obter protagonismo, e assim por diante. Seria o mesmo que dizer que Martin Luther King lutou civicamente – e acabou por ser assassinado em resultado dessa luta – para obter reconhecimento, e que Gandhi, Mandela e outros indivíduos denunciaram graves erros morais e políticos e trabalharam pela justiça só porque queriam ficar na História como grandes líderes morais. E, como é óbvio, esta é uma ideia absolutamente contestável. Felizmente, há muitas pessoas no mundo que querem apenas ajudar quem precisa de ajuda e defender quem precisa de ser defendido, procurando, ora individualmente, ora no contexto da actividade de organizações, trabalhar para eliminar situações diversas de injustiça. E é só como um efeito secundário não pretendido que essas pessoas ou organizações poderão vir a obter notoriedade – mas não porque a procurem ou pretendam.


2) No segundo caso, que é também bastante comum, os defensores das touradas tentam anunciá-las como respeitáveis porque figuras importantes gostam de touradas e querem que elas sejam mantidas. Como noticia o site tauromáquico “Farpas”, os defensores das touradas vão tentar envolver figuras públicas – tais como, segundo os mesmos, Manuel Alegre e Joaquim Letria, entre outros – na defesa das touradas, para ajudarem no contra-ataque que a indústria tauromáquica estará a preparar em resposta à ofensiva cívica que a ANIMAL tem conduzido contra a tauromaquia. Os defensores das touradas previsivelmente defenderão que, uma vez que figuras públicas tais como Manuel Alegre, Jorge Sampaio e Joaquim Letria, entre outras, gostam de touradas e querem que elas continuem a ser permitidas, então as touradas deverão continuar a ser permitidas.


Trata-se de mais uma falácia, conhecida como o “apelo à autoridade”. Não só as figuras públicas que gostam de touradas não estão especialmente qualificadas para travarem uma discussão ética acerca das touradas – não são especialistas em ética, pelo que a sua opinião não é especialmente digna de consideração para a discussão – como também nem sequer tentam esboçar uma resposta moral aos argumentos morais apresentados contra as touradas. Na verdade, aqui, os defensores das touradas esperam que o mero nome destes apreciadores de touradas famosos sirva para convencer a sociedade de que as touradas devem continuar a ser permitidas. E, mais do que isso, os defensores das touradas esperam que o simples facto de Manuel Alegre ou Jorge Sampaio dizerem publicamente que são aficcionados das touradas e que acham que estas devem continuar a ser permitidas seja suficiente para que a opinião do público fique influenciada de modo a acreditar que as touradas devem continuar a ser permitidas por lei.


Ora, obviamente, os factos em discussão não mudam em função de quem se pronuncia acerca deles. Não é porque Manuel Alegre é a favor das touradas e Pedro Abrunhosa contra que as touradas são ou não moralmente permissíveis. Aquilo que deve levar os indivíduos e as sociedades a decidirem se as touradas devem continuar a ser permitidas por lei nos países onde ainda existem nem por um momento deve incluir o facto irrelevante de Ernest Hemingway ter sido um apaixonado por touradas enquanto George Bernard Shaw foi um acérrimo defensor dos direitos dos animais. O que está em discussão é, mais uma vez, se existe alguma boa razão para que um grupo de indivíduos possa continuar a perseguir, molestar e torturar animais apenas para retirarem prazer e/ou lucro dessa actividade. E, até que os defensores das touradas apresentem essa boa razão que falta – e que, até prova em contrário, não existe –, a única conclusão que se pode retirar é que as touradas devem ser proibidas. Sem hesitações.

Touradas: Factos, Razão e Ética – Parte I (O Sofrimento dos Touros)

24 DE MAIO DE 2009

A indústria tauromáquica em Portugal (assim como noutros países, diga-se) está, mais do que nunca, numa situação de crise de aceitação social e de apoio político (algo que tem cada vez menos, enfrentando cada vez mais oposição e crítica ou, pelo menos, distanciamento), o que tem também reflexos económicos. É, por isso, uma indústria que, mais do que nunca, se encontra em estado de verdadeiro desespero. E, como indústria que é, tem estado a apresentar inúmeras evidências de quão ameaçada se está a sentir, o que teve o seu pico numa primeira manifestação pró-tauromaquia em frente ao Campo Pequeno (a primeira manifestação do género alguma vez feita, que confessou, de forma explícita, quão social e politicamente pressionada está esta indústria). Esta indústria está também a tentar dar respostas aos seus críticos e a preparar contra-ataques para defender a tauromaquia. Isto tem vindo a acontecer, e sabe-se que será intensificado, mas é algo que está condenado ao insucesso, não só porque é uma indústria que desenvolve uma actividade indefensável – a de torturar animais em nome do entretenimento – mas também porque todas as linhas de resposta ou contra-ataque da indústria tauromáquica são ostensivamente inválidas, inúteis e não respondem nem resolvem o problema que se lhes coloca. Numa série de artigos, da qual o presente faz parte, a ANIMAL analisa, individualmente, e com base em factos, na razão e numa ética universal e objectiva, cada resposta / contra-ataque da indústria tauromáquica às críticas que enfrenta.

