Texto exemplarmente completo e detalhado sobre todas as questões que se levantam nos debates sobre tourada, incluindo a ideia de que as touradas evitam a extinção do touro bravo:
"Não vamos entrar pelos argumentos, porque aí, lamento, mas espalham-se os aficionados. O único argumento legítimo e verdadeiro que têm, [os aficionados], é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos. O sr. que fala em adrenalina ou no sangramento para alívio do touro obviamente não entende nada de biologia, de fisiologia ou de comportamento animal; percebe apenas da sua adrenalina quando assiste a espectáculos de violência. Essa dos sangramento para alívio dos humores foi uma prática médica muito em voga na Idade Média mas abandonada posteriormente.
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. É por demais evidente que os pedófilos gostam crianças; mas é uma maneira de gostar que passa pela exploração dos menores e pela negação dos seus direitos. Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados.
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. Aqui podemos cair na questão de comparar coisas parvas como campos de concentração, por exemplo: seria melhor acabar em Auschwitz ou em Treblinka? É melhor morrer à nascença ou aos 4 anos? Com uma facada no peito ou afogado? Tudo isto são questões absolutamente laterais e cujo único objectivo é desviar a atenção de uma pergunta muito simples:
É eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim? Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral.
Vi agora que ainda há mais uns pseudo-argumentos: comparar injecções ou vacinas com as bandarilhas. Parece uma brincadeira comparar uma agulha fina com o objectivo de tratar uma doença ou evitar outra - no caso das vacinas - com a introdução de 9cm em metal grosso, cujos 3cm finais são em forma de arpão para não sair e continuar a rasgar os músculos e os ligamentos durante a lide. Das duas, três: ou está a brincar, ou não usa o raciocínio ou quer enganar os outros.
Depois vem mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pro-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano."
"Pode-se ser chutado para tarde por muitas razões de programação; mas ser chutado para tarde por causa de tourada dói ainda mais. Mas - lá está - nada que se compare à dor que o touro está a sentir por esta altura."
E respondeu a alguns comentários:
"... As audiências das transmissões das touradas não são mesmo nada de especial. A RTP não é merda. Tem um notável director chamado Hugo Andrade, que sabe tudo o que eu penso sobre a tourada e que nos dá toda a liberdade para contestarmos, criticarmos e dizermos tudo o que pensamos sobre esta controversa questão. Já é um bom princípio que nos seja dado esse espaço e esta liberdade! ... pois, eu tenho é sérios problemas em respeitar qualquer coisa que envolva tortura e derrame de sangue. Por isso, peço desculpa, mas a tourada não respeito assim lá muito...
... a questão dos contribuintes e dos impostos dava pano para mangas. Mas à partida o 5 Para a Meia-Noite, nem que seja por convidados que leva, por artistas que divulga, é mais serviço público do que um espectáculo violento e sangrento.
- eu respeito muito a liberdade. Por isso é que adorava ver os touros a libertarem-se da arena... ... hoje não sou eu que faço o 5; é a Ana na 3. Mas estão preparadas umas bocas. Já que os aficionados reclamam tanto pela liberdade de ver a tourada, que tenhamos nós liberdade a seguir para dizer o que pensamos. Acho que os amantes da tourada não têm razão de queixa. Nós, os que contestamos, passamos a vida a fazê-lo; mas é ou não é verdade que continuam a ter o espectáculo com fartura? Então deixem-nos protestar contra ele com fartura, também. É difícil mudar quem cresceu a apreciar tourada. Permitam-nos que tentemos, pelo menos, fazer ver às gerações mais novas que Portugal tem tradições muito mais interessantes e menos violentas do que isto. Dito isto, quando chegará o argumento "a tourada é ecológica porque se não fosse isto, o touro estava extinto"? ... - eu queixo-me desde que me conheço. Nasci a queixar-me. Mas se uma pessoa não se queixa e aceita passivamente tudo, as coisas não avançam. O mal deste país é, muitas vezes, esse..."
Este foi o comentário que se destacou:
"Estamos a falar...
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o toureiro entra porque quer, sai quando desejar, mas em que o touro é obrigado a intervir, sendo empurrado para a arena, sem alternativa?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o toureiro recorre a instrumentos perfurantes e a armas letais estranhas à sua própria anatomia?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o toureiro monta um cavalo que lhe proporciona (outra) injusta vantagem no ataque ao touro
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, em que o touro, obrigado a participar, é condicionado e diminuído na sua condição natural (cornos serrados e/ou revestidos)?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, em que o touro, obrigado a participar, está sozinho contra tudo e todos?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, em que o touro, obrigado a participar, é provocado, incitado, picado e instigado a reagir?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o o toureiro age primeiro, ataca e agride, por motivos fúteis e gratuitos... até conseguir obter uma reacção de defesa (da própria vida) e de contra-ataque, por parte do touro, obrigado a participar?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o touro, obrigado a participar, luta pela própria vida, enquanto o toureiro... o toureiro luta exactamente pelo quê?
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o o touro, obrigado a participar, é submetido a uma sessão de tortura e a um sofrimento dispensável, inútil, evitável e excessivo?
É disto que estamos a falar?
Se é disto que estamos a falar, parece-me tão-somente natural que exista quem prefira torcer pelo touro..."
Dificilmente se muda a opinião de alguém que concorda com Touradas. Isso é normalmente adquirido pela educação, e a razão pouco costuma conseguir influenciar.
No entanto, ficam expostas algumas respostas aos argumentos mais vulgares de quem se esforça por tentar justificar uma prática sem justificação. Para quem se decidir a pensar.
1 - As Touradas são uma tradição antiga e por isso devem ser defendidas e perpetuadas.
As touradas são de facto uma tradição (importada de Espanha). Mas isso por si só não deve justicar que se pratiquem. As tradições têm normalmente origem em tempos antigos, em que as sociedades, mentalidades e modos de vida eram bastante diferentes dos actuais. Com o tempo, o Homem e as suas comunidades tendem a aperfeiçoar e desenvolver a sua forma de viver e pensar. Chama-se a isso evolução. É por essa razão que já não tomamos banho com baldes de água aquecida numa fogueira, é por essa razão que a escravatura, que tanto agradava a algumas pessoas, foi abolida e é também por essa razão que já não acreditamos que basta dançar ou sacrificar um animal para fazer chover.
As tradições, por muito bonitas que sejam, só fazem sentido quando são compatíveis com as formas de pensar e os conceitos vigentes. Como hoje em dia, o respeito pelo sofrimento dos animais começa a fazer parte da forma de pensar de muita gente, as Touradas deveriam ser postas em causa e abolidas (ou repensadas, colocando na arena, por exemplo, o Toureiro nu em frente ao Touro - sempre era mais masculino do que com aqueles fatos - E cada um que se desenrascasse. Se é espectáculo que querem...)
O que o Homem deve ambicionar é uma sociedade mais inteligente, mais culta, com menos violência, injustiça e sofrimento. As tradições não devem nunca ser um obstáculo à prática de valores mais importantes.
2 - Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.
Isto é evidentemente falso. Os Pandas e outros animais que correram risco de extinção nunca serviram para as Touradas e continuam a existir. Felizmente existem no nosso país reservas e espaços destinados a que determinadas raças subsistam caso os seus habitats naturais não o permitam. De qualquer forma com certeza de que os aficionados que dizem tanto amar os Touros se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada.
Independentemente de tudo isto, o mais importante é deixar claro que perpetuar uma espécie de animais apenas para que estes possam ser usados em espectáculos que se baseiam no seu sofrimento não é um acto nobre nem louvável. E muito menos favorável ao próprio animal. Se é para isso, que se extingam!
3 - Quem não gosta ou não concorda, não veja.
Felizmente na nossa sociedade, as coisas não são assim. Se toda a gente fechasse os olhos às injustiças que se passam à sua volta o mundo seria certamente bastante diferente.
É evidente que quando sabemos que se passa algo com que não concordamos, o remédio não é olhar para outro lado. Isso já muita gente faz em relação a demasiadas coisas.
Este argumento é tão despropositado que torna-se quase ridículo combatê-lo. No entanto pode dizer-se o seguinte:
Quem se insurge contra as touradas não o faz por prazer nem proveito próprio. Esse esforço deve, por isso, ser respeitado por quem consegue assistir ao espectáculo sem a mínima misericórdia e reflexão pelo que lá se passa.
4 - Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães.
O Ser Humano tem a capacidade de se preocupar com várias coisas ao mesmo tempo. É uma espécie de dom.
O facto de se ser contra as Touradas não invalida que a pessoa não se preocupe com muitas outras coisas que se fazem a outros animais. Não é por haver uma guerra no Iraque que não nos podemos preocupar com os assaltos ou com a inflação.
Há sempre coisas mais e menos graves, mas temos evidentemente o direito de nos preocupar com todas.
Certamente que quem critica as touradas insurge-se também contra o abandono de cães, lutas organizadas de animais e muitos outros assuntos.
5 - Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais.
Esta é uma afirmação que não se baseia em nada (nem em lógica nem em senso comum) a não ser na experiência pessoal que eventualmente alguém terá.
Pessoas e argumentos hipócritas haverá sempre, e não é por isso que se pode generalizar e tomar a parte pelo todo.
Ao contrário daquela afirmação, o razoável é supor que quem é contra as touradas preza os sentimentos dos animais de uma forma profunda e geral. E é normalmente isso que se verifica.
6 - O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.
É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes. O touro fica com nervos e músculos rasgados, e a quantidade de sangue que perde continuamente enfraquece-o. Não parece ser sensato pensar que isto pode ser agradável para o Touro, ou mesmo indiferente.
O touro, tal como os outros mamíferos, ao ter sistema nervoso central tem capacidade para sentir dor, ansiedade, medo e sofrimento. E os sinais exteriores que mostra na arena denunciam essas emoções. Não é portanto razoável aceitar a ideia de que os Touros sofrem pouco numa tourada.
7 - Os Touros nascem para serem lidados. São animais agressivos por natureza.
