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sábado, 11 de agosto de 2012

Precisamos de argumentos?

por Ricardo Petinga
Os aficionados têm uma extrema dificuldade em compreender que aquilo que defendem é indefensável. Não vêem nada de errado naquilo que fazem, e se alguns o vêem, deixam que o negócio fale mais alto que a ética. Do mesmo modo, muitos outros violadores dos direitos fundamentais de seres inocentes não consideram que estão a cometer alguma imoralidade, estejam eles a molestar crianças, a explorar mulheres ou a assassinar em massa indivíduos com religiões ou orientações políticas ou sexuais diferentes. Todos esses perpetadores de crimes sentem-se sempre ou quase sempre justificados pelas suas convicções. Os aficionados ficam sempre chocados com estas comparações, e por mais que os activistas se manifestem pela defesa dos direitos dos animais, continuam a não entender que estamos apenas a tentar defender vítimas (neste caso os touros e cavalos) dos seus opressores (toureiros, forcados, ganadeiros e empresários tauromáquicos), tal como defendemos vítimas humanas. Continuam a pensar que é uma simples questão de não gostarmos de touradas e que podemos simplesmente olhar para o lado e permitir que continuem a acontecer e que eles continuem a desfrutar das mesmas, mas se o fizermos somos cúmplices da injustiça e do sofrimento de que os animais por eles explorados são vítimas. Chamam-nos fascistas e terroristas e extremistas, mas se realmente acreditam nisso deveriam olhar para a sociedade como um todo e ver que existem muitos actos que não são permitidos, que se tornaram ilegais por serem imorais, e essas proibições não podem ser consideradas como privação de liberdade porque estão na verdade a salvaguardar a liberdade de seres inocentes de não serem vitimizados por esses actos. A maior diferença entre esses actos e o acto de estropiar touros numa arena é que por enquanto, estropiar touros ainda é legal. Isso significa apenas que não chegámos ainda ao fim da nossa evolução civilizacional e que devemos continuar a lutar por essa evolução. A abolição das touradas e de quaisquer actividades de exploração animal serão passos na direcção certa, para uma sociedade mais justa, compassiva e ética.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

(des)Argumentos: Touradas III

"Eu sou a favor das touradas...
Compreendo e aceito que haja qem não goste.. Não compreendo é os argumentos que as pessoas anti-touradas usam...
Se não acham correcto usar o animal para a diversão do Homem(um dos vossos argumentos), porque é que todos os dias comem carninha, huuuummm isso é muito bom...
O touro vive 4 anos em plena liberdade a alimentar-se das pastagens naturais por onde se passeia enquanto que os animais que comemos vivem pouco mais que 6 meses presos em estabulos quase sem espaço para se mexerem, alimentados cm farinha, e qimicos e depois sao mortos sabemos lá em que condiçoes... Todos nós temos pena do lince ibérico entre outros animais que estao em vias de extinção mas querem acabar cm as touradas, logu extinguir o touro bravo... Tds se queixam que se estão a perder as tradiçoes mas há que acabar cm mais uma, as touradas.. Tds acham normal u Homem ser picado por uma agulha mas um touro com uma bandarilha já é um horror...
E a adrenalina?! Alguem sabe o que a adrenalina faz au touro i á dor q possa existir?!
Alguem sabe porque é que até é "bom" aqele golpe i perda de sangue por parte do touro?!...
Ninguem anti-touradas consegue ver o respeito e carinho que há por aquele animal... Os aficionados, como eu adoram o touro..."

