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domingo, 24 de junho de 2012

Proteger os Menores é um Imperativo do Estado, Excepto Quando Respeita a Touradas

Da maioria dos deputados que pululam a Assembleia da República não há nada que possamos esperar no que respeita aos direitos dos animais e à abolição da tauromaquia. O que é inaceitável é a hipocrisia. A maioria parlamentar é contra a proibição de transmissão de touradas pelo canal público!

O canal que é pago por todos os contribuintes deste país.

Segundo estes senhores quem “não aprecia o espectáculo tauromáquico pega no telecomando e muda de canal”.

De facto existe um comando que permite a qualquer adulto mudar de canal se não apreciar o programa em questão. Mas nós perguntamo-nos e quando quem está a assistir é um menor? Porque o objectivo deste projecto de lei é precisamente evitar que menores assistam a programas violentos.

A tourada é um espectáculo violento essa é a realidade ainda que os aficionados proclamem o contrário. Torturar um animal numa praça pública para diversão é inaceitável, é violento e é inadmissível. Um Estado que se arroga em defensor dos direitos dos menores e depois permite que esses mesmos menores possam assistir pela televisão a programas deste teor, não é um Estado protectivo dos interesses desses menores, antes pelo contrário é um Estado permissivo quando permite este tipo de programas.

Um espectáculo tauromáquico não é um filme de ficção, na praça de touros, animais de carne e osso, tal como nós, estão a ser torturados com banderilhas, ferros compridos e curtos. No fim acabam nos curros até serem conduzidos ao matadouro mais próximo para serem abatidos. Se o Estado está verdadeiramente preocupado com as crianças e não quer que as mesmas sejam confrontadas com violência então só tem que proibir este tipo de espectáculos, especialmente no canal público que todos nós pagamos.

A TVE, canal público espanhol, desde 2006 que deixou de transmitir touradas e porquê? Para proteger os menores. Mas nós ainda continuamos na cauda da Europa.

Lei: Proposta do BE não será acolhida por PSD e CDS

Maioria mantém touradas na TV
Os partidos do Governo, PSD e CDS-PP, não estão receptivos à proposta de lei do BE, que quer impedir a RTP de transmitir touradas e limitar a exibição nos privados, SIC e TVI.

O tema vai ser debatido em plenário a 4 de Julho, mas, apesar de o BE contar com “o apoio do PS”, diz a deputada Catarina Martins, não tem o da maioria.

Proibir, dirigir o que as pessoas podem ver, enfim, condicionar, não respeita a liberdade de escolha”, explica ao CM Raul de Almeida. Para o deputado do CDS-PP, quem não aprecia o espectáculo tauromáquico pega no telecomando e muda de canal”.

Opinião partilhada pelo PSD. Para a deputada Francisca Almeida, “não faz sentido mudar a lei”. “Compreendemos quem está contra, mas mantemos a nossa posição de equilíbrio relativamente a esta matéria e, nessa linha, não faz sentido.”

Ainda assim, PSD e CDS garantem estar a tratar com “todo o rigor e dignidade os projectos”. “Também temos colegas da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e ainda a Comissão da Cultura a analisar com toda a atenção as propostas, uma vez que há matérias que estão no âmbito do seu trabalho”, revela ao CM Raul de Almeida.

O BE diz que a lei não é clara nesta matéria, pelo que propõe que “a RTP não transmita touradas” e que a exibição na SIC e TVI seja apenas “após as 22h30 e com a ‘bolinha vermelha’, com o objectivo de proteger as pessoas que sejam mais sensíveis”, explica Catarina Martins.

sábado, 23 de junho de 2012

Os Pró-Touradas Deixam Cair a Máscara

Dia 22 de Junho, audição pública na Assembleia da República para apresentação de dois projectos de lei do Bloco de Esquerda sobre touradas. Os aficionados apelaram em redes sociais e websites à mobilização geral. A palavra de ordem era todos à Assembleia da República para mostrar que não aceitamos que toquem nas nossas “tradições” e “cultura”. Não podem segundo eles coartar a liberdade, deles, de assistiram à tortura de um animal numa praça de touros.

Os poucos que compareceram mostraram a sua verdadeira cultura que passou por ameças a deputados e insultos. Caiu-lhes a máscara.
Mostraram finalmente aquilo que são na realidade. Um bando de pessoas agressivas e violentas. Nada que possa espantar vindo de pessoas que se movimentam num mundo de violência. Porque torturar e aplaudir a tortura é próprio de pessoas violentas e agressivas.

