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terça-feira, 4 de julho de 2017

O fim das touradas: uma semente para a revolução

O que representa realmente a Tauromaquia?
“A ligação entre violência sobre pessoas e violência sobre animais está bem documentada na comunidade científica internacional. Na sua forma mais simples: A violência contra animais é um indicador de que o agressor se pode tornar violento contra pessoas, e vive versa. O abuso é abuso não interessa de que forma ou de quem é a vitima.” 1
 Quando pensamos em touradas, a imagem mais comum é a violência na arena sofrida pelo touro. É sem dúvida o touro que acaba a sofrer mais, mas não é de forma alguma este o único animal a ser humilhado e torturado em prol dos aficionados. Se são os touros que todos os anos sofrem e morrem às centenas em nome da tradição, são também os cavalos a ser violentados, usados como autênticos “tanques” na arena. Aqui no entanto, vamos falar também de mais um animal vítima da tradição… Nós. Vamos falar de como a tradição das touradas nos afecta, como indivíduos numa sociedade entendida como livre e igualitária. Vamos falar das ramificações da tourada, do que representa e vive a Tradição Tauromáquica cujos aficionados defendem com declarado amor, esmero e violência.
Na Europa, Espanha, Inglaterra, Portugal e França são focos de um gradual ressurgimento da tauromaquia e, por arrasto, da classe que dela vive. Este ressurgimento não é fruto de um crescente interesse das populações na prática, mas sim resultado da cumplicidade e interesses partilhados por uma minoria que permeia as elites destes países e que crescentemente se imiscui nos processos de decisão política. Um cúmplice destacado neste processo é hoje tão-somente o Comissário do Ambiente e Energia na Comissão Europeia. Miguel Arias Cañete foi nomeado para o cargo em 2014, apesar de ser accionista em duas empresas de petróleo, meros meses após ter sido o cabeça-de-lista do PP espanhol ao Parlamento Europeu. No contexto da candidatura surgiu relacionado no caso “sobresueldos”, uma cabala para esconder dinheiros (300 mil euros) do seu partido. Cañete não chegou a este posto por acaso. Com um longo percurso no aparelho partidário do PP, entre 2011 e 2014 foi Ministro da Agricultura, Alimentação e Ambiente no governo de Mariano Rajoy, tendo antes, entre 2000 e 2004, sido Ministro da Agricultura e Pescas no último governo Aznar.
canete-en-los-toros-mientras-arden-los-bosquesCañete é cunhado por casamento do ganadeiro Juan Pedro Domecp (Ganadeiro de touro bravo para Lide e Cavalos). A sua ligação à tauromaquia manifesta-se ao longo da sua carreira política e governativa de forma clara. Em 2001, em defesa do interesse da nação (e seu e de sua mulher, filha dos marqueses de Valência e restante família tauromáquica), Cañete escusa-se do Conselho de Ministros que aprovava um decreto-lei preparado pelo seu ministério sobre apoios à raça bovina de lide (touros de arena). Nesse mesmo ano Rajoy delega-lhe a pasta de apoio ao sector taurino. Foi Cañete a forçar em Espanha a PAC (Política Agrícola Comum), que entre 2014 e 2020 pretende subsidiar com 47 mil milhões de euros o sector agro-pecuário, que em muito beneficiará a ganadaria. Sem surpresa, o seu nome apareceu relacionado com o branqueamento de capitais no mesmo sector (entre outras coisas, no fabrico de pensos para animais e criação de galinhas), estimado em 2 mil milhões de pesetas (cerca de 12 milhões de euros). É este o curriculum imaculado do actual Comissário do Ambiente e Energia da Comissão Europeia. Isto sim é uma tourada.
Voltando o olhar para Portugal, estima-se que 16 milhões de euros são disponibilizados directamente no apoio à tauromaquia. Porquê? As touradas desde os anos 80 estão em decadência. Nos últimos 10 anos o número de touradas e espectadores tem vindo a diminuir consistentemente 2 e sem o apoio de dinheiros públicos, não seriam as cerca de 60 praças permanentes – com uma média de 3 espectáculos por ano – que manteriam viva a tradição, ou que sustentariam a boa-vida das famílias destacadas da tauromaquia. Assim percebe-se melhor a necessidade de consolidar a tauromaquia, “um dos pilares da nação portuguesa”, como um valor cultural, património nacional e internacional, a ser preservado ou, dito de outra forma, subsidiado.

“Neste momento, e mesmo para uma primeira figura, é difícil viver só de toiros… E quem disser o contrário, digo-lhe já que não é verdade!” 3
À luz da crescente crise que vivemos, tendo em conta as dificuldades de agricultores e da população em geral em aceder a serviços essenciais como a saúde, com a falta de condições nas escolas, falta de apoio a cooperativas e grupos artísticos de teatro, dança, aos saberes tradicionais, a grupos e associações de apoio social, etc, o apoio à tauromaquia é de uma prepotência desumana.
Para além dos apoios directos, a União Europeia e o Estado português oferecem dinheiro a ganadeiros de outras formas, dinheiro esse que é frequentemente investido em indústrias paralelas e rentáveis: a criação de bovinos para a indústria agro-alimentar e de curtumes, a produção de cereais usados na confecção de rações ou o turismo rural. Com a desculpa de que sem as touradas os touros entrariam em extinção, os ganadeiros, entre outros apoios, recebem através da Associação de Agricultores e da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide dinheiros abrangidos pela “Estratégia para a Conservação e melhoramento das Raças Autóctones“. Enquanto para se proteger águias, lobos, ou o lince Ibérico, para citar apenas alguns animais selvagens ameaçados, é tantas vezes necessário depender da indústria privada – muitas vezes directamente responsável pelos riscos e destruição de ecossistemas que ameaça esses animais – face ao parco financiamento público para a sua protecção, é a indústria de exploração tauromáquica que, ironicamente, recebe dinheiros públicos, para “manter os toiros vivos“.
Em 2010, a então Ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas (PS), criou uma secção especial dedicada às touradas no Concelho Nacional de Cultura. No âmbito do trabalho da mesma, os Tauromáquicos além do dinheiro que recebem, passam a poder ir a escolas preparatórias promover junto de crianças a sua tradição sanguinária, com os intrínsecos danos nocivos para o crescimento equilibrado de qualquer ser humano e que, numa sociedade em crescente fragilização, contribuem certamente para a normalização da violência, de comportamentos agressivos, nomeadamente para com outro seres humanos. Não faltam indícios disso mesmo. Em 2012, o toureiro Marcelo Mendes, investiu com o seu cavalo sobre manifestantes anti-tourada, na localidade de Torreira. Em 2014, um carro com forcados atropelou manifestantes na praia de Mira. A violência não é novidade entre elementos da tauromaquia. Em 2003 durante uma largada de vacas no concelho de Montemor, os forcados de Montemor provocaram cenas de pancadaria. Segundo o presidente da junta de Lavre, localidade onde se realizava a largada: “Foram eles que provocaram tudo. São uns arruaceiros. Onde quer que vão armam violência e são protegidos por serem das famílias influentes da zona (…) Acho que já é tempo de serem punidos”. Em 2009, o mesmo grupo envolveu-se em cenas violentas com seguranças da discoteca “Praxis” em Évora. Em 2011, vários focados envolvem-se em pancadaria nas bancadas do Campo Pequeno e no ano seguinte, forcados envolvem-se em desacatos na discoteca “Kapital” na Terceira.
Em 2013 foi notícia uma rixa envolvendo forcados nas festas de Alcácer do Sal, que resultou numa agressão com arma branca. Ainda em 2013, o forcado Carlos Grave agrediu um socorrista da Cruz Vermelha no Campo Pequeno, por este ter fugido de um touro, enquanto socorria um outro forcado. Em 2013, em França, após quase dois anos sem manifestações, um grupo anti-touradas invadiu uma praça de touros em Rion-des-Landes. A reacção dos aficionados fez jus à violência cega da sua tradição e o resultado foram oito feridos. Um deles, em estado grave devido à brutalidade das agressões, teve de ser induzido a um estado de coma artificial. Já em 2011 uma acção com o mesmo objectivo tinha acabado em violência extrema. As imagens que correram as redes sociais são disso exemplo. Os aplausos que se ouvem quando o touro é torturado, são os mesmos que se ouvem enquanto cavaleiros, ganadeiros e aficionados agridem os manifestantes, indefesos, no meio da arena. O modo como a população de Barrancos defende o “Touro de Morte“ e as agressões de que foram alvo alguns activistas, nas barbas da polícia, a facilidade com que se mudaram leis, para tornar legal a chacina que se repete em Barrancos todos os anos, deve preocupar qualquer pessoa vinculada com a ideia de uma sociedade justa. Depois de Barrancos, várias localidades exigem o mesmo direito a matar o Touro aos olhos do público. O caso das touradas em Viana do Castelo, município que se declarou anti-tourada, é um perfeito exemplo da arrogância dos tauromáquicos e do modo como encaram a vontade popular e seus representantes democráticos.

