Mostrar mensagens com a etiqueta crueldade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crueldade. Mostrar todas as mensagens

domingo, 1 de julho de 2012

A tourada

A tourada é uma tradição presente nos países ibéricos e França, e em algumas das áreas por eles colonizadas (México), que consiste da lida de touros bravos através de uma série de artes, a pé ou montado a cavalo. Presente em diferentes vestígios desde a antiguidade clássica, sendo conhecido o afresco da tourada no palácio de Cnossos em Creta.

Em Portugal as touradas de morte foram proibidas no tempo do Marquês de Pombal ao mesmo tempo que a pena capital foi definida para os criminosos, por motivos do falecimento de figuras de relevo nestes espetáculos (o que ainda acontece em Espanha com alguma frequência). Em 2002 a lei foi alterada para permitir os touros de morte em locais justificados pela tradição, como na vila de Barrancos.

Antes de entar na arena, os touros são mantidos nos curros, para onde são conduzidos com aguilhões e à paulada, e onde os seus chifres são serrados a sangue frio para serem embolados.

Factos:

Ao entrar na arena, os touros vão já fortemente enfraquecidos e feridos (devido aos chifres serrados a sangue frio antes da tourada), além de apavorados. O pânico do touro é tão grande, que fugiria deste cenário aterrorizador, se tivesse essa possibilidade.

É possível observar a expressão de medo e de confusão nos touros sempre que estes entram na arena, e que se agrava quando a tortura da tourada se acentua, à medida que as bandarilhas e os restantes ferros (que podem ter comprimentos variáveis entre os 8cm e os 30 cm, além de terem afiados arpões na ponta, para se prenderem à carne e aos músculos dos animais) rasgam os seus tecidos, provocando-lhes um sofrimento atroz, além de febres imediatas, acrescidas de um enfraquecimento acentuado pela perda de litros de sangue.

A Tourada em detalhe:

Todo o decorrer da chamada corrida de touros à portuguesa consiste na “lide” de seis touros, habitualmente. Cada um dos touros é toureado por um cavaleiro tauromáquico, que lhe crava entre quatro a oito ferros compridos com grandes e afiados arpões na ponta. Os touros podem alternativamente ser “lidados” por um toureiro a pé (embora isto seja menos comum nas touradas portuguesas), que crava repetidamente as aguçadas bandarilhas no dorso do touro. Seguidamente, é comum entrar em cena o bandarilheiro, que vem cansar ainda mais o touro já febril, brutalmente enfraquecido, confuso e assustado.

Enquanto o touro é brutalizado na tourada, enquanto o cavalo é também vítima desta brutalização, e enquanto o sangue de ambos os animais escorre e mancha a arena em que este acto deplorável acontece, não são apenas toureiros (cavaleiros tauromáquicos e bandarilheiros) que participam nesta festa de sacrifício de animais – existe um público presente que, por minoritário que seja na sociedade portuguesa, aprecia e aplaude a violência a que assiste, regozijando-se com o sofrimento bárbaro que ali é infligido aos animais.


A necessidade de um referendo.
“Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.”
Artigo 1º da Constituição da República Portuguesa

Embora possa não ser evidente ou flagrante o descontentamento e a tristeza sentidos pelo povo português perante situações degradantes que persistem e teimam em coexistir connosco, a verdade é que tal falácia poderá resultar precisamente do facto de já constituírem um costume, carecendo de uma falta de apuramento a nível nacional, uma consulta individual de cada cidadão, que viesse destronar uma realidade que, colectivamente, poderá não corresponder às pretensões e sonhos de todos nós.
Não deverá o recurso a um referendo nacional fundamentar-se quando, envolvida uma nação em circunstâncias particulares que só exprimem o desmazelo por valores fundamentais e a tendência para o culto da violência e da apatia perante situações de evidente violação de um direito inalienável comum a espécies humanas e não-humanas, como o do direito à vida, se torna manifestamente necessário averiguar qual o sentido que queremos dar à nossa sociedade, procurando preservar, estimar e redescobrir alguns fundamentos axiológicos que só podem enriquecer a nossa existência?
Será, porventura, mais enriquecedor valorativamente, proteger os interesses de um minoria que justifica os seus actos pela sua reiterada consumação, e resistir cegamente a “imposições” externas que, embora representações aparentemente minoritárias como uma esporádica manifestação e por vezes tão simplistas como a passagem de um pensamento para uma folha de papel, expressam uma esperança que continuamente renasce das cinzas, ou, por outro lado, ceder e, perante o tão aclamado benefício da dúvida, dar seguimento a um escrutínio popular que dará voz aqueles que, certamente não menos influentes, também eles devem decidir sobre situações problemáticas e assustadoramente actuais?