Esperemos que os deputados deste país tenham percebido de uma vez por todas com que tipo de gente estão a lidar e se deixem de vergar a lobbies tauromáquicos. Que o dia de ontem sirva de lição para o país. O mundo da tauromaquia é um mundo povoado por pessoas violentas, agressivas e que não respeitam ninguém especialmente quando o que está em causa é a perda de subsídios do Estado e o seu negócio sangrento.

Audição pública do BE sobre touradas marcada por insultos e ameaças

Um aceso confronto de argumentos pró e contra as touradas, pontuado por insultos e ameaças, marcou esta sexta-feira a audição pública convocada pelo Bloco de Esquerda para debater o fim do apoio institucional a espetáculos tauromáquicos.

Esta matéria consta de um dos dois projetos de lei apresentados pelo BE – no outro, defende-se que seja proibida a exibição de touradas na televisão pública – que serão debatidos na Assembleia da República a 4 de julho.

A sessão começou logo com um incidente. Enquanto a deputada bloquista Catarina Martins explicava o conteúdo dos dois projetos de lei, uma assessora do BE tirou uma foto à plateia, onde se encontravam cerca de 70 pessoas, e vários dos elementos pró-tourada insurgiram-se de imediato, exigindo que a fotografia fosse eliminada à frente deles.

Após uma inflamada troca de palavras, contentaram-se, a contragosto, com a garantia do deputado bloquista que moderava o debate, Pedro Filipe Soares, de que a imagem seria apagada.

Então, é consigo que eu venho falar se a fotografia sair amanhã no jornal”, rematou um dos indignados fotografados.

Depois, seguiu-se hora e meia de intervenções de representantes de associações e movimentos e de algumas pessoas que falavam a título individual, algumas de tom mais sério, com posições fundamentadas, outras mais revoltadas e sarcásticas, com acusações e interrupções de parte a parte, recebidas com palmas e “olés” no final.

Catarina Martins sublinhou, no início da sessão e depois, novamente, no final, que nenhum dos projetos de lei do Bloco de Esquerda “sugere a proibição das touradas”, embora a realidade dos maus-tratos infligidos aos animais “não seja subjetiva”, porque existe conhecimento científico sobre o sofrimento animal.

A única coisa que o BE defende, nestes seus projetos de lei, é que o Estado, o dinheiro público, não deve financiar a exposição do sofrimento animal” e que a RTP não deve exibir espetáculos tauromáquicos, frisou.

Com estas leis, ninguém fica proibido de fazer touradas, assistir a touradas ou mesmo transmiti-las em circuito fechado, onde bem lhe aprouver. O que está aqui em causa é o apoio público”, insistiu.

Apesar destes esclarecimentos, houve quem defendesse que, como a tourada faz parte da herança cultural portuguesa, acabar com ela seria “uma medida ditatorial”, que as pessoas que se manifestam em locais públicos contra a realização de touradas são pagas, recebendo 25 euros cada uma, e que “quem gosta de toiros não é atrasado mental” – embora ninguém, durante a sessão, tenha assim designado os apoiantes da tourada.

Um acérrimo defensor da causa tauromáquica chegou mesmo a insultar a presidente da Associação ANIMAL, Rita Silva, que falara antes, acusando-a de “falta de inteligência”.

Um outro, José Reis, representante da Prótoiro – Federação Portuguesa das Associações Taurinas, classificou o debate como “do mais demagógico” a que tem assistido, porque não só “não há apoios públicos à tauromaquia”, sustentou, como “as associações de animais vivem à custa da tauromaquia”.

Por sua vez, o secretário-geral da Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça (ANPC), João Carvalho, manifestou a sua preocupação com o facto de, a serem aprovados estes projetos, “atividades intimamente ligadas aos espaços rurais não poderem receber apoios públicos”.

Catarina Martins respondeu-lhe no final: “Há atividades ligadas à tauromaquia, sejam agrícolas ou de preservação de certos ecossistemas, cuja importância nós reconhecemos e respeitamos – apenas queremos que o Estado deixe de financiar um espetáculo de violência sobre os animais”.

Audição pública do BE sobre touradas marcada por insultos e ameaças