Respostas:

"Desde sempre o homem caçou para comer, naturalmente.
Não me digas que o touro como animal não existe ou existia. Como ser vivo existe a muitos milhares de anos. Essa faz-me rir, concerteza...
O Lince está em vias de extinção porque o homem, como ser humano e que utiliza os neurónios para articular, falar e... em caçar. O Lince está em vias de extinção porque em Portugal há mais caçadores do que caça e atiram em tudo o que mexe. Matam águias, falcões etc... Alguns, por pura diversão. Os portugueses que caçam não utilizam a cabeça para pensar e dar uzo aos neurónios que lá nascem... Alguns utilizam-na para usar o chapeu, os óculos e o cabelo - se bem que muitos não têm cabelo, portanto...
Fico estarrecido quando tu, Filipa me dizes que o homem também é picado. Claro, para tirar ou dar sangue a terceiros, é um acto sublime. Portanto não colhe o argumento que utilizas...
Eu sou contra as touradas, porque é um acto bárbaro, não-humano e não dignifica o ser humano. Não é uma tradição, não pode ser uma tradição...
Como tal deve terminar rapidamente...
No entanto, reconheço que não terminará brevemente.
Irá extingir-se por si...
Não é perene, como tal aguarda o fim... como tudo, aliás.
Mas o que acho é a ileterácia que grande maioria dos toureiros(as) e o séquito que gravita, nunca vi tamanha ignorância, quando se lhes coloca qualquer questão fora deste âmbito, espalham-se completamente...
Filipa, ainda estás a tempo de mudar, só não muda quem não quer... e quando se está do lado errado da barricada...
Mais: ter um animal de estimação não é ter boneco, é necessário cuidar muito bem do animal e dar-lhe todas as condições para ter uma vida digna. Infelizmente teve um familiar que quando o animal lhe dava problemas abandonava-o na serrão do Marão. Fiz qeixa dessa pessoa. Foi condenada a 3 anos de prisão, suspensa e não pode ter animal alguns durante 12 anos... Foi muito leve, deveria ter sido pena efectiva.
Para além de tudo isto deveria ser obrigatório ter cadastro para se ter um animal. Aquilo que eu vejo diariamente é lamentável. Se o animal faz uma necessidade orgânica sólida a maioria das pessoas deixa-o ficar nas ruas ou passeios. É triste. Se fosse na sua casa, concerteza que o limpava. A rua é de todos e todos devemos zelar pelos bem estar e limpeza das mesmas.
Já estou a fugir ao assunto primordial e que aqui me trouxe no entanto deixo o meu lamento por tanta falta clareza e de princípios.

Matar para comer, para nos defendermos, ou para de um modo geral, sobrevivermos, nada tem a ver com torturar um animal por prazer. È triste que não consigas perceber isso. Gozar com o sofrimento alheio é proprio de mentalidades sadistas, e de pessoas com fraca formação moral. Se não concordas com a forma como os animais para abate são tratados deves lutar contra isso e não tentar justificar o erro das touradas, com outros erros que os homens cometem sobre os animais. È bom que saibas que em paises mais civilizados que o nosso, os animais, mesmo que sejam para abate tem que ser tratados com respeito e dignidade. E se em Portugal não existe legisleção que proteja e defenda os animais, é em grande parte devido ao lobby tauromaquico, uma vez que as touradas, são em tudo incompativeis com o tratamento que os animais devem ter numa sociedade civilizada. Quanto á questão da tradição como deverias saber existem tradições boas e más e aponto o exemplo da mutilação genital que, infelizmente é tradição no continente africano. Não me parece que contudo concordes com tal pratica. Essa é uma má tradição com a qual importa acabar, tal como a tourada, que basicamente consiste em espetar ferros nas costas de um animal. Tudo o resto é para enfeitar uma pratica propria de selvagens. Assim seria bom que os apoiantes deste costume cruel deixassem de buscar justificações para o injustificavel, porque a tortura e a crueldade não tem justificação possivel."

Fonte: Comentários publicados em 2009 no Fórum MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Argumentos: Touradas II [Touro Bravo]

