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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Argumentos: Touradas II [Touro Bravo]

Texto exemplarmente completo e detalhado sobre todas as questões que se levantam nos debates sobre tourada, incluindo a ideia de que as touradas evitam a extinção do touro bravo:
"Não vamos entrar pelos argumentos, porque aí, lamento, mas espalham-se os aficionados. O único argumento legítimo e verdadeiro que têm, [os aficionados], é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos.
O sr. que fala em adrenalina ou no sangramento para alívio do touro obviamente não entende nada de biologia, de fisiologia ou de comportamento animal; percebe apenas da sua adrenalina quando assiste a espectáculos de violência. Essa dos sangramento para alívio dos humores foi uma prática médica muito em voga na Idade Média mas abandonada posteriormente. 
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. É por demais evidente que os pedófilos gostam crianças; mas é uma maneira de gostar que passa pela exploração dos menores e pela negação dos seus direitos. Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados. 
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. Aqui podemos cair na questão de comparar coisas parvas como campos de concentração, por exemplo: seria melhor acabar em Auschwitz ou em Treblinka? É melhor morrer à nascença ou aos 4 anos? Com uma facada no peito ou afogado? Tudo isto são questões absolutamente laterais e cujo único objectivo é desviar a atenção de uma pergunta muito simples: 
É eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim?

Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral. 
Vi agora que ainda há mais uns pseudo-argumentos: comparar injecções ou vacinas com as bandarilhas. Parece uma brincadeira comparar uma agulha fina com o objectivo de tratar uma doença ou evitar outra - no caso das vacinas - com a introdução de 9cm em metal grosso, cujos 3cm finais são em forma de arpão para não sair e continuar a rasgar os músculos e os ligamentos durante a lide. Das duas, três: ou está a brincar, ou não usa o raciocínio ou quer enganar os outros. 
Depois vem mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pro-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano."
Cristina d'Eça Leal

Fonte:  Texto escrito por uma Amiga e publicado em 2009 no Fórum MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As corridas de touros são o espetáculo com mais público a seguir ao futebol

Começa logo por ser discutível o futebol deixar a categoria de atividade desportiva para passar a ser considerado espetáculo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os concertos de música ligeira são os que movimentam maior número de espectadores (3,2 milhões), seguidos pelo teatro (1,6 milhões), variedades, música clássica, circo e, por último, a tourada. Isto para falarmos apenas de espetáculos ao vivo, porque se contabilizarmos as visitas a museus (10,3 milhões), galerias de arte (5,5 milhões) e cinema (16,4 milhões), então a clivagem é muito superior.

A ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou que «[a] tauromaquia existe e movimenta 650 mil espectadores. É nossa obrigação cumprir a lei e a lei diz que temos que a regular». Aqui temos mais uma abusiva manipulação de números: os espetáculos tauromáquicos registaram a entrada (venda de bilhetes, incluindo aqueles que são comprados pelas autarquias, como forma encapotada de subvenção) de 650.000 espectadores. É sabido que o público das corridas de touros é errante; não assiste apenas a uma corrida de touros por ano, assim como um frequentador de museus faz diversas visitas anualmente. Só nos grandes recintos a tourada consegue hoje em dia números significativos de audiência; não porque o público local marque presença em força, mas porque os aficionados viajam até às praças onde podem assistir aos eventos mais publicitados. Assim, teríamos que estabelecer uma média de participações para se ter uma ideia aproximada do real número de pessoas mobilizadas (se forem 5, o número de aficionados desce imediatamente para 130 000; se forem 10, baixa para 65 000).

As verbas destinadas à compra de bilhetes para atividades tauromáquicas estão anotadas nos registos públicos referentes às despesas das autarquias. Dos alegados 650 mil espectadores, uma enorme percentagem assistiu às corridas de touros gratuitamente. Estranhamente, esses convidados dos promotores da tauromaquia, para a estatística, contaram como público.

Terá sido por o anterior Ministério da Cultura ter esgotado a sua função no cumprimento de leis, ao invés de refletir sobre o que se entende por «espetáculo artístico», que foi despromovido a Secretaria de Estado?

Se o Estado considera que um espetáculo artístico pode consistir em infligir sofrimento em animais para entretenimento público, então por que razão havemos de excluir da regulamentação as lutas de cães ou de galos? Se os critérios se baseiam no interesse do público e na receita de bilheteira, é completamente subjetivo considerar que as touradas sejam defensáveis e as lutas de cães ou de galos não o sejam.

Mas mesmo que assim não fosse, não podemos esquecer que os autos de fé não terminaram por falta de público, mas por se considerar que eram indignos e que contribuíam para a banalização da violência.

Fonte

domingo, 5 de agosto de 2012

Extinção do touro de lide caso se proíbam as touradas - Falso!

Um dos argumentos mais recorrentes dos aficionados é que se as touradas forem proibidas o touro de lide extingue-se.

Nada mais falso.

De acordo com o Ministério do Ambiente espanhol, só um escasso número de animais é destinado a espectáculos tauromáquicos.
Segundo dados do mesmo ministério, o número de reses bravas inscritas é de 275.748 exemplares. Anualmente cerca de 15.000 touros são usados em espectáculos tauromáquicos que têm lugar em todo o território espanhol; sejam em corridas de touros ou em espectáculos populares, tipo largadas, etc.

De acordo com este ministério, os ganadeiros poderiam reconduzir o seu negócio para que estes animais se destinassem somente ao consumo. Uma opção comercial que já é explorada na actualidade, mas que os ganadeiros não consideram tão rentável como a venda dos animais para espectáculos tauromáquicos.

Por tal motivo, o governo espanhol, descarta a possibilidade de criar reservas naturais para proteger o touro de lide, caso as touradas venham a ser proibidas, já que a exploração comercial dos touros continuaria a ser rentável e seriam os próprios ganadeiros que salvaguardariam a sua existência.

O ministério assegura ainda que existe a possibilidade de criar reservas naturais para acolher raças que sejam classificadas em perigo de extinção, mas estas nunca albergariam o touro de lide, porque este animal mesmo não se destinando a touradas, não se extinguirá.

Estes são dados e estudos do Ministério do Ambiente espanhol, não foram inventados pelos anti-touradas.

Cai pois por terra, o estafado argumento, da extinção dos touros de lide caso as touradas sejam proibidas.


Fonte:  El Gobierno asegura que sin lidia el toro bravo no se extinguirá
2010
"El departamento que dirige Elena Espinosa considera que, del total del censo de reses bravas, "sólo un escaso número de animales se dedica a los espectáculos taurinos". Medio Ambiente señala que el número de reses bravas en la actualidad es de 275.748 ejemplares inscritos. Cada año, se utilizan alrededor de 15.000 toros en los distintos festejos taurinos que tienen lugar en toda España, ya sean corridas en plazas o sueltas de vaquillas en los pueblos.

El ministerio asegura que aunque "existe la posibilidad de reservas naturales para albergar razas clasificadas en peligro de extinción" en ningún caso sería el caso del toro de lidia, "puesto que las razas de interés productivo se crían en explotaciones ganaderas con otras consideraciones y circunstancias". Aun así, el toro de lidia ya es hoy por hoy una estirpe protegida en el catálogo oficial como raza autóctona, circunstancia que obliga a su fomento y protección por parte de las administraciones."

Crueldade Inútil...

Theo Gigas, na crónica Touradas - Uma Crueldade Inútil, escreveu:
"Não existe um só argumento que justifique tamanha monstruosidade, que nada tem de esportivo ou de artístico. A única arte consiste na exploração de pessoas que gozam com volúpia o espetáculo de tortura e morte".

Muitos escritores têm descrito e estudado o espetáculo das touradas espanholas, que se realizam principalmente na Praça de Touros, em Madrid, todos os domingos - um imenso anfiteatro de estilo mourisco, luxuoso, original. A festa recebe o nome de corridas de touros. Em cada corrida se matam seis touros, dois para cada toureiro.

Fonseca Fernandes assistiu a um desses espetáculos e o descreve nas suas diversas fases. A primeira é a de excitação do animal, quando surge o picador montado a cavalo e que, munido de longa vara, submete o animal a uma tortura de picadas: "O picador arremata com a puya, triângulo de ferro que fustiga as espáduas do touro". Vem a segunda fase, a das banderillas, também excitadora. Homens de pé espetam, com agilidade, no animal banderillas coloridas "na mesma região fustigada anteriormente pelo picador". A última fase corresponde à muerte. Vem o toureiro, que dispõe de quinze minutos para a luta. Se o matador não cumpriu a missão, o touro volta ao curral e o toureiro toma extraordinária vaia. O touro morto também é vaiado. "O espanhol vaia sempre, manifestando alegria por qualquer dos resultados. Inclusive quando o touro mata o toureiro".

