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terça-feira, 2 de agosto de 2016

E a tourada continua…

Um senhor chamado Francisco d’Orey, na página do facebook da Acção Directa, respondeu a uma convocatória para um protesto anti-tourada realizado no dia 28 de Julho com, entre várias outras, as seguintes preciosidades:
“Cambada de ignorantes comecem a contar as vacas galinhas e porcos que comem e são torturados a vida toda e acabam na vossa barriga. Depois vão ver como vivem os touros e os cavalos. No fim vejam como fica um touro que volta ao campo depois duma corrida e quando ainda não perceberem o lixo que vos vai na cabeça vai investigar sobre o que passam os anjmais uma vida inteira no zoo onde se passeiam com os vossos filhos etc. já agora como andam os vossos caezinhos lulus em casa deprimidos por estarem sozinhos horas à espera do dono”
“Tauromaquia: a indústria responsável pela vida feliz dum dos animais mais protegidos em Portugal”
“De acordo com os estudos científicos mais recentes sobre o touro bravo, sabemos que este tem reações hormonais únicas no reino animal. Sabemos, por exemplo, que este tem um hipotálamo (parte do cérebro que sintetiza as neurohormonas encarregues, nomeadamente, da regulação das funções de stress ou de defesa), 20% superior ao de todos os outros bovinos, e que, por isso, tem uma capacidade superior de segregação de beta-endorfinas (hormona e anestesiaste natural encarregada de bloquear os receptores da dor) o que faz com que o touro perante a colocação de uma bandarilha redobre as suas investidas em vez de fugir, que é a reação natural de qualquer animal à dor. O touro é selecionado tendo em conta a sua combatividade, sendo um animal que tem evoluído, ao longo dos séculos, estando fisiologicamente adaptado para a lide”.
Achei por bem responder ao último trecho, resposta que aqui transcrevo:
Excelentíssimo Senhor,
Passei aqui pela página da Acção Directa e, com perplexidade, li os seus comentários.
Devo dizer-lhe que hesitei bastante em responder-lhe, e hesitei por três razões:
1. O senhor é ordinário e mal educado; estes traços de personalidade impossibilitam qualquer debate sério e honesto; claro que será certamente um problema da sua história de vida, provavelmente de alguém que durante a sua ontogenia foi acossado e mal-tratado, eventualmente fruto de um meio descompensado mas, enfim, esses problemas hoje em dia têm tratamento e aconselho-o a procurá-lo.
2. O senhor é arrogante e utiliza argumentos ad hominem, o que é epistemologicamente inaceitável no debate científico.
3. O senhor é intelectualmente desonesto e cientificamente ignorante; passo a explicar. É intelectualmente desonesto porque refere dados cientificamente inconsistentes; ou consegue dizer-me, em que publicação avalizada pela Web of Knowledge submetida a peer review por um conjunto fidedigno de referees (única forma aceite pela comunidade científica de homologação de resultados e, mesmo assim, sujeitos a contraditório) encontrou esses resultados? Diga-me porque o saber não ocupa lugar e eu estou sempre disposto a aprender.
Claro que sei que o texto que o senhor tem o desplante de assinar não é seu.
De qualquer forma, porque pode alguém acreditar em si, cá vai resposta:
(se não compreender algum vocábulo diga, terei muito gosto em explicar)
Como é que o senhor actuou?
Depois do seu comentário ordinário e de explícita falta de educação, vai à página "O TOURO - Tudo o que precisa saber sobre o Touro Bravo", de onde, de forma acrítica porque apenas serve os seus interesses, e de forma desonesta porque não cita a fonte, faz um copy-paste do texto como se fosse seu. Aliás a sua cópia é de tal maneira acrítica que nem sequer se apercebeu dos erros de ortografia no original.
Portanto, a partir daqui, a minha conversa passa a ser com a douta fonte que o senhor desonestamente copiou sem citar.
Tanto quanto sei, nunca nenhuma revista científica credível aceitou publicar o manuscrito dos indivíduos do Departmento de Fisiologia da Faculdade de Ciência Veterinária da Universidade Complutense de Madrid, manuscrito no qual se baseia o texto que o senhor copiou.
O texto que o senhor copiou começa por referir uma hipertelia intracefálica ao nível do infundíbulo do terceiro ventrículo.
Pergunte aos autores onde leram tal coisa? Qual a base amostral? Fundamenta-se num nível alfa inferior a 0,05? Esclareça-me.
Mais, eles que demonstrem que as hipertelias estruturais têm consequências metabólicas. Se mo demonstrarem proporei à Academia de Estocolmo que lhes seja atribuído o Prémio Nobel.
Continuando.
A beta-endorfina que é um polipéptido de cadeia curta (31 aminoácidos) é produzida não só ao nível hipotalâmico, mas também ao nível hipofisário e noutras zonas. Aliás ela foi descoberta em 1976 ao nível hipofisário e não ao nível hipotalâmico. Os autores da descoberta foram Choh Hao Li e David Chung. O seu a seu dono!
Um dos erros formais do texto que o senhor copiou é a afirmação de que algo no organismo está encarregue de alguma coisa. É um raciocínio teleológico aceite em religião mas inaceitável no discurso científico. Não está “encarregue” mas “tem por consequência”, o que é totalmente diferente. A teleologia demonstra uma ignorância avassaladora sobre os processos evolutivos.
Uma das principais inconsistências do manuscrito no qual se baseia o texto que o senhor copiou e que leva ao seu “chumbo” pela comunidade científica, é afirmar que o touro, uma vez lidado (ou seja, já cadáver) apresenta níveis de cortisol (hormona do stress) inferiores aos que apresenta um touro transportado num camião, deduzindo os autores que o touro sofre mais no camião do que durante a tourada. Erro crasso. Falam de touros durante a tourada, mas a maior parte dos touros estavam mortos durante a extracção do sangue. Um estudo que se realiza no cadáver de um animal não nos diz rigorosamente nada sobre o que se passava quando o animal estava vivo.
Outro disparate vem logo na frase seguinte: “o touro perante a colocação de uma bandarilha redobre as suas investidas em vez de fugir, que é a reação natural de qualquer animal à dor”.
Não, meu caro, em qualquer animal a reacção é a fuga se tiver condições para isso.
Se estiver encurralado como o touro na arena, portanto se não tiver condições de fuga, só tem duas alternativas: ou luta ou fica estático.
Nesta situação o animal avalia o inimigo. Se considera que tem condições para vencer, luta. Se considera que não tem, inibe a acção e fica estático.
O que é que o leva a lutar? É activado um conjunto de feixes nervosos denominado “sistema periventricular” que o leva a lutar.
O sistema periventricular é constituído por vias eferentes hipotalâmicas (na parede do terceiro ventrículo) que atingem principalmente os núcleos supra-ópticos posterior e tuberal e confinam com a substância cinzenta periventricular.
Uma das consequências da activação do sistema periventricular (atenção, só há estudos em humanos) é a produção do neuropéptido-y que, ao que tudo indica, pode estar associado à resiliência em relação ao stress pós-traumático e à resposta de medo, permitindo aos indivíduos uma melhor resposta sob stress extremo (Julie Steenhuysen, 2009).
E o que é que leva a inibir a acção?
Os poucos estudos conhecidos levados a cabo pela equipa de Laborit (1974, 1977) foram realizados em ratos. Em situações em que não pode lutar nem fugir é activado um conjunto de feixes nervosos denominado “sistema inibidor de acção” (área septal média, hipocampus, amígdala lateral e hipotálamo ventromediano).
Tanto quanto sei são desconhecidos os mecanismos neuroquímicos envolvidos, apesar de existirem algumas conjecturas sobre isso.
Bom, e vamos discutir um pouquinho o valor de sobrevivência da inibição dos centros de dor.
Antes de mais a dor tem um imenso valor de sobrevivência. Se não houvesse dor o animal não se aperceberia da gravidade dos seus ferimentos e morreria.
Assim, ao longo do processo evolutivo, foi seleccionada a capacidade de produção de endorfinas. Esta anestesia endógena é de curta duração e é uma atenuação e não uma eliminação da dor (não existe um único estudo que refira “eliminação”).
Os neuropeptídos que constituem as endorfinas são neuropéptidos de vida curta (short-term). Permitem ao animal, num curto período após o trauma, a serenidade necessária à organização de uma resposta adequada à situação.
Dou-lhe um exemplo humano. O senhor está a cortar pão e a faca resvala cortando-lhe um dedo. É muito doloroso. Mas, após algumas fracções de segundo, o seu sistema nervoso responde com a produção de endorfinas. A sua dor é significativamente atenuada. Pensa, vai desinfectar a ferida, decide ir ao hospital para a suturar, etc..
Se tivesse uma dor insuportável não teria a serenidade necessária para encontrar uma solução. As endorfinas permitem-lhe essa serenidade por um curto período mas, passado pouco tempo, vai sentir imensa dor. Contudo o problema está resolvido e sobreviveu. Mas as endorfinas são de vida curta. Apenas lhe dão tempo para resolver o problema, e muito pouco tempo.
Quando uma gazela é caçada por uma leoa, o seu sistema neuro-endócrino produz endorfinas. A dor diminui à espera de uma solução para o problema. Diz-se que a gazela sofre pouco. Mas isso será porque a morte é suficientemente rápida, mais rápida que o tempo de vida das endorfinas produzidas.
O período de lide de um touro na arena é demasiado longo. Não há endorfina que persista durante todo o tempo da lide.
E vamos agora ao resto, à lide.
As bandarilhas? Em Portugal espetadas ou a cavalo, ou a pé.
Para quem não sabe, são varas de madeira com uma ponta de aço de 6 cm que se prendem à área dorsal do touro e que aí se mantêm pelo facto de, na sua ponta, possuirem um arpão de 16 mm.
Existem ainda o matador e os forcados. O matador faz uma série de passes com a capa e também espeta bandarilhas no animal.
Os forcados desafiam o touro e, em grupo, agarram-no toldando-lhe a visão e tentando imobilizá-lo.
Nesta parte poderá não ser causada dor física ao animal, embora lhe seja imposto um enorme esforço físico e psicológico.
As bandarilhas, pela força da gravidade e do movimento do touro, causam danos aos nervos, músculos e vasos sanguíneos.
No caso dos danos causados nos vasos sanguínios, é significativamente reduzida a irrigação sanguínea dos músculos importantes para o movimento.
Além do mais, as bandarilhas podem ferir os ramos nervosos dorsais da medula espinal, o que causa claudicação temporária e leva à inibição reflexa do plexo braquial (o centro nervoso que inerva as extremidades anteriores). Podem ainda causar hemorragias no canal medular e ferir a parte superior das costelas.
Portanto, o sistema nervoso do touro sofre danos significativos durante a tourada, tornando uma resposta normal impossível em termos de libertação de ACTH e cortisol.
O estudo no qual se baseia o texto que o senhor copiou conclui, entre outras coisas sem qualquer fundamento científico credível, que os touros que só tenham sido transportados ou que estão na arena sem ser toreados, portanto sem danos físicos, produzem mais cortisol do que aqueles que sofreram danos. Portanto é maior o stress de não ser toureado do que o de ser toureado. Fantasticamente ilógico!!!
O que se passa na realidade é que o seu sistema nervoso está intacto, o que é essencial para a resposta hormonal.
José Laguía, membro do Colégio Oficial de Veterinários de Espanha refere que em pessoas envolvidas em acidentes com grandes lesões na coluna vertebral, a resposta hormonal que resultaria na liberação de cortisol é reduzida ou mesmo ausente? Pode haver alguma situação mais stressante para alguém do que pensar que poderá passar o resto da vida numa cadeira de rodas?
É que o que se passa na realidade é que o sistema nervoso está de tal modo danificado que se torna impossível a resposta adequada.
A outra parte do estudo dos indivíduos do Departmento de Fisiologia da Faculdade de Ciência Veterinária da Universidade Complutense de Madrid refere-se à produção de beta-endorfina que, como referi atrás, é produzida em situações de dor.
Segundo esses senhores, durante a tourada, o animal, aparentemente, liberta uma enorme quantidade de beta-endorfina. Então os ditos senhores concluem que neste caso a beta-endorfina seria capaz de evitar a dor do touro.
Dizem esses senhores que o touro liberta dez vezes a quantidade de beta-endorfina do que um ser humano. Fantástico!
Para o mínimo de credibilidade científica desta afirmação, os ditos seres humanos, para que o estudo comparativo fosse fidedigno, teriam que estar sujeitos rigorosamente às mesmas condições que o touro. É o controlo de variáveis – chama-se método científico.
Portanto o ser humano teria que ser toureado, bandarilhado, pegado, etc..
Tanto quanto sabemos isso não foi feito e portanto as conclusões não têm qualquer validade.
Ainda por cima, como já referi, os níveis hormonais foram medidos no sangue recolhido em touros mortos, por isso é impossível saber em que altura da tourada a beta-endorfina foi libertada.
Numa crítica ao manuscrito dos senhores da Universidade Complutense de Madrid, o atrás referido José Laguía defende que a resposta hormonal depende da “integridade das estruturas nervosas, pois sabe-se que, quando há um dano neurológico, a beta-endorfina pode ser libertada no local da dor, devido a determinados mecanismos celulares, sem o envolvimento do sistema nervoso. (…) quando a agressão é repetida frequentemente ou tem lugar durante um período prolongado de tempo, e quando os recursos do animal para alcançar o nível de adaptação são inadequados (…) as respostas hormonais à dor, ou seja, a liberação de grandes quantidades de beta-endorfina tais como são encontradas no sangue de touros após uma tourada, são a resposta normal do organismo a grande dor e stress, e têm muito pouco a ver com capacidade para os neutralizar; Na verdade, ao contrário, os níveis de hormona indicam o grau de dor experimentada e não a capacidade do animal para a neutralizar”.
Quanto à incongruência da fase final do texto que o senhor copiou: “O touro é selecionado tendo em conta a sua combatividade, sendo um animal que tem evoluído, ao longo dos séculos, estando fisiologicamente adaptado para a lide” talvez noutro dia a desmonte, mas este meu comentário já vai longo e a paciência já me vai faltando.