Texto exemplarmente completo e detalhado sobre todas as questões que se levantam nos debates sobre tourada, incluindo a ideia de que as touradas evitam a extinção do touro bravo:
"Não vamos entrar pelos argumentos, porque aí, lamento, mas espalham-se os aficionados. O único argumento legítimo e verdadeiro que têm, [os aficionados], é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos.
O sr. que fala em adrenalina ou no sangramento para alívio do touro obviamente não entende nada de biologia, de fisiologia ou de comportamento animal; percebe apenas da sua adrenalina quando assiste a espectáculos de violência. Essa dos sangramento para alívio dos humores foi uma prática médica muito em voga na Idade Média mas abandonada posteriormente. 
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. É por demais evidente que os pedófilos gostam crianças; mas é uma maneira de gostar que passa pela exploração dos menores e pela negação dos seus direitos. Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados. 
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. Aqui podemos cair na questão de comparar coisas parvas como campos de concentração, por exemplo: seria melhor acabar em Auschwitz ou em Treblinka? É melhor morrer à nascença ou aos 4 anos? Com uma facada no peito ou afogado? Tudo isto são questões absolutamente laterais e cujo único objectivo é desviar a atenção de uma pergunta muito simples: 
É eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim?

Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral. 
Vi agora que ainda há mais uns pseudo-argumentos: comparar injecções ou vacinas com as bandarilhas. Parece uma brincadeira comparar uma agulha fina com o objectivo de tratar uma doença ou evitar outra - no caso das vacinas - com a introdução de 9cm em metal grosso, cujos 3cm finais são em forma de arpão para não sair e continuar a rasgar os músculos e os ligamentos durante a lide. Das duas, três: ou está a brincar, ou não usa o raciocínio ou quer enganar os outros. 
Depois vem mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pro-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano."
Cristina d'Eça Leal

Fonte:  Texto escrito por uma Amiga e publicado em 2009 no Fórum MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal

"... nada que se compare à dor que o touro está a sentir"

Na sua página do Facebook, Nuno Markl publicou o seguinte:
"Pode-se ser chutado para tarde por muitas razões de programação; mas ser chutado para tarde por causa de tourada dói ainda mais. Mas - lá está - nada que se compare à dor que o touro está a sentir por esta altura."
E respondeu a alguns comentários:

"... As audiências das transmissões das touradas não são mesmo nada de especial.

A RTP não é merda. Tem um notável director chamado Hugo Andrade, que sabe tudo o que eu penso sobre a tourada e que nos dá toda a liberdade para contestarmos, criticarmos e dizermos tudo o que pensamos sobre esta controversa questão. Já é um bom princípio que nos seja dado esse espaço e esta liberdade!

... pois, eu tenho é sérios problemas em respeitar qualquer coisa que envolva tortura e derrame de sangue. Por isso, peço desculpa, mas a tourada não respeito assim lá muito... 
... a questão dos contribuintes e dos impostos dava pano para mangas. Mas à partida o 5 Para a Meia-Noite, nem que seja por convidados que leva, por artistas que divulga, é mais serviço público do que um espectáculo violento e sangrento. 
- eu respeito muito a liberdade. Por isso é que adorava ver os touros a libertarem-se da arena...

... hoje não sou eu que faço o 5; é a Ana na 3. Mas estão preparadas umas bocas. Já que os aficionados reclamam tanto pela liberdade de ver a tourada, que tenhamos nós liberdade a seguir para dizer o que pensamos. Acho que os amantes da tourada não têm razão de queixa. Nós, os que contestamos, passamos a vida a fazê-lo; mas é ou não é verdade que continuam a ter o espectáculo com fartura? Então deixem-nos protestar contra ele com fartura, também. É difícil mudar quem cresceu a apreciar tourada. Permitam-nos que tentemos, pelo menos, fazer ver às gerações mais novas que Portugal tem tradições muito mais interessantes e menos violentas do que isto. Dito isto, quando chegará o argumento "a tourada é ecológica porque se não fosse isto, o touro estava extinto"?

... - eu queixo-me desde que me conheço. Nasci a queixar-me. Mas se uma pessoa não se queixa e aceita passivamente tudo, as coisas não avançam. O mal deste país é, muitas vezes, esse..."