Existem os museus de toureiros, em que se guardam cabeças de animais, espadas, roupas. Num deles, figura retrato a óleo de Manolete, Manuel Rodriguez Sanchez, herói nacional de touradas, de carreira fabulosa, morto pelo touro "Isleno", em 1947. Tinha 30 anos o ídolo de Espanha.

O sacerdote Luciano Duarte admite que nesses espetáculos se vê sobremodo o aspecto de selvageria, na seguinte descrição: "O touro está fatigado e ofegante. Escorre-lhe o sangue abundantemente. O toureiro se aproxima de frente, para enterrar a espada. Momento perigoso. O touro agora está com as duas patas dianteiras paralelas. É o momento azado, pois esta posição permitirá que a espada se enterre até os copos, pouco adiante do pescoço do animal. O toureiro avança e tenta o golpe. A espada se afunda e fica enterrada, o povo aplaude delirantemente e grita olé, e o touro bambeia nas pernas inseguras, para logo cair morto".

Num romance célebre, "A Serpente Emplumada", Lawrence mostra com maestria esse "espetáculo de sangue e tripas". Urros do povo. Glória e emoção.

Como se explica o fenómeno?

Luciano Duarte adverte que a tourada, para o espanhol, é um espetáculo de arte: "Um balé em que o homem enfrenta o touro, em que a inteligência desafia a força bruta e vencerá". E o ilustrado escritor vai adiante, vendo na Espanha das touradas "restos de sangue mouro em efervescência, descarga do instinto de agressividade".

Por que esses homens se dedicam a tão cruel e desumano desporto? - pergunta Fonseca Fernandes. E explica: "Existe neles uma verdadeira adoração por esse gênero de exibição. Em touradas cultivam-se a destreza e a intrepidez das mais fortes emoções, nelas há todo um ritual de elegância perfeitamente enquadrado na vida do espanhol".

Os espanhóis, aliás, dizem que, como animal, o touro "teria de morrer de qualquer maneira; na praça mostra suas qualidades guerreiras e morre heroicamente". Ou mata - deveriam acrescentar.

As touradas foram vistas por Victor Hugo: "Em todas as corridas de touros aparecem três feras que são o touro, o toureiro e o público. O grau de brutalidade de cada um desses brutos pode-se calcular pelo seguinte: o touro é obrigado, o toureiro obriga-se, o público assiste por um ato espontâneo de sua graduação: o touro provocado defende-se; o toureiro, fiel ao seu compromisso, toureiro; o público diverte-se. No touro há força e instinto; no toureiro, valor e destreza; no público não há senão brutalidade".


A. Tito Filho, 06/04/1990, Jornal O Dia

sábado, 4 de agosto de 2012

Entrada do touro na praça

“Depois de discutidos e sorteados por lotes, são novamente fechados em divisões escuras de onde só sairão para se cegarem de luz e do ruído da multidão. “
ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944

A psicologia do touro

“Os animais carnívoros, guiados pelo seu instinto de conservação, procuram presa viva que os alimente, dispostos sempre a atacá-la e a matá-la; estão dotados de acometividade permanente e sempre prontos para a luta. As suas faculdades mentais adestram-se nesta forma, tornando-se sagazes, astutos e mestres da caça, por surpresa. Os ruminantes, e entre eles os touros, pelo contrário, têm alimentação herbívora, não necessitam de atacar ninguém, e como isso seria absurdo e na natureza não existem fenómenos desta espécie, o touro não ataca nenhuma espécie de animais, nem o homem. O animal herbívoro só tem que se defender dos carnívoros, e como o touro e os outros ruminantes constituem presas desejadas, dada a sua substância e volume, se as suas faculdades defensivas não fossem tão grandes, careceriam de condições de vida e desapareceriam. Por isso todos os bovinos têm potentíssimas reacções defensivas e são receosos e assustadiços. Tão receosos que já no século XVI D. Diogo Ramirez de Haro observava que o touro pasta, geralmente andando para trás. Espera sempre o ataque, sobretudo quando se encontra isolado da piara ou quando tem de defender a sua prole, que o espera no mesmo sítio, o escolhido para cama. Em tais circunstâncias investe sem reparar na superioridade que possa ter o inimigo, e sempre à cega. Fora disso, os ruminantes são tranquilos, porque essa função, que lhes dá o nome, requer largo repouso depois das comidas, para voltar a mastigar e salivar os alimentos depositados na pança, tornando-se, porém, inquietos quando, ao despertar a primavera, os alimentos abundam e os ardores genésicos aparecem. E assim se explica a habilidade de que usam os toureiros que só começam a tourear depois de Maio.“

Excerto do livro ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944

A Presumível Raça de Lide

Luis Gilpérez Fraile
Vice-Presidente da ASANDA

Desaparecerá a raça de lide quando acabarem as touradas?

Aqui está uma pergunta que nós defensores dos animais fazemos a nós próprios muitas vezes , e que com um tom acusatório , nos fazem os aficionados como parte da argumentação para defender a sua indefensável afição. Para nos darmos, e poder dar uma resposta razoável, em primeiro lugar temos que partir da premissa será verdade que existe o chamado “touro de lide” como raça animal, se a resposta for negativa, a afirmação “sem touradas não há touros” carece de sentido, já que não pode desaparecer o que não existe. Porém, não adiantemos conceitos, porque senão ver-nos-emos envolvidos num emaranhado de vocábulos tais como “espécie”, “raça”, “variedade”, “casta”, etc, sem saber bem do que estamos a falar, que é ao fim e ao cabo o que fazem os aficionados.

CONCEITOS BÁSICOS DE TAXONOMIA

O “nome e apelido” de qualquer animal é definido pela zoologia, pelo seu género e espécie *1*. Todos os animais que pertencem a um mesmo género têm em comum uma série de características semelhantes (características genéricas). Logo, todos os animais pertencentes ao género canis, como o cão e o lobo têm características comuns suficientemente óbvias (é este o caso) mas também características diferenciadoras *2*. Por tal, o primeiro pertence à espécie familiaris (canis familiaris) e o segundo à espécie lupus (canis lupus) *3*. Com os bovinos sucede o mesmo: a vaca e o zebu pertencem ao género Bos, porém a primeira é da espécie taurus (Bos taurus) e o segundo é da espécie indicus (Bos indicus). Podemos portanto, dizer em termos gerais, que os animais de uma mesma espécie , além de terem as características genéricas próprias, se assemelham entre si tantos como os seus pais, e distinguem-se das demais espécies do mesmo género, e se reproduzem entre si originando descendentes fecundos.
Porém ocorre com muita frequência , que grupos de animais de uma mesma espécie apresentem entre si características quer permitem claramente diferenciá-los (por exemplo , todos os cães são da mesma espécie, porém é possível diferenciar claramente um caniche de um mastim).
Neste caso estamos perante um facto que obriga a categorias inferiores dentro das espécies: são as espécies politípicas. E são nestas subdivisões que as normas taxonómicas se apresentam mais obscuras: as espécies podem dividir-se em sub-espécies e ou em variedades, e estas em sub-variedades ou biótopos. O uso do sinónimo “raça” por “variedade” é frequente e correcto. Continuando com o nosso exemplo canino, um galgo seria um Canis familiaris de raça galgo.
Estas normas taxonómicas, um tanto simplificadas para facilitar a sua compreensão, não têm outro objectivo para os nossos propósitos senão dar uma ideia de conjunto.

Porém é importante assinalar que as características que permitem classificar um grupo de animais dentro de uma mesma raça devem cumprir inexoravelmente as seguintes regras:
a) Que sejam diferenciadores face às demais raças da espécie (as características que aparecem numa raça não servem para descrever outra).
b) Que sejam estáveis, no sentido de confirmarem e perpetuarem com a descendência (uma característica que possa não aparecer nos descendentes, não serve para descrever uma raça).
c) Que sejam susceptíveis de descrição cientifíca (uma caracaterística como “proporcionado” não é válida para marcar uma característica própria de uma raça, pois é uma apreciação subjectiva).