touradas4“O homem que mata animais hoje, é aquele que mata as pessoas que atrapalham o seu caminho amanhã” – Dian Fossey
A tradição de que origina a tourada reflecte (e deriva de) alguns dos piores elementos da história humana: a exploração do outro e do meio natural, a glorificação da guerra e do militarismo, o autoritarismo e perversidade de modelos de organização social que pressupõe a superioridade de uns, sobre a maioria dos outros. Na sua génese podem estar práticas ancestrais, mais ou menos disseminadas, mas cuja antiguidade e ritualização não podem esconder ou justificar a sua violência e crueldade. Essas práticas, gradualmente despidas com o passar do tempo, do seu carácter “mágico” ou espiritual, cristalizam-se em “espectáculos”. Essa transição é visível através da história Europeia. Um elemento característico da vida da aristocracia europeia era o ócio, maligno, que os levava a buscar diversões: jogos e torneios vários, sendo um deles o “Torneio de Animais”. Os primeiros confrontos nestes torneios consistiam em lutas entre cães, animais selvagens e touros. O “bullfighting” da aristocracia inglesa do século XV, perdura até hoje, como comprovado pelas fotos publicadas na internet pelo cavaleiro João Moura em 2014, onde se pode ver 5 cães atiçados a um vitelo, com a intenção de os publicitar para posterior venda. No século XVIII (que tanta nostalgia traz aos ganadeiros e cavaleiros) os “pretos“ foram acrescentados aos animais que entravam na arena do “Circo de Animais”. Em dias de festa brava, o racismo era alimentado a touros e escravos, como confirmado por uma notícia no Diário do Governo nº 232, de 1844, sobre uma tourada na cidade da Nazaré, onde se pode ler: “…alguns homens pretos foram ali tratados com estrema barbaridade. (…) A maior parte dos membros da câmara sabia o que se praticava com estes infelizes nas praças de touros, onde eram tractados peior do que os animais”. Esta forma de torneio, a “Tourada”, enquadrava-se já nas vidas dos cavaleiros, permitindo o treino da equitação. Assim, a classe cavalheiresca começou ela própria a desafiar o touro sempre montada a cavalo, fazendo apresentações em celebrações e outros eventos. Casamentos reais, vitórias militares e acções religiosas eram assim “enobrecidos”.
A história europeia fornece inúmeros exemplos destas práticas, como por exemplo durante a coroação de Afonso VII de Castela e Leão no contexto da qual muitos animais terão morrido, ao ponto de se começar a registar o número de touros mortos como medida da grandiosidade do evento. Mais tarde, já no século XVIII, este tipo de torneios ganha um novo âmbito, tornando-se também uma diversão para os trabalhadores das quintas dos senhores. Foi neste momento que se consolida a tourada a pé (Forcados). Segundo José Rodriguez (Pepete), toureiro do século XIX, “grande parte destes novos participantes trabalham nos matadouros ou nas criações de gado dos senhores”. A Tourada também conheceu resistência, tendo sido proibida por Papas e monarcas, mas quando Ferdinando VII ascende ao trono de Espanha, a actividade volta a crescer em popularidade.
Voltando ao presente, Viana do Castelo, depois de ser a primeira cidade do país a declarar-se anti-tourada, enfrenta uma guerra aberta, antidemocrática, por parte do “lobby” para forçar as touradas na cidade. A câmara local comprou a praça existente para a tornar, como centro de Ciência Viva, num espaço de real cultura. Os aficionados querem a praça de volta, e têm realizado touradas na periferia da cidade, utilizando uma praça móvel, montada em terrenos privados. Desta mesma prepotência – voltando também à questão dos apoios – existem dezenas de exemplos. Um pouco por todo o país, onde existem praças fixas, os tauromáquicos exigem dinheiros públicos para as renovar e museus para “iluminar” a sua cultura.
Cavaleiros e ganadeiros parecem desejar recuperar o lema do coliseu Romano: “Pão, (Deus) e Jogos”. Hoje convertido em “Touros, (Fado) e Futebol”, é sob esse lema, que a família tauromáquica se reúne e projecta planos para renovar a tradição. Foi num desses encontros que os aficionados das Caldas da Rainha divulgaram a intenção de reabrir o Museu Joaquim Alves. A Câmara Municipal guarda o espólio do museu, esperando por um local para o reabrir. Pedidos de museus tauromáquicos com dinheiros públicos ou apoios para os já existentes repetem-se por dezenas de cidades.
Esta atitude tem antecedentes que ajudam percebê-la. A arrogância de um grupo que se julga e sente melhor, a aristocracia, tem na classe tauromáquica um repositório e manifesta-se em atitudes e práticas. Muitos dos membros dessa classe, frequentemente oriundos de famílias “antigas” e mais ou menos endinheiradas, têm posições destacadas na comunidade que integram e consequente acesso ao poder político local, nacional e mesmo internacional. Isto ajuda a perceber a desproporcionalidade de representação dos interesses do que é efectivamente uma diminuta minoria. Isto por sua vez reflecte-se na acção de Juntas, Autarquias e do Estado.
Portugal, representado pela Liga portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida, que desde 2014 é membro da European & Mediterranean Horse Racing Federation, organiza várias corridas e promove sistemas de apostas online. Em 2004, o Ministério da Agricultura apresentou em Concelho de Ministros um diploma para facilitar a introdução do sistema de apostas em corridas de cavalos. A intenção era legalizar duas pistas no País, uma no Norte – a Maia rapidamente se colocou na linha da frente – outra no Sul, grande parte pago com dinheiros públicos.

outdoor-0051O Estado, ao serviço das elites, como criador de animais para lide?
Em 1908 a Ganadaria Real portuguesa enviou touros para lide na Cidade Real, em Espanha. Este foi o relato da ganadaria: “Seis catedrais! Nunca algum toureiro ou algum aficionado vira touros mais monstruosos. Deixaram 16 cavalos no chão”. A ganadaria criou touros a partir de vacas da família Vitorino Avelar Fróis, cobertas por animais de Infante da Câmara e outros criadores. Cem anos mais tarde as proclamações são menos bombásticas, mas o Estado português é criador de cavalos, muitos dos quais são vendidos, para procriação, para os desportos equestres ou para fins militares através da Coudelaria de Alter. Hoje integrada na Companhia das Lezírias SA, nos seus 800 hectares murados coexistem com o espólio equino da Coudelaria Nacional, do Alter e das Lezírias. Tem como missão expressa, em regime de serviço público, “a preservação do património genético animal da raça lusitana, quer na linha genética da Coudelaria Nacional, quer na linha Alter Real”. Curiosamente, em 2004, a Companhia das Lezírias (a maior exploração florestal e agro-pecuária do país),esteve para ser privatizada por Durão Barroso. Em 2014, a Ministra Assunção Cristas recusou a privatização da companhia e acrescentou: “Vamos potencializar o turismo equestre que é uma área de elevado potencial de desenvolvimento no nosso país”. Nesse âmbito, insere-se ainda a EPAE (Escola Portuguesa de Arte Equestre), que trabalha em estreita ligação com a Coudelaria do Alter. Fundada em 1979 e desde 2012 gerida pela Parques de Sintra-Monte da Lua SA, uma empresa pública fundada em 2000 para gerir a paisagem cultural de Sintra. A EPAE tem como função expressa “o ensino, a prática e a divulgação da Arte Equestre tradicional portuguesa” dando sequência ao “ensinamento e tradição” da academia equestre da Corte do século XVIII, a Real Picaria. Então como agora, o “ensinamento e tradição” estão intimamente ligados ao toureio equestre.
Assim, a preservação da “nobre” arte equestre, com o toureio no seu cerne, passou das mãos da Coroa para as do Estado. As rédeas, essas, estiveram sempre nas mesmas mãos, as da “Corte” montada em torno do que não deixa de ser uma indústria, que, bem subsidiada, mantém e gere vastas propriedades e negócios decorrentes. Basta ver que da Corte de então à de agora, muitos apelidos se mantêm para perceber que, despidos de títulos, muitos encontraram na “tradição” um veículo e sustentáculo de poder e influência.
A Quinta do Castilho por exemplo, pertence à família Infante da Câmara, que tem orgulhosamente como antepassado Nuno Tristão, um explorador e pioneiro, em meados do século XV, da venda de escravos pelos portugueses. Mais tarde, D. Emílio Ornelas Infante da Câmara, o então patriarca da família, foi uma das figuras proeminentes da agricultura ribatejana oitocentista, onde o Liberalismo assistiu à criação de uma burguesia agrária, naturalmente ligada à prática equestre. A quinta construída em 1914 durante a 1ª República tem hoje, entre outros serviços, espaços para eventos sociais. Uma das actividades de dinâmica de grupo é uma praça de touros onde se “pode assistir a uma demonstração do que é uma verdadeira corrida de toiros ou de cavalos puros Lusitanos”. Foi a família Infante da Câmara que inaugurou a praça de touros do Campo Pequeno, estando presente no seu Centenário em 1992.
Neste esboço, é possível começar a perceber que, ofuscadas pelo discurso simplista acerca de tradição, estão tensões antigas e relações de poder que em grande medida se mantêm. Está também um historial de exploração humana e animal. Esse discurso é usado pelas elites que dele beneficiam para justificar a instrumentalização de recurso e dinheiro público para beneficiar o que é na realidade um negócio. Frequentemente, os nobres de ontem são os defensores da tradição de hoje. Um pouco por toda a Europa do sul e em Inglaterra há “Cañetes” que em cargos mais ou menos elevados, favorecem os interesses da minoria a que pertencem. A “nobreza” das lides viveu e vive da pobreza das gentes, tanto quanto do sofrimento dos animais e portanto quando falamos de tauromaquia, não falamos apenas do triste espectáculo da arena, mas de toda uma realidade social, com raízes no latifúndio, na exploração e opressão. E ao combatê-la lutamos não só pelos animais, mas pelas gentes e em geral por um mundo um pouco mais justo e um pouco menos cruel.
Notes:
  1. Understanding the Link between Violence to Animals and People: A Guidebook for Criminal Justice Professionals. NDAA (National District Attorneys Association) (2014)↩
  2.  IGAC relatório da actividade tauromáquica Luís Rouxinol, Naturales – correio da tauromaquia ibérica, 2012. ↩
  3.  Luís Rouxinol, Naturales – correio da tauromaquia ibérica, 2012. ↩


Por Granado da Silva


Fonte: 
http://www.jornalmapa.pt/2015/07/05/o-fim-das-touradas-uma-semente-para-a-revolucao/

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Touros de Morte!


