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terça-feira, 22 de maio de 2012

Touradas - Cultura de tortura, exploração e sofrimento

Fonte: Fight Bull
Dificilmente se muda a opinião de alguém que concorda com Touradas. Isso é normalmente adquirido pela educação, e a razão pouco costuma conseguir influenciar.

No entanto, ficam expostas algumas respostas aos argumentos mais vulgares de quem se esforça por tentar justificar uma prática sem justificação. Para quem se decidir a pensar.

1- As Touradas são uma tradição antiga e por isso devem ser defendidas e perpetuadas.
As touradas são de facto uma tradição (importada de Espanha). Mas isso por si só não deve justicar que se pratiquem. As tradições normalmente têm origem em tempos antigos, em que as sociedades, mentalidades e modos de vida eram bastante diferentes dos actuais. Com o tempo, o Homem e as suas comunidades tendem a aperfeiçoar e desenvolver a sua forma de viver e pensar. Chama-se a isso evolução. É por essa razão que já não tomamos banho com baldes de água aquecida numa fogueira, é por essa razão que a escravatura, que tanto agradava a algumas pessoas, foi abolida e é também por essa razão que já não acreditamos que basta dançar ou sacrificar um animal para fazer chover.
As tradições, por muito bonitas que sejam, só fazem sentido quando são compatíveis com as formas de pensar e os conceitos vigentes. Como hoje em dia, o respeito pelo sofrimento dos animais começa a fazer parte da forma de pensar de muita gente, as Touradas deveriam ser postas em causa, ou repensadas, colocando na arena, por exemplo, o Toureiro nu em frente ao Touro (sempre era mais masculino do que com aqueles fatos). E cada um que se desenrascasse. Isso era espectáculo!

2- Se não fossem as Touradas e os seus adeptos, a raça dos Touros Bravos já estava extinta.

Isto é evidentemente falso. Os Pandas e outros animais que correram risco de extinção nunca serviram para as Touradas e continuam a existir. Felizmente existem no nosso país reservas e espaços destinados a que determinadas raças subsistam caso os seus habitats naturais não o permitam. De qualquer forma com certeza de que os aficcionados que tanto dizem amar os Touros se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada.
Independentemente de tudo isto, o mais importante é deixar claro que perpetuar uma espécie de animais apenas para que estes possam ser usados em espectáculos que se baseiam no seu sofrimento não é um acto nobre nem louvável. E muito menos favorável ao próprio animal. Se é pra isso, que se extingam!

3- Quem não gosta ou não concorda, não veja.

Felizmente na nossa sociedade, as coisas não são assim. Se toda a gente fechasse os olhos às injustiças que se passam à sua volta o mundo seria certamente bastante diferente.
É evidente que quando sabemos que se passa algo com que não concordamos, o remédio não é olhar para outro lado. Isso já muita gente faz em relação a demasiadas coisas.
Este argumento é tão despropositado que torna-se quase ridículo combatê-lo. No entanto pode dizer-se o seguinte:
Quem se insurge contra as touradas não o faz por prazer nem proveito próprio. Esse esforço deve, por isso, ser respeitado por quem consegue assistir ao espectáculo sem a mínima misericórdia e reflexão pelo que lá se passa.

4- Quem é contra as Touradas devia preocupar-se com outras coisas que também são feitas, nomeadamente o abandono de cães.

O Ser Humano tem a capacidade de se preocupar com várias coisas ao mesmo tempo. É uma espécie de dom.
O facto de se ser contra as Touradas não invalida que a pessoa não se preocupe com muitas outras coisas que se fazem a outros animais. Não é por haver uma guerra no Iraque que não nos podemos preocupar com os assaltos ou com a inflação.
Há sempre coisas mais e menos graves, mas temos evidentemente o direito de nos preocupar com todas.
Certamente que quem critica as touradas insurge-se também contra o abandono de cães, lutas organizadas de animais e muitos outros assuntos.

5- Quem diz que é contra as touradas é hipócrita porque muitas vezes maltrata os cães e outros animais.

Esta é uma afirmação que não se baseia em nada (nem em lógica nem em senso comum) a não ser na experiência pessoal que eventualmente alguém terá.
Pessoas e argumentos hipócritas haverá sempre, e não é por isso que se pode generalizar e tomar a parte pelo todo.
Ao contrário daquela afirmação, o razoável é supor que quem é contra as touradas preza os sentimentos dos animais de uma forma profunda e geral. E é normalmente isso que se verifica.

6- O touro praticamente não sofre com o que lhe é feito na arena.

É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos ( feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes. O touro fica com nervos e músculos rasgados, e a quantidade de sangue que perde continuamente enfraquece-o. Não parece ser sensato pensar que isto pode ser agradável para o Touro, ou mesmo indiferente.
O touro, tal como os outros mamíferos, ao ter sistema nervoso central tem capacidade para sentir dor, ansiedade, medo e sofrimento. E os sinais exteriores que mostra na arena denunciam essas emoções. Não é portanto razoável aceitar a ideia de que os Touros sofrem pouco numa tourada.

7- Os Touros nascem para serem lidados. São animais agressivos por natureza.

Uma coisa é o instinto de sobrevivência e auto-defesa de um animal, outra é o seu temperamento e personalidade. Embora o cortex cerebral de um Touro seja bastante mais básico do que o Humano (o que faz com que a sua personalidade seja igualmente menos complexa), cada animal tem o seu próprio temperamento, fruto, como no Homem, de factores genéticos associados a experiências vividas. O que todos têm em comum dentro da espécie é a sua técnica de defesa, que utilizam sempre que se sentem em perigo. Isto não deve ser confundido com a chamada "natureza" do animal. Com certeza que um Touro saudável deixado em paz no campo não anda a atacar tudo o que se mexe.