Enquanto que c) é uma regra de racional, a) e b) são não só por conceito cientifíco, mas também por definição semântica do vocábulo “raça”: Cada um dos grupos em que se divide uma espécie orgânica , formada por indivíduos que têm certas características comuns que os distinguem dos outros de outros gupos da mesma categoria e que se transmitem por herança. (Maria Moliner)

Não há dúvida que estas regras se aplicam perfeitamente ao nosso exemplo canino, mas será que se aplicam também aos Bos taurus que se utilizam na lide ?
Antes de dar resposta , permito-me esboçar a origem e evolução dos ditos animais.

A ORIGEM DOS ACTUAIS TOUROS DE LIDE

O seu mais antigo predecessor conhecido é o Bos planitrons que viveu durante o plioceno (final do terciário). Dele descendem pelo menos duas espécies: o Bos primigenius (o uru europeu) e o Bos namadicus (o uru afroasiático) o Bos primigenius cruzado possivelmente com alguma espécie de cornos curtos, aparece entre 10000-8000 a.c e o Bos taurus actual, o qual começa a diversificar-se de tal forma, que já no Neolítico ( cerca de 4.000 anos a.c.) se conheciam pelo menos três espécies. A partir de então e devido à sua domesticação, sofre constantes cruzamento, muitas vezes com a intervenção do homem, que procura variedades para carne, trabalho e leite. E para não remontarmos muito mais atrás, já nos encontramos na Espanha do séc. XIV, onde se encontram dados que os touros para a lide se comprar aos carniceiros *4*, os quais, devido ao seu ofício conhecem os touros que se mostram mais bravos de entre as vacadas que comercializam. Quer dizer, escolhem-se exemplares de raças criadas para carne, não para a lide. Entre estas raças espanholas eram frequentes a Berrenda, a Cárdena, a Salmantina, a Retinta, etc. São todas raças pertencentes à espécie Bos taurus, com características fixadas ao longo de séculos ou mesmo milénios.
Porém alguns ganadeiros apercebem-se que criar reses para a lide pode ser tão rentável ou mais do que para carne, e em meados do séc. XVIII começam a aparecer as primeiras ganaderias de touros para lide. Estes vaqueiros, seleccionam e cruzam as raças ao seu alcance e começam a produzir touros condenados desde o nascimento à lide. Criaram por isso uma nova raça de Bos taurus ? Agora estamos de novo no princípio.

EXISTE A RAÇA DE LIDE ?

Sinceramente, a resposta é NÃO, e podemos argumentar sobre o assunto.
Recordemos que para poder definir uma raça são precisas cumprir três regras, basta que uma delas, uma só não se cumpra, para não se poder falar em raça. Pois bem, o denominado gado de lide, não cumpre nenhuma das três:

a) Não existem características morfológicas próprias dos touros da hipotética raça de lide, já que estas (as características morfológicas dos touros de lide) são idefiníveis por díspares. Descreva-se qualquer exemplar de qualquer ganadaria das que criam touros para lide, e poder-se-á comprovar que tal descrição não é aplicável a outros exemplares de outras ganadarias que criam exemplares com o mesmo fim *5*. Tão pouco existem características diferenciadoras definíveis entre os touros da hipotética raça de lide face a outras raças da mesma espécie.

b) As características psicológicas diferenciadores, que se supõem na hipotética raça de lide (principalmente a difícil definição de “bravura”) não parecem perpetuar-se de forma regular com a descendência, a ponto de a imensa maioria carecer dela. Segundo denunciam os próprios tauromáquicos. Aliás se assim fosse, a prova de bravura, seria desnecessária e todos os touros nascido de pais “bravos” seriam igualmente bravos. Tão pouco parecem perpetuar-se as características morfológicas: observando fotografias de exmplares de touros bravos de épocas distintas, inclusivé das mesmas ganadarias, pode observar-se que apresentam características morfológicas muito diferentes.

c) Não conhecemos uma única descrição científica das características diferenciadoras da hipotética raça de lide. E isto, apesar de ter consultado uma ampla bibliografia. A razão é a seguinte: não se pode descrever o que não existe. E, tanto assim é que nem o próprio Regulamento de Espectáculos Tauromáquicos a descreve, limitando-se a proibir que se lidem reses que não estejam inscritas no Registo de Empresas Ganadeiras de Reses de Lide, e que as mesmas tenham as caracterísitcas zootécnicas da ganadaria a que pertencem *6*.

Pelo exposto, pode dizer-se que a raça de lide só existe como ideia ou objectivo a alcançar pelos ganadeiros interessados, e mesmo aceitando que existe um fenótipo *7* ideal, o qual não é certo tanto no conceito de “touro de lide”, tanto no aspecto morfológico, como no psicológico, este vem mudando ao longo dos tempos de acordo com as modas tauromáquicas de cada momento.
A afirmação que não existe raça de lide, não é evidentemente só nossa. Por exemplo, aquele que é possivelmente o mais completo e documentado estudo publicado sobre as raças autóctones espanholas *8*, diz sobre o assunto: “O gado de lide constitui em Espanha uma população bovina heterogénea que é bastante duvidosa integrar numa raça, já que a única caracterísitca comum que se pode assinalar é a sua capacidade para mostrar um temperamento agressivo, a que os aficionados da tourada chamam bravura…Por isso, é duvidoso integrar esta diversa população bovina dentro do conceito de raça”.

O QUE SÃO ENTÃO OS TOUROS DE LIDE ?

É indiscutível e já o assinalamos anteriormente que as actuais raças bovinas espanholas são o resultado de cruzamentos com outras raças mais antigas, e estas o resultado de cruzamentos e ou diversificação de espécies ainda anteriores. Quer dizer que num dado momento se partiu de animais mestiços até que as suas características (aquelas que os seus “criadores” consideraram idóneas para os seus fins) se fixaram por selecção artificial para dar lugar a uma raça propriamente dita. A razão pela qual as características das raças autóctones se fixaram e as dos touros de lide não, têm que se procurar não já no tempo que necessariamente tem que transcorrer para que ela ocorra ( com mais de dois séculos houve tempo suficiente para tal), mas sim nos próprios interesses do negócio taurino.
Se desde um primeiro momento (ou inclusive em tempos posteriores) se tivesse decidido o prótotipo do touro que se queria alcançar, seguramente que hoje existiria uma raça de touros de lide. Porém, as modas e os interesses conduziram a que os gandeiros continuassem mestiçando continuamente *9*, de forma a que os touros de lide de hoje não se parecem com os de ontem, estes com os de anteontem, e tão pouco se parecerão com os de amanhã se se continuar pelo mesmo caminho.
Finalmente: os touros de lide actuais não são senão animais mestiços que não pertencem a nenhuma raça determinada, e só para fixar um conceito que sirva de referência, permito-me defini-los da seguinte forma “animais pertencentes a diversas pseudo-raças de Bos taurus, com a característica frequente, indefinível cientificamente, de manifestar uma agressividade instintiva quando acossados”, característica que repartem com muitas outras espécies e inclusive com exemplares de outras raças bovinas.

SÃO SINCEROS OS AFICIONADOS QUANDOS E PREOCUPAM COM A SUA POSSÍVEL DESAPARIÇÃO ?

É evidente que aos aficionados o que os preocupa é o desaparecimento das touradas, não dos touros: os simples aficionados porque perdiam o seu divertimento; os outros – ganadeiros, críticos , matadores, etc. – porque perdiam o seu negócio. Porém, nem a uns nem a outros, lhe interessa a sorte das pseudo-raças de lide. E para fazer esta afirmação baseio-me nos seguintes factos:

a) Muitas pseudo-raças perderam-se e muitas outras se perderão, de forma provocada, e quanta a essas eles não preocupam *10*.

b) Várias raças bovinas autóctones (verdadeiras raças) desapareceram nestes últimos anos (campurriana , pasiega, lebaniega, etc) e muitas outras encontram-se em perigo eminente de extinção ( albera, blanca cacereña, cachena, murciana, etc.) e não são os aficionados que reclamam a sua protecção.

DESAPARECERÃO AS PSEUDO-RAÇAS QUANDO ACABAREM AS TOURADAS?

Os touros bravos não existem porque existem touradas, antes pelo contrário: as touradas existem porque existem touros bravos.

Recordemos que os primitivos ganadeiros de bois, tentaram durante séculos erradicar essa característica brava do seu gado, seleccionando os animais mais mansos e consequentemente mais manejáveis.