Cumprimentos.


Texto da autoria do Professor Luis Vicente
(link da publicação)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Corrida com anões reacendeu debate sobre touradas


"Partidos contornam o assunto nos programas eleitorais, apenas Bloco de Esquerda e o PAN se referem publicamente às touradas.

Na semana passada um movimento pró-tourada de Viana do Castelo cancelou uma corrida com anões por o tribunal ainda não ter decidido a providência cautelar que interpôs para contestar o indeferimento municipal à instalação de uma praça amovível na cidade. Um tribunal de Braga acabaria, também, por não autorizar a construção da praça.

Esta notícia trouxe de volta a polémica em torno da tauromaquia, com algumas vozes a apelarem ao fim da “barbárie da tortura dos animais para gáudio do sadismo público”, como o caso de Vital Moreira.

“Decididamente quando é que, perante a cobarde omissão do legislador, um tribunal tem a coragem de proibir estes espetáculos de degradação humana em nome da proteção constitucional da dignidade humana?”, indagou o ex-eurodeputado do PS, através do blogue Causa Nossa.

Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura, adiantou ao jornal i que o PS não tem uma posição oficial sobre o assunto mas deixou claro que, a título pessoal, é contra as touradas.


Carta Aberta a Gabriela Canavilhas(***)

No entanto recorda que “80% dos portugueses não é a favor da extinção” desta prática e que, portanto, como a “esmagadora maioria dos portugueses está de acordo, não há razão para que seja posta em causa”.

Recorde-se que só o Bloco de Esquerda e o PAN se referem às touradas no programa eleitoral para as legislativas de 4 de outubro. Os outros partidos evitam a polémica."

http://www.noticiasaominuto.com/pais/439916/corrida-com-anoes-reacendeu-debate-sobre-touradas



"Viva la muerte" 
Manuel António Pina

Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar". O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...

(***)Carta Aberta a Gabriela Canavilhas

MOVIMENTO INTERNACIONAL ANTI-TOURADAS
INTERNATIONAL MOVEMENT AGAINST BULLFIGHTS
MOVIMIENTO INTERNACIONAL ANTITAURINO
MOUVEMENT INTERNATIONAL ANTI CORRIDAS
www.iwab.org
IMAB@iwab.org

Exma. Senhora Deputada,

Aquando das suas declarações, em representação do grupo parlamentar do PS, relativamente à discussão da petição pela Abolição das Corridas deTouros em Portugal, foi proferida por si uma frase que consideramos espantosa. Se a memória não nos engana, a senhora afirmou e passamos a citar: "As touradas não foram instituídas nem por decreto nem por despacho e não devem ser abolidas nem por decreto nem por despacho". Astouradas não foram instituídas por decreto ou por despacho assim comomuitas outras actividades não o foram, no entanto a crer nos historiadores deste país, as touradas mesmo não tendo sido instituídas por decreto ou por despacho foram proíbidas por decretono reinado de D. Maria II.
O decreto do Governo de Passos Manuel (de 19/IX/1836) proibiu "em todo o reino as corridas de touros considerando que são um divertimento bárbaro e impróprio de nações civilizadas, e bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade".