Uma coisa é o instinto de sobrevivência e auto-defesa de um animal, outra é o seu temperamento e personalidade. Embora o cortex cerebral de um Touro seja bastante mais básico do que o Humano (o que faz com que a sua personalidade seja igualmente menos complexa), cada animal tem o seu próprio temperamento, fruto, como no Homem, de factores genéticos associados a experiências vividas. O que todos têm em comum dentro da espécie é a sua técnica de defesa, que utilizam sempre que se sentem em perigo. Isto não deve ser confundido com a chamada "natureza" do animal. Com certeza que um Touro saudável deixado em paz no campo não anda a atacar tudo o que se mexe. 8 - Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária?
Toda a gente respeita as opiniões de todos e na realidade a opinião de quem é favorável às touradas também deve ser respeitada.
A sua prática é que não.
É fácil entender isto se pensarmos que Hitler era da opinião de que todos os Judeus deviam ser exterminados.
Mesmo que alguém tenha o direito a ter opiniões bizarra sobre qualquer assunto a sua colocação em prática não tem que ser respeitada nem tolerada se isso for ilegítimo. Se a prática de Touradas choca contra princípios considerados importantes por quem se lhes opõe, esta não tem que ser admitida.
9 - A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la.
A “arte” de tourear pode de facto ser considerada bonita, ter grande mérito artístico e principalmente técnico. Mas perde toda a legitimidade quando necessita de fazer sofrer física e psicológicamente animais para ser executada. Tal sofrimento não se pode impôr a um animal que não tem nada a ver com o assunto. É injusto, prepotente e cobarde fazê-lo. Esta arte, se bonita, é injusta e cobarde e nenhuma arte pode ter mérito assim. Nesse aspecto penso que todos concordarão. É uma arte desonrosa, para utilizar a linha de valores da tauromaquia.
A arte de lutar até à morte dos gladiadores era considerada bastante mais honrosa e bonita por quem assistia. Mesmo essa acabou. Será também uma pena?
10 - As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.
Só uma mente muito ignorante ou distorcida pode realmente acreditar que os Touros quando vão para uma arena cumprem um qualquer desígnio divino.
A justificação de que o Touro é nobre por lutar pela vida numa tourada vem de quem alimenta o seu negócio e enriquece à custa deste espectáculo perverso mas rentável.
A nobreza é um conceito inventado pelo homem. Na natureza todos os animais são iguais e todos lutam pela sobrevivência. Ninguém duvida de que o Homem, numa luta com as suas armas e condições consegue ser superior a qualquer outro animal. Provar isso numa luta desigual não é nobre, é estúpido.
Os argumentos contra as Touradas:
Não há qualquer justificação moral para se causar sofrimento a um animal para fins de entretenimento.A recusa em ter consideração pelo sofrimento de um animal só pode ter origem em três factores:falta de cultura, falta de educação ou falta de carácter.É muito simples, pouco mais há a dizer sobre o assunto.
Começa logo por ser discutível o futebol deixar a categoria de atividade desportiva para passar a ser considerado espetáculo.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os concertos de música ligeira são os que movimentam maior número de espectadores (3,2 milhões), seguidos pelo teatro (1,6 milhões), variedades, música clássica, circo e, por último, a tourada. Isto para falarmos apenas de espetáculos ao vivo, porque se contabilizarmos as visitas a museus (10,3 milhões), galerias de arte (5,5 milhões) e cinema (16,4 milhões), então a clivagem é muito superior.
A ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou que «[a] tauromaquia existe e movimenta 650 mil espectadores. É nossa obrigação cumprir a lei e a lei diz que temos que a regular». Aqui temos mais uma abusiva manipulação de números: os espetáculos tauromáquicos registaram a entrada (venda de bilhetes, incluindo aqueles que são comprados pelas autarquias, como forma encapotada de subvenção) de 650.000 espectadores. É sabido que o público das corridas de touros é errante; não assiste apenas a uma corrida de touros por ano, assim como um frequentador de museus faz diversas visitas anualmente. Só nos grandes recintos a tourada consegue hoje em dia números significativos de audiência; não porque o público local marque presença em força, mas porque os aficionados viajam até às praças onde podem assistir aos eventos mais publicitados. Assim, teríamos que estabelecer uma média de participações para se ter uma ideia aproximada do real número de pessoas mobilizadas (se forem 5, o número de aficionados desce imediatamente para 130 000; se forem 10, baixa para 65 000).
As verbas destinadas à compra de bilhetes para atividades tauromáquicas estão anotadas nos registos públicos referentes às despesas das autarquias. Dos alegados 650 mil espectadores, uma enorme percentagem assistiu às corridas de touros gratuitamente. Estranhamente, esses convidados dos promotores da tauromaquia, para a estatística, contaram como público.
Terá sido por o anterior Ministério da Cultura ter esgotado a sua função no cumprimento de leis, ao invés de refletir sobre o que se entende por «espetáculo artístico», que foi despromovido a Secretaria de Estado?
Se o Estado considera que um espetáculo artístico pode consistir em infligir sofrimento em animais para entretenimento público, então por que razão havemos de excluir da regulamentação as lutas de cães ou de galos? Se os critérios se baseiam no interesse do público e na receita de bilheteira, é completamente subjetivo considerar que as touradas sejam defensáveis e as lutas de cães ou de galos não o sejam.
Mas mesmo que assim não fosse, não podemos esquecer que os autos de fé não terminaram por falta de público, mas por se considerar que eram indignos e que contribuíam para a banalização da violência.
Alfonso Guerra ex vice-presidente do governo espanhol (jornal Tiempo de Hoy)
“Quem não provoque danos a terceiros, não deve ser alvo da intervenção de instituições que regulem o que os cidadãos fazem”. “Existe tratamento cruel do touro de lide? Sim, há crueldade na sorte de varas e no estoque, mas anteriormente, no campo, o touro viveu em boas condições”.
Claro que o terceiro não é alvo de danos porque é um animal! E como esse animal viveu em boas condições anteriormente, tem como “prémio” ser torturado e morto numa praça de touros!
Excerto de uma reportagem de uma corrida de touros em Valência em 2010, autor Rafael Cabrera.
“Se vissem com saiu o segundo touro, não prestando atenção à capa e aos bandarilheiros, fugindo deles, sem investir uma única vez na capa, nem nos cavalos, veriam o reflexo do touro Fernando de Walt Disney e não entenderiam como se pode torturar um animal que não busca a luta, não investe e não mostra nenhum comportamento agressivo. Se vissem o estado em que chegou o quarto na muleta, caindo de patas para o ar em diversas ocasiões, e um toureiro fazendo intentos indecentes para tourear um moribundo”.
Sem comentários, a descrição é por si só elucidativa.
Excerto do livro
‘Conocer y seleccionar el ganado vacuno bravo de lidia’ de José Rufino Martín
“Na Festa Brava este animal imponente tem sido o representante da natureza, seleccionado para verter o seu sangue na arena. Exemplifica como nenhum outro ser vivo a nobreza impetuosa; o instinto de bravura moldado pela mão do homem; a força virginal canalizada para seguir os enganos com prontidão”.
Seleccionado para verter o seu sangue na arena! Moldado pela mão do homem! Ora nem mais, fabricado pelo predador humano para ser torturado e dessangrado até à morte numa praça de touros.
“Quando falo em corrupção quero dizer que ninguém mexe um dedo sem ter dinheiro por trás. O tipo que abre a porta tem que ter dinheiro senão não abre a porta do toiro. Há rapaziada de 20 e 30 anos que paga para tourear. Quando se entra numa praça e se vê o toiro está a ver-se a morte em movimento. É a arte de enfrentar a morte em movimento. A morte é o toiro”.
A afirmação sem pruridos do que nós estamos fartos de saber, o que move esta gente é o dinheiro, o vil metal, que muitas vezes consegue transformar um ser íntegro num corrupto da pior espécie. Afinal o dinheiro não tem cor e mesmo que esteja manchado de sangue, para esta gente é indiferente.
Estas pessoas reduzem ÉTICA e MORAL a simples "gostos". Como se a VIDA e SOFRIMENTO pudessem ser comparados a um objecto do qual se possa ou não gostar. Quem diz um objecto diz uma música, um livro, um filme, um programa de televisão...
Não se coloca a questão de se gostar ou não de touradas, isso é absolutamente IRRELEVANTE perante o que está em causa, que é o SOFRIMENTO de um SER SENCIENTE. Lá por haver gente que ADORA ver acidentes de viação e que até pára o carro, provocando grandes engarrafamentos, APENAS na esperança de "apreciar" as possíveis vítimas, não vamos encorajar a que haja mais acidentes apenas para satisfazer os "gostos" mórbidos dessas pessoas. VALORES como o direito ao BEM-ESTAR e à VIDA quer de animais humanos e não humanos, têm de prevalecer independentemente dos "gostos" das pessoas.
É um princípio, e foi por esse princípio que se aboliu a escravatura e outras situações análogas. As pessoas das touradas ainda não compreenderam que o mundo evoluiu e que a luta pelos direitos dos animais equivale à luta, no passado, pelos direitos dos escravos, judeus e de outros seres considerados de 2ª e descartáveis, como o são ainda os animais. Nem se dão conta de que com esta atitude arrogante, cruel e ORGULHOSAMENTE IGNORANTE, acima do bem e do mal, da ética e da moral, da ciência, do conhecimento e da cultura, estão a provocar na maioria das pessoas, sentimentos tão negativos, como outrora se nutriram pelos nazis.
Ganadeiros, toureiros, forcados a aficionados: o MUNDO já não vê os animais como objectos interactivos descartáveis. A ciência já provou que estes além de sentirem como nós têm também consciência e que cada vez mais a sua integridade física e psicológica tende a ser respeitada. Como tal, uma vez que as touradas NÃO SERVEM NENHUMA NECESSIDADE BÁSICA nem são INDISPENSÁVEIS à nossa SOBREVIVÊNCIA, não são mais do que CRIMES cometidos contra SERES PUROS E INOCENTES que promovem a violência GRATUITA, provocam traumas psicológicos nas crianças e contribuem para a degradação ética e moral dos cidadãos.