E assim, no séc. XVIII os primeiros ganadeiros de reses de lide encontraram-se a braços com exemplares cujo gene de bravura não tinha desaparecido. Todavia hoje existem exemplares entre as ganaderias de touros de carne que manifestam uma agressividade instintiva quando provocados ou acossados *11*. Não se duvide pois que este carácter se perpetuará ainda durante muito tempo de forma natural, sobretudo se não se tentar seleccionar em sentido contrário.
Portanto é primordial conservar as raças bovinas autóctones espanholas, verdadeira riqueza zoológica e zootécnica do nosso país, em vez das pseudo-raças de lide. Calcula-se que 32% encontram-se em eminente perigo de extinção e 38% em perigo moderado de extinção *12*.

Quanto às pseudo-raças de lide, com um valor ecológico muito menor que as anteriores, a sua sobrevivência às touradas é um simples problema de vontade. Haveria que decidir que fenótipos se desejam perpetuar para impedir que os ganadeiros continuem a fazê-los desaparecer. Não esqueçamos que o próprio negócio tauromáquico é o seu pior inimigo. Uma vez estabelecidas as características diferenciadoras da raça de lide, só deveriam estar inscritos no livro genealógico de raça bovina de lide os exemplares que as tivessem e em pouco anos já se poderia falar de raça de lide.
E existindo uma raça de lide, a sua protecção em herdades para o efeito seria económico e simples. Muito mais que a protecção a outros animais em perigo de extinção (linces, lobos ou ursos *13*) se tem mostrado possível.

E também não podemos esquecer que sem ser utilizados para a lide, as actuais pseudo-raças de lide são economicamente rentáveis como produtoras de carne, ou pelo menos tão rentáveis como muitas raças espanholas de criação intensiva *14*. Quer dizer, são uma verdadeira alternativa de produção em terras que não permitem manter outras raças mais delicadas, embora o seu manuseamento seja mais complicado.

Em resumo: as pseudo-raças de lide não têm que desaparecer se se acabar com as touradas, e não há dúvidas que quem agora advoga a sua abolição, serão os que a partir de então lutarão pela protecção de tão belos e magnifícos animais.


NOTAS

*1* È a chamada nomenclatura binominal . Consiste em duas palavras latinas das quais a primeira se escreve em maiscúlas e designa o género, e a segunda em minuscúlas e designa a espécie. Estas normas internacionais estão reconhecidas no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica.
*2* Não tanto, como por exemplo entre o lobo e a raposa e o cão e a raposa. É por isso que as três espécies pertencem a uma mesma família (a dos canídeos), porém só o cão e o lobo são do mesmo género (a raposa pertence ao género Vulpes).
*3* A espécie é a mais representativa das categorias taxonómicas, e pode ser definida como “um conjunto de população natural que pode cruzar-se entre si, real ou potencialmente” (Mayr”. Em linguagem comum, a espécie designa-se por um substantivo concreto: cão, lobo, vaca, etc.
*4* Por exemplo em 1478, em Sevilha houve uma tourada “oito dos quais se compraram ao carniceiro Juan Ruíz , pagando 2.500 maravedís cada um” (Los Caireles de Oro, de Pascual Millán).
*5* A descrição normal de uma raça bovina inclui pelo menos a altura, peso médio, proporções, forma da cabeça, cornadura, pelo e cores. Como qualquer um pode comprovar , todas estas caracterísiticas são muito diferentes nos touros criados para lide. Para muito autores tauromáquicos, as características diferenciadoras dos touros de lide não são morfológicas, genéticas ou fisiológicas , mas sim psicológicas. Por exemplo para Filiberto Mira um touro de lide é aquele que tem uma “saída alegre e rápida do curro, vai ao encontro nos três esconderijos, dobra humilhado e no percurso ao ser toureado com a capa….etc”. Estes critérios são taxonomicamente inaceitáveis. Outros como Manuel Prieto y Prieto, assinalam aquelas que devem ser as características tipo das raças vacuns de lide, porém terminam como recomendação para as distinguir “os sinais ou marcas e as divisas”
*6* Há que assinalar que “características zootécnicas “ é um disparate semântico: zootecnia é “o conjunto de conhecimentos relativos à criação de animais domésticos e a prática desses conhecimentos”, portanto “características zootécnicas” não tem sentido. Também é de assinalar que para se inscrever no registo de Empresas Ganadeiras de reses de lide, não se exige ao interessado que conte com as reses da vaca de lide, mas sim com as reses inscritas no livro genealógico da raça bovina de lide, na qual se inscrevem as reses pertencentes às ganadarias de reses de lide. Uma pescadinha de rabo na boca, precisamente por não se poder definir cientificamente as características da hipotética raça de lide.
*7* Fenótipo: conjunto de propriedades genéticas, estruturais e funcionais de um organismo.
*8* Miguel A. Garcia Dory, Silvio Martinez Vicente e Fernando Orozco Piñan, Guía de Campo de las razas autóctonas españolas (Madrid, editorial : Alianza Editorial, 1990), 228.
*9* É do conhecimento geral que as “figuras “ do toureio escolhem ou vetam ganadarias consoante os touros se acomodam ou não à sua forma de tourear. E isto já acontece desde o aparecimento das primeiras ganadarias de touros de lide , sendo famoso o memorial escrito por Illo e Costillares (dois famosos matadores do séc. XVII) exigindo à autoridade que não comprasse touros da raça castelhana para os espectáculos onde iriam actuar. Estas exigências das “figuras” têm levado os ganadeiros a produzir touros ditados pelas modas.
*10* A tal ponto que das oito pseudo-raças do séc. XVII (dez, segundo outros autores) – e por pseudo-raças originárias referimo-nos às 8 ou 10 ganadarias que começaram a criar touros com a finalidade exclusiva de os dedicar à lide, e que estavam formadas por exemplares de raças autóctones espanholas – não há hoje uma só ganadaria que conserve exemplares que não sejam mestiços: quer dizer desapareceram todas. Pode mesmo afirmar-se que de algumas daquelas, até o sangue dos seus descendentes se extinguiu nas ganadarias que os tinham: por exemplo da vazqueña, da raso-portillo da jijonesa, etc.
*11* Tanto assim é, que em muitas festas populares, até à entrada em vigor do novo Regulamento Tauromáquico – que o proíbe para zelar pelos interesses dos poderosos ganadeiros de touro bravo – , vinham-se utilizando touros de ganadarias de carne, os quais, se eram bem escolhidos mostravam tanta bravura como os criados como bravos.
*12* Na actualidade restam 27 raças bovinas autóctones espanholas. De 9 delas restam menos de 1000 exemplares. Dados certos indicam que pelo menos 4 raças já desapareceram.
*13* Os ursos foram utilizados em Espanha, durante séculos e até ao séc.XX em espectáculos tauromáquicos. Abolida esta dita “manifestação cultural, os ursos não desapareceram.
*14* O rendimento da carne das reses de ganadarias de lide anda á volta de 57%. As de carne de pastagem, á volta de 55%.

Fonte

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

É Falso que o Espectáculo Seja Cruel! O Aficionado é Sensível ao Drama…! Mais Aberrações da “Prótoiro”

É igualmente falso que o espectáculo seja cruel, sendo que a crueldade supõe o prazer que se retira do sofrimento de uma vítima”. (“Parecer” da “Prótoiro”)

Crueldade: desumanidade, barbaridade.


Prazer: deleite, alegria, divertimento.


Vítima: alguém que morre num ritual, alguém que é sacrificado aos interesses de outrém.


Assim sendo, uma tourada é um espectáculo desumano, bárbaro, que supõe o deleite de todos os intervenientes e implica a morte de um animal que é sacrificado aos interesses de outrém, neste caso aos interesses de todos que lucram e fazem dela, tourada, um negócio.

Ora, o aficionado é certamente sensível ao drama do toiro, mas não vê nele uma vítima de sevícias”. (“Parecer” da “Prótoiro”)

Sensível: Compassivo.


Sevícias: castigo corporal, maus – tratos.


O aficionado, é uma pessoa compassiva? Se tal fosse verdade, não defenderia a continuidade deste espectáculo. Antes pelo contrário seria o primeiro a querer a sua abolição.


Sevícias, maus-tratos, castigos corporais, tal como espetar farpas, bandarilhas, etc. Se os aficionados não conseguem olhar para um touro cravejado com estes instrumentos de tortura e ver nele uma vítima de sevícias, então é caso para perguntar se o que vêem é uma vítima de carícias!!!!