Como a questão central acerca da tourada se prende com o sofrimento que é infligido aos touros e que constitui a base da crítica às touradas, esta é a primeira questão que os defensores das touradas tentam resolver, nomeadamente defendendo que os touros não sofrem nas touradas.

De acordo com os defensores das touradas, o touro é um animal especial que, como nenhum outro na Terra, tem uma aptidão extraordinária para não sentir sofrimento (ou para sofrer menos) quando é exposto a actos que, tais como aqueles que constituem a prática do toureio, são profundamente invasivos e destrutivos. De acordo com os defensores das touradas, em face destes actos (como o acto de espetar, no dorso dos touros, bandarilhas com ferros pontiagudos e com arpões aguçados nas pontas), os touros têm uma reacção completamente diferente da que teriam todos os outros animais na mesma situação – todos os outros animais sofreriam tremendamente e ficariam profundamente lesionados se sofressem estas agressões, mas os touros, como são, segundo os defensores das touradas, especiais, não sofrem (ou sofrem menos, como alguns dizem).

Há três principais pontos que os defensores das touradas referem para sustentar esta tese. De seguida, apresento estes pontos, assim como as objecções que de imediato levantam.

1) Os touros não sofrem (ou sofrem menos) nas touradas porque foram seleccionados geneticamente para serem especialmente resistentes para virem a ser usados em touradas, pelo que, uma vez nestas, não sofrem.

É interessante notar, desde logo, que, ao declararem que os touros usados para touradas foram seleccionados geneticamente para esse fim, os defensores das touradas estão consequentemente a reconhecer algo de muito importante que põe em causa o “argumento ecológico” a favor da manutenção das touradas: os touros usados em touradas são bovinos domésticos pertencentes a uma das muitas variedades de bovinos que existem, não constituindo, por isso, uma espécie com importância ecológica (embora, evidentemente, cada touro tenha uma importância moral enquanto animal possuidor de dignidade) que já existia na natureza e que importa preservar (embora deva ser dito que é perfeitamente possível preservar esta variedade de bovinos, sendo porém certo que isso só fará sentido se não for para que os membros dessa variedade de bovinos sejam vítimas de tortura em touradas).

Em segundo lugar, a selecção genética destes bovinos não os tornou imunes à dor. Tal não seria sequer possível. A dor é um mecanismo extraordinariamente importante para a sobrevivência de qualquer animal. Se um animal não sentir dor, não evitará o que lhe causará a dor e estará em perigo de vida a todo o momento, não tendo qualquer capacidade de sobrevivência relativamente às muitas ameaças que enfrentará. De resto, é possível desde logo identificar inúmeras evidências comportamentais de que os touros sofrem – basta avaliar o comportamento dos touros em praça, quando estão a ser toureados, e perceber como eles exibem sinais de exaustão, confusão e medo, além de ostentarem ferimentos muito graves, jorrando sangue de forma tremendamente abundante, o que não só os debilita como também são lesões que estão inevitavelmente associadas à experiência da dor (tal como qualquer outro animal, os touros têm um sistema nervoso complexo, tendo, obviamente, terminais nervosos nas zonas onde os ferros são cravados, condição neuro-fisiológica que lhes permite, evidentemente, experienciar o sofrimento físico, e experienciá-lo profundamente, quando são espetados com as farpas).

2) Os touros não sofrem (ou sofrem menos) nas touradas porque, como estão a ser agredidos, no momento em que estão a reagir a essas agressões, estão apenas concentrados em defender-se e contra-atacar, não sofrendo nesses momentos. Alguns defensores das touradas dizem até que o facto dos touros reagirem é a prova de que não sofrem porque, segundo os mesmos, a reacção a uma agressão constitui prova de que o animal agredido não sofre.

Esta alegação coloca, antes de mais, um problema. Os defensores das touradas generalizam sempre a bravura e imunidade à dor como uma características que todos os chamados “touros bravos” terão, afirmando que é o facto de serem “bravos” (o que quer que isso signifique, pois nunca foi definido) que faz com que estes touros, diferentemente de todos os outros bovinos e de todos os outros animais, não sintam dor quando são agredidos. Como resolverão, então, a questão dos chamados “touros mansos”? É bastante comum entrarem em touradas touros que, por muito provocados que sejam, não reagem ou reagem menos. Isto pode dever-se a inúmeros factores, mas não é certamente alheio ao facto de haver diferenças de personalidade entre indivíduos – do mesmo modo que uns cães são mais activos e destemidos e outros cães são mais passivos e mais receosos, isso também acontece com os touros. Porém, isto põe em causa a tese tauromáquica que defende que os “touros bravos” são “animais de combate” sempre preparados para a luta com os toureiros e forcados, uma vez que, afinal, muitos nunca chegam a entrar nesta luta porque não reagem, enquanto outros, que reagem pouco, são toureados mesmo assim mas acusados pelos toureiros e aficcionados de serem “mansos” ou de não serem “bons touros”. A ocorrência deste fenómeno é de tal modo frequente, que, só por si, deita por terra o mito do “touro bravo”.