Os nazis também estavam protegidos pela lei e não foi por isso que o mundo deixou de os considerar CRIMINOSOS. Será assim que vocês ficarão na História também à semelhança dos esclavagistas que se opuseram fortemente à abolição da escravatura. Os ganadeiros e afins, são hoje, os Lanistas do passado.
O titulo que eu escolhi foi sobre as criticas que têm surgido sobre as touradas ao longo destes últimos anos, mas porquê a tourada? Existem muitos argumentos a favor das touradas e algumas delas são:
Tudo o que é tradição merece ser preservado, a tourada é tradição, logo, a tourada merece ser preservada. Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta. Quem não gosta ou não concorda, não veja. Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães. Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais. O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena. Os Touros nascem para serem lidados, são animais agressivos por natureza. Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária? A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la. As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.
Depois destes argumentos válidos porquê quererem acabar com as touradas? Se é para salvar os touros, então estão enganados pois se acabarem com as touradas, acabam com a raça dos touros, pois os touros são criados muito bem, são bem alimentados, têm uma vida de luxo que até algumas pessoas não o têm, para depois subirem para a arena. Se acabarem com as touradas os touros já nem criados são.
Por isso a minha pergunta, Porquê as touradas? Se depois disto tudo se percebe a importância das touradas.
Argumentos inválidos quanto às touradas Alguns argumentos são usados frequentemente, mas são inválidos.
A FAVOR: As touradas não são apresentadas com o termo "Festa Nacional" sem razão, porque representam a essência de Portugal e Espanha. As acções contra as touradas são certamente resultante de sentimentos anti-nacionalistas. CONTRA: É completamente arbitrário identificar Portugal e Espanha com uma tradição específica. Um número crescente de portugueses e espanhóis opõem-se às touradas e portanto não se podem considerar identificados por ela. Pode-se até afirmar o contrário: Quem realmente gosta de Portugal e de Espanha, anseia que a "Vergonha Nacional", como "a festa" é chamada pelos seus opositores, seja totalmente ABOLIDA.
A FAVOR: Os touros bravos são apenas criados pelas suas qualidades de lide. A abolição das touradas significaria a perda definifitiva duma espécie animal com características únicas. CONTRA: Os animais não ganham nada com a conservação da sua espécie se sofrem severamente por a ela pertencerem.
A FAVOR: Deus criou os touros para lutarem na praça de touros com o toureiro e assim morrerem. CONTRA: Demonstra muita pretensão falar em nome de Deus sobre a finalidade dos animais.
A FAVOR: As touradas têm uma dimensão religiosa, representando a luta do bem e do mal, sendo os touros os representantes do mal. CONTRA: Celebrações religiosas não são uma bula que permita reduzir os animais a um símbolo.
A FAVOR: Uma tourada permite uma saudável descarga colectiva de sentimentos negativos e de agressividade CONTRA: Existem alternativas inofensivas (por exemplo o desporto) para uma tal descarga, e que não implicam sofrimentos para os animais.
A FAVOR: Uma tourada não é para ser vista como um desporto, mas como uma síntese de arte, dança, e dizem os aficionados, virilidade extrema (machismo). CONTRA: Que se possam ver nela outros aspectos, não faz que a sua crueldade seja menos cruel.
A FAVOR: Uma tourada é uma prova de veneração e uma homenagem à força do animal. CONTRA: Veneração e homenagens não são prestadas ou mostradas por meio de torturas.
A FAVOR: Um touro é tratado muito melhor até ser lidado do que um boi que foi criado pela bio-indústria apenas para produção de carne. CONTRA: Pode ser verdade mas não é um argumento válido porque por existirem condições ainda mais cruéis não se torna esta menos cruel.
A FAVOR: A tourada é um componente duma cultura, uma tradição milenar. Representa o último vestígio de culturas antiqissímas não-ocidentais. Querer excomunhá-la demonstra desprezo por este elemento não-ocidental no seio da cultura espanhola. CONTRA: Todas as culturas ocidentais ou não ocidentais contêm tradições construtivas e destrutivas. A antiguidade duma tradição não pode servir para a justificar moralmente.
Anti-touradas = inteligência, sensibilidade, sanidade, cultura, compaixão, honestidade, amor, dignidade, alma de guerreiros...
Antonio Joao Alexandre Silva acrescenta nos anti touradas, ridiculos eco terroristas, desnutridos, drogas a mais, desocupados, comodistas, ofensivos prevaricadores ,
Seguem as respostas coerentes:
Morato Barros
Sendo eu abolicionista relativamente ás touradas e portanto estando inserido no conceito (anti touradas) , é curioso que o sr. Antonio ao querer generalizar comete um grave erro, ou melhor, uma série de erros.
primeiro a tentativa da ofensa gratuita com os " predicados " atribuídos de forma transversal a todos os que lutam pelo fim das touradas.
No meu caso particular não acertou uma, mas também não é aquilo que sou , mas aquilo que defendo.
Ao extrapolar comete um erro grave, ao entrar no que cada pessoa representa para a sociedade e a forma de se apresentar á sociedade não é relevante para a questão primordial , essa sim terá sempre de ser analisada fora o gosto pessoal de cada um ou se estamos ou não emocionalmente ligados ao objecto de analise.
A tauromaquia é moralmente válida, ( a importância/ relevância moral das nossas acções é o pêndulo que deve ser retratado, ou seja, é o exercício que tem de ser medido para chegarmos a uma conclusão se tem legitimidade ou não, e se tem boas razoes , devidamente fundamentadas para continuar a existir , ou se pelo contrario deve ser extinta enquanto tal).
Posso considerar que uma pessoa que apoia e se diverte com a prática tauromáquica , tem um desvio comportamental grave, não interessa se é A , B ou C, o gosto que demonstra pela prática pressupoe um determinado perfil psicológico que assenta antes demais ( mesmo que não consigam ver), no desrespeito pela vida e bem estar animal apenas para divertimento / lazer.
Os contornos de tortura animal , com touros e cavalos ( mesmo que não consigam ver) existe mesmo, não há qualquer dúvida nessa matéria.
Se foram insensibilizados desde pequenos e blá, blá blá e cultura blá blá blá e tradição blá blá blá, enfim .... não invalida o que lá se passa, assim como não invalida o que lá se passa , no caso de haver um anti taurino desnutrido ou desocupado....
Vejo muita gente alcoolizada nos espetaculos degradantes com animais, não digo que são todos bêbados , nem digo sequer que é só por causa do álcool que gostam do que fazem...
É claro que percebo que nestes fóruns ultrapassamos a correcta analise destas matérias para generalizarmos e ofendermos tudo e todos, principalmente porque não gostamos de ser atacados e no fundo é a nossa defesa a esses ataques( serve para ambos os lados e para mim também).
Para terminar e para ver como está errado na atribuição de características ás pessoas que defendem o oposto ás suas preferencias ( essas sim devem ser analisadas, e sem argumentos moralmente válidos , porque o gosto e a emoçao não valida nada)rápidamente caem por terra, aquilo que defendemos ou atacamos é que deve ir á balança, o que somos é de importância relativa porque não é isso que está em causa.
chamar nomes uns aos outros é o retrato emocional que se eleva e de uma forma ou outra tira-nos a clarividência e a razão .
Eu digo mata e você diz esfola, não conta para nada.....
Cláudia Vantacich
No meu caso e dos cá de casa também não acertou uma:
"Ridículos eco terroristas" - cá em casa somos amigos do ambiente, dos animais e contra a violência. Ridículos são os que não se preocupam com a vida e saúde do planeta e ainda destroem e causam sofrimento por prazer.
"Terrorismo": Conjunto de actos de violência cometidos por agrupamentos revolucionários.
2. Sistema, regime do Terror, em França (1793-1794).
3. Sistema de governo por meio de terror ou de medidas violentas.
Não estou a ver em que se fundamenta para me chamar terrorista.
"Desnutridos": cá em casa temos uma alimentação muito cuidada, incentivada pelo nosso médico, praticamos desporto e também nem sequer somos "magrinhos".
"Drogas a mais": só bebemos socialmente e geralmente em ocasiões festivas: a última foi no aniversário de um familiar, há meses. Drogas aqui também não constam. Gosto de mim e da minha cabeça, por isso não me drogo. Não preciso de fugas ou de bengalas, felizmente!
"Desocupados": Estamos quase sempre a trabalhar e sem folgas, Além do meu trabalho, ainda dou voluntariamente apoio social, aliás foi de lá que vim agora. E agora estou de novo a trabalhar mas ainda consigo vir aqui dar uma "perninha" no fórum. Há sempre tempo para tudo o que queremos.
"Comodistas" - A anterior responde a esta. Mas ainda lhe digo, que apesar de ter carro prefiro andar a pé.
"Ofensivos" - Se se sente ofendido por mim, lamento, mas nunca deixarei de dizer a verdade por muito dura que seja. No entanto não digo nada que não tenha fundamento.
"Prevaricadores" - Prevaricar: Trair, por interesse ou má-fé, os deveres do seu cargo ou ministério.
Corromper, perverter. ???
Não traio terceiros nem a mim própria. Sou incapaz de trair os meus princípios (que são bem rigorosos) por dinheiro, estatuto, carreira, seja pelo que for. Trair nem pensar. Também está fora de questão agir por interesse ou má-fé.
Aliás a luta pelos direitos dos animais tem por base a boa-fé e o amor. Interesse??? Não estou a ver qual. Só se for pelo bem de todos, mas a isso não se chama de "agir por interesse".
Mas se quiser, eu justifico os adjectivos que usei para caracterizar os aficionados, toureiros, forcados, ganadeiros, enfim, as gentes das touradas. Sem problema. Basta conseguirem obter prazer à custa do sofrimento de um animal e ainda o classificarem como "festa", "tradição", "Arte", "carreira profissional" ou "sustento", e ainda desprezarem a ciência, a lógica, a compaixão, etc., para merecerem todos aqueles adjectivos.
Com tanta informação e movimentos pró e anti touradas o que poderá justificar o redigir de mais um conjunto de artigos sobre o assunto?