Este foi o comentário que se destacou:

"Estamos a falar... 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o toureiro entra porque quer, sai quando desejar, mas em que o touro é obrigado a intervir, sendo empurrado para a arena, sem alternativa? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o toureiro recorre a instrumentos perfurantes e a armas letais estranhas à sua própria anatomia? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o toureiro monta um cavalo que lhe proporciona (outra) injusta vantagem no ataque ao touro 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, em que o touro, obrigado a participar, é condicionado e diminuído na sua condição natural (cornos serrados e/ou revestidos)? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, em que o touro, obrigado a participar, está sozinho contra tudo e todos? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, em que o touro, obrigado a participar, é provocado, incitado, picado e instigado a reagir? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o o toureiro age primeiro, ataca e agride, por motivos fúteis e gratuitos... até conseguir obter uma reacção de defesa (da própria vida) e de contra-ataque, por parte do touro, obrigado a participar? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o touro, obrigado a participar, luta pela própria vida, enquanto o toureiro... o toureiro luta exactamente pelo quê? 
... de uma emboscada organizada pelo homem, de forma voluntária e livre, na qual o o touro, obrigado a participar, é submetido a uma sessão de tortura e a um sofrimento dispensável, inútil, evitável e excessivo? 
É disto que estamos a falar? 
Se é disto que estamos a falar, parece-me tão-somente natural que exista quem prefira torcer pelo touro..."
por Pedro Fernandes

Tourada... Arte ou Bestialidade?

... tema mais que debatido, onde a conclusão nunca é uma conclusão, ou seja, nunca tem um resultado.
O gosto pelas Touradas, resulta e é adquirido quase sempre, pela educação. Assim sendo, os ouvido são tapados à voz da razão, ignorando-se assim, o sofrimento e a tortura que o animal está sujeito. A tradição, continua na procura da justificação utópica ao acto. Acto este, plagiado pelas tradições do nosso país vizinho: Espanha.

O que é uma tradição?
Pelo dicionário: acto de transmitir ou entregar;
transmissão oral de lendas, factos, etc. , de pais para filhos; transmissão de valores espirituais de geração em geração; conhecimento ou prática que provém da transmissão oral ou de hábitos inveterados; hábito; uso; notícia de um facto transmitido oralmente ou por testemunho que livros, sucessivamente publicados, confirmam; recordação; memória.

Por mim: Tradição, na maioria dos casos, igual a parvoice. As tradição são uma forma de reavivar o passado. Não me pegruntem o porquê de se querer faze-lo. Uma tradição tem que ser vista como uma inimiga da evolução, uma luta contra a outra, e mesmo assim, a Tradição por muitas vezes ganha (Volto a repetir, na maioria dos casos = infelizmente). O Homem 'avança' e aperfeiçoa as suas técnicas, actualiza a sua maneira de viver e de pensar... e sendo tudo isto tão obrigatório, porque é que se insiste nesta tradição tão descabida...? É por todo este processo de evolução, que por exemplo, já não aquecemos baldes de água para te tomar banho. A torneira está à nossa frente; a evolução está acessível, para quê complicar?

Outra coisa que me altera, são os dizeres acerca de, se não fosses as Touradas, o Touro Bravo estaria extinto...! Ora... se os toureiros e afins, são tão amigos dos Touros e remam todos contra o mar da extinção... porque é que os matam? Prefiro que sejam extintos a que sejam mortos. Mesmo sendo um bicho inútil, esses toureiros pseudo-protectores dos touros, estariam 'obrigados' a defende-los...
Mas enfim... isto é só algum dos muitos problemas.
Para mim Tourada = A cultura do sofrimento.
Fonte

domingo, 5 de agosto de 2012

Os Melhores Argumentos Contra Touradas Provêm dos Pró Touradas

Alfonso Guerra ex vice-presidente do governo espanhol (jornal Tiempo de Hoy)

“Quem não provoque danos a terceiros, não deve ser alvo da intervenção de instituições que regulem o que os cidadãos fazem”.
“Existe tratamento cruel do touro de lide? Sim, há crueldade na sorte de varas e no estoque, mas anteriormente, no campo, o touro viveu em boas condições”.

Claro que o terceiro não é alvo de danos porque é um animal! E como esse animal viveu em boas condições anteriormente, tem como “prémio” ser torturado e morto numa praça de touros!

Excerto de uma reportagem de uma corrida de touros em Valência em 2010, autor Rafael Cabrera.