Mas voltemos à alegação de que a reacção às agressões de que são alvo na tourada indicia que os touros não sofrem. Esta alegação radica numa contradição: por um lado, reconhece que os touros estão a reagir a algo que lhes provocou essa reacção, nomeadamente às agressões de que são alvo quando são espetados com ferros, mas, por outro lado, sugere que essa reacção de defesa e contra-ataque não tem origem em sofrimento. Então – é caso para perguntar –, tem origem em quê? O que levará os touros a reagir e a contra-atacar, se não a dor que lhes foi infligida, os ferimentos que lhes foram causados? Além disso, como é que se pode, plausivelmente, sugerir que o facto de um indivíduo estar a reagir é demonstrativo de ausência de dor e que esse estado de reacção imuniza esse indivíduo à dor? Mais uma vez, aqui temos que lembrar que a dor existe por uma razão – é um instrumento de sobrevivência. E, do mesmo modo que é a dor que leva um animal a evitar situações que lhe possam causar dor, é também a dor que leva esse mesmo animal a, uma vez que uma situação lhe cause dor (tal como uma agressão), ele reaja contra o agressor (o toureiro) para evitar mais agressões. Isso acontece muito claramente nas touradas, sendo, além do mais, comum ver touros a tentarem livrar-se dos ferros que lhes são cravados e a produzirem sons típicos de manifestação de dor quando os toureiros lhes espetam as farpas. Os touros reagem, de facto, uns mais, outros menos, mas eles reagem a algo e por uma razão – reagem à agressão e à dor que a agressão lhes causou e reagem para não serem mais agredidos e numa tentativa de se livrarem do que lhes está a causar tanto sofrimento. E só os defensores das touradas é que parecem não perceber esta evidência.

3) Os touros não sofrem (ou sofrem menos) nas touradas porque, nas touradas, se gera uma reacção hormonal especial que fará com que eles, durante a lide, fiquem quase ou totalmente imunes à dor.

Esta ideia, que já era defendida há muito tempo nos meios tauromáquicos, ganhou um corpo aparentemente mais forte quando, recentemente, um professor de medicina veterinária da Universidade Complutense de Madrid, Juan Carlos Illera, anunciou ter estudado o comportamento hormonal dos touros usados em touradas para concluir, segundo o mesmo, que, nas touradas, os touros sofrem muito menos e sentem muito menos stress do que, imagine-se, sentirão quando são transportados das ganadarias para as praças de touros e quando são mantidos nos curros das praças de touros sem chegarem a ser toureados. Ou seja, segundo Illera, os touros sofrem mais quando não lhes é infligida dor (no transporte e nos curros) do que quando lhes é infligida dor (na lide) porque, segundo o mesmo, ao serem bandarilhados, os touros têm reacções hormonais que os tornam quase completamente insensíveis à dor e livres de stress. Importa dizer, em primeira instância, que este estudo nunca foi publicado em qualquer revista científica nem nunca foi revisto por veterinários independentes – foi apenas publicado parcialmente em revistas tauromáquicas e citado em congressos de tauromaquia. Em segundo lugar, o professor Illera nunca respondeu às perguntas que recebeu de outros médicos veterinários que lhe dirigiram perguntas muito específicas acerca das muitas perplexidades que o dito estudo levanta. Em terceiro lugar, tudo o que deste estudo foi tornado público e tudo o que foi possível perceber do mesmo, de como foi feito e de como se chegou às conclusões que apresentou, foi meticulosamente analisado e rebatido pelo também médico veterinário espanhol José Enrique Zaldivar. Zaldivar foi uma das pessoas que enviou questões a Illera e que nunca recebeu resposta do autor do estranho “estudo”. Fê-lo por várias vezes e esperou muito tempo, mas apenas para ficar sem resposta. O tal estudo nunca foi inteiramente tornado público e continua, até hoje, sem ser publicado em qualquer revista científica. E, entretanto, José Enrique Zaldivar escreveu o extenso artigo “Porque é que o touro sofre” (em resposta ao artigo de Illera intitulado “Porque é que o touro não sofre”), no qual demonstra os erros cometidos por Illera para chegar à inválida conclusão de que os touros quase não sofrem durante a lide tauromáquica. Zaldivar enviou este artigo a Illera, mas novamente não recebeu resposta. Convém dizer que, no meio académico, mensagens educadas com perguntas cientificamente legítimas enviadas por colegas só ficam sem resposta quando quem recebe as perguntas não sabe ou não quer responder (ou então se for mesmo muito mal educado). Neste caso, parece tratar-se de ambos os cenários.

Quanto às conclusões de Illera e às objecções que Zaldivar levantou às mesmas, apresento-as sinteticamente de seguida. Illera afirmou que, ao contrário dos touros que foram transportados da ganadaria para a praça, que foram mantidos nos curros e que chegaram a entrar na praça mas não chegaram a ser picados nem toureados (que apresentaram, segundo Illera, sinais elevados de stress e de sofrimento), os touros que não só foram expostos a estas situações mas que foram também, além disso, picados pelos “picadores” na sorte de varas e de seguida toureados apresentaram, nas medições hormonais que lhes foram feitas, sinais muito menores de stress e de sofrimento do que os touros que não foram toureados. Ora, Zaldivar explica por que razão é que essa estranha conclusão foi possível e porque é que ela é inválida. É que Illera tratou os resultados das avaliações hormonais de touros com graves lesões neurológicas (causadas pelos “picadores” e, depois, pelas farpas) segundo padrões normais – só que, como explica Zaldivar, tal não pode legitimamente ser feito, visto que os touros não estão em condições normais para poderem ser avaliados hormonalmente, nomeadamente porque o tipo de lesões que são causadas aos touros em touradas fazem com que as medições hormonais deles depois de sofrerem essas lesões – estando eles com estruturas neurológicas gravemente destruídas – não reflictam o seu actual estado de saúde física e/ou mental, fazendo também com que certamente não reflictam o sofrimento que os animais estão a experienciar e a capacidade que têm e continuam a ter para experienciá-lo. Para melhor se compreender estas questões e quão hábil e racionalmente Zaldivar deitou por terra as conclusões do dito “estudo” de Illera, vale a pena ler o artigo de Zaldivar (se o quiser ler, por favor contacte campanhas@animal.org.pt).