A história está cheia de costumes/tradições (direito consuetudinário) que não foram instituídos por decretos, mas que foram proíbidos pordecreto/despacho. O que ontem era aceitável mesmo sem lei, hoje não o é e por isso temque ser proíbido ou regulado por lei.
É comum a afirmação que as mulheres são seres mais sensíveis aocontrário dos homens. Não vamos discutir se tal afirmação é ou não veraz, no entanto podemos afirmar que no que a si respeita, a senhora não demonstra qualquer sensibilidade ou empatia quando se trata de outros seres que sofrem tal como nós. A sua frieza e o seu comportamento provam que a senhora não sente o mínimo de compaixão por ninguém. Não se sinta orgulhosa do seu discurso no parlamento porque se os taurófilos o consideram brilhante e já agora nas palavras deles leal, todas as outras pessoas sensíveis e empáticas consideram-no patético e desprezível. A senhora não foi eleita para defender os interesses de uma minoria, neste caso os taurófilos, mas sim para defender os interesses da maioria dos seus eleitores. Será que aqueles que a elegeram defendem touradas? Uma minoria talvez. Mas teria a senhora sido eleita se fosse isso que tivesse para lhes oferecer? Temos a certeza que ninguém a elegiria se soubesse que a senhora iria defender o indefensável.

As suas declarações são falaciosas quando afirma que a tauromaquia não recebe subsídios e é totalmente independente do Estado e são vergonhosas quando fala em liberdade e tolerância. A indústria tauromáquica recebe milhões de subsídios dos organismos públicos destepaís e da UE e não adianta negar. Como exemplo o Governo Regional dos Açores entregou entre 2004 e 2010 mais de 2.700.000,00 milhões de euros a essa mesma indústria. É algo que a senhora deverá saber uma vez que foi entre 2008 e 2009 directora geral da cultura do Governo Regional dos Açores. Quanto à liberdade e tolerância que liberdade minha senhora? A liberdade de uns quantos se regozijarem com a torturade um ser senciente? A tolerância de continuar a permitir um espectáculo que permite a tortura de animais? Minha senhora a sua liberdade e tolerância terminam no momento em que outro ser é impedidode ter a liberdade de não ser torturado.

Todos os animais à face deste planeta, não são objectos dos quais podemos dispôr a nosso beloprazer. Com eles compartilhamos este espaço e para com eles temos deveres e sim eles têm direitos por mais que seres supostamente iluminados como a senhora continuem a negá-los. Têm o direito decoexistir connosco e têm o direito a não ser torturados eposteriormente mortos num espectáculo público degradante.

O seu discurso é de facto leal ao lobby tauromáquico mas é imoral e totalmente desprovido de ética .Nunca é tarde para mudar mas algumas pessoas, como a senhora, persistem em viver no obscurantismo.

Maria Lopes (Coordenadora)
Movimento Internacional Anti-Touradas
www.iwab.org

sábado, 24 de maio de 2014

O Duplo Sofrimento dos Touros


Depois do longo sofrimento que os touros padecem durante as touradas, outro tipo de sofrimento os espera até serem mortos num qualquer matadouro.

Nos curros da praça, e longe dos aficionados que bateram palminhas e gritaram olés ao sofrimento animal e que se estão nas tintas para o que acontece depois, estes animais voltam a sofrer quando lhes são arrancadas as bandarilhas:



Extremamente debilitados pela dose dupla de sofrimento, são encaminhados para o camião que os levará ao seu destino final, destino esse que eles pressentem.

Atenção, o audio/vídeo que se segue, contém sons que podem ferir a sensibilidade de muitos dos nossos leitores:



E se mais provas fossem necessárias, o ex-presidente da câmara municipal da Azambuja, num comentário postado no facebook, comprova o atrás afirmado, mesmo tendo em conta que o mesmo foi feito porque é um defensor de touradas com a morte do animal na arena.


Por muito que a indústria tauromáquica continue a vomitar aberrações tais como os touros têm uma vida de rei, não sofrem assim tanto, etc., a verdade é que este negócio lhes enche os bolsos e lhes permite viver à tripa forra, comprar montados e criar mais e mais animais, porque sabem que à parte do lucrativo negócio da venda dos mesmos, ainda vão receber subsídios estatais, europeus e camarários.

Tudo o que envolve tauromaquia é um asco, um vómito, um universo de gente atrofiada, que começa nos ganadeiros, passa pelos “artistas”, empresários tauromáquicos e aficionados para terminar nos políticos que se deixam corromper prometendo que jamais permitirão a abolição do espectáculo.

Só erradicando este cancro que assola o país poderemos evoluir.

Prótouro
Pelos touros em liberdade

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O touro tem uma vida de rei durante 5 anos e depois sofre na arena durante 20 minutos

Deveria preocupar-nos o carácter doentio de criar animais para os sujeitar a um ritual de tortura antes de os matar. Até porque sabemos que violência é violência, qualquer que seja a vítima e não é por acaso que diversos estudos no âmbito da psicologia, demonstrem que todos os serial killers treinaram os seus dotes primeiro em animais.

É a sede de dominar e de subjugar que emana deste tipo de cultura, donde provém igualmente a violência doméstica (em que o mais forte necessita permanentemente de afirmar a sua superioridade através da submissão dos mais fracos).

Se o simples abandono de animais de estimação é consensualmente condenado pela população, por que motivo devemos aceitar que outros torturem touros, por mais bem estimados que sejam?


(DES)Argumentos:  tauromaquia
Fonte

É melhor a vida de um touro de lide do que a dos bois para consumo


Nenhum mal pode ser justificável por comparação com outro mal maior.

Corredor da Morte


O touro gosta da lide, sente-se respeitado

Deve ser resultado de algum estudo de opinião em que entrevistaram os touros à saída da arena...

Este é mais um paradoxo da defesa da tauromaquia: por um lado acusam os que a ela se opõem de antropomorfizar o touro quando falam em sofrimento mas, por outro não têm qualquer pudor em afirmar que o touro sente honra, arrogância ou paixão por ser ludibriado e ferido num ambiente hostil, longe dos seus pares.

A valentia, a inteligência contra a força bruta

Há quem prove diariamente que a valentia e a inteligência são superiores à força bruta, através da literatura, da filosofia, da ciência, da tecnologia, da política, da intervenção social.

A corrida de touros está concebida de forma a que um dos lados esteja preparado para vencer e o outro condicionado para perder. Não é por acaso que as praças são redondas, que os cornos são despontados e embolados, que os toureiros aprendem as técnicas de melhor enganar o touro, que a música toca, que o público grita, que a sequência e o tamanho das bandarilhas é precisamente aquele.

Assumindo que a inteligência é a capacidade de resolver novos problemas, o touro – o tal animal irracional – é o único que a tem que usar, porque é aquele que não sabe o que o espera. Se ensinássemos o touro (sim, são capazes de aprender, como todos os outros animais, através de estímulos positivos e negativos) a apontar ao corpo e não à muleta, a não reagir às primeiras agressões e esperar que o torturador se exponha cada vez mais, a virar a cabeça de lado no momento do encontro com o forcado? E se, sobretudo, o fizéssemos sem o conhecimento prévio de toureiros e forcados? Aí o desfecho seria seguramente outro e já não seria “justo”.

Basta ver os gestos repetidos e as expressões grotescas de triunfo dos toureiros para perceber o carácter supérfluo, primitivo e inútil da necessidade de um ritual em que o homem pretende demonstrar a superioridade sobre um animal. É fácil de perceber que uma coisa destas ao invés de elevar o homem, bestializa-o.

É ainda importante considerar a própria pertinência de perpetuar um ritual primitivo em que, supostamente, se confrontam a inteligência e a força bruta. Acima de tudo, é um ritual de vaidade, supérfluo e desnecessário. Alegar que tal confronto é uma das essências da tourada é afirmar que o homem precisa de provar que é intelectualmente superior a um animal, o que é verdadeiramente absurdo.

Concluindo: houve inteligência sim, mas a montante, na construção desta sequência. Mas sabemos bem do que a inteligência sem empatia é capaz.

O touro não sofre


Sabemos que é reprovável causar sofrimento por motivos triviais. Mas o que é facto é que o touro tem que sofrer durante o espetáculo com que se deleitam os aficionados.

Por isso parece-lhes melhor defender a ideia absurda de que um animal que sente uma mosca a picar-lhe os flancos, por uma espécie de passe de mágica, numa arena não sente ferros de 8cm de comprimento com um arpão de 4cmx2cm a enterrarem-se-lhe na carne e a dilacerarem-lhe músculos, vasos sanguíneos e nervos.