Apesar de existir muita informação na Internet, para quem investigue o assunto a fundo, o autor dos textos que se seguem achou que existe uma dispersão muito grande de informação com tendência para a parcialidade exagerada.
O que muitas vezes salta à vista é que não há um esforço de compreensão dos pontos de vista opostos partindo-se para o deboche, radicalismo ou desvalorização dos argumentos do outro lado da barricada. Será que conhecemos todos os argumentos das partes em confronto?
Por outro lado fala-se muito do acto da tourada em si mas e do Touro? O que realmente conhecemos do Touro? Este foi o ponto por onde decidiu começar porque tem a noção de que a maioria das pessoas não conhece o Touro para além da imagem passada por filmes e Touradas.
E assim surgiu a ideia de redigir este dossier que resume ao máximo a imensidão de informação encontrada, e devidamente referenciada, para que rapidamente se possa ter uma visão global de tudo o que envolve esta luta pró vs anti tourada.
Foi tentada a todo o momento a imparcialidade nos textos redigidos apresentando-se factos tais como são. Claro que em alguns trechos surgem alguns apontamentos de opinião, o que é inevitável tendo em conta que no assunto abordado o autor é claramente anti-tourada.
O objectivo deste dossier é o de levar os seus leitores a tomarem ou firmarem a sua posição sobre a Tauromaquia, e em particular a tourada.
Como é importante para enquadramento e para a própria interpretação dos textos fica aqui uma pequena apresentação do autor. Os artigos foram redigidos por Nuno Faria, nascido em 1977, tornado vegetariano em 1997 por convicção própria porque ser defensor dos animais implica a não abertura de excepções mesmo quando por razões alimentares impostas culturalmente. Informático de profissão é o criador do PortugalZoofilo.net em 2005 que procura apoiar a organização de associações de animais abandonados. Acredita que as mudanças devem acontecer organicamente e não ser impostas através de confrontação ou condicionamento. Informar, questionar, levar ao pensamento e a conclusões próprias e individuais são o caminho para a transformação pessoal, local e global.
Conhecer o Touro
No meio da acesa discussão anti e pró tourada muitas vezes centra-se a argumentação em aspectos éticos, políticos, culturais, económicos e sociais esquecendo-se a devida apresentação daquele que deve ser o verdadeiro objecto da discussão: o Touro
O que realmente sabemos sobre os Touros para além de serem um animal possante, de grande envergadura, macho do gado doméstico e utilizado em actividades Tauromáquicas? Quando ouvimos ou pronunciamos a palavra Touro o que mais nos vem à ideia? Um Touro pastando tranquilamente num prado, no seu habitat natural, ou um Touro com uma pose agressiva em combate dentro de uma arena? O mais provavel é que lhe ocorra esta última pois é essa a imagem mais passada nos orgãos sociais onde a palavra Touro está intimamente ligada à Tourada. Se lhe pedirem um sinónimo de Touro provavelmente na maior parte das vezes Besta Negra será dito primeiro do que Boi.
Com este artigo procuro desfazer esta imagem construída pelo marketing da Tauromaquia e fazer um resumo das principais características dos Touros.
Espero que no minímo contenha curiosidades de que não fazia ideia e o faça rever os seus conhecimentos sobre este animal tão mal conhecido pela sociedade.
Aurochs - O Antepassado Comum
Todas as raças, ou sub-especies, de Touros descendem do Auroch, um bovino gigantesco com uma altura de ombros de 2 metros e peso na ordem da tonelada (à esquerda é representado pelo touro a branco comparativamente com um touro contemporâneo e um humano) .
Os Aurochs desenvolveram-se na India há cerca de 2 Milhões de anos, chegaram à Europa há 250 000 anos, e extinguiram-se em 1627.
Grande contributo para a sua extinção foi o facto de devido ao seu porte e capacidade de defesa se ter tornado um alvo popular de desafios de caça. Alvo da caça e considerado concorrente ao gado doméstico não foi capaz de resistir até aos dias de hoje.
A partir desta espécie derivaram muitas outras, como o gado domesticado a surgir há cerca de 8 000 anos. Todas elas têm um porte bastante inferior ao Auroch.
O Touro de Hoje
Bos Taurus é o nome científico deste mamífero com dieta herbívora.
Altura de 1,5 metros.
Comprimento de 1,5 a 1,8 metros.
Peso típico de 500 Kg a 900 kg (dependendo da subespécie). Mas o recorde de peso de um Touro é de 1 750 kg.
Têm aproximadamente 38 litros de sangue no corpo.
Velocidade máxima atingida de 40 Km/h.
Têm um período de gestação de 9 meses com uma a duas crias. Protegem a sua prole com bravura e fúria cega.
Longevidade de 15 a 25 anos, atingindo o seu tamanho máximo com a idade de 2 a 3 anos. A maturidade completa é atingida aos 4 a 5 anos.
O registo do bovino a viver com mais idade foi de 49 anos!
Vivem em manadas de 40 a 50 elementos com uma hierarquia social bem demarcada existindo um Touro que é o macho dominante.
Têm um couro grosso e rijo.
Têm um complexo aparelho digestivo com um estômago segmentado em 4 compartimentos que permitem gerar enzimas capazes de digerir substâncias impossíveis de digerir por outros animais.
Têm um ângulo de visão de quase 360º e são daltónicos.
Conseguem cheirar odores a mais de 8 km de distância.
Ouvem frequências mais baixas e mais altas que os humanos.
Mastigam na ordem das 50x por minuto atingindo os 400 000 movimentos de mandíbula por dia.
Devido à anatomia dos seus joelhos são capazes de subir escadas mas não de as descer.
Um animal de 1 tonelada produz 10 toneladas de estrume por ano.
Os seus predadores são o homem, os lobos e os ursos.
Estima-se que existam no mundo mais de 1.3 biliões de cabeças de gado. Uma pequena parte ainda em estado selvagem.
Estima-se que 18% dos gases emitidos que provocam efeito de estufa tenham origem na flatulência e arrotos do gado mundial.
Já têm o seu genoma mapeado. Têm 22 000 genes. 80% dos quais partilhados com os humanos. 1 000 partilhados com cães e roedores.
Em Portugal praticamente desapareceram as antigas raças de Touro bravos indígenas. Os que hoje pastam nos nossos campos são maioritariamente descendência da casta Andaluza de Vista Hermosa.
No passado um Touro era lidado aos 5 anos, idade em que era considerado estar no expoente máximo das suas faculdades: potência, inteligência e resistência. Hoje são-no aos 3 anos, idade em que já atingiram a sua máxima envergadura mas não o pleno da sua maturidade.
Com um ano de idade são marcados com ferros em brasa.
Com 2 anos as vacas bravas são submetidas ao exame da tenta que procura aferir o grau da sua predisposição e habilidade para a luta. É picada e lidada a cavalo e a pé para provocar reacções em resposta às agressões. As que consideram mais bravas são enviadas para os prados para se reproduzirem as outras seguem para a indústria da carne.
Dezenas de milhares de Touros são mortos anualmente em todo o mundo em actividades Tauromáquicas.
Existe um Signo do Zodíaco e uma Constelação de Estrelas com o nome Touro.
O Comportamento do Touro
Os ganadeiros e toureiros têm um grande conhecimento sobre o Touro, que é a base da sua actividade, pelo que as descrições mais detalhadas e empíricas sobre Touros são feitas exactamente por agentes da Tauromaquia. Surpreendentemente as suas descrições chegam a ser quase poéticas e com tal nível de detalhe e paixão pelo animal que duvidamos que quem fala assim do Touro possa depois executar e apreciar a sua lide. A título de exemplo veja-se este excerto do ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez onde são reconhecidas várias características ao comportamento/psicologia do Touro que automaticamente o catalogam como um ser senciente completamente consciente do mundo ao seu redor.
Ao contrário do que se pensa, na zoologia o Touro é considerado um animal cobarde, indisposto para a resolução de conflito através da luta. A sua defesa é a fuga sempre que esta lhe seja permitida. Apenas reagem com uma violência e fúria cega em duas situações: 1) para defenderem a sua prole; 2) quando encurralados e agem violentamente como mecanismo de defesa.
A memória dos Touros é sobejamente reconhecida como sendo capaz de recordar eventos que tenham ocorrido há anos. De tal forma que uma das regras da criação de um Touro bravo é a de jamais o castigar com qualquer um dos castigos que lhe serão infligidos no futuro numa arena. Isto porque se o fossem uma única vez deixariam de ter a bravura que demonstram ao reconhecer os instrumentos de tortura usados na lide.
Aliado à sua memória o Touro tem uma alta capacidade de aprendizagem. É por isso que na Tauromaquia proibem, ou desaconselham, que um Touro seja lidado mais do que uma vez. Porque também aprende com as acções dos toureiros o que pode levá-lo a desenvolver ao longo do tempo novas estratégias e movimentos para conseguir colher com sucesso o toureiro. Ou seja pode tornar-se imprevisível para os homens que o lidam.
Em termos de linguagem o Touro tem chamamentos diferentes para exprimir o desejo por uma fêmea, emitir ou responder a um pedido de socorro e preparar-se para a luta.
É muito sensível às temperaturas extremas e procura abrigar-se do frio e chuva bem como do calor para se colocar mais confortável e protegido.
Um Touro revela também simpatia, antipatia ou mesmo empatia. Existem várias histórias de Touros bravos que no seu ambiente natural permitem a aproximação e o toque por parte de crianças. E quando encontra locais aprazíveis deixa-se por aí ficar. Uma história muito conhecida é a do Touro "Gallego" de D. Florentino Sottomayor que foi lidado na praça de Madrid matando um toureiro. Dias antes esse Touro cruzou-se com outro toureiro, a Cavalo, junto a um bebedouro na zona onde era criado. Touro e Cavalo iam competir pelo mesmo bebedouro. O cavaleiro estava receoso do que poderia ocorrer. E eis que o Touro cede passagem ao Cavalo para que este se saciasse primeiro após o que ele próprio foi beber com um ar de satisfação. Dias depois, na arena, esse Touro manso matou.