Vê-o como um combatente perigoso, muitas vezes heróico – mesmo que ele seja quase sempre vencido”. (“Parecer” da “Prótoiro”)

Não é quase sempre vencido, é sempre vencido e para provar o combatente perigoso que o touro é, vejam-se estas fotos:

Num mundo perfeito, V.Exas., estariam neste momento numa instituição psiquiátrica.

in Prótouro
Pelos touros em liberdade

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Acabemos com a tourada em Portugal

Num mundo que vive de noções deturpadas, vejo muita gente a defender matérias como se tivessem uma perfeita definição do que é arte e principalmente como se achassem donos e senhores da definição de 'cultura'. A prova disso mesmo é a ignóbil convicção - num certo cultivo grotesco de uma profunda ignorância - de que o prazer na tourada não é consequência da tortura e do sofrimento de um animal inocente, isto é o touro entra na arena porque é seu destino ser toureado. Não é necessário salientar a indigência de semelhante... não lhe vou chamar raciocínio, mas absurda dedução... A «lógica» pseudo-moralista desta maralha é a mesma das beatas que passam horas infindáveis em oração por si próprias. Ou a dos doentes mentais que passam horas a puxar o brilho ao pelo dos cavalos numa mostra doentia de um afecto que terminará um dia pelos transformar em base de mesas depois de serem feridos de morte, mas que no entanto não são capazes de se levantar para afagar o bebé que chora a meio da noite, pois isso não é coisa de macho e a mulher que o faça. Que dizer de quem acha que o sentimento que se pode ter por um animal, o prazer de partilhar momentos de alegria e a angústia de uma correria para o veterinário, não passam de modas? Tudo não passa de um sentimento menor, ressabiado, de uma pequenez sem sentido e de um profundo sentimento de frustração perante a vida e a sociedade que os envolve. Partir do princípio de que o homem é o único que pode ter direitos e de que o direito é uma realidade cultural, é a mais profunda demonstração de uma falácia ignorante e desprovida de qualquer sentido.

O homem, como ser sapiente, tem a obrigação moral de defender os animais e essa defesa é o exponencial moral da condição humana, jamais sendo uma degradação da sua humanidade. Rotular os movimentos anti-taurinos como uma tendência social de origem urbana, é não compreender o mundo rural e uma tentativa de conflitualidade entre dois «mundos». Note-se a utilização do termo virilidade como uma justificação do meio pró-tourada como que o confronto entre o animal e a besta (e a besta não é o touro), viesse provar a superioridade do homem. As próprias justificações pró-taurinas são a imagem reflectida de um pensamento que se quer erradicado de uma sociedade evoluída. O meio rural não é, sendo-o só na tacanha visão de uma mente doentia, um mundo violento e pouco higiénico, e tão pouco um mundo onde a aceitação da tourada é plena. É a eterna dicotomia aldeia versus cidade sem nunca terem a noção de que "aldeia sempre foi sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, aborrecimento e mexerico." Esta só o é porque se acha conveniente manter um povo ignorante e estúpido, pois um povo que não questiona é um povo e uma sociedade submissa e permissível à violência das touradas.

por Rui Barbosa

Portugal já foi um País Sem Touradas

No ano de 1836, Passos Manuel, ministro do reinado de D. Maria, promulgou um Decreto no qual proibia as touradas em todo o país (Diário do Governo nº229, de 1836):



“Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de Nações civilizadas, bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade, e desejando eu remover todas as causas que possam impedir ou retardar o aperfeiçoamento moral da Nação Portuguesa, hei por bem decretar que de hora em diante fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de touros”.


A 1 de Novembro de 1567, o Papa Pio V publicou a bula “De salute gregis dominici”, ainda em vigor:

“(…) Nós, considerando que estes espectáculos que incluem touros e feras no circo na praça pública não têm nada a ver com piedade e a caridade cristã, e querendo abolir estes vergonhosos e sangrentos espectáculos, (…) proibimos terminantemente por esta nossa constituição (…) a celebração deste espectáculos(…)”

A 15 de Outubro de 1978, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
Artigo 10º:

“Nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem. As exibições de animais e os espectáculos que se sirvam de animais, são incompatíveis com a dignidade do animal.”

Ao fazer do sofrimento de um animal um meio de diversão, o Ser Humano está a propagar e banalizar a violência gratuita como forma de ser e estar na sociedade. De geração em geração, o sofrimento alheio banaliza-se no inconsciente colectivo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

"Quem não gosta não vai."


 Estas pessoas reduzem ÉTICA e MORAL a simples "gostos". Como se a VIDA e SOFRIMENTO pudessem ser comparados a um objecto do qual se possa ou não gostar. Quem diz um objecto diz uma música, um livro, um filme, um programa de televisão...

Não se coloca a questão de se gostar ou não de touradas, isso é absolutamente IRRELEVANTE perante o que está em causa, que é o SOFRIMENTO de um SER SENCIENTE. Lá por haver gente que ADORA ver acidentes de viação e que até pára o carro, provocando grandes engarrafamentos, APENAS na esperança de "apreciar" as possíveis vítimas, não vamos encorajar a que haja mais acidentes apenas para satisfazer os "gostos" mórbidos dessas pessoas. VALORES como o direito ao BEM-ESTAR e à VIDA quer de animais humanos e não humanos, têm de prevalecer independentemente dos "gostos" das pessoas.

É um princípio, e foi por esse princípio que se aboliu a escravatura e outras situações análogas. As pessoas das touradas ainda não compreenderam que o mundo evoluiu e que a luta pelos direitos dos animais equivale à luta, no passado, pelos direitos dos escravos, judeus e de outros seres considerados de 2ª e descartáveis, como o são ainda os animais. Nem se dão conta de que com esta atitude arrogante, cruel e ORGULHOSAMENTE IGNORANTE, acima do bem e do mal, da ética e da moral, da ciência, do conhecimento e da cultura, estão a provocar na maioria das pessoas, sentimentos tão negativos, como outrora se nutriram pelos nazis.

Ganadeiros, toureiros, forcados a aficionados: o MUNDO já não vê os animais como objectos interactivos descartáveis. A ciência já provou que estes além de sentirem como nós têm também consciência e que cada vez mais a sua integridade física e psicológica tende a ser respeitada. Como tal, uma vez que as touradas NÃO SERVEM NENHUMA NECESSIDADE BÁSICA nem são INDISPENSÁVEIS à nossa SOBREVIVÊNCIA, não são mais do que CRIMES cometidos contra SERES PUROS E INOCENTES que promovem a violência GRATUITA, provocam traumas psicológicos nas crianças e contribuem para a degradação ética e moral dos cidadãos.

Os nazis também estavam protegidos pela lei e não foi por isso que o mundo deixou de os considerar CRIMINOSOS. Será assim que vocês ficarão na História também à semelhança dos esclavagistas que se opuseram fortemente à abolição da escravatura. Os ganadeiros e afins, são hoje, os Lanistas do passado.

Uma vergonha para a humanidade.

por Cláudia Vantacich

domingo, 29 de julho de 2012

"Carta de um humano - Touradas???"

Os homens e mulheres não são entidades estáticas, mas sim seres que têm em si a capacidade de fazer melhor, portanto de serem perfectíveis. Assim, se considerarmos que são susceptíveis de se aperfeiçoarem, isso implica que têm a capacidade de abandonarem modelos que deixaram de representar os valores entendidos como correctos à luz de um dado patamar ético e, consequentemente, estabelecerem novos paradigmas que lhes permitam orientar as vivências de modo mais consentâneo. Assim, movimento, interacção e evanescência surgem como molas propulsoras da Vida em permanente devir.
Ao longo dos tempos, as culturas deixaram sempre aflorar, aqui e ali, os altos valores dos saberes que se constituem ainda hoje como farol para uma prática fraterna entre todos os seres sencientes, onde naturalmente se incluem os humanos, e onde todos, necessariamente, têm um lugar e um papel a desempenhar. A Natureza só é feliz quando todos os seus elementos vivem em equilíbrio dinâmico consoante o patamar de consciência de cada um! E esta consciência – por exemplo, a capacidade de reflectir e meditar sobre as ocorrências e actos praticados – se mais apurada, mais subtil e profunda, tanto mais responsável deverá ser.

A questão que aqui se coloca é, pois, bastante simples. Se aceitarmos que os actos praticados, ditos e pensados têm consequências, que papel queremos desempenhar nesta dinâmica inter-relacional e, por maioria de razão, que herança deixaremos às gerações vindouras? No caso dos seres “animais”, desejaremos conscientemente continuar a retirar prazer a expensas do seu sofrimento, numa espécie de orgia selvagem que não olha a meios para atingir os fins, mesmo que isso implique dor e tormentos continuados? É essa a representação de Homem que queremos continuar a sustentar e/ou permitir?