Este texto do professor Luís Vicente foi eliminado da sua cronologia devido a uma denúncia.

Segue o texto: [link]

Hoje um post de uma senhora de Alcochete em defesa das touradas irritou-me o suficiente para lhe responder com o que abaixo transcrevo:

Cara Senhora Mestre em Psicologia Inês Pinto Tavares,

Sabe o que é racismo? Racismo é a senhora ser caucasiana e considerar negros, judeus, palestinianos, asiáticos, etc, seres inferiores. Sendo seres inferiores considerava-se, não há muitos anos, que não tinham alma e, portanto, podiam ser mortos em campos de concentração ou noutros processos genocidas.
A isso chamou-se no século XX, NAZISMO.

Por generalização, o ESPECIÍSMO é uma extensão e um corolário do nazismo. É portanto uma forma de nazismo. É considerar que os outros animais, cães, gatos, porcos, touros, burros, etc. não têm alma e que, portanto, podem ser mortos. É rigorosamente a mesma coisa: NAZISMO, FASCISMO!!!!!

Chamemos as coisas pelo nome!
Pessoas congratularem-se com a tortura pública de um outro animal é um sentimento baixo (no caso que a senhora tanto aprecia, um touro), reles, primitivo, repugnante, NAZI. Nem se trata de matar um ser vivo numa situação de fome para comer, trata-se de torturar e matar por puro prazer. Se a senhora tivesse vivido no século XVI, XVII ou XVIII, certamente que se divertiria com os Autos de Fé no Rossio em que pessoas eram queimadas na fogueira. Talvez tivesse um imenso prazer na matança dos cristãos-novos. Se tivesse vivido na antiga Roma, muito se divertiria com os cristãos lançados aos leões para gáudio da população.

Enfim, estudou Psicologia na universidade onde sou professor, fez um mestrado em Psicologia Comunitária e Protecção de Menores. Provavelmente não aprendeu nada. Foi uma perda de tempo.
Sabe o que são neurotransmissores? Sabe o que é cortisol? Sabe o que é oxitocina? Sabe o que é serotonina? Conhece a anatomia do encéfalo?

Sabe que numa tomografia de emissão de positrões as áreas do encéfalo afectadas pelo sofrimento num touro, num rato, num cão ou num humano são rigorosamente as mesmas?
Sabe que as variações químicas no encéfalo são rigorosamente as mesmas em situações de prazer ou de dor em qualquer dos animais referidos, incluindo os humanos?

Se a senhora aprendeu alguma coisa sobre ciência e método científico o que é que deduz sobre o sofrimento do touro na arena?
Não vale a pena explicar-lhe, pois não?

Também deve pensar que Deus colocou o homem no centro do universo à sua imagem e semelhança logo abaixo dos anjos. Sabe, o meu Deus não é o seu. O meu Deus é infinitamente bondoso e misericordioso. Não pactua com os crimes que tanto prazer lhe dão a si. Não se compadece com pessoas que, da mesma forma que o louva-a-deus, rezam antes de matar.

Quer que eu tenha mais pena de um assassino do que de um touro que é torturado até à morte com requintes de malvadez? Lamento mas não tenho. Entre o assassino e o touro, de caras que escolho o touro.

Divirta-se nas suas touradas, divirta-se nos autos de fé no Rossio, divirta-se na praça da revolução em Paris enquanto cabeças dos guilhotinados rolam para um cesto de serradura, divirta-se nos circos romanos, divirta-se nos fornos crematórios de Auschwitz, divirta-se com a morte e o sofrimento dos outros, seja cúmplice!!!
Tenho a certeza absoluta que a senhora é incapaz, pelas suas limitações cognitivas, de compreender aquilo que estou a escrever. Não é certamente. Por isso perco o meu tempo.

Enfim, só lhe envio esta mensagem porque a senhora me tirou o sono.

Faça o favor de ser feliz com as suas mãos conspurcadas de sangue alheio!"


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Testemunho Real!



 Palabras de un técnico de sonido de televisión que hacía las retransmisiones de toros...

"En mi caso, que me ha tocado llevar el sonido en alguna retransmisión, siempre he comentado, que si en lugar de la mezcla de sonido de la banda de música, aplausos, bravos, olessss y demás... el sonido fuera el que capta el Sennheiser 816 (micrófono que capta a gran distancia y buena calidad) a pie de ruedo, donde se escucha perfectamente el sonido de la banderillas al entrar en la piel, los mugidos de dolor que da el animal a cada tortura a la que se somete... y además lo acompañáramos de primeros planos de las heridas que lleva, de los coágulos como la palma de una mano, de la sangre que le brota acompasada al latir del corazón o la mirada que pone en animal antes de que le den la estocada final, creo que el 90% apagaría el televisor al presenciar semejante carnicería a ritmo de pasodoble.

Yo, personalmente pedí el dejar de hacer ese tipo de trabajo, precisamente un día que en Castellón me tocó estar en el callejón y me cabreé mucho al escuchar a un toro, al cual el torero falló cuatro veces con el estoque y harto de escuchar al pobre animal me quité los auriculares... No tuve bastante, que mientras agonizaba, escupía, se ahogaba en su sangre, se vino a morir justo pegado a mi, apoyado sobre las maderas mientras daba pasmos y su mirada ensangrentada y con lágrimas, sí lágrimas, sean o no sean de dolor, se cruzó con la mía y no nos la perdimos hasta que un inútil .... falló dos veces con el descabello, al que le dije de todo.

Ahí acabó mi temporada torera de por vida.

Son sentimientos personales y lo mas probable es que a un amante de "la fiesta" le parezca ridículo, pero para mi, más ridículo es cuando después de semejante carnicería, giras la vista al público y los ves allí aplaudiendo, comiendo su bocata sin inmutarse, ni habiendo visto y oído lo que yo."

 Jose Sepúlveda Sepul



"Anonymous Defensa Animal España"
"El técnico de sonido del viral antitaurino: "Es una bestialidad, que lo soporte el que pueda" - El Huffington Post"
"El viral testimonio de un técnico de sonido sobre las corridas de toros - El Huffington Post"
"LA VOZ DE GALICIA"


"La memoria del llanto, un artículo contra los toros del periodista y escritor Francesc González Ledesma, publicado en el diario El País en marzo de 2010."



«Testemunho de um Técnico de Som sobre a Barbárie Tauromáquica

Jose Sepúlveda, técnico de som do Canal Nou e que durante algum tempo trabalhou na transmissão de touradas decidiu relatar aquilo que viu e ouviu durante estas emissões. A imagem inserida no texto é apenas para ilustração do artigo.

Sempre que trabalhei na parte sonora das transmissões frequentemente comentava que se em lugar da banda de música, dos aplausos, dos bravos, dos olés e etc o som fosse captado pelo Sennheiser 816 (microfone que capta a grande distância e com muita qualidade) perto da arena onde se escuta perfeitamente o som das bandarilhas a entrar na pele, os mugidos de dor do animal a cada tortura que é submetido e além disso as pessoas acompanhassem os primeiros planos das feridas, dos coágulos tão grandes com a palma da mão, do sangue que jorra, do bater do coração ou o olhar do animal antes da estocada final 90% desligaria a televisão ao presenciar tamanha chacina ao ritmo de pasodoble.

Eu pessoalmente pedi para deixar de fazer esse tipo de trabalho, porque um dia em Castellón, tocou-me estar entre barreiras e fiquei muito incomodado ao escutar um touro depois do toureiro ter falhado por quatro vezes a estocada e tive que tirar os auscultadores e o animal agonizava, cuspia, afogava-se no seu sangue vindo morrer mesmo ao pé de mim apoiado na madeira e o seu olhar ensanguentado e com lágrimas, sim lágrimas, sejam ou não sejam de dor cruzou-se com o meu até que um inútil falhou duas vezes o descabelo e eu disse-lhe tudo e mais alguma coisa.

Foi aí que terminou o meu trabalho em praças de touros para toda a vida.

São sentimentos pessoais e o mais provável é que um amante da “fiesta” ache ridículo, mas para mim ridículo é quando depois de semelhante carnificina olhas para o público e vês que aplaude, come sandes sem qualquer preocupação não tendo visto nem ouvido o que eu testemunhei”.

Excelente testemunho que retrata a verdade sobre um espectáculo que é brutalmente bárbaro e cruel e que tem que ser erradicado.

Prótouro
Pelos touros em liberdade

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O touro tem uma vida de rei durante 5 anos e depois sofre na arena durante 20 minutos

Deveria preocupar-nos o carácter doentio de criar animais para os sujeitar a um ritual de tortura antes de os matar. Até porque sabemos que violência é violência, qualquer que seja a vítima e não é por acaso que diversos estudos no âmbito da psicologia, demonstrem que todos os serial killers treinaram os seus dotes primeiro em animais.

É a sede de dominar e de subjugar que emana deste tipo de cultura, donde provém igualmente a violência doméstica (em que o mais forte necessita permanentemente de afirmar a sua superioridade através da submissão dos mais fracos).

Se o simples abandono de animais de estimação é consensualmente condenado pela população, por que motivo devemos aceitar que outros torturem touros, por mais bem estimados que sejam?


(DES)Argumentos:  tauromaquia
Fonte

É melhor a vida de um touro de lide do que a dos bois para consumo


Nenhum mal pode ser justificável por comparação com outro mal maior.