Questões estas que, seguramente, não suscitam qualquer dificuldade de resposta por parte de todos nós quando o objecto de tais situações infamantes é o nosso semelhante - o Homem – infelizmente assim já não sucede quando se trata de um animal não-humano. Tal facto deve-se, com certeza, a inúmeras e insondáveis razões, mas a verdade é que não nos devemos abstrair de erros actualmente cometidos, reveladores de um “especismo” anacrónico como este, para perpetuar sucessivos ataques a valores fundamentais que, em virtude de uma consciência mais aberta e plural, se estendem também, e necessariamente, aos nossos companheiros não-humanos.

O espectáculo tauromáquico é um atentado ao mais elementar dos deveres do Homem para com o animal. Muitos há que o sabem, ainda assim, numa cumplicidade mórbida, assistem. Outros há, indiferentes numa sociedade que não solicita a sua participação convicta que, consciente ou inconscientemente, consentem.
Uma imagem vale mil palavras, dizem, horas de toureio certamente valerão um precedente pesadamente negativo no historial de empatia, compreensão e afinidade entre o Homem e o animal. Mesmo quem, vivendo indiferente ao sofrimento gesticulado, à tortura muda, ao cansaço visível e às horas de solidão por que passam as verdadeiras vítimas das touradas nos momentos que antecedem tal espectáculo, permanecendo robustos e incansáveis até ao momento da verdade, de certo, no mínimo, consentirá o aclamado benefício da dúvida e porá em causa aquilo que para ele se ostentará como mais precioso – momentos de pseudo-cultura e ostentação humanas ou momentos de liberdade e paz para os touros e cavalos?

“Que prazer pode um homem civilizado retirar de um espectáculo de um fraco ser humano a ser dilacerado por um animal poderoso, ou de um esplêndido animal a ser trespassado por uma lança?”
Marco Túlio Cícero

A cultura é, deveras, um ponto sensível. A heterogeneidade da opinião popular, mais que um critério assertório da nossa soberania e fonte de afirmação social, deve fomentar o respeito por todas as diversas formas de representação cultural. Sem dúvida que devemos respeitar as decisões do próximo mas, certamente concordarão, com a excepção intuitiva de que não extravasem para ir entrar em conflito com direitos que nós próprios tenhamos como garantidos. Mas será esta a única restrição? Decerto que não, entre muitas outras, apresenta-se como evidente para muitos, o limite que não interfira com a autonomia, a independência, e o livre-arbítrio – seja por parte daquele que partilha connosco semelhanças cognitivas, físicas e psicológicas, mas também, e sobretudo, por parte daqueles que partilham connosco a capacidade de sentir, de sofrer, de exprimir ansiedade, desejo e desconforto, inteligência e auto-domínio, a que são comuns o Homem e os animais não-humanos. Dito isto, é moralmente exigível que alguém respeite outrem se este retribuir o respeito não só para o primeiro mas para com os outros.
A garantia com que todos nós, ou assim deveria ser, sentimos todos os dias as consequências, boas ou más, em virtude de acções deliberadas ou instintivas mas sempre fruto do nosso agir incondicional, deveria ser comum a todos os animais. Sabemos, no entanto, que tal é impensável nos dias que correm, tal é a dependência com que nos interligámos, falo, nomeadamente, dos hábitos alimentares extravagantes e, a meu ver e na perspectiva de muitas outras pessoas que hoje decidem adoptar uma alimentação vegetariana, moralmente disfuncionais da sociedade Ocidental. Ainda assim, nos momentos em que nos é possível devolver autonomia, falhamos. A expressão “do mal, o menos” tem continuamente falhado, e assim continuará se não nos mentalizarmos do mal que subjaz à posse de domínio irrestrito sobre o próximo e a tão pesada responsabilidade que acarreta.