Para conferir alguma credibilidade a este absurdo, invocam muitas vezes um pseudo- estudo do porf. Illera, que obviamente não conseguiu passar pelo crivo do peer review. E como não conseguiu publicar em revistas científicas, optou por publicar as suas conclusões em revistas tauromáquicas que o acolheram de braços abertos e divulgaram até à exaustão.

Entre os argumentos pseudo-científicos frequentemente associados à alegação de que o touro não sofre, a questão da adrenalina costuma ter um papel de destaque. Dizem que a secreção de adrenalina como elemento inibidor de dor é a prova de que o touro não sofre com as agressões que sofre durante a lide. A auto-contradição é evidente: a secreção de adrenalina ocorre em momentos de claro perigo e tensão e é o mais claro indicador de que o touro está, efectivamente, a sofrer. Senão, a adrenalina não seria sequer necessária.

Puro bom senso.

Controvérsia sobre o sofrimento dos touros 
O touro picado não sente dor - As lérias do prof.Juan Carlos Illera  

domingo, 11 de maio de 2014

- Touradas: Património ou barbaridade?


Walter Benjamin disse que toda a nossa civilização assenta em barbárie. Sendo isso verdade, tendo os humanos baseado a sua civilização em estratégias de domínio e subjugação, será errado querer mudar essa forma de estar no mundo? 
Não me parece. Errado é persistir num modelo profundamente injusto. É tempo de abolição.

O único argumento legítimo e verdadeiro que têm os aficionados, é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos. 
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. 
Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. 
A pergunta é simples: é eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim? 
Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral.
Passando agora a mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pró-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano.
por Cristina D'Eça Leal

O vídeo da promoção do Prós e Contras.

quarta-feira, 19 de março de 2014

TOUROS e TOURADAS – - “IGNORÂNCIA”, “LEVIANDADE” ou “PRECONCEITO” da ONU?

Carlos Amaral: Homeopata, Budista, Critico da ONU Burlão, Charlatão ou só Tretas?
Grupo Central Anti Tourada: Os defensores da industria tauromáquica e críticos da ONU. 
Os homeopatas, filósofos, humanistas e adeptos de crianças assistirem às bandarilhas no animal....
leia os links para perceber melhor!


TOUROS e TOURADAS – - “IGNORÂNCIA”, “LEVIANDADE” ou “PRECONCEITO” da ONU?
Category: Opinião
Created on Saturday, 15 March 2014 14:28
Written by Carlos Amaral
Este texto, como não podia deixar de ser, é baseado num relatório divulgado no dia 5 de Fevereiro, no qual o Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselhou Portugal a criar legislação que restrinja a participação de crianças em touradas, referindo estar “preocupado com o bem-estar físico e mental das crianças envolvidas em treino para touradas, bem como com o bem-estar mental e emocional das crianças enquanto espectadores que são expostas à violência das touradas”. Pois bem, será importante aqui referir que, na base desta decisão pseudo preocupada, aliás, hipócrita deliberação, está um relatório da organização não-governamental Franz Weber.
Para quem não saiba, nasci na Ilha Terceira, e fui criado bem perto da criação de touros e da realização das touradas, convivendo familiarmente com alguns criadores (ganaderos) de “gado bravo” e, honestamente perece-me que não tornei-me “bravo”, nem traumatizado, muito menos violento e despido de humanidade. Pelo contrário, aprendi nessa minha vivência infantil e de adolescente a respeitar os animais, a reverenciar a sua existência, a acatar a sua nobreza, o seu porte e, sobretudo, a sua presença, natureza e majestade.  Naturalmente, tornei-me muito mais humano e respeitador da multidiversidade animal. E, sobre isto, não restam dúvidas!
Neste texto não quero de forma alguma convencer os movimentos “anti-touradas” para que, as mesmas, possam continuar a existir. Muito menos falar da violência dos “touros de morte”, pois essa realidade há muito foi banida da nossa cultura ancestral. Também, e de igual forma, não desejo aqui fazer a apologia dos sofrimentos momentaneamente infligidos pelas “farpas” nos touros aquando das suas lides em praça, pois penso que isso pode e deva ser modificado. Todavia, não quero perder-me na hipocrisia e cinismo da eventual legislação acima referida que provavelmente nascerá desse tão apregoado relatório. E são muitas as razões que levar-me-ão a esta actual posição. Vejamos:
Por exemplo, ainda não vi preocupação continuada ou reiterada da ONU com a violência no lar que compromete a formação e a integridade da criança ou do adolescente. E penso que seria importante verificar e estudar, que os conflitos da violência doméstica se dão nas relações de poder, em que o adulto é considerado o centro da casa e o dono da vida da criança, podendo bater, espancar e humilhar. Neste contexto, penso que existe uma diferença entre a violência doméstica e a familiar. A primeira é analisada pelo âmbito onde a violência acontece, no caso o lar; e a segunda, é caracterizada pela ligação e pelo vínculo de parentesco entre quem pratica e quem está sofrendo a agressão. Os números não são subjectivos, nem nos podem deixar indiferentes: em Portugal, nas suas diversas regiões, e nos Açores também, lamentavelmente a violência doméstica não é ficção, é pura realidade. Aparentemente, as mulheres casadas são as principais vítimas. A palavra “aparentemente” é aqui usada intencionalmente, porque existem outras vítimas, tão importantes quanto as agredidas, que muitas vezes são esquecidas no drama da violência doméstica: as crianças. Fico realmente admirado, direi até aturdido, em verificar que a ONU não reparou ainda que, por trás do silêncio dessas mulheres, existe frequentemente um sofrimento sem fim e marcas que por vezes ficam para toda a vida. Isto acontece porque, no cenário de guerra, a luta é travada entre pessoas com as quais a criança se identifica e que são, para ela, figuras de suporte. Portanto, testemunhar a violência de um pai sobre o outro, segundo estudos realizados, produz efeitos tão negativos na criança como quando ela é o alvo directo da violência por parte das figuras parentais. E quando o conflito se instala dentro de portas, não há forma de poupar sofrimento aos mais pequenos pois, ainda que se trate de bebés, estes captam os sinais de duelo, mesmo não lhes sabendo dar um nome, nem compreendendo o seu significado. Imediatamente as crianças começam a fazer uma leitura dos conflitos, muitas vezes fazem-no de forma incorreta, atribuindo a si próprias a responsabilidade pelo mau trato físico ou pelas discussões constantes entre os pais. Frequentemente, os próprios pais, em vez de tentarem minorar o sofrimento das crianças, usam-nas como uma “arma” contra o outro progenitor. Deste modo, a vergonha em revelar aos outros que os pais vivem em guerra faz com que a criança se feche e viva só na sua trincheira, com problemas sérios em termos emocionais, cognitivos e comportamentais. Penso, com toda a sinceridade, que a violência doméstica seja um problema de saúde pública difícil de ser solucionado, pois são raros os dados que mostram a realidade desse tipo de violação. Mas, também penso que a ONU, sendo o que é, devia interessar-se mais por esta vertente social e educacional, aliás, reformadora, em vez de mexer na cultura dos povos pela periferia sem nada realmente perpetrar endogenamente pelos mesmos.
A Tourada à corda, tourada ou corrida de touros à corda, é um divertimento tauromáquico tradicional nos Açores, com particular expressão na ilha Terceira, acreditando-se ser a mais antiga tradição de folguedo popular do arquipélago. Para quem ainda desconheça alguns detalhes, esta modalidade tauromáquica é específica dos Açores e caracteriza-se pela corrida de quatro touros adultos da raça brava da ilha Terceira ao longo de um arraial montado numa rua ou estrada, num percurso máximo que regra geral é de 500 metros. O animal é controlado por uma corda atada ao seu pescoço (daí a designação do tipo de tourada) e segura por seis homens (os pastores) que conduzem a lide e impedem a sua saída para além do troço de via estipulado. A lide é conduzida por membros do público, em geral rapazes, embora seja admissível a presença de capinhas contratados. Após a lide, os animais são devolvidos às pastagens sendo repetidamente utilizados, embora com um período de descanso mínimo de oito dias. Historicamente, o primeiro registo conhecido da realização de uma tourada à corda data de 1622, ano em que a Câmara Municipal de Angra organizou um daqueles eventos, enquadrado nas celebrações da canonização de São Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loiola. Assim, a realização de corridas de touros à corda foi adquirindo ao longo dos tempos um conjunto de características, fixadas por normas e regras de cariz popular que hoje se encontram legalmente codificadas. Essas normas estabelecem os procedimentos de saúde e bem-estar animal a seguir em relação aos touros, os sinais correspondentes aos limites do arraial (riscos no chão), os sinais a utilizar na largada e recolha do touro (foguetes). E para a protecção dos espectadores os touros não estão “em pontas”, isto é, têm sempre a ponta dos chifres cobertas por algo que proporcione a protecção do espectador, as regras a seguir na armação dos palanques e na protecção dos espectadores e ainda a actuação dos capinhas, que são toureiros improvisados que executam sortes recorrendo a um guarda-sol, a uma varinha, a um bordão enconteirado ou a uma samarra, fenómeno altamente apreciado nesse tipo de festejos.
Em suma, e em abono da verdade, nunca como profissional de saúde recebi em consulta criança ou adolescente algum traumatizado por ter assistido às touradas, nem por ter feito parte das escolas de tauromaquia. Recebi e recebo SIM, indivíduos profundamente perturbados pela violência doméstica que referi aqui, e por tantas outras coisas existentes, e que mereceriam desde sempre o apoio da ONU!
Fonte: Copyright © 2014 Correio dos Açores

QUEM É Carlos Amaral?
O Prof. Dr. Carlos Amaral, nascido Na Ilha Terceira, Açores, forma-se nos Estados Unidos, em Medicina Natural (Naturopatia e Homeopatia) cujo doutoramento conclui em 1979 pela United SchoolofNaturopathyandAlliedSciencesof Jersey City, em New Jersey.