Corredor da Morte


O touro gosta da lide, sente-se respeitado

Deve ser resultado de algum estudo de opinião em que entrevistaram os touros à saída da arena...

Este é mais um paradoxo da defesa da tauromaquia: por um lado acusam os que a ela se opõem de antropomorfizar o touro quando falam em sofrimento mas, por outro não têm qualquer pudor em afirmar que o touro sente honra, arrogância ou paixão por ser ludibriado e ferido num ambiente hostil, longe dos seus pares.

A valentia, a inteligência contra a força bruta

Há quem prove diariamente que a valentia e a inteligência são superiores à força bruta, através da literatura, da filosofia, da ciência, da tecnologia, da política, da intervenção social.

A corrida de touros está concebida de forma a que um dos lados esteja preparado para vencer e o outro condicionado para perder. Não é por acaso que as praças são redondas, que os cornos são despontados e embolados, que os toureiros aprendem as técnicas de melhor enganar o touro, que a música toca, que o público grita, que a sequência e o tamanho das bandarilhas é precisamente aquele.

Assumindo que a inteligência é a capacidade de resolver novos problemas, o touro – o tal animal irracional – é o único que a tem que usar, porque é aquele que não sabe o que o espera. Se ensinássemos o touro (sim, são capazes de aprender, como todos os outros animais, através de estímulos positivos e negativos) a apontar ao corpo e não à muleta, a não reagir às primeiras agressões e esperar que o torturador se exponha cada vez mais, a virar a cabeça de lado no momento do encontro com o forcado? E se, sobretudo, o fizéssemos sem o conhecimento prévio de toureiros e forcados? Aí o desfecho seria seguramente outro e já não seria “justo”.

Basta ver os gestos repetidos e as expressões grotescas de triunfo dos toureiros para perceber o carácter supérfluo, primitivo e inútil da necessidade de um ritual em que o homem pretende demonstrar a superioridade sobre um animal. É fácil de perceber que uma coisa destas ao invés de elevar o homem, bestializa-o.

É ainda importante considerar a própria pertinência de perpetuar um ritual primitivo em que, supostamente, se confrontam a inteligência e a força bruta. Acima de tudo, é um ritual de vaidade, supérfluo e desnecessário. Alegar que tal confronto é uma das essências da tourada é afirmar que o homem precisa de provar que é intelectualmente superior a um animal, o que é verdadeiramente absurdo.

Concluindo: houve inteligência sim, mas a montante, na construção desta sequência. Mas sabemos bem do que a inteligência sem empatia é capaz.

O touro não sofre


Sabemos que é reprovável causar sofrimento por motivos triviais. Mas o que é facto é que o touro tem que sofrer durante o espetáculo com que se deleitam os aficionados.

Por isso parece-lhes melhor defender a ideia absurda de que um animal que sente uma mosca a picar-lhe os flancos, por uma espécie de passe de mágica, numa arena não sente ferros de 8cm de comprimento com um arpão de 4cmx2cm a enterrarem-se-lhe na carne e a dilacerarem-lhe músculos, vasos sanguíneos e nervos.

Para conferir alguma credibilidade a este absurdo, invocam muitas vezes um pseudo- estudo do porf. Illera, que obviamente não conseguiu passar pelo crivo do peer review. E como não conseguiu publicar em revistas científicas, optou por publicar as suas conclusões em revistas tauromáquicas que o acolheram de braços abertos e divulgaram até à exaustão.

Entre os argumentos pseudo-científicos frequentemente associados à alegação de que o touro não sofre, a questão da adrenalina costuma ter um papel de destaque. Dizem que a secreção de adrenalina como elemento inibidor de dor é a prova de que o touro não sofre com as agressões que sofre durante a lide. A auto-contradição é evidente: a secreção de adrenalina ocorre em momentos de claro perigo e tensão e é o mais claro indicador de que o touro está, efectivamente, a sofrer. Senão, a adrenalina não seria sequer necessária.

Puro bom senso.

Controvérsia sobre o sofrimento dos touros 
O touro picado não sente dor - As lérias do prof.Juan Carlos Illera  

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cavalos e Pessoas II

Por:  Dr. Vasco Reis (médico veterinário aposentado)

Caras companheiras e caros companheiros,
Durante mais de 10 anos (1973-84), na Suíça e na Alemanha, fui cavaleiro de concurso hípico completo (provas de dressage, saltos de obstáculos e de corta mato) com os meus 2 cavalos PALOMBO e SEETEUFEL. Eu cuidava deles pessoalmente.
Esta informação serve para vos mostrar que tenho obrigação de saber de cavalos e de os compreender.
Confesso que exagerei algo do que exigi destes magníficos animais, tendo sido mais um cavaleiro ambicioso, o que lastimo agora sem mais remédio, mas tentando ajudar outros cavalos em risco.
Estou a dar-vos a minha convicção sobre o que suportam os cavalos explorados no toureio, pois creio que é importante tentar identificarmo-nos com estes seres sencientes e conscientes, extremamente explorados para o "espectáculo".
Consta que lhes operam as cordas vocais, para que não possam relinchar audivelmente durante a tourada. Por outro lado a música "pasodobleada" não dá oportunidade de escutar as suas vozes.
Creio que isto não deve ser silenciado.


Resumindo, o percurso do cavalo usado para toureio:
Como animal de fuga que é, procuraria a segurança, pondo-se à distância daquilo de que desconfia ou que considera ser perigoso.
No treino e na lide montada, ele é dominado pelo cavaleiro com os ferros na boca, mais ou menos serrilhados, puxados pelas rédeas e actuando sobre as gengivas (freio; bridão - com accção de alavanca, ambos apertados contra as gengivas por uma corrente de metal à volta do maxilar inferior– barbela), coisas muito castigadoras. É incitado pela voz do cavaleiro e por outras acções, chamadas hipocritamente de “ajudas”, como sejam de esporas que são cravadas provocando muita dor e até feridas sangrentas.

Ele é impelido para a frente para fugir à acção das esporas, devido à dor que elas lhe provocam e a voltar-se pela dor na boca e pelo inclinar do corpo do cavaleiro ou a ser parado por tracção nas rédeas.

Resumindo: o cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso. É, portanto, uma aberração, comprovativa da maior hipocrisia, quando cavaleiros tauromáquicos afirmam gostarem muito dos seus cavalos e lhes quererem proporcionar o bem estar.
Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.


Já agora:

Muito sofrem cavalos sob violência, azelhice, ambição, exibicionismo de cavaleiros. Claro, que para além do bem estar físico, o bem estar emocional dos cavalos sofre imenso. São bastante excepcionais os cavaleiros que não usam de violência para os cavalos, principalmente em competição.
A violência física actua, principalmente, sobre a boca - gengivas e língua (ferros: freio e bridão - com acção de alavanca - e barbela - corrente apertando os ferros contra o maxilar inferior) e, também, no ventre dos cavalos (esporas) .
A acção violenta sobre a boca repercute-se muito sobre a coluna cervical, a coluna lombar, os membros e sobre os andamentos.
O desporto de competição e o trabalho sacrifica muitos cavalos, obviamente também pelo esforço exagerado exigido.
Cavalos de trabalho têm frequentemente uma vida muito difícil, sendo mal tratados, mal alimentados.
Cavalos explorados para toureio são obrigados com violência a suportar grande tensão emocional (capaz de lhes provocar a morte por colapso cardíaco), a suportar grande esforço físico, a arriscar ferimento e a morte.
Por outro lado, felizmente, muitos cavaleiros dos tempos livres, em maior número do sexo feminino, dedicam amizade, carinho e companheirismo sem exigir demasiado aos seus cavalos, concedendo-lhes bom alojamento, boa alimentação, cuidados higiénicos para com o pelo e os cascos, etc (habitualmente gostam de ser escovados).
Garantem-lhes exercício e alegria em encontros e passeios no seio da natureza.

Um abraço
Vasco


Foto:  Começa a ser um CRIME permitir que isto aconteça! Mas ninguém tem coragem para o dizer... e a muitos convém!

 A utilização de martingalas, in blog tauromáquico

Cavalos e pessoas I

Por: Dr. Vasco Reis (médico veterinário aposentado)

Muito sofrem cavalos sob violência, azelhice, ambição, exibicionismo de cavaleiros. Claro, que para além do bem estar físico, o bem estar emocional dos cavalos sofre imenso. São bastante excepcionais os cavaleiros que não usam de violência para os cavalos, principalmente em competição.

A violência física actua, principalmente, sobre a boca - gengivas e língua (ferros: freio e bridão - com acção de alavanca - e barbela - corrente apertando os ferros contra o maxilar inferior) e, também, no ventre dos cavalos (esporas).

A acção violenta sobre a boca repercute-se muito sobre a coluna cervical, a coluna lombar, os membros e sobre os andamentos.
O desporto de competição e o trabalho sacrifica muitos cavalos, obviamente também pelo esforço exagerado exigido.
Cavalos de trabalho têm frequentemente uma vida muito difícil, sendo mal tratados, mal alimentados.
Cavalos explorados para toureio são obrigados com violência a suportar grande tensão emocional (capaz de lhes provocar a morte por colapso cardíaco), a suportar grande esforço físico, a arriscar ferimento e a morte.