Se em momentos de hierarquizar, axiologicamente, entre a nossa acepção de entretenimento e a autonomia existencial dos animais, nem sequer hesitamos, que reflexo poderá ter nas nossas próprias relações, na forma com que nos visualizamos mutuamente e nos critérios com os quais atribuímos valores, direitos e deveres aos da nossa espécie?

A Lei n.º 92/95 de 12 de Setembro, que apresenta a seguinte epígrafe “Protecção aos animais”, e que constitui o documento legislativo actualmente mais ambicioso no domínio da protecção animal, dispõe da seguinte forma:
“Artigo 1.º
1 – São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal.
2 – Os animais doentes, feridos ou em perigo devem, na medida do possível, ser socorridos.
3 – São também proibidos os actos consistentes em:
(…) e) Utilizar animais para fins didácticos, de treino, filmagens, exibições, publicidade ou actividades semelhantes, na medida em que daí resultem para eles dor ou sofrimentos consideráveis, salvo experiência científica de comprovada necessidade;
f) Utilizar animais em treinos particularmente difíceis ou em experiências ou divertimentos consistentes em confrontar mortalmente animais uns contra os outros, salvo na prática da caça.”

No artigo 3.º, sob a epígrafe “Outras autorizações”, o ponto 2 dispõe: “A touradas são autorizadas nos termos regulamentados”.
Confrontando este último artigo (artigo 3.º 2.) com todas as alíneas do artigo 1.º, referidas acima, rapidamente se revelará como evidente a existência de uma excepção no domínio dos maus-tratos aos animais – os espectáculos tauromáquicos. Quaisquer que tenham sido os motivos por detrás da elaboração do disposto no artigo 1.º, certo são que visam, acima de tudo, devolver princípios básicos aos animais e atribuir-lhes direitos que correspondem a deveres da nossa parte. Assim sendo, é incongruente atribuir uma excepção em domínio de valores fundamentais, quando esta dispõe precisamente em sentido contrário, atentando contra os mesmos. Perdem toda a relevância objectiva e material as disposições que visam proteger e consagrar direitos inalienáveis, quando se consentem excepções que admitem comportamentos opostos.

Reconheça-se que o espectáculo tauromáquico já esteve proibido, por Decreto de 12 de Setembro de 1836, no nosso ordenamento jurídico, muito embora, pouquíssimo tempo depois, haja sido revogado pela Lei de 20 de Junho de 1837. Já com a Lei n.º 19/2002, de 31 de Julho, é concedida uma “autorização excepcional” que permite, quando na sequência de um costume de incumprimento à anterior lei, os touros de morte. Este seguimento cronológico de legislação necessariamente despertará um sentido crítico e uma atenção especial por parte dos Legisladores e dos cidadãos comuns.

Não se impõe ao poder político que altere situações que apenas uns opinem que assim devia ser, mas sim aquelas em que uma maioria se pronuncia, tendo oportunidade para tal.

As leis devem exprimir o consenso e o assentimento da maioria dos cidadãos de um Estado, se assim não for, uma lei de nada valerá, pelo menos materialmente falando. Ter-se-á aplicado este princípio regulador na Lei de 20 de Junho de 1837 acima referida? Certamente que não. Será este o princípio regulador do processo legislativo num Estado de direito democrático e social? Esperemos que sim. Será este o momento, fazendo jus a tudo aquilo que aprendemos ao longo de tanto tempo, oportuno a uma rectificação, a um confronto entre capacidade decisória e mera exaltação de valores? Sabemos que sim. A oportunidade cria o momento. Chegada a altura de decidir, o resultado falará por si e ganhará toda a relevância.

Depois de algum tempo a ler todos os depoimentos, factos, reportagens, dissertações, entrevistas, só posso concluir que toda a tinta que correu, todo o tempo que se passou a falar do assunto não pode nem deve ter sido em vão, toda a polémica sobejamente conhecida em torno do espectáculo tauromáquico só existe pelo facto de sabermos que existem vítimas de sangue durante o processo, que toda e qualquer réstea de compaixão é esmagada pelo som ensurdecedor de pessoas a aplaudir o mal consumado no final das touradas. Peço que ouçam este pedido que é partilhado por milhares de pessoas já descrentes numa solução quando nem o poder político sequer se roga a mencionar o assunto. Peço que não ignorem este apelo sob pena de também eu me tornar um descrente. Pouco a pouco, a esperança de testemunhar a vitória dos verdadeiros interesses sobre os interesses económicos que pairam sobre este negócio, vai-se perdendo...