No 2º volume dos «Cadernos de Lanzarote», José Saramago reproduz um artigo que publicou na revista Cambio 16.
Transcrevo dois trechos:
«O touro entra na praça. Entra sempre, creio. Este veio em alegre correria, como se, vendo aberta uma porta para a luz, para o sol, acreditasse que o devolviam à liberdade. Animal tonto, ingénuo, ignorante também, inocência irremediável, não sabe que não sairá vivo deste anel infernal que aplaudirá, gritará, assobiará durante duas horas, sem descanso. O touro atravessa a correr a praça, olha os “tendidos” sem perceber o que acontece ali, volta para trás, interroga os ares, enfim arranca na direcção de um vulto que lhe acena com um capote, em dois segundos acha-se do outro lado, era uma ilusão, julgava investir contra algo sólido que merecia a sua força, e não era mais do que uma nuvem. Em verdade, que mundo vê o touro?» (…)
«O touro vai morrer. Dele se espera que tenha força suficiente, brandura, suavidade, para merecer o título de nobre. Que invista com lealdade, que obedeça ao jogo do matador, que renuncie à brutalidade, que saia da vida tão puro como nela entrou, tão puro como viveu, casto de espírito como o está de corpo, pois virgem irá morrer. Terei medo pelo toureiro quando ele se expuser sem defesa diante das armas da besta. Só mais tarde perceberei que o touro, a partir de um certo momento, embora continue vivo, já não existe, entrou num sonho que é só seu, entre a vida e a morte».
Quando José Saramago leu o texto a sua mulher, Pilar, disse
– «Não podes compreender…” Tinha razão», diz o escritor, «Não compreendo, não posso».
É sempre o que os defensores das touradas, quando vêem que os seus «argumentos» não são aceites, dizem. Quem acha que as touradas são um espectáculo degradante e advoga a sua proibição imediata «não compreende». Porque, dão a entender, para compreender uma coisa tão poética, tão tradicional, é preciso ter uma sensibilidade especial.
Pergunto – o que há para compreender? Um negócio onde se cruzam ganadeiros, apoderados, toureiros, empresários… pega num animal, confina-o num «anel infernal», e tortura-o até à morte. O que há para perceber neste fenómeno que nada tem a ver com património cultural, nem com tradição e muito menos com poesia – que tem a ver, sim, com os obscuros corredores da mente humana onde se oculta um atávico prazer em fazer sofrer outros seres como catarse para os sofrimentos pessoais.
Os aficionados desenvolvem uma teoria de contornos iniciáticos: quem não entende a magia da corrida não tem o direito de a criticar. Ou seja, para poder contestar as touradas é preciso gostar delas, estar por dentro do mistério da corrida, sentir a poesia de uma tarde de touros… Obscuras banalidades deste tipo, mas nem só um argumento sólido e aceitável.
Nos tempos de Roma usavam-se pessoas, embora já houvesse quem protestasse. O que responderiam os defensores do espectáculo – que era uma tradição e que os escravos nasceram para morrer. E haveria também apreciações sobre a beleza poética de ver animais selvagens e famintos despedaçar seres humanos, sobre a «nobreza» com que uns morriam sem se defender e a falta de aprumo com que outros tentavam vender cara a vida. Nem sei porque é que os defensores das touradas não incorporam o circo de Roma na sua tradição.
A Antiguidade Clássica daria um toque de erudição à «Fiesta». Assim só têm o Hemingway para dourar o seu historial.
Falando da tradição taurina em Portugal, ela é tão forte e tão antiga que a própria tourada à portuguesa é acompanhada por "pasodobles". Os aplausos do público exprimem-se em "olés" e a terminologia taurina é toda em castelhano. Tradição portuguesa? Sempre que se fala na história das touradas, lá vem o conto de Rebelo da Silva, «A última corrida de touros em Salvaterra». Só este conto é metade da tradição, a outra metade é espanholice pura.
Vem isto a propósito da discussão acesa que vai pelo Parlamento catalão sobre a proibição, ou não, das touradas na Catalunha. Perante a Comissão parlamentar do Meio Ambiente, 14 peritos em diversas áreas esgrimiram ontem argumentos a favor e contra a tauromaquia. Está em causa a anunciada proibição das corridas de touros na comunidade. Esta medida é apoiada por uma Iniciativa Legislativa Popular que reuniu 180 mil assinaturas.
Os pro-taurinos defenderam a bravura do touro e a sua condição de animal nascido para morrer lutando, bem como a sua resistência ao sofrimento.
Os anti-taurinos descreveram em pormenor o sofrimento do animal. Passando ao plano cultural, os defensores falaram nos valores da «fiesta», a emoção, a comunhão na praça, a catarse colectiva da multidão.
Os anti insistiram na crueldade da tortura e da morte do animal, da psicótica aberração de extrair prazer dessa barbaridade. Os pró lamentaram que os aficionados catalães tenham de viver na clandestinidade, embora afirmem que o público é apaixonado pelo espectáculo taurino e que são os políticos quem acirra o povo contra a tradição. Num terceiro plano, o da identidade, todos os deputados, da direita à esquerda, deixaram claro que a abolição da tauromaquia na Catalunha nada tem a ver com a identidade nacional.
O meu camarada de lides (editoriais), Jesús Mosterín, interveio, na qualidade de filósofo, com ironia cáustica: «Escandalizamo-nos porque em África se corta o clítoris às mulheres e noutros países causa escândalo que se continue fazendo um espectáculo público do sofrimento dos animais». E prosseguiu: «É verdade que as corridas de touros são tradicionais», concluindo sob os protestos dos deputados pro-taurinos: «Maltratar as mulheres também é uma tradição e, apesar disso, está a ser combatida».
Josep María Terricabras, outro filósofo, de forma mais suave, percorreu a lista de argumentos básicos dos defensores da «fiesta», para chegar a uma conclusão: «Aos partidários da fiesta falta um argumento ético fundamental. Fazer sofrer um animal por prazer é totalmente reprovável. Os touros são maltratados, como antes o foram as mulheres e os escravos». A sessão prosseguirá hoje com depoimentos de outros 13 peritos em diversas áreas.
Apenas quero levantar uma questão – quando é que em Portugal discutimos este assunto? A cobardia dos sucessivos governos tem permitido, mesmo no pós-25 de Abril, que vergonhas como as de Barrancos continuem.
Invoca-se ali a tradição. Qual tradição? Um espectáculo que viola a lei e todas as regras da segurança, para já não falar nos princípios humanitários, iniciado em 1928 já é uma tradição? Mas mesmo que fosse. Como disse Mosterín, há tradições inaceitáveis e que têm sido combatidas com êxito. A prostituição, a pena de morte, a escravatura, duraram milénios. Não é motivo para que não tenham sido e continuem a ser combatidos.
Porém, quando vemos o Bloco de Esquerda, sempre tão preocupado com os problemas ecológicos e com os direitos dos animais, a aceitar uma trânsfuga do Partido Comunista numa autarquia ribatejana (Salvaterra de Magos, a do conto de Rebelo da Silva), defendendo a senhora abertamente os touros de morte, a esperança de que esta chaga cultural seja banida esmorece. A avidez pelos votos, submerge convicções e programas.
A tourada em Portugal está longe de ter as raízes que tem no estado vizinho, onde move interesses de grande monta. Quando é que em Portugal nos ocupamos da discussão a sério desta «tradição» tão nacional que até só se exprime em castelhano?
Em 1836, o ministro do Reino Passos Manuel promulgou um decreto proibindo as touradas (Em Portugal, em 1779, as touradas foram proibidas no tempo do Marquês de Pombal, após uma corrida de touros realizada em Salvaterra de Magos em que faleceu na arena o Conde dos Arcos, grande figura nobiliárquica estimada pelo monarca D. José I. Voltaram a ser permitidas anos mais tarde, mas sendo proibidos os chamados touros de morte, onde o touro não pode ser morto em praça pública):
“Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de Nações civilizadas, bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade, e desejando eu remover todas as causas que possam impedir ou retardar o aperfeiçoamento moral da Nação Portuguesa, hei por bem decretar que de hora em diante fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de touros.”
Porém as «razões» do costume prevaleceram e nove meses depois as corridas regressaram.
"Touradas, um assunto capaz de dividir famílias, cidades, países. Quase se poderia dizer que se parece com futebol, só que no caso das touradas parece só haver dois clubes: os Pró e os Contra
Na minha opinião as touradas são cruéis porque com que os touros sofram. As touradas são usadas para entreter os humanos. Bem, tenho alguma dificuldade em chamar humanos, seres que se divertem com a tortura de um animal.
Uma coisa é matar os touros sem que sofram outra coisa é tortura-los espetando farpas que os deixam a jorrar sangue e pô-los cansados para no fim os matarem sem dó nem piedade. “ Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Este é um ditado que se pode aplicar nesta situação, e dizer as pessoas que gostam das touradas, para que se ponham no lugar dos touros e imaginem o que é ser torturado e no fim morto. Não se trata de matar para sobreviver, trata-se de torturar e matar por divertimento! Que mal terão feito os touros? Nenhum. São apenas uma raça inferior e com menos poder, por isso podem servir de passatempo para os mais inteligentes e poderosos.
Há quem diga que os touros não sofrem com as farpas. Pobre argumento, não só não se sabe se é verdade, como mesmo que não sofram, continuam na arena a ser gozados pelas pessoas.
Acho que as touradas podem ser substituídas, por exemplo, por idas ao cinema, ao teatro, a concertos, ou a acontecimentos desportivos, pois estas actividades entretêm e divertem as pessoas e não prejudicam os touros.
Penso que as touradas são algo que deveria deixar de existir pois incentiva a crueldade. Os touros deviam ser livres e quando for necessária a sua carne, devem ser mortos rapidamente."
Aficionado que é aficionado, defende sempre que o touro é um privilegiado.
Dizem que ele é obrigado a ser toureado mas que, mesmo assim, isso lhe compensa, pela vidinha de Lord que tem até então.
Afinal, durante (mais ou menos) 5 anos o animal encontra-se no paraíso a pastar, muito feliz e contente...