Por outro lado, felizmente, muitos cavaleiros dos tempos livres, em maior número do sexo feminino, dedicam amizade, carinho e companheirismo sem exigir demasiado aos seus cavalos, concedendo-lhes bom alojamento, boa alimentação, cuidados higiénicos para com o pelo e os cascos, etc (habitualmente gostam de ser escovados).
Garantem-lhes exercício e alegria em encontros e passeios no seio da natureza.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A tourada é uma manifestação cultural que faz parte da nossa identidade coletiva


A cultura não é uma realidade estática, mas dinâmica, e está em permanente processo de construção. Muitas tradições se têm perdido e não foi por isso que perdemos a nossa identidade, pelo contrário, muitos de nós negamos identificar-nos com quem tem orgulho em massacrar animais em público num show de características trogloditas.

Não queremos uma cultura que ritualiza e glorifica exercícios de domínio, de subjugação, de violência. Queremos uma cultura que promova a justiça, a integração e o respeito e isso não é compatível com o caráter de exceção dado à tauromaquia no que concerne ao direito a não ser maltratado que a legislação reconhece aos animais não humanos.

Por falar em construção de um outro tipo de sociedade e assumindo que por aí passa a educação e formação das crianças, perguntamos porque é que a violência simulada em filmes é sujeita a critérios de idades mínimas da audiência permitida e apenas passada na televisão depois das 22h00 (com bolinha assinalando que a ficção a que vamos assistir contém cenas que podem chocar a sensibilidade dos espectadores) e a tourada – baseada em violência real – não é sujeita aos mesmos critérios?

Ainda que verificada em Portugal desde há alguns séculos, a tourada sempre foi uma atividade praticada e apreciada por minorias localizadas. No século XXI, a maioria do povo português não só não identifica a tourada como parte da sua cultura, como a rejeita. Ao contrário doutros fenómenos culturais locais – que gozam da aceitação de todos os portugueses, mesmo que deles não usufruam – a tourada não é aceite e viola princípios fundamentais das pessoas, como o princípio do respeito pelos animais. A identidade colectiva da sociedade portuguesa quer ver a tourada relegada para uma prática morta, que teve o seu lugar na história, mas que já não caracteriza a cultura em Portugal.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

VAMOS TENTAR PERCEBER O "cérebro"(?) dos toureiros...



Um Estudo Bestial: “A Magia da Mente de um Toureiro”
[ em baixo o texto original]

Virou moda a produção em larga escala de estudos para todos os tipos de gostos. São fiáveis? Tavez para quem queira acreditar neles.
Os aficionados também produzem estudos, ridículos, mas produzem-nos. O último que é de gritos foi feito por um neurocientista e bioquímico, que se chama Antonio Alcalá.

O estudo intitula-se “A magia da mente de um toureiro”. O neurocientista em causa, afirma não perceber nada de touros nem de toureiros, mas curiosamente produziu um estudo, em forma de decálogo, sobre os mesmos!

Desfrutem porque o estudo é hilariante. As notas a negrito são da nossa responsabilidade
O toureiro é um macho alfa com uma linguagem sexual impecável.

1. Os toureiros são escravos da infidelidade. O toureiro pelo seu baixo nível de vasopressina, está mais disposto à infidelidade. Todos os toureiros lidam contra a sua infidelidade sexual não a emocional.

Para quem não sabe, a vasopressina é uma hormona segregada pelo lobo posterior da hipófise, que aumenta a reabsorção de água pelo rim, diminuindo assim a excreção de urina, e que tem também acção constritora sobre os vasos sanguíneos; hormona antidiurética.

2. São os pais ideiais e todas as mulheres os desejam. É um dos grande segredos psicológicos: os indivíduos que não têm medo são eleitos para procirar e dar os seus genes. As mulheres recebem sinais que as fazem sentir-se atraídas pelo homem que toureia o que desperta nelas o seu desejo sexual.

Imaginamos uma fila de mulheres para agarrar o toureiro mais próximo!Como os toureiros são uma minoria, felizmente, é caso para dizer que muito provavelmente as que os desejam são aquelas que podem tirar num futuro algum tipo de benefício graças ao dinheiro que eles ganham, especialmente tendo em conta que no ponto 1, o estudioso afirma que os toureiros são escravos da infidelidade.

3. O seu cérebro está moldado pelo medo. Nessa sensação intervém a hormona vasopressina sobre a amígdala cerebral a responsável directa pela infidelidade genética. Altas doses de medo e fidelidade são um cocktail quase impossível.

Com as nossas devidas desculpas, mas para nós isto é chinês……..

4. Donos dos dois hemisférios. Ao contrário da maioria dos humanos, que só usam o hemisfério esquerdo, os matadores de touros usam ambos. Se o mapa dos homens “normais” é uma estrada, o dos toureiros é uma autoestrada com cinco faixas de rodagem, por onde passam partículas à velocidade da luz.

Chamem o Einstein por favor.

5. Os super toureiros em fase teta e paranormal. Um humano “normal” emite em beta e dorme em alfa; um toureiro só está em beta quando não toureia, pois quando o faz encontra-se em estado alfa, um estado de meditação. Se mantém esse ritmo alfa triunfa, se entra em beta fracassa. Alguns entram em teta, mentes paranormais que sentem uma força interior e uma intuição que lhes permite saber a quantos centímetros se devem acercar do touro. Têm premonições, sonhos com significados. O toureiro sabe quando vai ser colhido por um touro.

Nós diríamos que eles têm mentes anormais e é por isso que adoram torturar animais. Mas o que é que vale a nossa opinião comparada com esta afirmação genial!

6. A dopamina pelas nuvens: “imunes” à doença de Parkinson. Através do medo produz-se muita dopamina, um potente neurotransmissor que é segregado por jovens apaixonados. Daí que considerem que não existe uma lide perfeita e que queiram cativar com o seu toureio. Este alto nível é um dos motivos que faz com que entre toureiros a doença de Parkinson só apareça se os níveis de dopamina baixarem.

Genial e andam os verdadeiros neurocientistas há tanto tempo à procura de uma forma de evitar a doença de Parkinson. Afinal a forma de a evitar é simples, põem-se todas as pessoas a tourear!

7. Muito protectores do seu círculo. O toureiro é o chefe do clã e pelo seu elevado índice de testosterona, a sua mente é protectora, tanto da sua família como com da sua quadrilha. A sua mente é também capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo: amar uma mulher e sentir-se atraído por outra…

Machismo é a palavra mais apropriada para o chefe do clã. Quanto a amar uma mulher e sentir-se atraído por outra, isso acontece com muitas pessoas e não são toureiras.

8. Coerência luminosa positiva. Todos os corpos emitem luz. As melhores lides produzem-se quando existe uma coerência luminosa positiva. As piores resultam da incoerência luminosa e dos pensamentos negativos. Se existisse uma máquina fotográfica capaz de captar essa luz, ver-se-ia a figura do toureiro envolto nela. Essa coerência luminosa faz com que de modo inconsciente essa luz seja capaz de curar.

Isto é misticismo, algo que não se enquadra numa avaliação cientifíca.

9. Os toureiros não têm um carácter diferente: usam-no de modo diferente. As suas melhores lides produzem-se quando o coração está em estado de compaixão e amor; as piores, quando em modo de horror.

Permita-nos discordar senhor doutor mas quem tortura animais e faz disso profissão não tem carácter.

10. De toureiro a super toureiro. É um passo complexo, o mesmo que acontece com os faquires que usam a energia do universo e que faz produzir uma explosão de neurotransmissores no cérebro. O ponto de não retorno biológico não é o mesmo para todos e é por isso que muitos novilheiros ficam pelo caminho.

Nós também achamos que eles deviam usar a energia dos faquires para espetarem as picas e as bandarilhas neles próprios e se conseguissem resistir então sim, seriam sem dúvida super toureiros.
Este estudo é insulto a qualquer pessoa minimamente inteligente, é inacreditável como uma pessoa com um curso superior se preste a apresentar semelhante aberração cuja finalidade única é lavar a imagem dos abusadores de animais.

Prótouro
Pelos touros em liberdade



«El torero es un macho alfa con un lenguaje sexual impecable»
El doctor Antonio Alcalá desvela los secretos del comportamiento del cerebro de los toreros

Apriétense los machos. Comienza una trepidante aventura por el interior del torero, «un macho alfa que seduce a la masa, un creativo con lenguaje sexual impecable, que no pregunta si estudias o trabajas y que cuando está con una mujer no mira a otra; no teme al sexo opuesto, se sale con la suya y no negocia ante el riesgo».

¿Quieren conocer los secretos de su yo más íntimo? El profesor Antonio Alcalá Malavé, neurocientífico y bioquímico, expuso en una interesante conferencia en Las Ventas las claves desde el punto de vista científico: «La magia de la mente del torero», ha bautizado su trabajo, que traspasa los tópicos con reflexiones sorprendentes y que desatarán el debate. Reflexiones que arrojan luz al porqué de la verdad de cada torero: de dónde emana su magia, su naturalidad, su pureza, su valor... «La dopamina, la norepinefrina y la serotonina son sustancias que todos tenemos en nuestro cerebro. En el de los toreros aparecen en mayor cantidad, teniendo como consecuencia una repercusión directa en el qué y cómo sienten, sufren y viven», sostiene el experto.

Suenan clarines y timbales, una música que trae las notas de la química cerebral, la biológica neuronal, la física cuántica, las matemáticas aplicadas a la medicina y la anatomía. Arranca la faena del doctor Alcalá, que confiesa «no saber nada de toros ni toreros», pero maestro de la maquinaria científica que expone sobre el ruedo descubrimientos que no dejarán indiferentes:

1. Sentimientos: «esclavos» de la infidelidad. El torero rebosa amor hacia su entorno, pero por su bajo nivel de vasopresina está más predispuesto a la infidelidad. Todos los toreros luchan contra su infidelidad sexual, que no emocional.