Porque os valores mudam, as culturas necessariamente reflectem estas mesmas mudanças! Afirmarmos que algo faz parte de um alegado “património” e que portanto se deve eternizar, mesmo que isso comporte o perpetuar de valores já inaceitáveis, é não só recusar o óbvio como também tentar afirmar um imobilismo pantanoso na vã pretensão de aprisionar o grande rio da vida. É também recusar crescer interiormente, é voltar as costas ao horizonte desenhado pela solidariedade e pela fraternidade que devemos a nós próprios e a todos os outros seres que, juntamente connosco, compõem esta grande Sinfonia da Natureza! Aquilo que alguns apelidam de “animais”, esses meros objectos, simples “coisas” de quem se alega ter o direito de dispor a seu belo prazer na prossecução de interesses egoistamente medíocres, é já hoje uma abordagem que a maioria não sustenta, que já não entende como aceitável!

A grande comunidade de Portugueses a que chamo Portugal, perdoem se me engano, tem ao longo do tempo dado evidentes sinais ao mundo de possuir um fundo afectuoso e uma intenção de pouco pactuar com interesses mesquinhos, mostrando desde sempre ser mais inclinada para o sorriso hospitaleiro do que para o exercício do uso do gume da espada! Não será afinal esse o “fundo” Português que subjaz à manta genética que nos surge aos sentidos? Como “rosto da Europa”, como farol que mostrou novas terras ao mundo e por tantas outras razões que não cabe aqui mencionar, é hora de reafirmarmos mais uma vez a nossa força de mudança alicerçada por essa “alma” temperada pela força da esteva e pelo sussurro do mar no seu eterno movimento cíclico e que sempre nos convida a mais uma viagem.

As “touradas” são a degradante imagem que certos defuntos protelados querem perpetuar, a vergonha da nossa cara enquanto homens e mulheres cidadãos dos «mundos a haver»! Não deveremos mais permitir que a imagem desta terra luxitanea, deste porto sagrado do graal, se deixe manchar pela incúria e passividade, pelo comodismo e pela recusa de vivenciar um modelo holístico, abarcante e fraterno! Há tempo para pensar, há tempo para agir! Hoje, na velocidade estonteante deste mundo tido como complexo, a sabedoria mostra a verdade do que é simples mas não simplório. Avancemos para pensar, pare-se para verdadeiramente agir! Na simples decisão de uma recusa firme, que jamais possa dar continuidade ao vil proceder, está a força calma do sorriso que simplesmente diz não.

Portugal é pequeno para os curtos de vista, para os de coração empedernido, nunca para aqueles que o vivem como terra prática de sonho e utopia, onde a planura alentejana e as serranias para lá do Marão, o quente Algarve, o doce Minho e as saudosas Beiras, as cálidas terras estremenhas tão perto desse Riba+Tejo, são evidências de diversidade a que subjaz a unidade desse “ser” Português do/no Mundo!

Touradas??? Decididamente, não!!!

António E. R. Faria

sábado, 28 de julho de 2012

Cultura da crueldade

"Nas horas que precedem a tourada, auxiliares se ocupam de preparar o touro. Penduram-lhe no pescoço pesados sacos de areia, para fatigar os músculos que acionam as chifradas. Passam-lhe vaselina nos olhos para embotar-lhe a visão. Desde a véspera, ou até antes, não o alimentam. Na pouca água que lhe dão, misturam purgantes: perda de fluidos e sais na diarréia irão levá-lo mais cedo à exaustão.

A intenção é reduzir-lhe a capacidade de lutar, não a disposição, que buscam excitar ao confiná-lo em curral escuro e exíguo. Ali, golpeiam-lhe os rins e espicaçam os testículos com longas agulhas. Quando finalmente o deixam galopar para a falsa liberdade da arena, o touro primeiro estaca, aterrorizado, furioso, aturdido pelo sol que reverbera na areia.

Depois, ataca o primeiro inimigo a provocá-lo: o picador, toureiro montado e armado de lança, pernas protegidas por armaduras. Enquanto chifra o cavalo (precariamente protegido pela "calzona" de camurça) e o comprime contra o muro da arena, o touro expõe a nuca a pontaços da "puya", ponta piramidal da lança. Afiadas arestas da "puya" rasgam o couro e rompem tendões e ligamentos sem aprofundar os ferimentos.

Para prevenir importunos relinchos de terror, prévia operação sem anestesia terá extirpado as cordas vocais do cavalo. Se incapacitado por chifradas, ele será abatido. Mas, caso lhe sobre alguma força, passará por grosseira sutura dos ferimentos, sempre sem anestésico, para ser aproveitado na tourada seguinte. (Tipicamente, cada corrida sacrifica seis touros numa tarde.) Em média, cavalo de tourada sobrevive a três ou quatro espetáculos.

Depois do picador, toureiros subalternos virão atormentar o touro com as bandarilhas que lhe fincam no dorso enquanto o rodeiam e confundem. Corcovos para livrar-se desses dolorosos arpões coloridos meramente aumentam lacerações e o sangramento do touro, mas divertem e excitam o público.

Entra em cena o matador. Também ele terá passado por preparativos esmerados. Entre estes, oração contrita perante réplica da chorosa Virgem da Macarena, santa tutelar dos toureiros. Na arena, depois de elaborado balé de esquivas e rodopios da "muleta" (capa usada no ato final), o toureiro se posta diante do touro exausto e atordoado, arranca em curta corrida e crava-lhe a espada num dos lanhos abertos pela "puya".

A lâmina pode penetrar mais de meio metro, perfurar um pulmão e também alguma artéria grossa; hemorragia profusa fará o touro golfar sangue enquanto sufoca e tomba.

Tentará reerguer-se, mas outros toureiros acorrem para cravar-lhe entre vértebras da nuca repetidos golpes de "puntillas" (adagas), para destruir-lhe a medula espinhal e paralisá-lo. Exultação orgástica do público.

Acenos de lenços brancos sinalizam ao diretor da tourada que conceda ao toureiro a honra de decepar uma orelha do touro que, ainda consciente, bufa sangue e agoniza. Insistência do público rende as duas orelhas. Enquanto contorna a arena para exibir os troféus, o toureiro pisa cravos vermelhos, leques, mantilhas: oferendas simbólicas de mulheres excitadas pela virilidade do herói.

Matanças e torturas recreativas continuam vastamente distribuídas no mundo: boxe, rinhas de galo, rodeios, lutas de cães, caçadas e pescarias "esportivas" -difícil completar a lista. Mas, enquanto boxe e rinha conotam crueza cafona, vulgaridade e gangsterismo barato, tourada é sofisticação perversa, com pretensões de refinamento aristocrático, arte, romance -e interesses financeiros muito mais cobiçosos.

Esses atributos a projetam como epítome de todas as tradições que degradam por igual espectadores, promotores, patrocinadores e os governantes que prevaricam ao dever de proscrevê-las. Alguns, como a família real espanhola, até as prestigiam.

A maioria do povo espanhol não se compraz com touradas. Porém, para elevá-lo da indiferença à vergonha, turistas deveriam gastar noutros países os US$ 50 bilhões que todo ano deixam na Espanha. Boicotar também patrocinadores de touradas, como a Pepsi-Cola, e oportunistas como Giorgio Armani, que desenhou o "traje de luces" para o matador Ordóñez usar na "Corrida Goyesca" de setembro último.

Protestos e boicotes funcionam: forçaram a Mattel a tirar de linha bonecas Barbie fantasiadas de toureiro. Aliste-se. É simples: condene visitas à Espanha enquanto esse rito de crueldade macular de sangue seus esplêndidos tesouros culturais."


Aldo Pereira é ex-editorialista e colaborador especial da Folha de S. Paulo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Texto argumentativo

"Touradas, um assunto capaz de dividir famílias, cidades, países. Quase se poderia dizer que se parece com futebol, só que no caso das touradas parece só haver dois clubes: os Pró e os Contra
Na minha opinião as touradas são cruéis porque com que os touros sofram. As touradas são usadas para entreter os humanos. Bem, tenho alguma dificuldade em chamar humanos, seres que se divertem com a tortura de um animal.

Uma coisa é matar os touros sem que sofram outra coisa é tortura-los espetando farpas que os deixam a jorrar sangue e pô-los cansados para no fim os matarem sem dó nem piedade. “ Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Este é um ditado que se pode aplicar nesta situação, e dizer as pessoas que gostam das touradas, para que se ponham no lugar dos touros e imaginem o que é ser torturado e no fim morto. Não se trata de matar para sobreviver, trata-se de torturar e matar por divertimento! Que mal terão feito os touros? Nenhum. São apenas uma raça inferior e com menos poder, por isso podem servir de passatempo para os mais inteligentes e poderosos.
Há quem diga que os touros não sofrem com as farpas. Pobre argumento, não só não se sabe se é verdade, como mesmo que não sofram, continuam na arena a ser gozados pelas pessoas.