Ora, se lhe damos 5 anos de bons tratamentos, é mais do que natural que, depois, o castiguemos. Aliás, eu ando a alimentar o meu cão há 7 anos, por isso, se calhar, já está na altura de lhe começar a espetar com um garfo no lombo ou a dar pontapés no focinho.
Penso que quem tem este tipo de argumentos é porque sofre do complexo da bruxa d'"A Casinha de Chocolate": Primeiro, engordamos o Hansel e depois comemo-lo.
Os argumentos dos aficionados são sempre repletos de coerência, perspicácia e inovação.
"Vira o disco e toca o mesmo":
1 - O touro não sofre.
2 - O touro nasce para ser lidado.
3 - O touro vive muitos anos, feliz e em liberdade na Ganadaria, ao contrário dos bovinos para consumo alimentar, que vivem num cubículo.
4 - Sem touradas a raça extingue-se.
5 - A raça é única, foi manipulada pelo homem para que o touro seja bravo e não sinta dor.
6- A tourada é uma arte.
7- A tourada é cultura.
8- A tourada é uma tradição.
9- Quem não gosta não vê.
10- O sangue que o touro perde na corrida, não é nada, para um animal com cerca de 20 litros.
11- O que o touro sente é o equivalente ao sentido pelo ser humano quando é vacinado. Uma ligeira impressão provocada pela agulha.
12- Vocês comem lagosta e uma boa costeleta.
13- Vocês querem tornar o mundo vegetariano.
14- Vocês prendem os vossos cães na varanda, no 10º andar de um prédio.
15- Vocês usam casacos de peles.
16- Se o touro investe é porque não dói. Não há nenhum animal que perante a dor, continue a investir.
17- A morte do touro é uma morte digna.
18- Depois de abatido, a carne do touro é doada aos orfanatos.
19- Os aficionados fazem mais caridade do que vocês. Sabem quantos espectáculos taurinos de beneficência há?
20- A corrida de toiros é uma luta justa.
21 - Um ferro de 8 cms cravado num animal de 500 kgs não é o mesmo que cravado num homem de 70/80 kgs.
22 - A tauromaquia movimenta muito dinheiro, se acabar o que vai ser de tantos desempregados?
23 - Há causas mais graves com que se preocuparem, como os cães abandonados.
24 - Também há animais nos circos, nos filmes, nos Jardins Zoológicos.
25 - Ninguém ama mais os touros do que nós.
26 - A maioria dos portugueses são aficionados.
27 - Se o aborto é legal a tourada não pode ser proibida.
28 - Quem é contra as corridas de touros é urbano-depressivo.
29 - Com a quantidade de endorfinas que libertam, aquilo não doeu nada!
30 - Os anti-touradas são uma minoria.
31 - A tauromaquia é uma ciência...
32 - Nem sabem do que é q estao a falar
33 - A ganadaria é o paraíso do touro.
34 - o touro tem orgulho em ser toureado!
35 - para o touro os ferros são como para nós uma picada de mosquito, um alfinete
«Um dos argumentos frequentemente mencionados em debates sobre touradas é o da importância em manter a espécie do touro bravo. Os proprietários das ganadarias mantêm os touros nos seus terrenos, não porque tenham uma grande consciência ecológica e ambiental, mas porque daí retiram dinheiro. Muito dinheiro. No dia em que os touros deixarem de ser vendidos a 2000 euros cada (sem contar com chorudos subsídios europeus), cerca de 2600 animais por ano (DN, 2007), os proprietários das ganadarias rapidamente se esquecerão de qualquer importância ecológica ou da biodiversidade do touro bravo. É esta a principal, senão a única, verdadeira razão para a continuação das touradas no nosso país - um forte interesse económico de um pequeno grupo de pessoas. É claro que, para desculpar o indesculpável, atiram para os olhos o argumento de se querer proteger uma espécie. Mas nem o touro bravo é uma espécie, porque é sim uma raça ou subespécie, nem a extinção desta raça é irremediável e obrigatória quando as touradas acabarem. A extinção desta raça não é irremediável nem obrigatória porque nada impede a criação parques naturais, santuários ou outras soluções viáveis para a conservação destes animais. O que não pode nunca acontecer é justificarmos a crueldade para com uma animal para o poder "conservar". Cabe na cabeça de alguém que a conservação do panda passe por lhe espetar bandarilhas no dorso? Que o repovoamento do lince ibérico na Península Ibérica passe por lhe cortar as orelhas e rabo? A conservação de espécies / raças, não é argumento para continuar as touradas. É um papel que tem de ser assumido pelos portugueses e pelo Estado e não por empresas que da exploração desses animais retiram avultados lucros. Existe outro argumento frequente, que é o da conservação dos ecossistemas, mas este é ainda mais frágil. É que estamos a falar de um animal totalmente domesticado, que só existe por selecção artificial de características de interesse, que no caso do touro bravo é essencialmente a bravura. Ou seja, o touro bravo não existe no campo por estar em total equilíbrio e conjugação com a Natureza. Está lá porque os ganadeiros assim o fizeram e ali o colocaram. Isto significa que um touro bravo é, no mínimo, um elemento supérfluo na manutenção dos montados portugueses. Voltamos então ao único argumento de peso para a manutenção das touradas. Os interesses económicos. Interesses esses que vivem de um espectáculo que promove a ideia de que existe justiça e igualdade em colocar um animal num local estranho e com regras definidas pelos humanos; que coloca animais numa luta que estes não desejam mas são forçados a entrar; que vive da diabolização da imagem de um herbívoro territorial e faz disso um espectáculo de entretenimento.
É vital rejeitarmos esta visão subversiva da realidade. É preciso dizer que a tourada não é uma fatalidade e que podemos acabar com uma das formas mais indignas e desumanas de tratamento dos animais da actualidade. O caso muito recente de Viana do Castelo dá-nos força e entusiasmo. É vital agora a maioria silenciosa que se opõe às touradas mostrar o seu descontentamento, de forma pró-activa e com um único compromisso: o respeito pelos animais e pela Natureza.»
Após a informação exposta nos artigos anteriores, deste dossier, temos agora enquadramento suficiente para perceber e participar na discussão entre os apoiantes e os detractores das touradas. Abaixo são explorados os principais argumentos utilizados para a defesa e para a proibição das touradas.
A Tradição
Pró-Touradas
Anti-Touradas
São uma tradição enraizada por milénios de relação entre o homem e o Touro e afirmadas como um espectáculo cultural e popular há séculos.
Tem uma carga cénica e uma estética deslumbrante que permitem construir uma bonita festa.
Apesar do seu valor histórico as tradições devem acompanhar os tempos e adaptar-se, ou mesmo extinguirem-se, à medida que a humanidade evolui. Os direitos dos animais são cada vez mais um dos pilares de uma consciência ética e justa. O Touro não pode e não deve ter um regime de excepção na garantia desses direitos. Durante 500 anos a escravatura foi uma tradição e costume. A emancipação das mulheres foi feita através de uma longa e desigual luta que conseguiu pôr fim a uma supremacia masculina em termos de direitos e exercício de cargos ou profissões. As execuções em praça pública foram comuns durante séculos. Este são apenas três exemplos de antigas tradições milenares ou seculares que naturalmente chegaram ao fim. Porque era o correcto e não porque toda a sociedade concordasse com o seu fim. O que se deve sobrepôr? O perpetuar de uma tradição ou o respeitar do bem-estar humano e animal?
Conhecer e Preservar o Touro
Pró-Touradas
Anti-Tourada
Os profissionais do mundo tauromáquico, e mesmo os afficionados em geral, são os verdadeiros conhecedores e amantes dos Touros. Convivem com os Touros em todo os ciclos da sua vida, conhecem-nos como ninguém, seja em aspectos biológicos, seja em aspectos psicológicos e/ou comportamentais.
Sim, é verdade que quem lida com eles diariamente terá a aptidão natural de melhor os conhecer. Não é por acaso que das mais detalhadas e apaixonantes descrições sobre Touros sejam feitas por pessoas ligadas à Tauromaquia, com claro conhecimento de causa. No entanto é de estranhar que tanta admiração e amor ao animal culminem no aceitar do seu sacríficio num espectáculo baseado no infligir de stress e dor ao Touro. Quem de perto lida com os Touros sabe que aquele não é o seu ambiente, que investe porque não tem para onde fugir, que sente cada um dos castigos que lhe são fustigados e que tivera o Touro livre escolha e não estaria ali naquela confrontação desigual. Sabe também quem os cria que um Touro pode viver dezenas de anos, no entanto entrega-o para as lides quando perfazem apenas 3 anos. Privar um Touro de viver as restantes décadas são demonstração de amor, apreço e respeito?
A luta entre homem e Touro na arena é uma luta justa. É o culminar de uma vida de bem-estar em liberdade podendo o Touro salvar a sua vida com um indulto sendo devolvido aos prados.
Quanto á luta justa existem dados estatísticos em Espanha que dizem que desde 1771 foram mortos 445 ´artistas´ das lides Tauromáquicas (apenas 65 toureiros) e que desde 1950 foram alvo de indulto apenas 7 Touros. Estranho sentido de justiça aplicada aos centenas de milhares de Touros mortos desde 1771 ou estará a balança avariada? E que dizer do facto de 80% dos Touros indultados morrerem no dia seguinte ao da lide?
Muitos dos que gritam pelo fim das Touradas não fazem o ideia do que é um Touro e do que lhe dá ganas de viver.
O Touro anseia pela confrontação e sente-se confortável na luta. É um animal agressivo que sente prazer na lide.
Não bastará reconhecer que o conceito de forçar um animal a defender-se, de o sangrar na arena e de o ver sofrer são vis, sádicos e macabros? Precisaremos de conhecer um animal para assumir que não terá ganas de querer sofrer e morrer? Muitos dos que gritam a favor das touradas não deixam que os aficionados façam ideia do que é e do que sente um Touro enfabulando e mistificando o conhecimento público sobre os Touros. Em artigos deste dossier já foi feita a informação sobre o comportamento normal de um Touro que é completamente antagónico ao que o mundo Taurino quer fazer passar.