2. Los padres ideales que toda mujer desea. Es uno de los grandes secretos psicológicos: los individuos que no tienen miedo son los elegidos para procrear y dar sus genes. Las mujeres reciben señales que les hacen sentirse atraídas por el hombre que torea, despierta su deseo sexual, los consideran padres ideales de sus hijos.

3. Su cerebro está moldeado por el miedo. En esa sensación interviene la hormona vasopresina sobre la amígdala cerebral, responsable directa de la infidelidad genética. El torero se lo encuentra como la última consecuencia de su coqueteo con la muerte, siendo una reacción fisiológica. Altas dosis de miedo y fidelidad son un cóctel casi imposible.

4. Dueños de los dos hemisferios. Al contrario que la mayoría de los humanos, que solo usan el hemisferio izquierdo, los matadores utilizan ambos. Si el mapa de los hombres «normales» es una carretera, el de los toreros es el de una autopista con cinco carriles, por donde pasan partículas a la velocidad de la luz. Aprenden del todo a la parte, no analizan sino que sintetizan, se deja llevar por su intuición para alcanzar la gloria.

5. Los supertoreros, en fase theta y paranormal. Un humano «normal» emite en beta y duerme en alfa; un torero solo está en beta cuando no torea, pues cuando lo hace se encuentra en estado alfa, un estado de meditación. Si mantiene ese ritmo alfa, triunfa; si entra en beta, fracasa. Algunos entran en theta, mentes paranormales que sienten una fuerza interior y una intuición que les hace saber cuántos centímetros acercarse al toro o hasta dónde alargar un natural. Tienen premoniciones, sueños con significados, películas... El torero sabe cuándo va a ser cogido por un toro, torean meditando.

6. La dopamina, por las nubes: «inmunes» al parkinson. A través del miedo se produce mucha dopamina, un potente neurotransmisor que se segrega en jóvenes enamorados. De ahí que consideren que no existe una faena perfecta y que quieran cautivar con su toreo. Este alto nivel es uno de los motivos por los que en los toreros apenas existe la enfermedad del parkinson, que se produce por la bajada de dopamina. Como Obélix, los maestros del toreo se cayeron en una marmita.

7. Muy protectores con su círculo. El torero es el jefe del clan y, por su elevado índice de testosterona, su mente es sumamente protectora, tanto con su familia como con su cuadrilla. Su mente es capaz también de hacer dos cosas a la vez: querer a una mujer y sentirse atraído por otra...

8. Coherencia lumínica positiva. Todos los cuerpos emiten luz. Las mejores faenas se producen bajo una coherencia lumínica positiva, mientras que las peores brotan por la incoherencia lumínica y los pensamientos negativos. Si existiese una cámara fotográfica capaz de captarlo, se vería la estampa del maestro envuelto en luz. Esa coherencia lumínica hace que de modo inconsciente su cuadrilla y la gente se acerque al torero, que con esa luz es capaz de curar y sanar tejidos.

9. Los toreros no están hechos de otra pasta: la usan de modo diferente. Sus mejores faenas se producen cuando el corazón está en estado compasión y amor; la peores, en modo terror.

10. De torero a supertorero. Es un paso complejo, en el que como los faquires usan la energía del universo y se produce una explosión de neurotransmisores en el cerebro. El punto de no retorno biológico no es el mismo para todos: de ahí que algunos novilleros se queden en el camino. Todo según las teorías del doctor Alcalá.

Decálogo según las teorías del doctor Alcalá, un prestigioso bioquímico que lo resume en siete secretos, basados en los estudios de los más reputados científicos, con nombres y apellidos dentro de su brillanten discurso. Los siete «pecados capitales» de la torería, enigmas que engrandecen los misterios del supertorero, un auténtico samurái que no ora como el común de los mortales. Son las luces y sombras de los «guerreros de la luz», aquellos que Coelho hoy hubiese cincelado.

¿Y qué pasa con las mujeres toreras? Pues ídem de ídem según el experto. La división de opiniones, como en todas las faenas, está servida.





UN ESTUDIO ANALIZA CÓMO ES EL CEREBRO DE LOS MATADORES DE TOROS
Según el doctor Antonio Alcalá, neurocientífico malagueño de 48 años, “el miedo origina que el cerebro de un torero se modele, se modifique. El torero vive con ese miedo, es como si su cerebro se hubiese encallecido frente al miedo”.
El doctor Antonio Alcalá Malavé ha lidiado en un terreno que pocos científicos habían pisado antes y ahora acaba de arriesgar, al hilo de una conferencia titulada “La magia de la mente del torero”, una teoría sobre el comportamiento del cerebro de los matadores de toros. De los lidiadores se intuía su predisposición al valor, a la entereza y al arte, pero ahora este científico ha conjugado la bioquímica cerebral y la biología celular para racionalizar, sin resabios folclóricos, la auténtica verdad del toreo en un estudio presentado recientemente en Madrid.
“El número de neurotransmisores (al modo de teléfonos móviles gracias a los cuales todo el cerebro se encuentra conectado) que tiene un torero es muy superior al de una persona normal – ha aclarado el doctor, defensor de la fiesta de los toros sin ser aficionado de la misma-. Además, su calidad es muy buena. Por eso, la mente de un torero no es una mente normal”.
Pero que nadie piense lo que no es. El torero siente miedo, miedo con mayúscula, una perturbación con pinta de furioso morlaco que es lo que motiva el principio mismo de los postulados de este científico.
Y ese principio es que “el miedo origina que el cerebro de un torero se modele, se modifique. El torero vive con ese miedo, es como si su cerebro se hubiese encallecido frente al miedo”.
“Además, por el miedo, el cerebro de los toreros emite en una frecuencia distinta a la del resto de los humanos: la frecuencia paranormal”, ha afirmado Alcalá.
“Los toreros son mediums que intuyen lo que va a ocurrir -ha apuntado-. Son capaces de cohesionar todas sus células a la velocidad de la luz: por ello, cuando torean, entran en lo que se llama ‘coherencia lumínica’; o sea, despiden luz por la gran cantidad de energía que liberan”.
Sin embargo, por qué un torero lo sigue siendo también fuera de la plaza y sus arquetipos eternos se suceden sin remedio.
“En un matador, hay neurotransmisores que aumentan mucho, y otros, que disminuyen otro tanto -ha continuado-. Por ejemplo, el neurotransmisor que hace que toree a la perfección es la dopamina, el mismo que secretan los enamorados; el que le hace torear con felicidad, la serotonina”.
Y en este punto ha añadido: “No obstante, hay otro neurotransmisor, la vasopresina, que el matador segrega en mucha menor cantidad, y le predispone biológicamente a la infidelidad: es lo que se llama un efecto colateral de ser torero”.
Esos “efectos colaterales” son los que perfilan el grueso trazo de la personalidad del torero fuera de la plaza. “Por ejemplo, su alto índice de testosterona hace que sean muy protectores con su ambiente, con su clan, y muy poco cercanos”, ha rematado.
Siempre se ha pensado que los toreros están hechos de otra materia, pero, según el doctor Alcalá, no es así: “No, están hechos de la misma pasta de una persona normal. Pero utilizan recursos propios y otros recursos no usados por las personas normales, con el propósito de ponerse delante de un toro y torear”.
Pero en qué órgano se aloja el gusto de Manzanares con el capote, la alegre valentía de José Tomás cuando se encara con el toro, el magnetismo que envuelve a Morante en la plaza. Los toreros, ¿mueven más el corazón o el cerebro?.
“Uno de los mayores reservorios de electromagnetismo del torero no es el cerebro, sino el corazón”, ha dicho el doctor.
“Ellos perciben que, cuando el corazón emite en una frecuencia de compasión y amor, son capaces de arrimarse más al toro, de torear mejor -ha continuado-. Mientras que, si emite en una frecuencia de temor o de odio hacia el animal, es mejor que no se acerquen al toro porque, habitualmente, acaban siendo cogidos”.
Misterios de la mente y del corazón de los toreros y toreras -no hay distinción de sexo en estas investigaciones-, ahora puestos al descubierto por el doctor Alcalá como si estuviera abriendo la misteriosa caja de Pandora del toreo, según los nítidos parámetros que ofrece la anatomía, la biología, la matemática y la física cuántica, entre otras ciencias.



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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Intelectuais contra as touradas

(...) um cartaz sem data, mas provavelmente de meados do século passado (foi visado pela Comissão de Censura), no qual várias personalidades portuguesas se pronunciavam sobre touradas, a convite da Sociedade Protectora dos Animais.

(..) esse cartaz (..) transcrevia posições antigas contra as touradas que se tornaram actuais (...) transcrevo alguns dos depoimentos de intelectuais portugueses da época que nele constam:

"Os espectáculos bárbaros e cruéis, em que o prazer dos espectadores está precisamente na contemplação do martírio e, porventura, na agonia dos animais sacrificados, em que se integram as corridas de touros, o tiro aos pombos e os combates de animais uns contra os outros, devem ser banidos de todas as sociedades com pretensão a civilizadas".
Pedro José da Cunha, 
Professor e Antigo Reitor da Universidade de Lisboa
"Sou contra os 'touros de morte' como teria sido contra os bárbaros combates dos circos romanos, em que os homens eram atirados às feras. Não posso concordar, portanto, com que se atirem, nos nossos circos, as pobres feras aos homens!"
Leal da Câmara,
 Professor e Pintor de Arte
"Como homem e como professor não posso deixar de lhes enviar a minha mais completa e entusiástica adesão ao protesto levantada pela Sociedade Protectora dos Animais contra um espectáculo indigno do nosso tempo, da nossa mentalidade, da nossa civilização".
Aurélio Quintanilha, 
 Professor da Universidade de Coimbra
"A multidão desvairada das praças de touros é a mesma multidão odiosa das arenas de Roma, é a mesma multidão que nas madrugadas das execuções se proscreve dos leitos para ir contemplar, numa bestialidade repugnante, o dos condenados à morte a contorcer-se no garrote ou na forca, a cabeça dos decapitados dependurando-se sangrenta, clamando vingança, não das mãos delicadas, da filha de Herodíades, mas sim das mãos imundas, indignas do carrasco."
Ferreira de Castro, 
Escritor 


 (...)
 Seria hoje possível encher um cartaz com depoimentos semelhantes de intelectuais portugueses?