Em 1984 é doutorado em Teologia Universal pela Universidade de Metafísica de Los Angeles

Em 1985 é doutorado pela mesma Universidade em Ministério Esotérico e Metafísica da Divindade.

Em 1986 é-lhe concedido pela mesma Universidade o título de Doutor «Honoris Causa» em Humanidades. Especializou-se em Medicina Complementar e Acupunctural na International University for Complementary Medicines (Medicina Alternativa) em Londres e Colombo - Sri Lanka - no ano de 1989.

Em 1990 recebeu pela Universidade de Medicinas Complementares de Sri Lanka o título de Doutor em Ciências de Investigação Biológica e Homeopática (Honoris Causa).

É membro efectivo de inúmeras organizações internacionais de Medicina Biológica, Acupunctura e Radiónica, nomeadamente: - nos Estados Unidos, da Associação de Médicos Naturopatas de Minnesota, da Associação de Medicina Homeopática do Arizona e da Academia de Ciências de Nova Iorque. - No Sri Lanka, da Universidade Internacional de Medicinas Alternativas, em Colombo. - Na Colômbia, do Colégio Médico Homeopático do Atlântico e do Instituto de Recuperação Mitocondrial Corporal, nos Estados Unidos e em França.

Em Portugal, é membro efectivo da Associação Portuguesa de Naturopatia, com sede em Lisboa; Membro-Delegado Internacional do Conselho Federativo Europeu e dos Colégios de Medicina Tradicional. É, também, membro do International Institute on MetabolicDiseasesandCancer (I. R. M. C.); Membro do Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Ibero Americana de Hipnose Condicionativa.

É igualmente membro efectivo de algumas instituições esotéricas.
A experiência espiritual que possui adquire-a, fundamentalmente, através das inúmeras digressões efectuadas na Índia, Egipto, Nepal e Tibete.

Na Índia e no Nepal realiza diversas conferências com grupos espiritualistas e é no Tibete que é iniciado no Lamaísmo Tibetano.

Sendo Budista, e mercê da sua dedicação ao Ensinamento da Filosofia Budista, e ainda pelos méritos que lhe são reconhecidos, após um período de “retiro” e reflexão, recebe em 1980, na Índia, em Dharamsala, o «Manto Amarelo Lamaísta», considerado o mais alto galardão por ele recebido.




Carlos Amaral
17/3
A DEFESA dos ANIMAIS / A DEFESA das CRIANÇAS DESPROTEGIDAS / E O RADICALISMO, FUNDAMENTALISMO, INCOMPREENSÃO e DESELEGÂNCIA de uma desconhecida que se apresenta com o nome de EVELINA MELO
O texto de hoje irá abordar de forma conveniente os actos de fundamentalismo, superstição contemporânea, julgamento maldoso, crítica infame que qualquer um de nós pode nas páginas do facebook sofrer, sem qualquer aparente defesa ou direito de argumentação maior, pois as pessoas não querem elegantemente argumentar, ouvir o contraditório, mas, tão-somente, afrontar, ofender, ultrajar e espezinhar a dignidade humana na falsa e leviana pretensa de neste caso “defender os animais” e as “criancinhas indefesas”, e tudo isso a propósito de um artigo publicado na coluna “Directo ao Assunto”, divulgado no passado dia 15 de março, intitulado “Touros e Touradas – Ignorância, Leviandade ou Preconceito da ONU?”, e assinado por mim como colunista deste jornal do arquipélago.

E começo também por dizer, que a incompreensão e a maldade são, provavelmente, as armas mais letais existentes no planeta Terra. Este nosso planeta azul tão perdido no Universo, que possui na sua superfície uma forma de vida intrigante, sediciosa, altamente briguenta e rancorosa, que são os gabáveis animais humanos. Realmente gostaria de continuar a idealizar que fossemos capazes de entendermo-nos, de amar-nos, respeitarmo-nos, de compreendermo-nos, e isso pelo nosso grau de inteligência. Mas, face à presença demolidora e frenética da senhora Evelina Melo, no meu mural, sou obrigado a dizer que não o somos, infelizmente!

Efectivamente, não o somos em decorrência das nossas naturais imperfeições, e em virtude desta “maldição” chamada comunicação. Realmente, e em abono da verdade, o ser humano precisa comunicar e interagir tendo em vista ser um animal gregário, mas fá-lo com tanta imperfeição que só consegue semear e colher destruição, amargor, corrupção, tristeza e ódio nas suas tentativas de fazer-se ouvir. Todavia, se verdadeiramente cientes do que transmitem ou cautelosos na avaliação de uma ou mais expressões usadas, jamais haveria dor.

Entretanto, e ainda a propósito, a incompreensão reside no desacerto entre aquilo que dizemos, e naquilo que queremos dizer, tal como naquilo que escutamos e naquilo que interpretamos e comentamos. E nessa confusão reside ainda o inseparável egoísmo de muita gente que manipula esse mundo de informação da maneira que o interlocutor bem desejar. É por isso, que a incompreensão aqui retratada desencoraja a tentativa de novos diálogos. Na verdade, os pontos de interrogação que pairam sobre a cabeça das pessoas são, no mínimo, frustrantes para alguém que gosta de ser compreendido de primeira, que é o meu caso!

Mas, tudo isto, por via da publicação nesta minha coluna da minha opinião sobre a advertência da ONU relativamente às crianças que assistem às touradas. E relativamente ao assunto, volto a reiterar o mesmo sem retirar palavra alguma, vírgula ou ponto, apesar do descontentamento e da perseguição dessa senhora Evelina Melo que “assaltou” a minha página do facebook com execrações, julgamentos, críticas insanas, confundindo “alhos com bugalhos”, e atribuindo-me falsidade ideológica quando afirmou que um verdadeiro budista não pode nem deve defender a violência e sofrimento das touradas... como se isso estivesse impresso no texto referido... como se eu tivesse feito a apologia dessa bestialidade... Enfim, o equívoco, a intransigência, a maldade propositada, o fundamentalismo empregue, e o radicalismo com que essa senhora se expressou e me acusou de ser “aficionado” deixa muito a desejar ao movimento “anti-touradas” nos Açores. Imaginem - essa senhora até bloqueou-me na internet no contacto com os meus amigos, clientes e utentes prejudicando a minha actividade online e a minha disponibilidade profissional diária para atender dezenas de solicitações. Para além de ser ultrajantemente pusilânime, a senhora em questão demonstrou não só a deselegância com que quis ofender a minha dignidade humana, de colunista, de pensador, e de cidadão, mas, também, quis rancorosamente “castigar-me” por estar disponível aqui a dar o meu contributo como articulista, ou seja, de fazer pensar!