Sem a Tauromaquia o Touro seria extinto. É uma raça sem interesse comercial para outras actividades onde existem raças mais produtivas. A Tauromaquia é também uma actividade que preserva milhares de hectares de montado com sistemas de produções de bovinos dos mais sustentátveis e com maior bem-estar animal em todo o mundo. Com efeito, em três ou quatro anos de vida do touro, este apenas sofre cerca de 30 minutos, o tempo que dura a lide. O resto do tempo, não há animal que viva junto do homem que tenha vida que se lhe compare. Vive em liberdade, em estado selvagem, inteiro. Intimamente ligado aos Touros existe também o desenvolvimento e apuramento dos Cavalos Lusitanos.
Parece um pouco um contra-senso aqueles que se dizem os principais amantes e defensores de uma espécie defenderem que se não existir algum interesse comercial a sua preservação é impraticável. Temos em Portugal vários centros de recuperação de espécies em extinção (como o lobo e lince ibérico) e várias reservas onde existe um ecossistema que permite a vivência de espécies autóctones em equilíbrio. Com a ajuda de biólogos e cooperação dos actuais ganadeiros certamente que seria viável criar uma reserva de alguns milhares de hectares de montado onde fosse possível que algumas manadas vivessem em liberdade. Iria até ajudar certamente a recuperação de um dos seus predadores naturais, os lobos, bem beneficiar o reforço de população de aves necrófagas. Quanto aos cavalos são outros dos animais explorados na Tourada que felizmente hoje em dia não morrem com a frequência de outros tempos. (apesar de neste dossier não se ter explorado o tema existe também muito sofrimento psíquico e físico dos cavalos, sobretudo dos que são montados pelos picadores que são privados da visão e audição para enfrentarem as investidas do Touro sem perceber o que se passa nem poder reagir instintivamente. Sofrem também graves lesões e por vezes a morte.). Em todo o caso talvez alguns desses cavalos pudessem também ser libertos nas reservas atrás mencionadas. Visto que aparentemente ambos os lados da barricada têm amor e respeito ao Touro certamente que não seria complicado juntar esforços e dedicação para providenciar uma vida verdadeiramente livre aos Touros.
O Touro é um dos animais na Natureza com maiores níveis de endorfinas e adrenalinas no seu sistema o que leva a que a sua sensibilidade à dor seja extremamente reduzida em alturas de stress comparativamente a outros animais. O facto de os níveis de stress do Touro atingirem o seu pico máximo durante o transporte, em que estão confinados em espaços exíguos, e baixarem significativamente durante a lide demonstram como é um animal que se sente bem na luta. A sua bravura suplanta em muito o seu sofrimento porque a sua fisiologia assim o permite. Exigem estudos científicos rigorosos dos quais resulte a conclusão de forma inquestionável que os animais, e em particular o Touro, sentem, como o fazem e em que circunstâncias.
Isto contraria o facto dos ganadeiros evitarem ao máximo castigar os Touros durante a sua vida pois estes recordam-se para sempre dos castigos que sofrem e dos autores e utensílios utilizados. Se um Touro sente as moscas que pousam no seu corpo, que reage com espamos involuntários ou com o abanar da cauda para as afastar como poderá não sentir as perfurações de lâminas com vários cm de diâmetro e profundidade? Também um Homem em luta pela sua vida não sente a dor das lesões que sofre a quente. Se estudassem apenas os homens quando se encontram em combates de ringue não iriam tirar as mesmas conclusões? Cientificamente está aqui rebatido esse argumentocom indicação de todas as lesões provocadas pelas sevícias a que é sujeito um Touro bem como do stress a que é sujeito. Mesmo que o Touro nada sentisse, qual a moralidade de provocar lesões num animal que lenta e progressivamente conduzem à sua morte? Durante séculos o nosso conhecimento sobre o bem-estar físico e psicológico dos animais era rudimentar. Ainda há duas ou três gerações era comum dizer-se que os animais não sentiam dor. Hoje em dia está comprovado que os animais, incluindo o Touro, são seres sencientes, capazes de sentir dor física e sofrimento psíquico/emcional. Negá-lo está ao nível da posição da inquisição sobre os heréticos avanços da ciência.
Outros Argumentos
Pró-Touradas
Anti-Touradas
A Tourada é um espectáculo que ocorre em recinto fechado com bilhete pago. Só assiste quem quer. E quando dá na TV quem não quiser assistir basta mudar de canal. Quem não gosta não vê.
Não podemos ficar indiferentes aos maus tratos a animais infligidos aos Touros durante um pretenso espectáculo cultural. O regime de excepção para com os Touros equivale a uma lei penalizadora de um crime, excepto se cometido sobre um tipo de vítimas em particular. O Touro é um animal como os outros e deve ser reconhecido e protegido como tal. O sentimento de injustiça e intolerância são o natural para com uma tradição que parou no tempo e assenta numa violação dos direitos e bem-estar de animais. A partir do momento que existem apoios de autarquias e televisões públicas à exaltação de um espectáculo que assenta em derrame gratuito e violento de sangue, os cidadãos portugueses têm o direito de manifestar o seu desagrado e exigir o fim de todo e qualquer apoio a esta actividade, bem como ao seu fim.
Porque é que aqueles que se insurgem contra as Touradas não se insurgem contra o sofrimento e más condições de vida das galinhas, porcos, vacas, peixe, etc, que comem tranquilamente sem problemas de consciência? Porque não se preocupam com os cães e gatos abandonados que são um flagelo no nosso país? Ora, os defensores dos direitos dos animais fariam melhor em preocupar-se com os valores civilizacionais que transformaram a vida de certos animais domésticos num espectáculo verdadeiramente degradante do que com as touradas que enobrecem e perpetuam a vida dos touros bravos, proporcionando-lhes uma vida de fazer inveja à dos seus primos bois.
E porque assumem que não o fazem? Muitos dos activistas anti-tourada praticam uma dieta vegetariana e/ou defendem o bem-estar dos animais, mesmo daqueles que têm como destino o consumo humano. Muitos estão também intimamente ligados a associações zoófilas que lidam directamente, com acções no terreno, com o problema do abandono de cães e gatos em Portugal. Não existe uma prioridade para os horrores e resolução de problemas. A polivalência é necessária e obrigatória exactamente para não deixar agravar aqueles que são descurados. Recentemente conseguiu-se a vitória de a prazo acabar com o uso de animais em circos. O fim das Touradas se seguirá. É mais uma de muitas batalhas em curso pelos direitos e bem-estar dos animais.
A Tourada foi apreciada desde sempre e inspirou muitos artistas com obras marcantes sobre o tema expressas em pinturas, esculturas, música e obras literárias.
Os artistas são como o resto das pessoas. Existem os aficionados e os que se oponham à Tourada. O facto de ser alvo de abordagens no trabalho de vários grandes artistas não deverá ilibá-la daquilo que é. Também muitos artistas se inspiraram em guerras, em cenários de catástofres naturais e sofrimento humano e ninguém defende que estas devam ocorrer para estimular veias criativas.
A Tauromaquia é uma actividade auto-sustentada que gera empregos e riqueza para o país. Não recebem quaisquer apoios financeiros do estado. Seria um desastre económico o fim da actividade Tauromáquica.
Auto-sustentada? A receber milhões de euros de apoios de autarquias anualmente para manutenção dos recintos e organização das ´festas´? Todas as revoluções que têm impulsionado o desenvolvimento da nossa civilização têm provocado transformações nas actividades profissionais existentes. A revolução industrial acabou com o fabrico artesanal de milhares de produtos, a robótica e informatização extinguiram também uma série de tarefas que eram executadas por pessoas e os sectores económicos mais fortes estão em constante mudança obrigando a uma movimentação constante das massas laborais. O fim da Tauromaquia seria apenas um desastre económico para as poucas centenas de famílias que dela dependem a 100%. E isto se não fosse estabelecido algum tipo de plano que lhes permitisse a transição gradual de actividade. Não é defendida a ruína de pessoas mas o fim de uma actividade cujos moldes podem e devem ser negociados para diminuir o seu impacto nos agentes que vivem exclusivamente dessa actividade. As praças de Touro continuariam a existir mas o seu espaço a ser reaproveitado para actividades verdadeiramente lúdicas e culturais.
Muita gente é aficionada desde tenra idade e não é por isso que são pessoas mal-formadas, agressivas ou perigosas para com os outros ou animais.
Os anti-taurinos atribuem aos animais características humanas para despertar proximidade e identificação confundido o que são pessoas e o que são animais. Com a antropoformização do Touro deixam-no de ver como o animal que é com necessidades, comportamentos e reacções psíquico-físicas distintas das de um ser humano.
Touro Bravo, Fera Negra, Besta Negra, símbolo da morte e do medo, arrogante, valente, etc. São apenas alguns dos termos comuns utilizados pelos pró-Taurinos. Tão depressa o sacralizam, como diabolizam como o antropoformizam. Descrevem-no à medida do necessário para conceder uma carga sagrada, poética, espiritual, transcendente ao acto da Tourada. Ao dizerem que o Touro nasce para arena e que não sente dor devido ao prazer da luta estão também já cegos para com as reais necessidades, comportamentos e reacções psíquico-físicas deste animal que tão bem conhecem.
Ocorrem muitos espectáculos com Touros para fins beneméritos existindo uma forte solidariedade social com grandes benefícios para misericórdias e outras associações.
Ser pró-taurino não quer dizer que não se seja solidário e voluntário para com causas sociais pelo que este é um argumento que parece ser uma lavagem de cara servindo-se daqueles que vivem com a corda no pescoço e que não podem recusar donativos. Mesmo assim há muitas associações zoófilas que recusam donativos oriundos de actividades que envolvam o sofrimento de animais pelo que normalmente o alvo dos donativos são associações de causas relacionadas com a melhoria de vida de pessoas mais carenciadas. É louvavel esta atitude e distribuição de dinheiro que não deixa de ser um dinheiro sujo de sangue. Mas lançamos o desafio de que os apoios dados pelas autarquias em vez de serem canalizados para actividades tauromáquicas sejam directamente canalizados para associações sem fins lucrativos de apoio a pessoas e animais.