Acho que as touradas podem ser substituídas, por exemplo, por idas ao cinema, ao teatro, a concertos, ou a acontecimentos desportivos, pois estas actividades entretêm e divertem as pessoas e não prejudicam os touros.

Penso que as touradas são algo que deveria deixar de existir pois incentiva a crueldade. Os touros deviam ser livres e quando for necessária a sua carne, devem ser mortos rapidamente."

Filipe Esteves 11º ano

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Toureio ou sacrifício?

 
Cavalo, a outra vítima!
O cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio/treino que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso.
É, portanto, uma aberração, comprovativa da maior hipocrisia, quando cavaleiros tauromáquicos afirmam gostarem muito dos seus cavalos e lhes quererem proporcionar o bem estar. Cúmulo de hipocrisia é beijá-lo, depois de o fazer passar por tanto sofrimento.
Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.

Vasco Reis, médico veterinário

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Touradas: contra (estamos a evoluir?)

Trabalho elaborado pela turma de 9º ano para o debate sobre a tradição das touradas.
1. Abaixo as Touradas

2. Ser contra as Touradas
Muitas pessoas julgam as touradas uma forma de cultura, mas se cultura é fazer os animais sofrer, qual é o gosto de praticar essa cultura, essa tradição? Imaginem-se agora na pele dos animais, como se sentiriam? Diziam “boa, vamos sofrer e ser torturados só para que os humanos se possam divertir”?

3. Estas são as perguntas que deviam pôr as pessoas a pensar e reflectir no que realmente é cultura. Esta imagem reflecte exactamente o que queríamos mostrar nas perguntas.
4. Direitos dos animais 
As pessoas lutam pelos seus direitos, mas os animais também têm os seus DIREITOS.
E são os grupos de defesa dos direitos dos animais que lutam para que as touradas acabem, pois estes acham este acto, um acto de crueldade e insensibilidade.
Em Portugal, já foram proibidas as touradas por quatro autarquias, sigam o exemplo.
5. Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. 
A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". 
A violência é a negação da inteligência.
 Argumentos

6. Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis (mesmo que se sustenham na tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais. 
É horrível ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.
7. Os milhares de hectares desperdiçados a tentar manter bois em estado bravio, produziriam muito mais útil riqueza se aproveitados em produção agrícola, frutícola, etc. 
Uma minoria quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reflexo das arenas da decadência do Império Romano.
8. Argumento apoiante:
Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.
Argumento contra: 
Os Pandas e outros animais que correram risco de extinção nunca serviram para as Touradas e continuam a existir. De qualquer forma com certeza de que os aficionados que tanto dizem “amar” os Touros se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada.
9. Argumento apoiante:
O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.
Argumento contra: 
É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes.
10. Argumento apoiante:
Os Touros nascem para serem lidados. São animais agressivos por natureza.
Argumento contra: 
Uma coisa é o instinto de sobrevivência e auto-defesa de um animal, outra é o seu temperamento e personalidade.
11. O que acontece ao Touro 
Durante as touradas os touros passam por grandes torturas. Primeiro, antes de começar o chamado “espectáculo”, o touro é fechado num lugar escuro, o que faz com que ele fique aterrorizado. Depois, dentro da praça, é torturado com as farpas. 
E pensando bem não é só o touro que sofre, também sofrem os cavalos com o pânico de ter um touro atrás deles. E, por vezes, pode magoá-los.
12. Esperamos que tenham percebido a gravidade desta situação.
As touradas não são cultura, mas sim tortura.
13. O que concluímos
A tauromaquia é uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais. Só os motivos económicos ganham na luta de ódio que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais. 
Em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis. Não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.


15. Trabalho elaborado por: Alunos de 9ºano.
Professoras: Ana Narciso; Elisabete Escudeiro.

Touradas: a favor (ou o embrutecimento das nossas crianças)

Trabalho elaborado pelos alunos do 8º ano para apoio ao debate sobre este tema polémico.
1. Os “Prós” da Tourada Trabalho elaborado por: Alunos do 8.º A de Marvão(Potalegre)

2. Aqui vamos falar-vos de todos os bons aspectos da Tourada, pois é considerada uma Arte e uma grande tradição que nasceu na Grécia e que se expandiu por Portugal, França e Espanha.
3. Onde “nasceu” a Tourada?
A Tourada é um espectáculo tradicional que surgiu na Grécia e tornou-se uma grande tradição em Espanha, em França e em Portugal, bem como de alguns países da América Latina: México, Colômbia, Perú, Venezuela e Guatemala. O objectivo do espectáculo consiste na lide de touros bravos através de técnicas conhecidas como arte tauromáquica. A palavra tauromaquia é oriunda do grego, ou seja, é um combate com touros.
4. Tourada ,uma tradição antiga que não deve ser mudada! A Tourada é considerada uma tradição e uma Arte Antiga que consiste em: Lide a cavalo; Lide a pé; Pega; Cortesias.
5. Como é a Tourada à Portuguesa
Cortesias - Marcam o início da corrida de touros à portuguesa. No início da corrida todos os intervenientes (cavaleiros, forcados, bandarilheiros, novilheiros, campinos e outros intervenientes) entram na arena e cumprimentam o público, a direcção da corrida e figuras eminentes presentes na praça.
6. Cortesia
7. Lide a cavalo - Todo o decorrer da corrida de touros à portuguesa consiste na "lide" de seis touros, habitualmente. Cada um dos touros é lidado por um cavaleiro tauromáquico, que tem um determinado tempo durante o qual poderá cravar um número variável de farpas compridas (no início), curtas e de palmo (ainda mais pequenas) no dorso do animal .
8. Lide a pé - Os touros podem, alternativamente, ser "lidados" por um toureiro a pé (embora isto seja menos comum nas touradas portuguesas), que também crava as bandarilhas, um par em simultâneo, no dorso do touro. Outra faceta da lide a pé envolve o uso de uma pequena capa (a muleta) e de um estoque.
9. Pega – O bandarilheiro faz algumas manobras com um capote posicionando o touro para a pega. De seguida, entram em cena os forcados que, por sua vez, são um grupo que enfrenta o touro a pé com o objectivo de conseguir imobilizar o touro unicamente à força de braços. Oito homens entram na arena, seguindo-se os chamados ajudas, primeiro e segundo ajuda e de mais forcados que também ajudam na pega, terminando no rabejador que segura no rabo do touro. A pega é consumada quando o forcado da cara se mantenha seguro nos cornos do touro e este seja detido e imobilizado pelos seus companheiros.
10. Pega
11. Os trajes dos Cavaleiros e dos Forcados
12. O porquê de nós sermos a favor das touradas 
Somos a favor das touradas, pois em Portugal é considerada uma tradição milenar e uma Arte; Os trajes dos cavaleiros são elegantes; A tourada é interessante de ver; As cortesias são elegantes; A maneira como os cavaleiros lidam com os touros; O cavaleiro é um artista; As lides e as pegas são interessantes; A maneira como lidam com as diferentes situações;
13. O porquê de nós sermos a favor das touradas - continuação 
Confronto entre o cavalo e o touro; Uma tourada é uma prova de veneração e uma homenagem à força do animal; Uma tourada não é para ser vista como um desporto, mas como uma síntese de arte e dança; Uma tourada permite uma saudável descarga colectiva de sentimentos negativos e de agressividades; As touradas têm uma dimensão religiosa, representando a luta do bem e do mal, sendo os touros os representantes do mal;
14. O porquê de nós sermos a favor das touradas – conclusão 
Os touros bravos são apenas criados pelas suas qualidades de lide; A abolição das touradas significaria a perda definitiva duma espécie animal com características únicas; Um touro é tratado muito melhor até ser lidado do que um boi que foi criado pela bio-indústria apenas para produção de carne.
15. Bibliografia
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Tourada
http://www.animalfreedom.org

"... e o horror passa muito além das farpas"


O melhor comentário da verdadeira realidade tauromáquica que vejo há já muito tempo:

" Caros senhores: não queiram fazer parte da História. Daqui a umas boas centenas de anos, quando os vossos bárbaros genes se dissiparem pela demografia mundial, as touradas vão ser vistas como prova, que não é por haver uma sociedade muito evoluída que havia discernimento para olhar para a gritante igualdade que caracteriza a relação entre homem e animal. Senhores defensores de touradas: não há homem que eu respeite mais que o meu Pai. Português que adorava touradas. Português que se levantava da mesa a meio de um almoço, apenas para não me ouvir falar nos direitos de um animal, que neste caso é o touro. Ora bem, após vários anos de argumentação, finalmente apercebeu-se da escabrosa retrocidade implícita numa tourada, e deu ouvidos ao seu filho, nessa altura, já formado em Engenharia Zootécnica.