Em suma, e voltando ao artigo sobre as touradas, quero aqui apelar para uma melhor leitura do texto referido, no qual, encontrarão os leitores sérios e atentos uma isenção absoluta sobre a continuidade da realização das touradas, inclusive, encontrarão um apelo para que as mesmas possam sofrer uma modificação no uso de farpas e outros utensílios que possam trazer sofrimento – directo ou indirecto - aos animais que, com eles aprendi no meu tempo de criança, sem sombra de dúvida, a respeitá-los, a amá-los e a cuidar deles como meus pares e companheiros de jornada, muito antes do agora célebre aparecimento do conceito do “especifismo” nascido no “anarquismo organizado”. Ative-me, simplesmente, na história da “Festa Brava” na Ilha Terceira e, por conseguinte, na advertência pseudo-científica que a ONU difundiu sobre os pretensos traumas da criança que assiste às touradas, opinando que a mesma foi pretensiosa, despropositada, ignorante, leviana e preconceituosa. E através dessa opinião, quis frisar que a violência maior e traumática reside nos lares onde o analfabetismo, alcoolismo, desumanidade, superstição, insalubridade, falta de recursos materiais e de trabalho é que fazem com que a nossa sociedade fique violenta, cruel, sádica e inumana. Foi exactamente tudo isto que quis explicar e elucidar aos leitores que pensam e raciocinam como pessoas livres, acessíveis, dispostas e alforriadas de qualquer preconceito para um melhor diálogo sobre a sempre possível transformação social e eventual alteração das suas festividades laicas ou religiosas; pois, nessas últimas, teríamos muito a articular sobre a violência psicológica que podem trazer a uma criança em desenvolvimento. Entretanto, sobre este sensível e proibitivo tema, a ONU não estará disponível para discutir e advertir, dado que, será sem sombra de dúvida, um repto a temer porque mexerá com as crenças dos indivíduos, dos povos e das nações nas quais essa organização se nutre e sustenta, muitas vezes hipocritamente!

Caro leitor, finalizo dizendo: imaginem quantos duelos, quantas pelejas, quantas guerras, quantas dores, quantos mal-entendidos, quantos corações fragmentados não teriam sido evitados se as pessoas fossem apenas um pouco mais sinceras em fazer conhecer as suas reais intenções ou os seus autênticos anseios?




Lama que não é Lama
Em todo o mundo, o Lama é reconhecido como um símbolo de paz, amor, bondade e humildade na comunidade.
Faz o bem, incute a paz interior individual e colectiva.
Todos eles têm valores como a tolerância, paciência e compaixão...
Tudo isto para contar um episódio que se passou com um meu familiar gravemente doente que procurou uma alternativa e não foi isto que encontrou após um anúncio no Diário de noticias da Madeira publicado por este Senhor, que se diz Lama numa pseudo clínica de Santa Cruz.
Após a marcação de uma consulta que teve inicio às 19h00 e acabou pelas 4h00 da manha do dia seguinte, a mesma foi iniciada com o suposto Lama, que falava repetidamente da sua pessoa eu, eu e eu, muitos discursos e vastos diplomas, especialista em medicina ortomolecular, convencendo-nos que a medicina convencional estava a matá-lo e que acabaria por morrer antes de chegar ao Verão.
Saímos com promessas de cura.
Ora, nesse mesmo dia pelas 11h00 horas, recebemos um telefonema do Sr. Lama dizendo que tinha estudado o caso e que a cura incluía um pacote de tratamento cujo valor era exorbitante. De imediato deu-nos o NIB da conta bancária da Tia cujo balcão está sediado nos Açores.
Não vou falar em valores porque o meu familiar está muito fragilizado e tem vergonha de revelar ao público.
Após este episódio, iniciou um tratamento, sem explicar em quê que o mesmo consistia e a partir daí foi um inferno....(note-se que nunca fez um plano do tratamento apenas era administrado uma injecção diariamente, na sua pseudo clínica de Santa Cruz).
Quando o abordávamos sobre o tratamento, o falso Lama fazia palestras maçadores e ameaçadoras de morte, autênticas lavagens de cérebro, era rude, malcriado, humilhando o doente fragilizado, culpando-o da sua doença.
Passada uma semana este Sr voltou com um novo golpe, disse-nos que tinha consultado o universo e teria que alterar o tratamento, (como por ex. 1 caixa de injectáveis de 5 ampolas que custa 50€ pediu-nos 2500€). Este valor seria novamente depositado na conta da tia.
Fomo-nos apercebendo que este Sr de Lama nada tinha pelas suas atitudes, cujo conceito mencionei inicialmente...
O objectivo deste Sr é dizer mal da Medicina convencional.
Aproveita-se da fragilidade dos doentes para extorquir dinheiro, não passa recibos, não faz planos de tratamento apenas apresenta um pacote que engloba tudo, prometendo a cura, com valores incalculáveis.
Por tudo isto, acabamos por desistir ficando sem o dinheiro e com o meu familiar ainda mais debilitado.
Face ao exposto, venho alertar a todas as pessoas doentes e sem esperança, que estejam atentas e tenham cuidado com este tipo de pessoas que se proclamam Mestres do universo.
Por último, e queremos ainda informar que ao desistir do tratamento o aldrabão e suposto Lama, recusou-se a entregar toda a medicação adquirida e não utilizada, tendo a PSP de Santa Cruz intervir para fornecer para que este Sr. nos fornecesse os recibos.
A medicação essa lá ficou para o Sr. Lama extorquir novamente dinheiro a alguém com supostas esperanças de cura.

esse sr trabalhou num consultório em lisboa, perto do IPO. fui lá pela primeira vez com a minha avó, que sofre de mieloma múltiplo. nem preciso contar o que aconteceu: basicamente, o mesmo que aconteceu a esse sr!
levou muito dinheiro, foi super mal educado e aproveita-se da fragilidade das pessoas, entrando na sua intimidade e culpando as pessoas da doença!
não é pedagógico, só diz que curou actrizes conceituadas e blá, blá, blá!
considero vergonhoso esse sr continuar a dar consultas e levar este dinheiro todo!
leva as pessoas a fazerem tratamentos com injecções diárias e kilos de medicamentos naturais! obriga as pessoas a deslocarem-se diáriamente pra fazer as injecções, e 6 meses depois volta a pedir mais dinheiro porque diz que o tratamento não resultou. porquê? sempre por culpa do doente!
culpa, culpa, culpa!
esse sr devia ser preso... se for necessário depor contra esse sr, estou de inteira disponibilidade!
cumprimentos
17/06/2010

 Treta da semana: à vossa saúde!
No blog da Heloisa Miranda, que promete ser um rico filão para esta rubrica semanal, um budista de nome Carlos Amaral e cognome Lama Khetsung Gyaltsen escreve sobre cristais e mais uma baralhada de coisas. Segue-se um comentário do presidente da União Budista Portuguesa, declarando que «não pode garantir a fiabilidade da orientação budista das actividades do Sr. Carlos Amaral e declina qualquer responsabilidade pelas mesmas» e um tortuoso e prolongado contraponto do Carlos Amaral (9), cujos textos e vídeos (10) recomendo a quem sofra de insónias.
 9 - Zen, Cristais: A Discussão Instala-se.
10- Vídeos de Lama Khetsung Gyaltsen, O Direito Primordial à Felicidade 


Declaração - importante!
2008-05-07
Tendo tido conhecimento de várias actividades promovidas pelo Dr. Carlos Amaral - que se tem apresentado com o título de Venerável Lama Khetsung Gyaltsen e como representante de Sua Santidade o Dalai Lama - , em nome da tradição budista, e que têm sido objecto de polémica e dúvidas, a União Budista Portuguesa declara publicamente que o referido senhor, havendo solicitado há cerca de 5 anos a inscrição de uma associação por si dirigida na União Budista Portuguesa, e tendo-lhe sido solicitada a apresentação do seu historial e credenciais, que permitissem o reconhecimento da sua legitimidade, nunca o fez. Por este motivo a União Budista Portuguesa não pode garantir a fiabilidade da orientação budista das actividades do Sr. Carlos Amaral e declina qualquer responsabilidade pelas mesmas. 
O Presidente da Direcção
Paulo Borges


terça-feira, 11 de março de 2014

Machado de Assis e as touradas


Proteção aos animais é dimensão pouco conhecida de Machado de Assis 

Em 15 de março de 1877 os leitores da revista carioca Ilustração Brasileira se depararam com uma crônica, escrita por Machado da Assis, que trazia a seguinte provocação:

“O certo é que se eu quiser dar uma descrição verídica da tourada de domingo passado, não poderei, porque não a vi. [...] Não sou homem de touradas; e se é preciso dizer tudo, detesto-as.

Um amigo costuma dizer-me: –Mas já as viste? –Nunca! – E julgas do que nunca viste? Respondo a este amigo, lógico, mas inadvertido, que eu não preciso ver a guerra para detestá-la, que nunca fui ao xilindró, e todavia não o estimo. Há coisas que se prejulgam, e as touradas estão nesse caso.”

Mesmo afirmando que não assistia a touradas – última moda no Rio de Janeiro do Segundo Império – Machado demonstrou ter plena consciência do grau de crueldade que envolvia a “diversão”.

Ao invés de descrever detalhadamente em suas crônicas o “grande” evento chamado tourada, Machado optou por problematizar a nefasta experiência. Escreveu ele:

“E querem saber porque detesto as touradas? Pensam que é por causa do homem? Ixe! É por causa do boi, unicamente do boi. Eu sou sócio (sentimentalmente falando) de todas as sociedades protetoras dos animais. O primeiro homem que se lembrou de criar uma sociedade protetora dos animais lavrou um grande tento em favor da humanidade; [...].”