Admitem um dia colocar fim às actividades Tauromáquicas. Mas pela falta de afluência de público e não por resultado de manifestações daqueles que são contra estas práticas.
As manifestações físicas e online são uma das vias para conduzir a essa falta de público. O que elas pretendem é mostrar que há muitos cidadãos incomodados com as práticas tauromáquicas e trazer a público informação e pontos de vista muitas vezes desconhecidos.
Perspectivas
Imagem
Pró-Touradas
Anti-Touradas
Um Touro bravo. Apesar da sua frágil aparência enquanto bezerro não se deixem enganar. Dentro de pouco tempo estará feito um Touro agressivo e lutador.
Esperemos que passe na triagem que separa os bravos dos mansos e ganhe o direito a lutar pela sua vida na arena proporcionando um bom espectáculo aos aficionados.
Um animal que como todos os outros tem direito à vida e ao bem-estar. Se assim o deixarem viverá pacificamente, como é a sua natureza. 3 anos separam-no daquele que é verdadeiramente o seu inferno na terra: uma tourada.
É chegada a altura do Touro cumprir o seu destino e ser encaminhado para a arena onde poderá lutar com valentia e mestria pela sua vida.
Será conduzido ao transporte que o levará à arena onde terá meia hora de dignidade e prazer para fazer aquilo que mais gosta enfrentando os seus oponentes de igual para igual com uma bravura, fúria e força únicas.
Com menos de 20% da sua vida cumprida, acabado de terminar a sua juventude, o Touro é retirado do seu habitat com destino à lide. Em poucas horas é ´raptado´ à força, transportado em espaço diminuto e colocado na arena onde encontrará a morte certa.
O Touro descansa nos curros, recuperando da viagem que causa algum stress.
É importante que o Touro se acalme para poder combater com total discernimento.
São-lhe dadas todas as condições para que se apresenta na máxima força no momento da tourada.
Após o transporte é colocado nos curros onde aguarda pela hora em que é forçado à luta. Apesar de menos stressado do que durante a viagem encontra-se num ambiente totalmente diferente daquele que teve em toda a sua vida e é alvo de várias práticas de preparação como por exemplo o embolamento que consiste na serração da ponta dos seus cornos. Por vezes começam aqui a prática de actos para a sua debilitação para que não se apresente na sua máxima força e se consiga uma lide mais controlada e sem danos para os homens e cavalos.
O Touro entra na praça e imediatamente demonstra a sua bravura e agressividade percorrendo o recinto e investindo contra os homens de capa que o provocam.
Olha para a platéia como que desafiando toda aquela multidão a enfrentá-lo.
O Touro entra desorientado na praça, ainda confuso pelo facto de há poucas horas estar a viver livre num prado rodeado dos seus. Encontra-se agora só, em local incerto, foi sujeito a práticas que correspondem a agressões físicas e psicológicas. Por instinto procura a fuga e estuda o espaço para verificar se esta é possível.
O picador faz o seu trabalho com mestria de preparação da lide.
O Touro demonstra a sua bravura e força investido de encontro ao Cavalo praticamente sem sentir os golpes infligidos.
Um Cavalo vendado e com tampões nos ouvidos para que não perceba o que está a acontecer e não reaja por instinto. A malha que o envolve protege-o de perfurações contra cornos embulados mas não o protege de lesões causadas pelo impacto que podem ser fatais. Para esta tarefa são escolhidos cavalos considerados menos valiosos, não treinados, pelo que caso ocorra uma morte ou lesão grave não é considerado um grande prejuízo. O Touro por sua vez reaje às provocações da forma que lhe resta depois de interiorizado que não existe fuga possível. As feridas causadas garantem que fica pelo menos incapacitado de erguer a cabeça e que terá hemorragias contínuas que o farão perder força e discernimento ao longo da lide.
Seguem-se as lides a Cavalo. O Touro investe tentando derrubar cavalo e cavaleiro.
Demonstra a sua valentia e bravura não desistindo da perseguição e aceitando os castigos dos arpões das bandarilhas sem virar a cara à luta.
O Touro já debilitado defende-se como pode das agressões causadas pelos cavaleiros. Um olhar atento conseguirá verificar que o Touro apenas investe quando o cavaleiro o ataca, investindo o Cavalo contra si para cravar as bandarilhas. É até comum que após cravar a bandarilha o cavaleiro se dê ao luxo de colocar o seu cavalo a efectuar manobras artísticas como trotes elegantes ou rodopios. Se o Touro fosse verdadeiramente agressivo e não estivesse numa postura de defesa não iniciaria uma perseguição contínua ao cavalo até conseguir o choque ou que um dos dois se fatigasse? Não haveria espaço e tempo para movimentos artísticos se estivesse uma fera agressiva na praça.
O toureio a pé é um desafio cara-a-cara em que a inteligência e coragem do homem tenta exercer o seu domínio sobre a natureza do Touro.
Valroiza-se a mestria do homem que consegue ler o Touro e levá-lo a investir e movimentar-se como se estivessem sincronizados numa coreografia previamente ensaiada.
O Touro neste momento já está desgastado pelas lides a cavalo e pela grande quantidade de sangue que perdeu durante as partes anteriores da Tourada. Inclusive estará limitado fisicamente em termos de locomoção tendo os ligamentos, que lhe permitiam manobrar a cabeça sem limitações, dilacerados logo na fase do picadeiro. O Toureiro beneficia de anos de aprendizagem com bezerros, vacas, Touros mansos, e da experiência acumulada de lidar com Touros em touradas. O Touro por sua vez está pela primeira vez naquela situação, sujeito aquele tipo de ataques, não tendo qualquer preparação para lidar com ela.
Os forcados. Únicos no mundo da Tauromaquia em todo o mundo.
Um grupo de amadores que enfrenta o Touro numa demonstração de um misto de força, coragem e saber.
São a verdadeira extensão do povo que nas bancadas sente nas entranhas o impacto do Touro no corpo durante a pega de caras.
Talvez a parte mais justa da tourada em que não é infligida dôr física adicional ao Touro. Pena que só ocorra na parte final em que o Touro já está repleto de lesões externas e internas e completamente fatigado. Apesar de ainda reprovável do ponto de vista ético, já que continua a usar-se um animal para um espectáculo, talvez se devesse considerar a actuação de forcados em Touros que não tenham sido alvo dos picadores, cavaleiros, e toureio a pé. Seria a verdadeira demonstração de coragem e força.
Um Touro demonstra a sua bravura, ferocidade e agressividade saltando as barreiras protectoras e investindo aleatoriamente por entre a plateia.
Os chamados Touros voadores mais não são animais que atingem um nível de stress tão elevado que se transcendem e conseguem o seu objectivo principal, normalmente impossível, a fuga. O Touro salta a bancada para fugir do que se passa na arena e não para investir na platéia. A sua fisionomia não está preparada para o subir e descer de escadas pelo que a sua locomoção trapalhona fere mais pessoas por atropelamento e quedas do que por cornadas.
O Touro sempre morre e é conduzido para matadouros onde será convertido em produtos alimentares.
Teve a sua oportunidade para indulto e despediu-se em exaltação e glória.
Esta vida é preferível à de uma vida numa unidade de exploração intensiva para fins alimentares.
Antes da sua morte o Touro é submetido a actos atrozes para gáudio e divertimento de humanos que não se dão ao trabalho de conhecer e compreender esta espécie animal. O facto de o destino certo ser a morte não justifica que o processo para lhe chegar seja um suplício infernal.
Os artistas tauromáquicos. Gente respeitada e respeitadora.
Arriscam a vida num espectáculo de enorme beleza para gáudio dos aficionados.
Merecedores de admiração pela sua coragem e mestria na arte de lidar com Touros.
Profundos conhecedores e defensores dos Touros e da Festa Brava.
Os agentes da indústria Tauromáquica exploram comerciamente um espectáculo que assenta no sofrimento de animais. Vivem numa realidade completamente desajustada relativamente aos dias de hoje. Beneficiam de um estranho status e são protegidos por lobbies que apesar da grande influência representam uma pequena parte dos Portugueses. Como amantes dos Touros deveriam dá-lo a conhecer ao público tal como ele é e não deturpar a imagem pública de uma espécie para que seja aceitável explorá-la na Tauromaquia. Deveriam reconhecer os estudos científicos que demonstram que o Touro é um animal senciente que sente dor física e tem estados emocionais e comportamentais que podem levar ao sofrimento psíquico.
Os aficionados.
É por eles que existe a Festa Brava.
Os verdadeiros amantes de um espectáculo único e cultural.
Boa gente ciente do valor da tourada para a cultura Portuguesa e para a defesa do Touro e do Cavalo Lusitano.
Muitos dos aficionados desconhecem completamente o que é e como vive um Touro. Acreditam piamente que o Touro não sente dor nem desespero e sente-se confortável ao ser toureado. Os que não têm falta de informação poderão no mínimo ser chamados de sádicos pois retiram prazer de actos de tortura e mutilação sobre um animal.
Cambada de gente pseudo-intelectual que quer acabar com uma tradição secular.
Terroristas que não têm noção da dimensão dos seus actos que atropelam direitos de liberdade de expressão, colocam em perigo o sustento económico de numerosas famílias e podem levar o Touro à extinção.
Podem fazer barulho onde e quando quiserem pois os apoiantes da Festa Brava são muitos mais, têm a razão do seu lado e darão a cara sempre que fôr preciso.
Os activistas da luta contra as touradas são pessoas como as outras que simplesmente dão mais valor a certos valores éticos e morais relacionados com os direitos e o bem-estar dos animais. A tourada é considerada um divertimento, um espectáculo, e assenta no infligir de sofrimento físico e psíquico a uma espécie animal. Estamos no século XXI e não na época medieval. Sabemos hoje em detalhe que o Touro sofre durante a tourada.É visível que a Tourada assenta em actos violentos para com um animal, tolerar a tourada é tolerar a violência e o derramar de sangue por entretenimento. O Touro não teve escolha. Está ali obrigado.