Há ainda alguns defensores das touradas que optam por respostas menos comuns e ainda mais frágeis do que as acima descritas.

A primeira é a de que os ferros usados em touradas ferem tanto os touros e provocam-lhes tanto sofrimento quanto as lâminas de barbear ferem os homens quando se cortam ao fazer a barba. Claro que, neste caso, os defensores das touradas ignoram ou pretendem que se ignore um elemento muito importante: a proporção. Obviamente, as dimensões de uma lâmina de barbear em relação à superfície da face de um homem que esta poderá cortar são incomparáveis às dimensões dos ferros que são cravados no dorso dos animais – sendo que os ferros podem ter até 8cm de comprimento e têm arpões incorporados que podem ter até 4cm de comprimento, sendo cravados e ficando espetados no corpo dos animais, enquanto a lâmina de barbear provoca apenas um pequeno corte e não fica espetada na pele de um homem. Obviamente, os ferros usados em touradas geram lesões de longe mais profundas e graves nos touros (e consequentemente geram um sofrimento muito maior), do que uma lâmina de barbear mal usada pode gerar na face de um homem com um golpe meramente superficial. Esta afirmação é tão absurda, que cedo se tornou impopular mesmo entre os defensores das touradas embora ainda haja quem a use.

A segunda reporta-se à ideia de que o sofrimento faz parte da vida – dos animais e dos humanos. Neste contexto, é comum encontrar defensores das touradas a defender que o sofrimento é uma experiência comum nas suas vidas. Sofrem quando têm que fazer viagens longas, sofrem quando estão doentes, sofrem quando perdem alguém, etc., pelo que sofrer é algo de natural e não deve constituir razão para criticar algo, nomeadamente as touradas. Neste caso, os defensores das touradas fazem uma confusão demasiadamente conveniente entre sofrimento provocado e sofrimento não-provocado. Quando sofremos – ou, melhor, quando nos sentimos desconfortáveis – por fazermos viagens demasiadamente longas, esse é um desconforto que nós não procuramos mas que aceitamos como implicação da necessidade ou do interesse em fazer uma viagem longa. Mas aceitamo-lo apenas condicionadamente: tentamos preveni-lo e aliviá-lo o mais possível, nomeadamente fazendo paragens, dividindo a viagem por partes, utilizando um meio de transporte mais confortável, etc. É, além disso, um desconforto superficial e não uma forma de sofrimento profundo, como é aquele que é causado aos touros em touradas. Por outro lado, quando estamos doentes, o sofrimento que experienciamos é, mais uma vez, não-provocado. Nem queremos ou procuramos estar doentes, nem nos conformamos com isso. Tentamos prevenir as doenças, o sofrimento e mau-estar que nos causam, e, quando ficamos doentes, tentamos curar-nos da melhor e mais rápida maneira possível. Do mesmo modo, quando perdemos alguém que nos é querido, não só escolheríamos sempre não perder esse ente querido e fazer tudo o que pudéssemos para salvá-lo e tê-lo connosco, como também ficamos profundamente transtornados por essa perda – mas tentamos encontrar uma maneira de lidar com ela e com o sofrimento que nos causa. Procuramos o apoio de outras pessoas que nos são queridas, tentamos adoptar uma visão positiva e adaptar-nos a essa perda e, nos casos mais extremos, poderemos recorrer a ajuda de profissionais para lidar com uma eventual depressão que sintamos em resultado dessa perda. O que é certo é que, neste caso como em todos os outros, não procuramos o sofrimento e não o acolhemos passivamente, por muito natural que ele seja – tentamos sempre preveni-lo e, quando ele se abate sobre nós, tentamos aliviá-lo e fazê-lo desaparecer. Nas touradas, o caso é completamente diferente. É provocado sofrimento severo aos touros. Sofrimento que em circunstâncias normais não sofreriam, sofrimento que nunca procuraram, sofrimento que, na verdade, faria com que fugissem, se pudessem, sendo evidente que os touros, nas touradas, tentam por todas as maneiras evitar o que lhes causa o sofrimento e tentam defender-se, embora em vão. Não têm qualquer hipótese de prevenir esse sofrimento que não escolheram, não têm como evitá-lo nem têm como acabar com as causas desse sofrimento ou curar-se. Nem têm quem os ajude – só têm quem, depois de lhes causar tanto sofrimento e tão graves lesões, acabará por levá-los para um matadouro, onde serão mortos depois de tanta agonia.