Fonte: De Rerum Natura

sábado, 15 de setembro de 2012

Porque é que há gente aficcionada e se mantém fiel à tradição?

Deve haver muito tribalismo. Marias e Manéis são criados no ambiente tauromáquico desde a infância, absorvem a cartilha e vão com os outros e as outras. São alvo da influência e evitam pensar, interessar-se, terem coragem em discordar e mudar, mesmo que vacilem e reconheçam que há sofrimento dos animais. Mas seria difícil discordar, seria incómodo, provocaria zanga e arriscaria acusação de traição e castigo por parte da multidão. 

Com certeza, que reconhecem sofrimento da parte dos animais, mas mais forte do que compaixão será o gosto pelo "espectáculo", pela "festa das pessoas (claro que os animais não festejam, pois sofrem)", a presunção, a cumplicidade, o companheirismo, a confraternização, mais ou menos embriagada e embriagadora. 

Para essa onda, então que se lixe o sofrimento dos bichos, quando a tourada é tão "entusiasmante"?

Trata-se, pois, de defender o espectáculo, a tradição, o negócio, a facturação dos “artistas”, as "admiráveis qualidades" da tauromaquia e os "feitos culturais, virtuosos e admiráveis dos artistas tauromáquicos" e as barrigadas de gozo que as touradas proporcionam?

Penso que cartas abertas críticas e didácticas dirigidas ao lobby pouco influência terão na evolução desta mentalidade, mas deverão ter um ricochete importante e levar o público em geral a tomar conhecimento e a reflectir sobre a realidade da tauromaquia. Pouco esforço exigem, pois os argumentos dos críticos da tauromaquia são óbvios. Penso que devem ser frequentes e variadas.
Provavelmente, até provocarão respostas dos aficcionados, que representem tiros nos próprios pés.

Vasco Reis
médico veterinário aposentado
Aljezur

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Anatomia do sofrimento de um touro (quando espetado pelo 'matador' na praça de touros)


© Revista Complutense de Ciencias Veterinarias et al

Há algo que gostaria de partilhar, visto que a informação está a ser publicada de forma galopante pelos meios de comunicação social.
Eu não pude ficar indiferente à informação fraudulenta que por aí circula, numa tentativa de justificar o injustificável! Ainda por cima vindo de "profissionais" da área, isto é verdadeiramente triste, senão vergonhoso!
Analisando a imagem em baixo:
Primeiro que tudo existem vários tipos de stress, segundo as hormonas corticosteróides, como o cortisol, não são catecolaminas (Adrenalina, epinefrina, etc.), terceiro é lógico que o cortisol esteja mais elevado durante o transporte, afinal ele está relacionado principalmente com respostas de stress a longo prazo, não a curto!

A informação da imagem não tem valor científico algum! Apenas vem afirmar o que consta há 50 anos nos livros de Fisiologia! Se os defensores das touradas querem ser levados a sério façam uma pesquisa dos níveis dos mediadores da dor (bradicinina, serotonina, substância P, etc.) e das catecolaminas, aquando de todos os processos que o animal é sujeitado!
Dizer que o animal não sofre porque apresenta níveis de cortisol mais baixos do que em transporte é algo surreal! Estão a misturar os pés com as mãos. E isto não sou eu que estou a inventar, consta em todos os manuais de Fisiologia, é uma das bases da fisiologia e uma falha gravíssima atentar contra isto!

Dor ≠ Cortisol - Não podemos deixar que moldem os factos em favor das circunstâncias!
O pior é que isto até foi publicado no jornal de notícias e tem vindo a ser utilizado como argumento!
Um aplauso à ignorância gratuita!
Na minha óptica isto é VERGONHOSO!
É preciso filtrar a informação, pois há muita gente que acredita neste artigo falacioso!

por Ricardo Lopes
Mestrado Integrado em Medicina Veterinária · Évora



Anatomía del sufrimiento.
La lidia consta de una serie de tercios en los que el toro es picado, banderilleado, y herido de muerte con el estoque, siendo posteriormente descabellado y apuntillado.

La puya es un arma metálica cortante y punzante que consta de 6 cm de cuerda encolada y 2.5 cm de púa piramidal tan afilada en cada una de sus aristas como la hoja de un bisturí. Va provista de un tope cilíndrico que debería impedir que entrara en el cuerpo del animal más de esos 8.5 cm.

Son muchos los estudios anatomopatológicos que se han desarrollado sobre cadáveres de toros lidiados para determinar las lesiones que provocan.
En todos, absolutamente todos los estudios consultados al respecto, se reconoce que los puyazos suponen, entre otras cosas, un gran daño neurológico para el toro.
En más del 70% de los toros estudiados, se ha determinado que las puyas son clavadas en zonas muy posteriores a la indicada como “ideal”.

Las lesiones descritas afectan a más de 20 músculos, sin contar los intercostales y costales. Todas estas estructuras son necesarias para la movilidad del tercio anterior de animal, los movimientos del cuello, y de la cabeza, y para la función respiratoria. Pero no son sólo los músculos, tendones y ligamentos los que son seccionados, sino también importantes venas, arterias, y nervios

Los resultados indican que la profundidad media de los puyazos es de 20 cm, habiéndose encontrado trayectorias de hasta 30 cm. Se sabe que una sola vara puede abrir hasta 7,4 trayectorias diferentes.

Se reconoce que las puyas provocan fracturas de apófisis espinosas y transversas de vértebras, fracturas de costillas, y de sus cartílagos de prolongación, y que pueden perforar la pleura y el pulmón, dando lugar a neumotorax. Del mismo modo son inevitables las lesiones de la médula espinal, las hemorragias en el canal medular, y la lesión de nervios tan importantes como el plexo braquial (que se ocupa de la inervación de las extremidades anteriores), y de las ramas dorsales de los nervios espinales que se encuentran paralelos a la médula.

Las pérdidas de sangre que sufre un toro en la suerte de varas son algo contradictorias, oscilando entre el 8 y el 18% de su volumen sanguíneo. Un toro de 550 kilos perdería entre 3 y 7 litros de sangre tras los puyazos.

Las banderillas, que se clavan en número de seis, llevan en su extremo un arpón de acero cortante y punzante, que en su parte visible será de una longitud de 4-6 cm. Desgarran muchas de las estructuras anatómicas lesionadas con anterioridad por las puyas, y producen lesiones en unos 10 cm alrededor de donde han sido insertadas, aumentando la pérdida de sangre en el animal.

El estoque, una espada curvada de 80 cm de largo, debería lesionar o secciónar los grandes vasos que asientan en la cavidad torácica, es decir, la vena cava caudal y la arteria aorta posterior.

Lo que sucede con más frecuencia es que el estoque lesiona cordones nerviosos laterales a la médula, lo que provoca la desconexión de todo el aparato motor de la caja torácica, lo que añadido a la gran lesión del pulmón derecho, da lugar a una dramática dificultad respiratoria. La sangre pasa del pulmón a los bronquios, de allí llega a la traquea, y sale al exterior por la boca y la nariz.

En otras ocasiones se atraviesa el diafragma, lo que va a producir una parálisis por lesión del nervio frénico; la lesión del nervio frénico puede determinar compromiso de la función diafragmática con insuficiencia respiratoria.
Se dan casos en que las estocadas son tan traseras que pueden llegar a penetrar en el hígado y la panza.
El descabello se realiza con una espada similar al estoque, pero que lleva un tope de 10 cm. Su misión es lesionar y seccionar la médula espinal entre la 1ª y 2ª vértebra cervical.

La puntilla se le da al toro con un cuchillo de 10 cm de hoja, que una vez introducido en el espacio occipito-atlantoideo secciona el bulbo raquídeo, provocando la parálisis general del animal con disminución de la presión arterial. Los movimientos respiratorios se van paralizando y la sangre circulante, cargada de CO2, produce hipoxia en el encéfalo. Se dice que provoca la muerte instantánea del toro, pero no es cierto, ya que va a dar lugar a la la muerte por asfixia.

Algunos animales presentan durante algún tiempo después reflejos que son compatibles con la vida. La puntilla está prohibida en todos los mataderos de la UE por considerarse un método cruel de dar muerte a un animal.



RAZONES PARA ABOLIR LA TAUROMAQUIA: POR QUÉ EL TORO SI SUFRE


INFORME TÉCNICO VETERINARIO SOBRE LAS CORRIDAS: POR QUÉ EL TORO SI SUFRE.

POR QUÉ EL TORO NO SUFRE, ¿POR QUÉ?