“Se vissem com saiu o segundo touro, não prestando atenção à capa e aos bandarilheiros, fugindo deles, sem investir uma única vez na capa, nem nos cavalos, veriam o reflexo do touro Fernando de Walt Disney e não entenderiam como se pode torturar um animal que não busca a luta, não investe e não mostra nenhum comportamento agressivo. Se vissem o estado em que chegou o quarto na muleta, caindo de patas para o ar em diversas ocasiões, e um toureiro fazendo intentos indecentes para tourear um moribundo”.

Sem comentários, a descrição é por si só elucidativa.

Excerto do livro
‘Conocer y seleccionar el ganado vacuno bravo de lidia’ de José Rufino Martín

“Na Festa Brava este animal imponente tem sido o representante da natureza, seleccionado para verter o seu sangue na arena. Exemplifica como nenhum outro ser vivo a nobreza impetuosa; o instinto de bravura moldado pela mão do homem; a força virginal canalizada para seguir os enganos com prontidão”.

Seleccionado para verter o seu sangue na arena! Moldado pela mão do homem! Ora nem mais, fabricado pelo predador humano para ser torturado e dessangrado até à morte numa praça de touros.

Excerto de um entrevista de Manuel Jorge de Oliveira, cavaleiro tauromáquico:
“O mundo dos toiros é corrupto ao mais alto nível”


“Quando falo em corrupção quero dizer que ninguém mexe um dedo sem ter dinheiro por trás. O tipo que abre a porta tem que ter dinheiro senão não abre a porta do toiro. Há rapaziada de 20 e 30 anos que paga para tourear.
Quando se entra numa praça e se vê o toiro está a ver-se a morte em movimento. É a arte de enfrentar a morte em movimento. A morte é o toiro”.

A afirmação sem pruridos do que nós estamos fartos de saber, o que move esta gente é o dinheiro, o vil metal, que muitas vezes consegue transformar um ser íntegro num corrupto da pior espécie. Afinal o dinheiro não tem cor e mesmo que esteja manchado de sangue, para esta gente é indiferente.

Fonte

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cultura, tradições e costumes.

... Como tal fala-se em tourada.


Vamos debater então, já que é uma questão de argumentação.
Em certos países do mundo árabe é permite uma pena de forma a não por em causa os ideiais culturais e civilizacionais daquele povo, que é a Sharia, isto é, punir tanto mulheres como homens adúlteros e homossexuais através do apedrejamento.

É cultura, é tradição.


Actualmente, a circuncisão masculina ainda é praticada como ritual religioso e também social por vários povos, como judeus e muçulmanos. Consideram um acto que faz parte da sua cultura religiosa.

É cultura, é tradição.


A Mutilação Genital Feminina (sigla MGF), termo que descreve esse ato com maior exactidão, é vulgarmente conhecida por excisão feminina ou Circuncisão Feminina. É uma prática realizada em vários países principalmente da África, e da Ásia, que consiste na amputação do clítoris da mulher de modo a que esta não possa sentir prazer durante o ato sexual. A sua prática acarreta sérios riscos de saúde para a mulher, e é muito dolorosa, por vezes de forma permanente. A UNICEF revelou que três milhões de raparigas em África e no Médio Oriente são sujeitas a mutilação genital todos os anos.

É Cultura, é tradição.

Uma tradição na Índia, com mais de quinhentos anos, diz que os bebés devem ser lançados de grandes alturas para terem sorte e uma vida saudável. Devotos pais muçulmanos e hindus reúnem-se em Solapur, na província de Maharastra, para a cerimónia: atiram as crianças do cimo de uma torre, a uma altura de mais de dez metros. Como reagem? Naturalmente. O ritual, acreditam, fortalece as crianças, que caem sobre um pano branco esticado, próximo do solo, e que parece uma cama elástica. Mas conheço pessoas adultas que não se arriscariam a fazer o mesmo. Alguém perguntou aos bebés se eles queriam participar?

É cultura, é tradição.


Em Nabatiye, grupos de jovens desfilavam em frente à multidão cobertos de sangue e com as palmas batiam contra a cabeça gritando "Ali". Alguns seguravam espadas, outras navalhas. Quando sentiam que o sangramento parava, cortavam as suas testas um pouco mais. Sangrar, para eles, era um sinal de respeito. O problema é que alguns pais se encarregam de cortar seus bebés. Alguém em sã consciência acha que um bebé aprovaria tal brutalidade?