Conclui-se, então, que, para os touros, sofrer em touradas é infelizmente uma realidade mas não é uma inevitabilidade. É algo que só acontece porque uns lucram e outros divertem-se a provocá-lo. E isso é tão condenável e objectivamente inaceitável, que deve levar à total abolição da tauromaquia.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Porque Estamos Contra Touradas

Porque não acreditamos que o homem tenha o direito de torturar um animal por uma razão tão fútil como o divertimento das massas.
De facto consideramos que os animais têm os seus próprios direitos reconhecidos. Mas mesmo que estes direitos não fossem reconhecidos por ninguém, o respeito que a vida nos merece impedir-nos-ia de tolerar esta barbárie.

Esta é uma posição ética, não há qualquer tipo de ganho nela, a defesa da vida representa para nós um imperativo de valor superior àquele da arte tauromáquica ou da cultura tradicional. Por outras palavras não há estética sem ética, quer dizer não pode haver arte se não for acompanhada de ética.

Se permitirmos que as pessoas torturem animais, o simples espectáculo dessa tortura retira a humanidade às pessoas e cria uma sociedade violenta e agressiva. O embrutecimento que provoca no espectador de touradas, o facto de torturar um animal não termina na praça e tem como resultado a desvalorização da vida como um valor.

Não é necessário recorrer a estudos que nos demonstrem que os psicopatas têm um historial de maus tratos a animais desde a infância; o facto de levar uma criança a uma praça de touros leva a que a mesma perca o respeito pela vida; começa por um animal e mais tarde….
Nesta perspectiva há um outro aspecto importante a considerar. A sociedade vê como um bem o respeito pela vida e entre ela a vida animal, o que se reflecte em leis contra os maus tratos a animais.

A contradição surge quando o legislador se confronta com as festas tradicionais, nas quais se incluem touros. Assim, permite-se que se faça aos touros o que nunca se permitiria que se fizesse a um outro animal, por exemplo, o cão.

Então estamos perante uma distorção entre o que considera a sociedade como um bem e o que afinal legisla.
Ou visto de outro modo. Como pode moralmente um juiz condenar quem abandona um cão, enquanto que não actua contra quem fere e sangra um touro, unicamente por diversão?

Não serve como referência, mas sempre que se faz uma sondagem sobre touradas, a esmagadora maioria está contra e não a favor!
Fonte

sábado, 21 de abril de 2012

"... não vale a pena perder tempo com o Concelho de Cascais"



Na página oficial do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Cascais, o próprio refere:

"No que me diz respeito e enquanto Presidente da Camara Municipal de Cascais, posso aconselhar aos promotores desta Associação que não vale a pena perder tempo com o Concelho de Cascais, ainda para mais pela forma especulativa e pouco séria como estão a actuar."



Resposta à Associação que apresenta projeto de praça de toiros para Cascais

A Associação Pró Toiros na Linha, que será hoje formalmente apresentada, vai entregar em maio às câmaras de Cascais, Oeiras e Sintra um projeto para construção de uma praça de toiros que contempla também um hotel.
Um grupo de aficionados de vários pontos do país criou a associação com o objetivo de construir uma praça de toiros na Linha de Cascais, na Grande Lisboa, para promover a festa brava e outras atividades culturais.
Depois de ter criado o movimento através da rede social Facebook, na qual já reúne 5.000 seguidores, a Associação Pró Toiros na Linha vai hoje apresentar-se formalmente num jantar no Clube Naval de Cascais, para anunciar a sua intenção de construir uma praça de toiros.
Em declarações à Agência Lusa, o presidente da associação, Ricardo Dias Pinto, explicou que, além da praça de toiros, o projeto prevê a construção de um hotel, uma sala multiusos para realização de espetáculos e uma clínica de saúde privada.
"O projeto tem todo o interesse porque reúne várias vertentes e porque vai gerar muito emprego. O concelho que aceitar a nossa proposta terá muito a ganhar", sustentou o responsável.
A proposta, segundo Ricardo Dias Pinto, já suscitou o interesse de vários empresários que "se mostraram disponíveis para o financiamento necessário".
"Já temos investidores interessados, portanto, em maio vamos entregar a nossa proposta às câmaras de Cascais, Oeiras e Sintra e depois, consoante o interesse, vamos escolher o local em função das melhores condições", acrescentou.
A Associação Pró Toiros na Linha espera ainda lançar um periódico que defenda a tradição taurina, um projeto que também tem como objetivo ser distribuído junto das diversas comunidades portuguesas no estrangeiro.




A futura Associação Pró Toiros na Linha, vem pela presente Carta Aberta expressar, uma vez mais, a sua total e absoluta Indignação/Contestação ao comentário que V. Exa. fez neste dia 25 de Abril do corrente ano civil.

Vem V. Exa. falar de insultos dirigidos à Sua pessoa, de má Criação, de faltas educação, de ofensas a Vós dirigidos.
V. Exa. tenta a todo o custo, inverter posições agora que percebeu as Suas piores falhas, as Suas piores atitudes, as Suas negligências e em tudo má fé, no seu verdadeiro sentido, inclusive, jurídico.