por André Barros

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Touradas

Tortura será Cultura?
Sempre justificadas como tradição, as corridas de touros – vulgarmente conhecidas como touradas – são, na verdade, um dos costumes mais bárbaros de um sector minoritário e ultrapassado da sociedade portuguesa. Por trás da suposta bravura dos cavaleiros tauromáquicos, dos bandarilheiros, dos forcados e dos demais intervenientes neste espectáculo medieval e degradante, esconde-se uma triste e horrível realidade – a perseguição, molestação e violentação de touros e cavalos que, aterrorizados e diminuídos nas suas capacidades físicas, são forçados a participar num espectáculo de sangue em que a arte é a violência e a tortura é a cultura.

O Touro Bravo enfraquecido para a Tourada
O sofrimento dos animais começa quando os touros – principais vítimas desta actividade (além dos cavalos e das vacas, assim como dos novilhos, quando são usados ainda enquanto bebés e jovens) –, depois de terem já perdido cerca de 10% do seu peso na viagem da ganadaria (onde são criados e onde estão habituados a uma vida tranquila) para a praça de touros, devido ao stress, são mantidos nos curros, até à hora de entrarem na arena, onde a angústia e o medo são crescentes. Junta-se a isto o sofrimento físico, que aqui começa, não só porque os animais são conduzidos com aguilhões e à paulada, mas também porque, entre outros métodos de preparação, são-lhes serrados os chifres a sangue frio para serem embolados (nas touradas portuguesas, os touros não têm sequer os seus chifres inteiros e expostos, para terem uma oportunidade mínima de se defenderem).

O Pânico dos Touros nas Touradas
Ao entrar na arena, os touros vão já fortemente enfraquecidos e feridos (devido aos chifres serrados a sangue frio antes da tourada), além de apavorados. O pânico do touro é tão grande, que fugiria deste cenário aterrorizador, se tivesse essa possibilidade. Ao contrário do que os defensores das touradas alegam, é possível observar a expressão de medo e de confusão dos touros sempre que entram na arena, e que se agrava quando a tortura da tourada se acentua, à medida que as bandarilhas e os restantes ferros (que podem ter comprimentos variáveis entre os 8cm e os 30 cm, além de terem arpões na ponta, para se prenderem à carne e aos músculos dos animais, rasgando os seus tecidos e provocando-lhes um sofrimento atroz, além de febres imediatas, acrescidas de um enfraquecimento acentuado pela perda de litros de sangue).

Cavalos – As Outras Vítimas das Touradas
Se os touros adultos e os novilhos (bebés e jovens) são vítimas das touradas, também os cavalos são brutalizados neste espectáculo cruel. Na tourada à portuguesa, os cavaleiros tauromáquicos fazem o comum toureio a cavalo, expondo o cavalo às investidas que os pobres touros tentam, embora em vão, sempre para se tentarem defender. Os cavaleiros tauromáquicos, montando cavalos, cravam os ferros enormes no dorso dos touros, sem se exporem a qualquer perigo, enquanto os cavalos tentam esquivar-se, sofrendo com o pânico de se confrontarem com os touros, sendo comum ficarem feridos pelos chifres e pelas pancadas dos touros. Além disso, ao usarem esporas e ao serem extremamente agressivos com os cavalos para os forçarem a dirigir-se aos touros, os cavaleiros rasgam as costelas dos cavalos, que ficam severamente feridos, sangrando consideravelmente.

A Tourada em Detalhe
Todo o decorrer da chamada corrida de touros à portuguesa consiste na “lide” de seis touros, habitualmente. Cada um dos touros é primeiro toureado pelo cavaleiro tauromáquico, que lhe crava cerca de quatro ferros compridos e, como referido, com amplos arpões na ponta. Seguidamente, é comum entrar em cena o bandarilheiro, que faz o toureio a pé, “lidando” um touro já febril, brutalmente enfraquecido, confuso e assustado. O bandarilheiro espeta, habitualmente, mais quatro farpas no dorso do touro, que assim vai continuando a ser exposto a todo este horror. Segundo os defensores da tourada, este espectáculo – que de nada mais se compõe a não ser da crueldade contra touros (e cavalos) – é uma arte, património da cultura portuguesa. Não será antes, objectivamente, um acto de tortura?