POR QUÉ EL TORO SÍ SUFRE

de José Enrique Zaldivar Laguía
Veterinario
Colegiado en el Ilustre Colegio de Veterinarios de Madrid

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Vacadas e Garraiadas

Na tauromaquia são várias as modalidades de abuso de bovinos, tanto em âmbitos privados, como em espectáculos organizados para diversão, desde touradas até garraiadas, vacadas, etc. Para quem não saiba do que se trata, pode informar-se visionando vídeos no youtube. 
Sofrimento começa na captura e possível preparação do bovino para o espectáculo com acções, intervenções para enfraquecer o animal. Prossegue no transporte causador de pânico, claustrofobia, desgaste, até chegar à arena. O sofrimento prossegue aqui com susto, provocação por muita gente, ludíbrio por muita gente, violência física por muita gente, esgotamento anímico e físico, ferimentos (por vezes morte). Prossegue depois com mais violência na recolha, no transporte, etc.
Em algumas intituladas garraiadas, acontece o cravar de bandarilhas, farpas.

É fundamental argumentar científica, ética, cultural, socialmente ou seja, civilizadamente, para justificar o ponto de vista dos respeitadores dos animais e opositores da tauromaquia e, assim, contribuir para diminuir o sofrimento provocado pelo Homem sobre os animais não humanos.
É muito fácil rebater os argumentos do lobby tauromáquico, que para branquear o espectáculo cruel, faz uso de afirmações fantasiosas e não respeita o senso comum, a ciência e a ética.
Plantas são seres sem sistema nervoso, não sensientes e sem consciência.
Animais são seres dotados de sistema nervoso mais ou menos desenvolvido, que lhes permitem sentir e tomar consciência do que se passa em seu redor e do que é perigoso e agressivo e doloroso. Este facto leva-os a utilizar mecanismos de defesa.
Portanto, medo e dor são essenciais e condição de sobrevivência.
A ciência revela que a constituição anatómica, a fisiologia e a neurologia do touro, do cavalo e do homem e de outros mamíferos são extremamente semelhantes.
As reacções destas espécies são análogas perante a ameaça, o susto, o ferimento.
Eles são tanto ou mais sensíveis do que nós ao medo, ao susto, ao prazer e à dor.
Descobertas recentes confirmam que animais, muito para além de mamíferos, aves , polvos, são seres inteligentes e conscientes.
O senso comum apreende isto e a ciência confirma.
É, portanto, nosso dever ético não lhes causar sofrimento desnecessário.
"A compaixão universal é o fundamento da ética" - um belo pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.
Na tourada, o homem faz espectáculo e demonstração da sua "superioridade" provocando, fintando, ferindo com panóplia de ferros que cortam, cravam, atravessam, esgotam, por vezes matam o touro, em suma lhe provocam enorme e prolongado sofrimento, para gozo de uma assistência que se diverte com o sofrimento de um animal, aberração designada por arte, desporto, espectáculo, tradição.

Mas nesta “arte” não são somente touros e cavalos que sofrem.
São muitas as pessoas conscientes e compassivas, que por esta prática de violência e de crueldade se sentem extremamente preocupadas e indignadas e sofrem solidariamente e a consideram anti educativa, fonte de enorme vergonha para o país, atentório de reputação internacional, obstáculo dissuasor do turismo de pessoas conscientes, que se negam a visitar um país onde tais práticas, que consideram "bárbaras", acontecem!
Muitos turistas aparecem nestes espectáculos por engano e por curiosidade.
De lá saem impressionados e pensando muito negativamente sobre estes costumes sustentados por gentes portuguesas, neste nosso permissivo país.
Vacadas e garraiadas contribuem para habituar e viciar crianças e adultos ao abuso cruel exercido sobre animais, o que pode espevitar o gosto por mais violência do género e tornar-se moda. Portanto, não devem sequer realizar-se onde não são novidade e, muito menos, em sítios onde não existe tradição, como é o caso de Estoi, freguesia de Faro, na sua Feira do Cavalo.
A utilização de animais juvenis submetidos à violência de multidões, não pode ser branqueado e bagatelizado como “espectáculo que não tem sangue e é só para as crianças se divertirem". Mesmo que não tenha sangue, é responsável por muito sofrimento dos animais e contribui para a insensibilização de pessoas, principalmente de crianças, e para o gosto pela cruel tauromaquia. É indissociável de futilidade, sadismo, covardia.
Provavelmente, até serve a estratégia dos tauromáquicos visando a manutenção e a expansão da tauromaquia.

Vasco Reis,
médico veterinário
Aljezur
21.08.2012


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sofrimento do touro e do cavalo

Percurso do touro usado para toureio.

Um exemplo: vive uns 4 anos bem na campina, espaço largo e com boas condições. Desenvolve-se.
Um dia alguém decide escolhê-lo para a lide numa tourada. Enxotam-no, com ou sem medicação, para uma manga e enfiam-no numa caixa apertada onde mal se pode mexer.

O stress da claustrofobia é tremendo, ao passar da liberdade e tranquilidade da campina para o caixote, onde fica  confinado.  A seguir acresce a ansiedade/pânico  do transporte. Depois a espera, provavelmente, com pouco ou nenhum alimento e bebida. Talvez sendo  injectado, a ponta dos cornos cortada até ao vivo e muito enervado, ficando extrema e dolorosamente sensível ao contacto. Mais tarde, a condução ao curro da praça de touros.

Empurrado depois para a arena = beco cruel sem saída,  suportando logo o enorme alarido, que ainda o assusta mais. Depois a provocação, o engano, o cravar dos ferros, que o ferem através da pele, aponevrose, mais ou menos músculo, tendão e, por vezes até pleura e pulmão (meu testemunho) e o fazem sangrar e sofrer. Tudo isto o enfurece, o magoa, o deprime e o esgota. Depois é retirado com as “chocas”.

Brutalmente, tal como foram cravados, os ferros são agora retirados.
Depois o sofrimento cresce pela dor provocadas pelos ferimentos, infectando e provocando  febre, animicamente derrotado, até que o abate liberte de tamanho sofrer esta desgraçada vítima dos chamados humanos, “corrido” e torturado unicamente para diversão de aficionados, alimentar de vaidades, de negócios de tauromáquicos e no prosseguimento de uma cruel tradição.


Percurso do cavalo usado para toureio.

É um animal de fuga, que procura a segurança e que a atinge pondo-se à distância daquilo que desconfia ou que considera ser perigoso. Defende-se do agressor próximo com o coice e por vezes com a sapatada do membro anterior, se for mais afoito ou considerar o perigo menor.

No treino e na lide montada, ele é dominado pelo cavaleiro com ferros mais ou menos serrilhados na boca (freio, bridão) mais ou menos castigadores e incitado de tal maneira pela voz e por outras acções, chamadas hipocritamente de “ajudas”, como sejam de esporas que são cravadas provocando muita dor e até feridas sangrentas.
Ele é impelindo para a frente para fugir à acção das esporas, devido à dor que elas lhe provocam e a voltar-se pela dor na boca e pelo inclinar do corpo do cavaleiro .

Resumindo: o cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso.

É, portanto, uma aberração, comprovativa da maior hipocrisia, quando cavaleiros tauromáquicos afirmam gostarem muito dos seus cavalos e lhes quererem proporcionar o bem estar.
Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.

Vasco Reis
médico veterinário

domingo, 12 de agosto de 2012

A República Portuguesa das Bananas Entregue ao Lobbie Fascistóide Tauromáquico

O autarca de Viana do Castelo é um dos poucos autarcas verticais deste país. Não se vergou ao lobbie tauromáquico e indeferiu o pedido de licença para a realização de uma tourada numa praça portátil. E fê-lo dentro dos poderes que a lei de licenciamento de espectáculos lhe confere.

Mas, os novos ditadores deste país, que dão pelo nome de “prótoiro”, entraram com uma injunção para conseguirem desse modo realizar a dita tourada.

Para os órgãos de comunicação social, um elemento do grupelho “prótoiro”, afirmou: “o tribunal “entendeu que estaria em perigo o exercício de um direito cultural”, pelo que “autorizou a instalação da praça”.

Exercício de um direito cultural??????

Torturar animais num espectáculo público é um direito cultural!!!

Numa república das bananas talvez seja, agora num país estado membro da União Europeia , não é um direito, nem nunca será porque torturar animais não é cultura, é barbárie, é próprio de pessoas incultas e incivilizadas.

São decisões como a deste tribunal que levam os cidadãos a considerar que a justiça neste país é uma anedota.

Em termos simples, uma providência cautelar é uma acção com carácter de urgência e que pode ser interposta sempre que alguém mostre um fundado receio de que outrem cause uma lesão ou um dano de difícil reparação.

Onde é que está a lesão ou o dano de difícil reparação neste caso. A licença foi recusada e fundamentada. Que lesão ou dano é que os pró-touradas sofreram? O tal exercício do direito cultural?

A verdade é que o tal exercício do suposto direito cultural dos aficionados não está nem nunca esteve em perigo. A realidade é outra bem diferente, é o facto de quererem expandir o seu abjecto negócio ao norte do país, porque no sul e no centro as praças não enchem e as touradas diminuiram. E infelizmente muitas câmaras a norte não tiveram a verticalidade da C.M. de Viana e autorizaram touradas.
Outras recusaram e eles não entraram com nenhuma providência cautelar reclamando que o exercício do “direito cultural” estava em perigo.

Viana do Castelo é um espinho atravessado na garganta desta gente por ter proíbido touradas há três anos atrás e como tal um alvo a abater.

Vivemos num país onde proliferam corruptores, corrompidos, canalhas e miseráveis, onde muitas das leis que existem são letra morta e como se isso não fosse bastante, agora vivemos num país onde uma minoria de torturadores de animais ditam à maioria aquilo que eles afirmam que é arte, cultura e tradição.
Menos de 10% da população deste país arroga-se o direito de ditar à maioria o que eles gostam! Isto tem um nome fascismo.

Quem é que deu o direito a este grupelho de ditar à maioria da população o que eles gostam? Os governantes e os legisladores.

Prótouro
Pelos touros em liberdade