Foi V. Exa. que proferiu de forma virulenta descabidas palavras de suspeição, de calúnias generalizadas, ofendendo pessoas, um futuro Organismo Associativista, os Cidadãos de Portugal e, mais especificamente, a população de Cascais.

Foi V. Exa. que num Sábado à noite, pelas 20horas, intervém numa Rede Social, difamando, denegrindo, insinuando, omitindo as Suas verdadeiras razões que o levaram a tomar uma atitude a fim de tranquilizar algumas, pouquíssimas, pessoas e outros interesses, acautelando/ditando que o projecto, que V. Exa. desconhece, nunca iria ser aprovado.

Agora, depois de ver a Sua incongruência já fala que a futura Associação deve mostrar o seu projecto, apresentando-se agora como o Bom samaritano, como a vítima dos defensores das Tradições Portuguesas e daquilo que Portugal tem de melhor: as Suas Gentes, os seus Usos e Costumes.

Foi V. Exa. que atacou algo que não conhece, pessoas idóneas e coerentes, um Projecto virado para a Sociedade civil, um Plano ambicioso e altruísta.

Fala V. Exa. de falta de Democracia por parte da futura Associação.
Exmo. Sr. Presidente, V. Exa. é que se demonstrou um pequeno Tirano de 3.º mundo, com as Suas pérfidas palavras, incumprindo e ameaçando os Direitos consagrados na CRP – Constituição da República Portuguesa, como se mencionou, desde já, na 1.ª Carta Aberta.

V. Exa. com o Seu “Volte de face”, contrariando os factos, demonstra agora a Sua falta de rigor, tendo precisado de 4 (quatro) dias para se aconselhar sobre como agora falar, tão que interpelado foi, aconselhando agora a futura Associação a consultar os Planos Camarários.
V. Exa. demonstra uma atitude de facto lamentável e incoerente.
A futura Associação não é, nem nunca será, movida por sentimentos de falsidade e só tem uma palavra: a verdade dos factos, sem “voltes de face”.
V. Exa. arroga conhecer este Concelho e a sua História, o que os factos afirmam como uma das mais inverdades, de todas que V. Exa. mencionou.

V. Exa. não possui as qualidades de uma pessoa de bem pelas palavras que efectiva, que expõe, baseando-se em falsos factos que tenta a todo o custo apresentar, em desespero de causa, tentando agora remediar todo o mal que desde já provocou.

Numa declaração anterior, V. Exa. diz que esta Associação não deve sequer perder tempo e não deve fazer-lhe perder tempo com assuntos de ficção. Agora, neste dia, vem dizer para que a futura Associação apresente o seu projecto.
Pergunta-se se agora V. Exa. já dispõe de tempo e se de facto já tem interesse no mesmo.

V. Exa. diz, de forma perfeitamente desconhecedora da legislação em vigor, que a futura Associação ainda nem sequer solicitou uma Reunião.
A resposta a esta Sua afirmação é só uma: a futura Associação ainda não tem personalidade jurídica para o fazer. A palavra futura quer dizer “vindoura”, que há-de vir. Depreende-se daqui que a futura Associação, assim, ainda, não existe.
Era, e é, intenção da futura Associação solicitar essa Reunião logo após a sua efectiva constituição, onde adquire a sua personalidade Jurídica. É algo que V. Exa. neste momento já sabe, pois pediu esclarecimentos ao Seu Departamento Jurídico, como aliás já tinha pedido esclarecimentos ao Seu Departamento de Urbanismo a fim de O esclarecerem acerca dos procedimentos devidos.

O Conhecimento desta Associação em termos Urbanísticos e Ambientais, está muito acima dos Seus melhores conhecimentos, gerais e específicos.

Diz V. Exa. na declaração de hoje que “Só assim o Município de Cascais se irá pronunciar (…)” mas o facto real e inequívoco é que o Município já se pronunciou de forma ilegal e abrupta, através da Sua declaração proferida, como já mencionado, num Sábado à noite, numa Rede Social.

V. Exa. não tem noção daquilo que diz e faz. Encontra-se à deriva num mar nunca antes navegado, pois nenhum Autarca anterior e que se preze, que saiba as Suas competências, faria e praticaria um desvaire destes.

V. Exa., Sr. Presidente da Câmara Municipal de Cascais, tenha atenção à Sua postura perante os Cidadãos deste Concelho e dos demais. Os Cidadãos têm Direitos consagrados.

Que pressões recaíram sobre Si, Sr. Presidente, que o fizeram correr para um computador, abri-lo e escrever o que escreveu? O que estará por detrás de toda esta reacção? O que O levou a proferir tais desconfianças?
Por mais que se queira entender, não se entende a Sua postura, o tratamento e o ostracismo a que esta futura Associação foi sujeita/colocada.

Ainda hoje o Digníssimo e Ilustre Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco e Silva, apelava à/para a Coesão Nacional, de todos os Portugueses.
V. Exa. deveria fazê-lo de forma a assumir a Sua postura como Autarca, terminando com a divisão entre pessoas, entre ideias. Um Autarca é alguém que tem os destinos de um Concelho nas Suas mãos e, portanto, deve sem demora consolidar políticas de coesão, de uniformidade e de coerência.