Eu sei do que falo. Já fiz vigilância a 2 touradas e o horror passa muito além das farpas. Desde o transporte, á privação de água, ao fornecimento de sal aos animais (os bovinos são literalmente "viciados" em cloreto de sódio), que leva a uma debilidade, que no entanto não é perceptível, pois como todos infelizmente recordamos, o animal entra sempre em grande fulgor na arena certo? Ora isto deve-se ao facto de serem criadas incisões na zona perineal, e nos cascos, na zona interdigital, onde de seguida é aplicado um ácido ou, de novo, cloreto de sódio, comum sal de cozinha... Demente. Já viram uma criança que corre desesperada depois de se ter aleijado, enquanto grita pela mãe? É exactamente o mesmo reflexo. Um "boost" de adrenalina e lá vai o animal, em agonia. Todos vocês pro touradas, pensam efectivamente nisto? Talvez acham que é mentira... Talvez não pensem nisto para não se sentirem desconfortáveis... Talvez apreciem tanto as roupas dos dementes que lá andam, onde de mão dada, se dão o glamour e o sangue...

Recuso-me a aceitar esta herança nacional!!

Para todos os que põe os valores económicos aos valores humanos, tenho a solução para o vosso argumento. A carcaça de um bovino bravo é classificada como "S" que é simplesmente a mais exigente classe de qualidade de carcaças a nível Europeu. Qualquer carcaça com esta validação tem as portas abertas para qualquer restaurante de qualquer 6 Estrelas Michelin. Ora, se fosse criado um canal de exportação de raças autóctones (nacionais), o vosso inacreditável argumento do touro se extinguir com fim da tourada, cairia por terra. Se eu pagar a qualquer ganadeiro, mais por um touro para carne que um touro para tourada, a vossa câmara de tortura out-door iria por água abaixo em menos de 2 anos. Os pseudo-moralistas que actualmente defendem, ao verem mais altos rendimentos numa alternativa à tourada iriam mudar de opinião enquanto o diabo esfregava um olho. Coisas que acontecem a pessoas que não defendem uma causa mas sim um interesse.
Quando um dia eu estiver entre a tortura de ser bravo na arena e a morte, por favor, dêem-me a morte.

Ser português não é ser infame, e eu sou Português e recrimino todas as "touradas" deste mundo, pois todas elas partilham um único princípio: o total desrespeito pelo Animal e pela Humanidade."

por João Simão

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Tauromaquia versus anti-tauromaquia

No que respeita a touradas dois conceitos opostos e divergentes enfrentam-se, o que leva a que a maioria das vezes as conversas entre tauromáquicos e anti-tauromáquicos estejam condenadas à ruptura total.
Os aficionados não conseguem compreender o que há de mal na sua actividade, enquanto que os opositores desta actividade são incapazes de compreender qual a motivação psicológica que faz com que pessoas em regra geral razoáveis, aceitem como normal e aplaudam um espectáculo que em outras circunstâncias lhes pareceria aberrante.
A resposta reside num factor de coesão social chamado EMPATIA. Esta consiste em partilhar a dor alheia e qualquer outro sentimento e colabora e colaborou fortemente para o êxito de qualquer sistema social. É o germe de conceitos como a justiça, a piedade e a humanidade. A empatia não se limita aos seres humanos mas a qualquer ser que apresente sintomas de sofrimento. Qualquer ser que sofra é susceptível de provocar a nossa empatia e fazer com que nos revoltemos contra esse sofrimento, mais a a mais se as vítimas são crianças ou animais, uma vez que os consideramos livres de qualquer intencionalidade ou culpa. E os aficionados sabem disso.
O problema existe quando consideramos que os aficionados assistem impávidos ao sofrimento e morte de um animal que sabem ser inocente, o que vai contra os instintos empáticos do ser humano. Neste caso, não vale a pena dizer que os aficionados coisificam o animal da mesma forma que fazemos com os animais de abate, mas sim pelo contrário, os aficionados esforçam-se por atribuir caractarísticas antropomórficas ao touro, falam de valor, nobreza, sentido. Em nenhum momento consideram o animal como objecto.
É um claro paradoxo.
O poder mais representativo é o poder sobre a vida e sobre a morte. Historicamente os regimes mais absolutistas destacaram-se pela facilidade com que tiravam a vida aos seus súbditos. As maiores fatias de poder das diferentes igrejas concertaram-se nas mais sanguinárias inquisições. Neste poder a justiça tinha uma importância menor, o importante eram as torturas e as execuções.
Socialmente acontecia o mesmo. As religiões cruéis da antiguidade representavam o poder de uma sociedade em função das vítimas que faziam e o facto de matar prisioneiros ou animais dava-lhes uma demonstração de poder e unia os povos (ainda que contra outros).
Encontramos isto nas touradas. Ao espectador dá-se a oportunidade de “intervir” simbolicamente na lide demonstrar o seu poder e matar o animal. Para ele uma tourada televisiva perde toda a sua emoção. Porém não se trata tão somente de o matar, mas demonstrar o seu domínio sobre um animal possante e belo e daí os vinte minutos de tortura que precedem essa morte. Os aficionados portugueses querem que o touro morra em público e sob o seu ponto de vista é razoável a sua pretensão.
Uma vez morto o animal, o público teve a sua dose de comunhão com o poder (totalmente fictício, claro está) e pode regressar a sua casa com tranquilidade. Isto explica também a prática habitual das touradas por parte dos governantes absolutistas como apaziguador social, fê-lo José Bonaparte para conquistar o povo de Madrid (ainda que Carlos V as proíbisse e provavelmente também o faria o seu irmão), fê-lo Fernando VII e a sua filha Isabel II (naquilo que se chamou “ a idade de ouro” da tourada, ainda que tenha sido o seu início).
E fê-lo no século passado Franco protegendo-a, ainda que , curiosamente os falangistas em quem este por sua vez se apoiava estivessem contra.

Fonte

terça-feira, 26 de junho de 2012

Porque Estamos Contra Touradas

Porque não acreditamos que o homem tenha o direito de torturar um animal por uma razão tão fútil como o divertimento das massas.
De facto consideramos que os animais têm os seus próprios direitos reconhecidos. Mas mesmo que estes direitos não fossem reconhecidos por ninguém, o respeito que a vida nos merece impedir-nos-ia de tolerar esta barbárie.

Esta é uma posição ética, não há qualquer tipo de ganho nela, a defesa da vida representa para nós um imperativo de valor superior àquele da arte tauromáquica ou da cultura tradicional. Por outras palavras não há estética sem ética, quer dizer não pode haver arte se não for acompanhada de ética.

Se permitirmos que as pessoas torturem animais, o simples espectáculo dessa tortura retira a humanidade às pessoas e cria uma sociedade violenta e agressiva. O embrutecimento que provoca no espectador de touradas, o facto de torturar um animal não termina na praça e tem como resultado a desvalorização da vida como um valor.

Não é necessário recorrer a estudos que nos demonstrem que os psicopatas têm um historial de maus tratos a animais desde a infância; o facto de levar uma criança a uma praça de touros leva a que a mesma perca o respeito pela vida; começa por um animal e mais tarde….
Nesta perspectiva há um outro aspecto importante a considerar. A sociedade vê como um bem o respeito pela vida e entre ela a vida animal, o que se reflecte em leis contra os maus tratos a animais.

A contradição surge quando o legislador se confronta com as festas tradicionais, nas quais se incluem touros. Assim, permite-se que se faça aos touros o que nunca se permitiria que se fizesse a um outro animal, por exemplo, o cão.

Então estamos perante uma distorção entre o que considera a sociedade como um bem e o que afinal legisla.
Ou visto de outro modo. Como pode moralmente um juiz condenar quem abandona um cão, enquanto que não actua contra quem fere e sangra um touro, unicamente por diversão?

Não serve como referência, mas sempre que se faz uma sondagem sobre touradas, a esmagadora maioria está contra e não a favor!
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