Quando menciona as sociedades protetoras dos animais, Machado de Assis estava possivelmente se referindo ao movimento iniciado na Inglaterra em 1824 com a fundação da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals e que, desde então, vinha tendo vários desdobramentos em países da Europa e nos Estados Unidos. Ele chamava a atenção sobre ações internacionais para refletir sobre a realidade brasileira.

A partir de um tema que para muitos era considerado banal, como as touradas, Machado lembrava aos leitores que, entre várias outras instituições que não funcionavam ou nem existiam em terras brasileiras naquele período, estaria aquela, voltada aos animais.

De forma irônica, indagava: “Não digo que façamos nesta Corte uma sociedade protetora de animais: seria perder tempo. Em primeiro lugar, porque as ações não dariam dividendo, e ações que não dão dividendo...Em segundo lugar,  haveria logo contra a sociedade uma confederação de carroceiros e brigadores de galos. Em último lugar, era ridículo. Pobre iniciador! Já estou a ver-lhe a cara larga e amarela com que havia de ficar, quando visse o efeito da proposta! Pobre iniciador! Interessar-se por um burro! Naturalmente são primos? – Não; é uma maneira de chamar a atenção sobre si. – Há de ver que quer ser vereador da Câmara: está-se fazendo conhecido. –Um charlatão. Pobre iniciador!”

Ao declarar-se sócio, “sentimentalmente falando”, de todas as sociedades protetoras dos animais, o escritor chamava também a atenção para o fato de que, no Brasil daquele período, mesmo que alguém quisesse tornar-se sócio “efetivo”, seria impossível, porque não existia nenhuma entidade semelhante em todo o território nacional.

As sociedades protetoras dos animais chegaram muito tardiamente ao país. Foi só em 1895 que surgiu a primeira organização do gênero: a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), com sede na cidade de São Paulo. Não deixa de ser sintomático ter sido São Paulo a iniciar o movimento no Brasil. A cidade, naquele período, experimentava um intenso processo de transformações urbanas, socioculturais e científico-tecnológicas que tiveram impactos profundos sobrea vida dos animais. Isso não significa que não houvesse, em outros locais do país, crueldades, maus tratos,abandono e exploração dessas criaturas. Assim, o que não significa que não existissem manifestações contra essas atitudes, Machado de Assis, no Rio, é um dos exemplos dos mais ilustres e esclarecedores.

As primeiras referências sobre a presença de sociedades protetoras dos animais no Riode Janeiro também podem ser encontradas em outra crônica de Machado, publicada em1889, no jornal Gazeta de Notícias, em que simula a narração de um diálogo entre ele e uma personalidade não identificada. Nessa conversa o escritor comenta sobre o caráter ainda precário dessas iniciativas no Brasil e as condições lamentáveis em que viviam os burros que puxavam carroças e bondes, além dos cães abandonados na cidade.

Quase 50 anos depois, em 1943, mais exatamente em 27 de abril, a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa), oficialmente iniciava suas importantes atividades no Rio de Janeiro. De sua longa história fizeram parte pessoas como o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade e a romancista cearense Rachel de Queiroz.

Como eles, Machado de Assis muito provavelmente continuaria sendo defensor dos animais e se manteria simpático e ao mesmo tempo crítico a todas as sociedades protetoras que viessem a existir. Mas, mais que tudo, o criador do inesquecível cão Quincas Borba talvez ficasse perplexo e sensibilizado com os milhares de sócios, voluntários e simpatizantes que, com incansável luta e esperança, continuam enfrentando diariamente os mais difíceis desafios para proteger os animais. E para que essas sociedades continuem existindo em praticamente todas as regiões do planeta.

Machado talvez tenha sido o primeiro grande escritor brasileiro a se preocupar, em vários e tocantes momentos de sua obra, com o destino reservado aos animais. Um sublime exemplo e ser seguido e jamais esquecido.

domingo, 26 de janeiro de 2014

"Agricultouros" ~ Touros plantam biodiversidade?


Ou será uma falácia para servir a ânsia de inventar vantagens ambientais da criação de gado bravo que serve para as touradas???
A informação objectiva que eu tenho, é que o gado bravo ocupa largas áreas da Ilha Terceira, o que impede que essas áreas sejam percorridas por pessoas/turistas com gosto por passeios na natureza.
Por isso, tais potenciais turistas devem procurar outros destinos, que não a Ilha Terceira.
A presença desses animais representa um perigo para quem inadvertidamente, ou por não conhecer a zona, ande por ali.
Já aconteceram ataques por touros. 
- A tourada à portuguesa implica uma enorme tortura para touros e cavalos e é degradante para a sociedade e para o prestígio do país.
- A Sorte de Varas como autorizada em Espanha, não é permitida em Portugal. É uma modalidade de tortura maquiavélica destinada a perfurar e destruir musculatura do pescoço do touro, que deixará de poder levantar a cabeça ao investir contra o toureiro. O animal sangrando, debilitado, torturado por dores fortíssimas, fica impossibilitado para a luta.
Agora as autoridades estão "generosamente" a autorizar este massacre para agradar aos visitantes do FORUM, desrespeitando a lei proibitiva.
- A tourada à corda é propagandeada como atractivo turístico e como evento festivo, muito interessante, popular, emocionante, desopilante, lucrativo, etc.
Na realidade o que ali acontece é grave:
- um grande sofrimento psico-somático para o touro, que arrisca ser ferido gravemente e até a morte;
- elementos do público, mais afoitos, mais exibicionistas, mais alcoolizados, mais estúpidos, menos ágeis, arriscam-se a sofrer acidentes mais ou menos graves e até mortais por quedas, colhidas pelo touro, síncopes, etc,
- despesas várias, desde organizativas (policiamento, bombeiros, ambulância, pessoal médico e enfermeiro, médico veterinário. etc) até outras, mais do que prováveis, em consequência de acidentes, tais como, de exames clínicos, hospitalização, cirurgia, morgue, autópsia, funeral, tudo à custa de dinheiros públicos alimentados pelos impostos dos contribuintes; 
Daí resulta uma reputação lastimável para a cultura, para a ética das gentes, das autoridades, da Ilha, da Região.
O interesse pelo turismo na Terceira fica muito abalado.
É enorme a vergonha que recai sobre a Ilha Terceira e os Açores, por tanta exploração, por tanta tortura, por tanta mentira!
Vasco Reis

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

... Terão Paz afinal!



"... Vai começar a festa....
Debaixo de um calor de mais de 30º, sem vento e depois de terem permanecido mais de 12 h metidos numa divisória de metal de um camião onde mal se podem mexer, os 6 touros vão ser "lidados" na praça.

Vão ser perfurados com ferros (bandarilhas) que medem 70 cm de comprimento, enfeitadas com papel de seda de variadas cores e rematadas com um ferro de 8 cm, com um arpão de 4 cm de comprimento e 20mm de largura, com farpas ou ferros compridos e ferros curtos que medem, respectivamente, 140 cm e 80 cm de comprimento, com ferragem idêntica à da bandarilha, mas com dois arpões enfeitados e rematados da mesma forma que as bandarilhas.

Os ferros que lhe penetram e rasgam o músculo, provocarão uma dor lancinante (o touro sente até uma mosca pousar-lhe no dorso - daí abanar com a cauda para a enxotar - porque não haveria de sentir dor se é feito de carne e osso como nós?). Depois de lhe serem cravados os ferros, exaustos e debilitados, enfraquecidos, vão ainda ser atormentados por 8 homens que o vão provocar, tentar imobilizar, saltar-lhe para cima e puxar-lhe violentamente a cauda (vértebras serão partidas) e humilhá-lo.

Depois será obrigado a recolher ao camião, como alguém me dizia hoje de manhã, "puxado e arrastado tão violentamente por cordas que se fica com a sensação que lhe vão arrancar os cornos".

No camião, ser-lhe-ão arrancados os ferros, a sangue frio, cortando a carne à volta do arpão com uma faca, deixando-lhe o dorso esburacado em carne viva...

Depois da "festa rija", quando os espectadores tiverem dificuldade em manter-se em pé, o touro vai ser levado para o matadouro, no mesmo camião onde não se pode mexer, deixando atrás de si um rasto de sangue e diarreia.

Hoje é sexta-feira.
Amanhã é sábado, os matadouros não trabalham.
Domingo também não.
Com sorte e, se não tiverem morrido até lá, os touros serão finalmente mortos na segunda-feira, depois de atordoados com choques eléctricos e pendurados de cabeça para baixo.