É cultura, é tradição.

Infanticídio entre indígenas. Se os outros rituais causam dor, este causa a morte. Pela tradição, muitas tribos indígenas enterram crianças vivas. Pesquisadores já detectaram a prática do infanticídio em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os apirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás, a tribo de Amalé e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano. Os motivos para o infanticídio variam de tribo para tribo, assim como variam os métodos usados para matar as crianças. Além dos filhos de mães solteiras, também são condenados à morte os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais.

É cultura, é tradição.

Aqui torturar e matar animais de forma cobarde (sim, porque o único bravo é mesmo o touro, os outros até fogem e vão armados), só pelo belo prazer e interesse de alguns indivíduos, também acham que é cultura, é tradição.
Espero muito sinceramente que o Sr. José Carlos Abrantes, Provedor do Telespectador da RTP, tenha uma palavra séria a dizer sobre isto. Aguardamos.

por  Helder Silva

terça-feira, 26 de junho de 2012

Porque Estamos Contra Touradas

Porque não acreditamos que o homem tenha o direito de torturar um animal por uma razão tão fútil como o divertimento das massas.
De facto consideramos que os animais têm os seus próprios direitos reconhecidos. Mas mesmo que estes direitos não fossem reconhecidos por ninguém, o respeito que a vida nos merece impedir-nos-ia de tolerar esta barbárie.

Esta é uma posição ética, não há qualquer tipo de ganho nela, a defesa da vida representa para nós um imperativo de valor superior àquele da arte tauromáquica ou da cultura tradicional. Por outras palavras não há estética sem ética, quer dizer não pode haver arte se não for acompanhada de ética.

Se permitirmos que as pessoas torturem animais, o simples espectáculo dessa tortura retira a humanidade às pessoas e cria uma sociedade violenta e agressiva. O embrutecimento que provoca no espectador de touradas, o facto de torturar um animal não termina na praça e tem como resultado a desvalorização da vida como um valor.

Não é necessário recorrer a estudos que nos demonstrem que os psicopatas têm um historial de maus tratos a animais desde a infância; o facto de levar uma criança a uma praça de touros leva a que a mesma perca o respeito pela vida; começa por um animal e mais tarde….
Nesta perspectiva há um outro aspecto importante a considerar. A sociedade vê como um bem o respeito pela vida e entre ela a vida animal, o que se reflecte em leis contra os maus tratos a animais.

A contradição surge quando o legislador se confronta com as festas tradicionais, nas quais se incluem touros. Assim, permite-se que se faça aos touros o que nunca se permitiria que se fizesse a um outro animal, por exemplo, o cão.

Então estamos perante uma distorção entre o que considera a sociedade como um bem e o que afinal legisla.
Ou visto de outro modo. Como pode moralmente um juiz condenar quem abandona um cão, enquanto que não actua contra quem fere e sangra um touro, unicamente por diversão?

Não serve como referência, mas sempre que se faz uma sondagem sobre touradas, a esmagadora maioria está contra e não a favor!
Fonte

domingo, 4 de março de 2012

A resposta de Vasco Reis, médico veterinário

...  responde a aficionado que quer espaço nos jornais a favor da tauromaquia



Comentário a uma carta de Paulo Ramires ao Público



O Blogger aficionado do “Tourada Portugal” Paulo Ramires evidencia, na carta em questão, ignorância a par de falta de vontade ou de capacidade para detectar o que o senso comum o esclareceria de que o touro e o cavalo sofrem na tourada.

Além disso revela falta de sensibilidade e de compaixão por estes animais sacrificados à tauromaquia que defende.

Deste somatório de deficiências resulta uma atitude de falta de ética e de solidariedade perante os animais e perante as pessoas conscientes, preocupadas e indignadas pela tortura que acontece nesse violento espectáculo.