O Público da Tourada Aplaude a Violência
Enquanto o touro é brutalizado na tourada, e enquanto o cavalo é também vítima desta brutalização, enquanto o sangue de ambos os animais escorre e mancha a arena em que este acto deplorável acontece, não são apenas toureiros (cavaleiros tauromáquicos e bandarilheiros) que participam nesta festa de sacrifício de animais – existe um público presente que, por minoritário que seja na sociedade portuguesa, aprecia e aplaude a violência a que assiste, regozijando-se com o sofrimento bárbaro que ali é infligido aos animais.

Os Forcados e a Pega
Depois do toureio, vem a “pega”. Os forcados, um grupo de oito indivíduos que vem “pegar” o touro, são habitualmente considerados os mais “bravos” de todos os intervenientes na tourada, onde nada mais do que cobardia, perversão e indecência se encontra. A “pega” consiste em enfrentar um touro que tem cerca de oito ferros cravados no dorso, que está gravemente febril e que já perdeu muitos litros de sangue, com a “bravura” de oito indivíduos que atacam um animal nestas condições, puxando-o, empurrando-o, pontapeando-o e esmurrando-o, puxando-lhe o rabo, por fim. Na tourada, na altura da pega, o touro é já praticamente incapaz de se manter de pé de forma minimamente capaz, pelo que a bravura dos forcados e da pega é, na verdade, um aproveitamento indecente de um animal severamente ferido.

Associações Académicas, Instituições de Beneficência e Igreja Católica Promovem Touradas
O escândalo das touradas é maior do que a própria existência de um espectáculo destes ser permitida pela lei de um país supostamente civilizado e apoiado por um público, ainda que residual e certamente perturbado. Algumas associações académicas, como a Associação Académica de Coimbra e a Federação Académica do Porto, apoiam garraiadas (touradas com “garraios”, ou seja, touros jovens ou ainda não totalmente desenvolvidos), como a Garraiada Académica de Coimbra, ocorrida há alguns meses em Coimbra, na qual estas imagens foram captadas. E, como se o envolvimento de associações de estudantes universitários neste genocídio não fosse já suficientemente grave, a própria Igreja Católica, nomeadamente através da Rádio Renascença, apoia e organiza touradas em Portugal. Diversas instituições particulares de solidariedade social, como a Liga Portuguesa Contra o Cancro, estão também envolvidas nesta vergonha. As Santas Casas da Misericórdia são proprietárias da maior parte das praças de touros portuguesas.

Depois da Tourada, O Sofrimento Nos Curros
Depois da tourada, com o toureio a cavalo, toureio a pé e pega, cada touro regressa aos curros, horrivelmente ferido, com um sofrimento agonizante, onde, uma vez mais a sangue frio, lhe será cortada a carne e os tecidos musculares para lhe serem arrancados os ferros com os seus arpões, que lhe foram cravados durante a tourada. A dor é indescritível. Tanto nas touradas à portuguesa, sejam corridas de touros ou garraiadas, como nas largadas, touradas à corda, ou mesmo nas sortes de varas, tentas públicas e touradas de morte que, embora ilegais, acontecem em Portugal com a permissão das autoridades, os touros (e os cavalos) são as vítimas de um espectáculo com características extraordinariamente cruéis, envergonhando Portugal, por ser um país em que cerca de 3.000 touros e 100 cavalos por ano sofrem indefesos o mal que é a tourada.

A ANIMAL diz: Tourada, Não! Abolição!
A ANIMAL opõe-se radicalmente a todas as touradas e demais actividades tauromáquicas, tendo vindo a desenvolver uma luta já histórica pela abolição do mal terrível que são as touradas em Portugal. Pelos animais, junte-se à ANIMAL e ajude-nos a combater as touradas e todas as actividades tauromáquicas.

Fonte: ANIMAL

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

“Tourada é tortura, não é arte nem cultura!”

Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura." 
Nada, nem a invocada tradição, justifica este monstruoso e sangrento "espectáculo". Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis, cujas vitimas directas são milhares de animais. 
As verdadeiras tradições são aquelas que elevam e enobrecem as pessoas e não aquilo que as degrada e envergonha.
O touro não é um animal feroz. O touro é hervivoro, não um predador, não caça nem mata. Como tal a sua reacção natural é fugir. Quando ataca é simplesmente como forma de defesa.
Desde que o touro é retirado do seu habitat natural (os campos), dá-se todo um processo cujo objectivo e resultado é enfurecer o touro e debilitá-lo. 
No transporte para a praça, os touros perdem cerca de 10% do seu peso corporal, devido ao processo de encarceramento. É aí que começa a violencia: os touros são picados e espancados ao serem conduzidos. 
Antes de entrar na arena os cornos (a sua única forma de defesa e orientação) são cortados a sangue frio enquanto estão enjaulados e imobilizados. Os touros são privados de água e comida e são-lhes administrados drogas e laxantes o que lhes provocam fortes diarreias. Untam-se-lhe os olhos de forma a dificultar-lhe a visão. 
O touro é mantido às escuras para depois serem "atirados" para a arena cheia de gente e barulho. Muitas vezes o touro salta para as bancadas, não para atacar as pessoas mas porque está em pânico e só quer fugir. 
Os arpões são cravados no lombo rasgando os tecidos e a carne. Além dos touros sentirem imensa dor, perdem muito sangue, ficam com febre e tonturas. Os arpões continuam espetados (até o touro regressar ao curro onde são arrancadas a sangue frio.) e aí ficam em sofrimento cerca de dois dias até serem levados para o matadouro.
É degradante ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.

Perante a evidência de que o touro sofre em todo o processo que envolvem as touradas, os aficionados desdobram-se em atabalhoadas tentativas de justificação que não obedecem a um mínimo de razoabilidade, atingindo algumas vezes as raias do surrealismo.
O certo é que nenhum aficionado em qualquer parte do mundo conseguiu ou conseguirá jamais demonstrar, de boa fé, que os touros não sofrem ao serem lidados. Sofrimento esse que não tem qualquer justificação a não ser o prazer sádico e emotivo de quem a ele assiste. 
A confirmação de todo o sadismo que envolve as touradas está nesta atitude: quando se propõe a um aficionado que as farpas em vez de terem arpões de ferro tivessem ventosas, - como já aconteceu nos Estados Unidos – a sugestão é logo afastada com indignação. O que o aficionado sobretudo quer é ver o sangue, é deliciar-se com o sofrimento do touro.
As touradas ofendem por isso um princípio fundamental da ética que impende sobre qualquer pessoa que se preocupe em pautar os seus actos pelos ditames da moral e da ética.

Fonte

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Touradas

Afinal, além de se dever respeito aos animais, criaturas sensíveis, também se deve reconhecer o direito às pessoas conscientes e normalmente impressionáveis, de não serem confrontadas com práticas cruéis e de pretenderem que elas não tenham lugar, até para a sua tranquilidade interior.

O Homem, o touro e o cavalo, entre muitas outras espécies, embora possuindo exteriores e aptidões diferentes, são criaturas com grande semelhança nos sentidos, nas necessidades vitais, nas reacções, na busca de segurança, na ânsia por liberdade, nas sensações de ansiedade, medo, susto, fúria, cansaço e esgotamento, dor, nas sensações provocadas por infecção e doença, no sofrimento por morte violenta (abate ou acidente).

Uma observação atenta e a ciência confirmam que a constituição física destas espécies, o funcionamento dos seus organismos e as suas reacções e comportamentos, embora diferentes, são muito comparáveis.

Os animais são dotados de irritabilidade e de sensibilidade. Os estímulos são captados por receptores e transmitidos através de trajectos nervosos a centros nervosos. Todos estes elementos, alem de terem funções comparáveis, são semelhantes nos vertebrados e praticamente análogos dentre os mamíferos, grupo que inclui o Homem, o touro, o cavalo.

Todos os mamíferos experimentam ansiedade, medo, raiva, são atingidos pela dor e detestam de maneira semelhante o sofrimento que esta provoca, quer se trate do Homem, do cavalo ou do touro.