As Suas declarações são uma vez mais ofensivas e impróprias, pelo que deverá pedir desculpas e admitir o Seu profundo erro. Esse acto faria com que a Sua pessoa fosse num futuro respeitada e qui ça até querida como Autarca. Não é, nem nunca será, vergonha para ninguém admitir os Seus erros, por maiores que sejam. É isso que distingue os Homens dos homens.

V. Exa. fala de Valores e Princípios e da falta destes por parte de uma futura Associação e de alguns aficionados.
V. Exa. não tem condições morais, como Autarca, para falar de algo que não lhe é intrínseco. Prova disso, são as suas mudanças de atitude, de abordagem, de “Volte de face” perante o desenrolar dos acontecimentos.
Contrariamente ao Seu maior desejo, as Suas palavras foram esmagadas, deixando-o completamente sem norte e sem rumo, atropelando-se a Si próprio.

Apesar do Seu desconhecimento total acerca desta futura Associação, após a constituição da mesma, ser-lhe-ão remetidas cópias de todo o processo e o programa proposto.
Não é de esperar a Sua presença em nenhuma Reunião mas esta será solicitada em momento oportuno.
A litigância que as V/ palavras geraram, não intimidam a futura Associação, que, apesar da desistência de dois Investidores no projecto da Praça multifuncional, não baixarão os braços e continuarão a fazer progredir os seus propósitos e vontades. O Projecto de Associação não se esgota no Plano para uma Praça Multifuncional, muito pelo contrário.

Aconselha-se, desde já, V. Exa. a ouvir na Antena 1, as declarações proferidas pelos 2 (dois) membros da futura Associação a fim de se inteirar do Objecto Social e de todo um trabalho sério e coerente que tem vindo a ser desenvolvido.

A futura Associação Pró Toiros na Linha, espera da Sua parte, Sr. Presidente, um pedido formal de desculpas, não pelo dito contra as Toiradas, numa vertente entendida como pessoal, mas SIM, pelo facto como se dirigiu à futura Associação, membros e aficionados.

Associação Pró Toiros na Linha

sexta-feira, 30 de março de 2012

Uma praça de touros contra as touradas


A praça de touros de Viana do Castelo pode ser um “mural contra a tauromaquia”. Quem o diz é Tiago Arieira, um dos responsáveis pelo Movimento Viana Anti-touradas

Revitalizar o exterior da praça de touros de Viana do Castelo é a proposta do movimento Viana Anti-touradas. “Queremos fazer um mural anti-touradas nas paredes exteriores da praça, para a transformar num ponto de atracção na cidade e levar as pessoas a olhar para este espaço de outra forma”, afirma Tiago Arieira, arquitecto que lançou o projecto em colaboração com a designer Cátia Lages.

Desde a aquisição pela Câmara de Viana do Castelo, em 2008, já foram pensados vários fins para a antiga praça, como a transformação num Museu de Ciência Viva ou na sede de um Centro do Mar. Contudo, nenhuma destas ideias avançou, o que despertou a imaginação do movimento vianense.

“Pensámos em aproveitar o facto de Viana ser a primeira cidade antitouradas do país, pegar num espaço que não está a ser usado e dar-lhe uma nova utilidade.” Com este ponto de partida, Tiago Arieira assume a vontade de “dar visibilidade à causa anti-tauromáquica e criar uma dinâmica que permitiria levar o nome da cidade além fronteiras”.

Concurso internacional
Para concretizar o mural e dar-lhe visibilidade fora de portas, o movimento ambiciona promover um concurso internacional em que é solicitado um projecto artístico “em prol dos animais e contra as touradas, mas de uma forma positiva”. “Queremos projectos com referências artísticas mas com uma carga positiva, à semelhança do nosso logótipo em que aludimos a um beijo entre o toureiro e o animal”, salienta Tiago Arieira .

O co-responsável pelo movimento realça ainda a ambição de transfigurar a antiga praça de touros num auditório para eventos opostos daqueles para que os quais foi construído: “Um edifício que foi desenhado com um objectivo [touradas] seria transformado num edifício referência contra a tauromaquia".

Viana Anti-touradas quer explorar de uma forma artística a reacção do público ao seu projecto. É uma iniciativa que une a arquitectura e o design e que procura surpreender, até na forma de obter apoios para a sua causa. Tiago Arieira refere que, numa primeira fase, o esforço passa pela divulgação da ideia do mural na Internet, que irá permitir uma maior “visibilidade” do movimento e, posteriormente, facilitar os “contactos directos com a Câmara e outras entidades que estejam interessadas em apoiar o projecto”.

Fonte do gabinete de imprensa da Câmara de Viana do Castelo confirmou ao P3 que, actualmente, a praça de touros não tem nenhum projecto definido, sendo um espaço que está a aguardar melhores dias, nomeadamente em termos financeiros. Sobre a proposta do movimento Viana Anti-touradas, a mesma fonte revelou que o executivo está receptivo para conhecer a iniciativa.

O mural anti-touradas na praça de touros de Viana do Castelo é um projecto que se afirma independente, sem fins lucrativos e que procura chamar a atenção da comunidade para a problemática das touradas, ao mesmo tempo que visa a dinamização da vida cultural da cidade minhota. Tiago Arieira espera que o projecto idealizado seja um marco importante da 1ª edição da Bienal de Arte, Arquitectura e Design de Viana do Castelo, que está prevista para Setembro de 2012.