Na sua acusação ao "Público" refere que na tourada em Portugal não há morte, parecendo-me que se está a esquecer de Barrancos e não só. Noutros casos, a morte do touro acontece após a tourada unicamente adiada por algumas horas ou dias de grande sofrimento em consequência dos ferimentos, da exaustão e da depressão provocados pela lide, que este senhor considera admirável. Exceptuam-se os casos em que os touros lidados não são abatidos para serem mais tarde explorados na tourada à corda.

Mas nunca é tarde para aprender o que a ciência comprova:

"Os touros e os cavalos são seres vivos sencientes capazes de sentir dor e prazer, físicos e psicológicos, bem como sentimentos de angústia, stress e ansiedade, de modo comparável em elevadíssimo grau aos seres humanos, pois anatómica, fisiológica e neurologicamente estas três espécies são muito semelhantes e os seus ADN são muito equivalentes".

Identifico-me e assino-me como Vasco Reis, médico veterinário, tendo praticado durante 41 anos a profissão, conhecedor profundo de bovinos e de cavalos, ex-detentor de 2 cavalos e concursista de concurso hípico completo, ex-jogador de rugby (desporto de equipa, onde se opõem voluntariamente indivíduos da mesma espécie e que exige lealdade - desporto de cavalheiros - e virilidade, sendo uma boa alternativa recomendável para os forcados em vez de se aproveitarem do esgotamento de um animal previamente massacrado) e fui durante 3 anos responsável e acompanhante médico-veterinário antes, durante e depois das touradas, para cumprimento das exigências legais em relação aos touros lidados na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, na qualidade de médico veterinário municipal, cargo que ali exerci de 1986 a 1989.

Não colhe, portanto, em relação a mim a frequente acusação de que os adversários da tauromaquia são ignorantes do assunto.

Com os melhores cumprimentos.

Vasco Manuel Martins Reis
Aljezur, 4 de Março de 2012





PÚBLICO É ANTI-TAURINO E OFENDE A COMUNIDADE AFICIONADA

Carta ao Público

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012



Alguns órgãos de comunicação têm atacado a tauromaquia sem qualquer razão e com argumentos completamente falsos. Recentemente o caderno do Público P3 publicou um artigo descrevendo a tauromaquia como a “cultura da morte”, sublinhando que a ultima sondagem tinha apenas 10% a 15% de apoio dos portugueses.
Por que razão a tauromaquia é chamada de “cultura da morte” pelo jornal o Público? Onde existe morte na tauromaquia portuguesa? Terão os aficionados de ficar calados perante tal agressão infame. Deveria explicar tal asneira e absurdo, mas não o faz. Não são este tipo de artigos, abusivos, falsos e ofensivos, pretendendo dar uma imagem irreal e distorcida de uma actividade simultaneamente económica, cultural e artística, em que de forma alguma, merece esta ofensa e vil ataque, abusivo, e inqualificável, ao mesmo tempo que escondem as verdadeiras intenções e interesses desse vil ataque.
A sondagem a que o autor se refere não é a última, e mente até sobre os seus resultados desse inquérito, é falso até ao se referir a este último inquérito da associação Animal de 2007 “Valores e Atitudes face à Protecção dos Animais em Portugal”, mostrando 56,1% que não apoiam e 43,9% que apoiam – inquérito esse sem base credível e sem ser feito por identidade independente e especializada. Estas referências são falsas, mentirosas, abusivas e apenas pretendem enganar as pessoas, o que certamente dá uma má imagem ao Jornal Público.
A última sondagem que foi feita sobre o tema, foi feita em 2011 por uma conhecida empresa especializada em sondagens, a Eurosondagem, que não dá margem para se questionar a sua independência e rigor dos seus serviços. O resultado da sondagem dá um apoio dos portugueses de 89% às corridas de touros – são cerca de 9,552 milhões de pessoas a favor - contra apenas 11% das que estão contra – 1,18 milhões de pessoas. Porque razão a ultima sondagem, a única credível e independente é ignorada?
O jornal Público deveria ter critérios jornalísticos de rigor e fundamentados em factos verdadeiros e não em referências falsas e mentirosas, além das referências falsas e mentirosas que ofendem a vasta comunidade aficionada composta por milhões de pessoas. Esta prática de denegrir a imagem da tauromaquia portuguesa, os aficionados portugueses, e os seus valores tradicionais, já vem sendo sistemática no jornal Público.
Quando o Público noticiou a sondagem da Eurosondagem que davam 89% de apoio dos portugueses às corridas de touros, o jornal referiu-se á notícia em tom depreciativo para o mundo tauromáquico e publicou uma fotografia de grupos fanáticos, radicais e extremistas anti-tourada a acompanhar a notícia. Esta atitude do jornal Público não é aceitável e seria razoável que o jornal conseguisse e alterasse este tipo de posição anti-taurina.
É ainda de referir que ao contrário do que se passa em Espanha, em que os jornais têm um espaço para a tauromaquia, em Portugal existem jornais como o Público com espaço para a maledicência, a mentira e a falsidade anti-taurina.