Os esquemas e os funcionamentos são de tal maneira semelhantes, que pode crer-se terem sido eles engendrados pelo mesmo criador (Deus para os criativistas) ou terem sido as espécies originadas a partir de um ser antecedente comum (para os evolucionistas, mutacionistas).

Pele e tecidos subjacentes são sensíveis à dor, logo também a zona da cernelha (zona acima das espáduas) onde são cravadas as farpas pelos «bandarilheiros» em Portugal e Espanha. O mesmo acontece a quando da acção do «picador» e da estocada do «matador» em Espanha e, contra a lei portuguesa, em Barrancos de Portugal.

Grandes diferenças residem, principalmente, na menor inteligência dos animais e na sua incapacidade de se organizarem e se queixarem por palavras perante o Homem.

Qualquer pessoa com alguma informação e compreensão reconhecerá, visto que, certamente, detesta a sua própria dor e sofrimento, que aquilo que os protagonistas centrais de cada tourada, o touro e o cavalo, têm que suportar na lide é uma tortura.

Touro

O touro é retirado da vida na natureza em companhia da manada e logo privado da liberdade da campina, metido violentamente e apertado em gaiolas minúsculas, transportado em pânico, claustrofobia, fúria e luta até à praça.
Por vezes é sujeito, sem anestesia, ao corte da ponta dos cornos em zona viva, enervada e dolorosa, para que se iniba de marrar com violência.
Por vezes é-lhe aplicada pomada ou pó nos olhos para provocar irritação nesses órgãos e lhe diminuir concentração e visão.
Muitas vezes é agredido antes da tourada com choques por aguilhão eléctrico nos testículos, para o fazer irromper na arena aparentando ser braviamente perigoso, mas, na realidade, saltando de susto e de dor.
A seguir, na lide, é provocado, enfurecido, ferido por farpas, magoado, cansado até o esgotamento e, em Barrancos de Portugal, até é morto por estocada (ou várias estocadas até acertar);

Findada a lide é levado para o matadouro, estafado e com feridas dolorosas a infectarem-se e a fazê-lo adoecer, até que o abate, oxalá que rápido, o liberte de tanto sofrimento. Se for na Ilha Terceira dos Açores, o touro poderá ser «recuperado» para vir a ser usado mais tarde em corridas à corda, forte tradição naquela ilha.

Cavalo

Um cavalo de lide tem que enfrentar stress e risco de ferimento e de morte.
O cavalo é um ser que, quando se sente ameaçado, busca instintivamente a sua segurança e sobrevivência na fuga ou no pôr-se a uma distância que considere suficiente para escapar ao perigo.
Ele consegue realizar a fuga com relativa velocidade e aguenta-a com bastante resistência por distâncias consideráveis.
Quando a causa ameaçadora ou algo estranho se encontra próximo e, também, quando outros motivos intervêm (luta entre garanhões disputando éguas, da égua quando não aceita o garanhão, da égua em defesa do potro, de uns e outros por ciúme, em disputa da ração, para escorraçar um intruso, etc.) poderá utilizar o coice das patas traseiras ou, ainda, a sapatada com o membro anterior e a dentada. Mas não é temerário a ponto de se dispor por livre vontade a enfrentar um touro de perto, mesmo possuindo alguma coragem. Pode, quando muito, se for jovem, se estiver eufórico e cheio de energia, dar umas corridas de provocação, fazer umas fintas, empinar-se e escoicear, mas sempre a uma distância relativamente prudente.
O cavalo tem que ser forçado pelo cavaleiro, com maior ou menor violência, por acção de esporas e outras, a aproximar-se do touro, contra o seu medo natural.
E mesmo sendo cuidadosamente treinado, o que sucederá com uso de menor ou maior violência, ele estará sempre sujeito a um forte stress emocional.
A situação de confronto com o touro, alem de envolver um risco real de toque ou de colhida com ferimento e dor e até de morte, nunca vai dar prazer ao cavalo.
Esta estrela à força do toureio a cavalo é um sacrificado e arrisca muito.
Se houver verdadeira amizade e respeito do cavaleiro para com o seu cavalo, ela é certamente estranha e eivada de muito egoísmo, pois não se obriga um amigo a suportar tanto stress e a correr tamanho risco.

Pensa que se deve aceitar este sacrifício dos cavalos ou preferia que ele não acontecesse? Então queira manifestar-se!


Fonte