Fonte



Para que serve a praça de touros da primeira cidade antitouradas do país?
22.08.2011
A praça de touros de Viana do Castelo foi inaugurada em 1948
A praça de touros de Viana do Castelo foi inaugurada em 1948
Três anos depois de ter sido adquirida pela Câmara de Viana do Castelo, a antiga praça de touros está abandonada e a degradar-se, convertendo-se num problema para o município, que, em 2009, fez história ao transformar-se na primeira "cidade antitouradas" de Portugal.

Quando a praça foi comprada, em 2008, por pouco mais de cinco mil euros, o objectivo era transformá-la em Museu de Ciência Viva. Mais tarde, foi apontada como sede do futuro Centro de Mar. Recentemente, ficou sem destino, depois de o município ter decidido que o equipamento destinado a promover as actividades ligadas ao mar ficaria, afinal, no navio Gil Eannes (ver texto ao lado).

O presidente da Câmara de Viana, José Maria Costa, reconhece que, nesta altura, "não há uma ideia clara" para o espaço. Acrescenta que tem "várias hipóteses em cima da mesa" que prefere não revelar, "por não estarem suficientemente amadurecidas". "É um processo que está em avaliação e cuja decisão será sustentada no próprio desenvolvimento da cidade e das necessidades de equipamentos", acrescenta o autarca sobre o futuro da praça.

Situada na margem direita do rio Lima, no Parque da Cidade, a antiga praça de touros, inaugurada em 1948, é considerada, nos meios artísticos da cidade, como um espaço cuja localização tornaria ideal para receber grandes eventos culturais. Para David Martins, músico e produtor de eventos como o Festival de Jazz de Viana do castelo, que este ano assinalou o 20.º aniversário, o redondel seria "uma excelente sala de produção teatral" que poderia servir "as mais variadas expressões artísticas, desde a dança, ao teatro, música e até ao circo, por se tratar de um chapitô natural".

David Martins sustenta que a antiga praça necessita apenas de uma reavaliação de conceito. Defende que faria mais sentido que o conceito de espaços multiusos, actualmente associado ao Coliseu projectado por Souto Moura, que está em construção na frente ribeirinha da cidade, fosse reservado à praça de touros. "A praça tem mais valências para ser sala multiusos do que o pavilhão que está a ser construído com essa designação", afirma.

Segundo este produtor, o Coliseu, cujas obras pararam em Fevereiro por falta de dinheiro, devendo ser retomadas em Setembro, deveria ver o programa alterado e funcionar como auditório, com pouco mais de mil lugares, para espectáculos de média dimensão. David Martins observa que, assim, ainda com o Teatro Sá de Miranda, que tem 400 lugares, a cidade "ficaria servida com três tipos de salas para eventos de diferentes dimensões".

O produtor acredita que, mais do que de "vontade política", a falta de financiamento "poderá inviabilizar" este tipo de solução. Que "não morreria por falta de público em Viana", garante. "O problema, como noutras zonas do país, é a falta de verba para garantir uma programação contínua", sublinha.

Entre os empresários do concelho, considera-se que uma solução para a praça de touros poderia muito bem passar pela readaptação a centro de feiras e exposições. No entanto, o presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo, Luís Ceia, lembra que essa já é uma função atribuída ao pavilhão da Associação Industrial do Minho (AIMinho), no Campo da Agonia e será também uma das valências do Coliseu de Souto Moura, futuro Centro Cultural de Viana do Castelo.

Quando abrir portas, este equipamento estará preparado para acolher todo o tipo de eventos culturais de âmbito regional, para promoção do turismo, dos produtos tradicionais, do património e da cultura, além de provas desportivas. Eventos ligados à moda, mostras de cinema e vídeo, exposições náuticas foram já propostas anunciadas pela câmara para preencher a programação do Centro Cultural.

Em 2009, o ex-candidato à Presidência da República Defensor Moura, então presidente da Câmara de Viana, anunciou um projecto de reconversão da praça de touros, inaugurada há 62 anos, num Museu de Ciência Viva. Defensor Moura foi também responsável pela proibição de qualquer espectáculo tauromáquico em espaços públicos e privados do município. Na altura, a ideia era criar uma estrutura semelhante ao Museu do Homem, da Corunha, na Galiza. Esse museu funcionaria em articulação com o parque ecológico urbano, mesmo ao lado, com os seus cerca de 23 hectares, a montante da ponte Eiffel, na zona da caldeira de marés das antigas Azenhas D. Prior, junto ao rio Lima.No entanto, quando José Maria Costa, que integrava a vereação de Defensor Moura, chegou à presidência da câmara, o projecto foi considerado desadequado, face à intenção do novo executivo de dar "grande visibilidade" às actividades ligadas ao mar, para dinamizar esse sector económico.

O projecto do Centro de Mar começou então a ganhar forma. Foi elaborado pela Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco e chegou a ser anunciada a sua instalação no antigo redondel. Contudo, uma nova reavaliação do processo acabou por eleger o navio Gil Eannes como sede do Centro de Mar, dada a sua proximidade à futura marina Atlântica e aos três centros náuticos de recreio que estão orçados em 5,1 milhões de euros e que vão começar a ser construídos no próximo ano.