8- Se quem gosta, respeita a opinião de quem não gosta, porque é que quem é contra não respeita a opinião contrária?

Toda a gente respeita as opiniões de todos e na realidade a opinião de quem é favorável às touradas também deve ser respeitada.
A sua prática é que não.
É fácil entender isto se pensarmos que Hitler era da opinião de que todos os Judeus deviam ser  exterminados.
Mesmo que alguém tenha o direito a ter opiniões bizarra sobre qualquer assunto a sua colocação em prática não tem que ser respeitada nem tolerada se isso for ilegítimo. Se a prática de Touradas choca contra princípios considerados importantes por quem se lhes opõe, esta não tem que ser admitida.

9- A arte de tourear é tão bonita que seria uma pena perdê-la.

A “arte” de tourear pode de facto ser considerada bonita e ter grande mérito artístico e principalmente técnico. Mas perde toda a legitimidade quando necessita de fazer sofrer física e psicológicamente animais para ser executada. Tal sofrimento não se pode exigir a um animal que não tem nada a ver com o assunto. É injusto, prepotente e cobarde fazê-lo. Esta arte é bonita, mas injusta e cobarde e nenhuma arte pode ter mérito assim. Nesse aspecto penso que todos concordarão. É uma arte desonrosa, para utilizar a linha de valores da tauromaquia.
A arte de lutar até à morte dos gladiadores era considerada bastante mais honrosa e bonita por quem assistia. Mesmo essa acabou. Será também uma pena?

10- As Touradas enaltecem a nobreza do Touro.

Só uma mente muito ignorante ou distorcida pode realmente acreditar que os Touros quando vão para uma arena cumprem um qualquer desígnio divino.
A justificação de que o Touro é nobre por lutar pela vida numa tourada vem de quem alimenta o seu negócio e enriquece à custa deste espectáculo perverso mas rentável.
A nobreza é um conceito inventado pelo homem. Na natureza todos os animais são iguais e todos lutam pela sobrevivência. Ninguém duvida de que o Homem, numa luta com as suas armas e condições consegue ser superior a qualquer outro animal. Tentar provar isso numa luta desigual não é nobre, é estúpido.

Os argumentos contra as Touradas:

Não há qualquer justificação moral para se causar sofrimento a uma animal para fins de entretenimento.
É muito simples, e pouco mais há a dizer sobre o assunto.



A recusa em ter consideração pelo sofrimento de um animal só pode ter origem em três factores:
Falta de cultura
Falta de educação 
Falta de carácter.

domingo, 30 de setembro de 2007

Morte e sofrimento.

Questões da Ética:

"Em vez de fazer aos outros o que queremos que nos façam a nós, fazer-lhes o que eles preferem. A ética de causar sofrimento é um exemplo fácil.

É mau torturar porque faz sofrer. Não importa se a cultura do torturador diz que é uma coisa boa ou se a cultura de quem assiste diz que é um espectáculo maravilhoso. Nem importa a espécie de quem sofre, ou se o consideram sagrado ou não. A tourada, por exemplo, é um mal em todas as culturas enquanto causar sofrimento ao touro. É o touro o mais lesado com a brincadeira. A cultura não sente, por isso pouco importa.

A ética de matar é mais complicada, e dá origem a alguma confusão. Alguns dirão que não havendo problema em matar o touro para comer também se pode picá-lo com ferros primeiro. Talvez fique mais tenro. Mas também aqui compensa considerar a experiência subjectiva do touro.

Provavelmente, o touro não tem consciência da sua vida como um todo. Não se recorda de quando era novo, não pensa no que vai fazer quando for velho, nem se reconhece como um ser que dura no tempo. Posso estar enganado, mas pelo que sabemos o touro vive cada momento sem uma narrativa que ligue as suas experiências naquilo que nós chamamos vida.

Se assim for, cada episódio tem para o touro qualidades semelhantes às que tem para nós. A dor dói-lhe, o medo assusta-o, e torturar um touro é eticamente equivalente a torturar um ser humano. Mas a vida do touro, para o touro, é muito diferente da vida de um humano para o humano. O humano sente a sua vida toda como um percurso do passado pelo presente e para o futuro, e essa vida como um todo tem um grande valor para si.

Por isso proponho que matar sem sofrimento é aceitável se quem morre é como o touro. Não lhe tiramos nada que ele sinta ser de valor. Mas não é aceitável se quem morre é como o ser humano. Não por ser humano, sagrado, ou pela minha cultura, mas porque para este a vida tem valor como um todo, para além do valor de cada momento. E nesta categoria devíamos incluir os primatas antropóides, os cetáceos, e talvez o elefante ou outros animais cuja neurologia e comportamento sugiram partilhar esta característica.

Parece-me que esta tem sido a direcção do progresso na ética. Largar as regras ad hoc de favorecer os da nossa tribo ou costumes, ou da nossa espécie, ou mesmo os que estão vivos agora, e considerar como valor fundamental a subjectividade do outro. Daquele que afectamos. Mesmo que seja um animal ou gerações futuras que vão levar com os sacos de plástico e outras porcarias que espalhamos hoje por todo o lado.

Infelizmente, os velhos hábitos ainda perduram. Por causa da vida humana ser «sagrada» não se pode criar embriões em laboratório. Como se não ser criado fosse muito melhor que viver como um punhado de células durante uns dias. Por causa da «dignidade» da pessoa querem negar a uma mulher solteira assistência médica para engravidar. Como se nascer sem pai fosse pior que nunca existir. Mas esta tendência para se guiar por abstracções arbitrárias vai gradualmente vai dando lugar a uma ética mais sólida, em que os valores fundamentais são os valores de cada um em vez dos ditames da cultura ou religião."


Fonte: ktreta.blogspot.pt