Paulo Ramires
Licenciado em Gestão pela Universidade do Algarve
Blogger aficionado do “Tourada Portugal”


(*). Para mais fácil leitura, o texto de Paulo Ramires foi publicado com parágrafos, remetendo-se os leitores para o texto publicado no blogue citado, caso pretendam ler o texto original.

Fonte: Sem Touradas

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Touradas nos Açores - Reflexão

Tenho andado a estudar um pouco da história das touradas nos Açores e verifico que os adeptos da festa (?) brava têm razão quando dizem que o argumento da tradição não lhes serve por razões diferentes que são:

1- Em práticamente todas as ilhas existiram "touradas" que foram desaparecendo com o evoluir da sociedade;

2- As touradas à corda já foram mais cruéis do que são hoje, devendo-se a alteração ao aumento da sensibilidade das pessoas e a imposições legais;

3- Na Terceira o argumento não serve pois o que se pretende não é mantê-la mas sim legalizar práticas não existentes como a sorte de varas e os touros de morte;

4- A única actividade tauromáquica que faz mover o povo (a maioria?) da Terceira são as touradas à corda, as outras são puro negócio para meia dúzia;

5- Os adeptos da touradas à corda são sensíveis ao sofrimento dos touros, e facilmente aceitariam medidas conducentes à minimização do mesmo;

4- Nas outras ilhas, nomeadamente em São Miguel, todas as tentativas mais recentes de introduzir touradas à corda falharam por razões sobretudo económicas. Como não é tradição neste ilha, o argumento também não serve aos pró-touradas.

Para terminar esta breve reflexão, passo a analisar a estratégia que tem sido seguida pela recente investida com o objectivo de popularizar as touradas em São Miguel.

1- Não sendo as touradas auto-sustentáveis do ponto de vista económico, o recurso tem sido à sua promoção por entidades oficiais ou por elas apoiadas directa ou indirectamente. Assim as touradas à corda têm sido promovidas em São Miguel sobretudo pela Junta de Freguesia das Capelas, cujo presidente era até recentemente presidente do IROA, Câmara Municipal da Lagoa e pela Associação Agrícola de São Miguel. Embora não possa confirmar para todas estas entidades sabe-se que nalguns casos há a mão do Director Regional do Desenvolvimento Agrário, residente na Terceira e aficionado.

2- Não negando que entre a população micaelense haja adeptos, a estratégia tem passado por começar a divulgar as touradas entre os mais frágeis quer do ponto de vista da instrução, da cultura ou dos rendimentos económicos. Não terá sido por acaso que a maioria das touradas se realizaram em zonas piscatórias, como Lagoa, Caloura ou Rabo de Peixe.

Por último, não se está a promover a pretensa ruralidade, pelo contrário está-se a fomentar a utilização de animais para divertimento, a banalisar os maus tratos, a promover o alcoolismo,etc., em suma a deseducar.

Face a esta situação não podemos ficar de braços cruzados, temos que apostar na educação junto das escolas e continuar a denunciar o mau uso de dinheiros públicos já que com eles poderíamos alterar em grande medida a situação de maus tratos e abandono de animais que tem ocorrido na nossa terra.

por Mariano Soares