Terão Paz afinal."


Texto de isabel Santos - Campanha contra as touradas no mundo





segunda-feira, 29 de julho de 2013

Touradas. Uma tradição pelo país fora mas "sem margem de lucro"


As touradas e corridas "têm tendência para acabar."

Viana do Castelo volta a viver a polémica à volta da proibição de uma tourada. O i foi à procura do impacto de um negócio que sempre dividiu mais do que uniu.

Às touradas por causa dos touros.
O trocadilho é repetitivo e fácil de montar, mas ajuda a descrever uma guerra, que tem em Viana do Castelo a sua mais recente batalha. E logo no primeiro concelho do país a assumir-se como "antitouradas": em 2009 aprovou uma declaração para obrigar qualquer organizador a pedir-lhe autorização para realizar um espectáculo com animais. Logo, uma tourada ou corrida de touros. Mas a Prótoiro (Federação Portuguesa das Associações Taurinas), pelo segundo ano consecutivo, resolveu, sem consultar a autarquia, agendar uma tourada para a cidade. No meio do finca-pé entre a autarquia de Viana do Castelo e a associação - que vai durar, pelo menos, até 18 de Agosto, data da corrida - está a logística de um negócio que já pode "ter os dias contados".

O presságio é carregado pela voz de Joaquim Pinta Negra. Do outro lado da chamada, sempre vazia de alegria, nota--se o conformismo de quem passou "os últimos 40 ou 50 anos" a organizar corridas e touradas, a grande maioria na região de Torres Vedras. Responde com um "não" misturado entre risos quando queremos identificá-lo como empresário tauromáquico. Organizador de touradas então? "Pode ser." É o único momento descontraído da conversa, até Joaquim traçar com pessimismo o caminho onde hoje vê a tauromaquia em Portugal.

As touradas e corridas, lamentou, "têm tendência para acabar." Uma análise ao número de espectáculos tauromáquicos realizados em Portugal desde 2000 não afasta esta previsão. No ano passado realizaram-se 274 eventos no país, de acordo com os números da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL). Nos últimos 12 anos, aliás, só 2007 ficou como a excepção à regra - de resto, o número de espectáculos diminuiu sempre face ao ano anterior.

Sinal de que o interesse na tauromaquia está a diminuir, ou um reflexo da própria crise financeira do país? O último relatório da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), datado de 2011, mostra que, nesse ano, cerca de 660 mil pessoas assistiram a espectáculos tauromáquicos em Portugal. Em 2012, o número caiu para os 533 mil, segundo dados contabilizados pela APCTL. O IGAC, entidade tutelada pela Secretaria de Estado da Cultura, ainda não publicou o seu relatório de actividades referente a 2012.

Os números por si só não esclarecem a questão, mas Joaquim já opta pelo pessimismo. "Todos temos os dias contados: as ganadarias estão à rasca, muitas a fechar ou a reduzir efectivos, e os toureiros não têm dinheiro para os cavalos", previu. A conversa, por fim, acaba por chegar às touradas. Este ano, só entre Maio e Setembro da temporada tauromáquica, estão agendadas 84 touradas em Portugal. Lisboa, com 12 espectáculos, é o distrito mais concorrido, seguido de Santarém (11) e Évora (10). Só três dos 18 distritos do mapa não tinham qualquer corrida prevista nestes cinco meses.

Muitos destes espectáculos aterram em praças móveis e desmontáveis, espalhadas por localidades que nem sempre contam com arenas fixas. Os custos, como tudo, variam. Uma corrida montada numa destas praças fica à volta dos 25 mil euros? "Se tiver bons nomes [de cavaleiros], uma coisa com nível, ficará pelo menos no dobro", corrige Joaquim, ao responder, entre risos, à quantia sugerida pelo i à primeira tentativa. "É sempre muita despesa, muita mesmo", desabafa.

AS DESPESAS
As primeiras começam logo com as obrigações legais, definidas pela IGAC. A tabela de serviços da entidade obriga a cada corrida de touro o pagamento de 1077,30 euros de taxa "até cinco dias úteis antes do espectáculo". O montante varia depois consoante o tipo de actividade tauromáquica em questão: entre novilhadas (887 euros), variedades taurinas (760 euros) e novilhadas populares ou festivais taurinos (443 euros).
Além da taxa, o recinto da tourada terá sempre de ser sujeito a uma vistoria, executada por delegados da IGAC. Caso se trate de uma arena com capacidade superior a mil lugares, esta despesa nunca será inferior a 373 euros. Só em obrigações com a tutela, portanto, uma tourada implica o pagamento de quase 1500 euros. E fica a faltar o resto - os custos com delegados técnicos tauromáquicos (da IGAC), policiamento, serviços de bombeiros, ambulâncias, touros (e o seu transporte), promoção do evento e até direitos de autor das músicas tocadas no recinto. "Uma corrida nunca fica por menos de 25 mil euros", esclarece Hélder Milheiro, membro da comissão executiva da Prótoiro, actualmente ocupado em organizar a (prevista) tourada de Viana do Castelo, antes de acrescentar que, em média, são necessárias 175 pessoas para montar e preparar um recinto. Isto quando a tourada é acolhida por uma praça móvel. Passar a conversa para o Campo Pequeno, a praça lisboeta com capacidade para cerca de 10 mil pessoas, dá logo direito a inflacionar os números.

SEM LUCRO 
Neste caso, só em encargos fixos, uma tourada implica um custo a rondar os 20 mil euros. Já o policiamento, bombeiros e ambulâncias, juntos, correspondem a quase 1500 euros. "Há encargos muito grandes, [por isso] não há grande margem de lucro", confessa ao i fonte da organização de espectáculos da praça. Algo compreensível quando alguns dos artistas e cavaleiros de maior renome no país "chegam a pedir quase 25 mil euros" para actuarem como cabeças de cartaz nas maiores corridas do ano.

O cachet reservado aos artistas ocupa mesmo uma das fatias mais dispendiosas dos gastos ligados às touradas. E depende de factores "que podem ir desde a distância [da residência do cavaleiro] à praça, da simpatia do toureiro por uma localidade ou da força que este tenha para meter gente" na arena, como enumerou ao i Hugo Ferro, da Associação Nacional de Toureiros.

A quase ausência de lucros é uma queixa também partilhada por quem se dedica a criar animais com destino marcado à nascença. "Neste momento gastamos mais dinheiro a criar um touro do que ganhamos a vendê-lo", revelou João Santos Andrade, presidente da associação que congrega os criadores de touros de lide. Até chegar à praça, cada animal implica, "em números redondos", um investimento entre os 1000 e os 1500 euros dividido entre custos com ração, veterinária ou manutenção de infra-estruturas. "No mínimo", explicou o dirigente, criar um touro demora "três ou quatro anos", até ser vendido por uma verba a rondar "quase sempre" os 1500 euros. As contas, portanto, são fáceis de fazer. "Não há ganhos nenhuns, de uma maneira geral estamos sempre a perder dinheiro. Isto funciona mais como uma tentativa de manter a tradição e o negócio", admite, por fim, João Santos Andrade.

Manter o negócio e a tradição custa, e só o gosto pelo tauromaquia parece ir aguentando quem lida diariamente com o meio. "Se fizéssemos touradas com a intenção de pôr dinheiro na algibeira, era impossível", confessou Joaquim Pinta Negra, ao introduzir a missão a que hoje se dedica - a de "fazer um espectáculo com qualidade" para "a receita ir toda parar" a instituições de solidariedade.


No caso da "Corrida da Liberdade" de Viana do Castelo, porém, a questão está antes presa na legalidade do evento. Hélder Milheiro, da Prótoiro, nem coloca em causa a realização da tourada agendada para 18 de Agosto. "Do ponto de vista legal, é à IGAC que compete autorizar a corrida. Nenhuma autarquia em Portugal tem poder para proibir uma corrida", argumentou, ao classificar o problema como "puramente administrativo".

O dirigente defendeu que o projecto de "antitouradas" da autarquia "nunca chegou a ser aprovado em Assembleia Municipal" e "vai contra a lei que regula o bem-estar animal", já que esta "admite a tauromaquia como excepção". Até porque, prosseguiu o dirigente, os municípios "governam para o bem público e de acordo com aquilo que a comunidade deseja."

Em 2011, um inquérito realizado a 1133 pessoas pela Eurosondagem, em parceria com a Prótoiro, mostrou que 32,7% dos inquiridos era aficionado de espectáculos taurinos, enquanto 32,8% não gostava, embora também "não concordasse com que se tirasse a liberdade a quem gosta de assistir a actividades com toiros."

Fonte www.ionline.pt

quarta-feira, 15 de maio de 2013

“Vermelho e Negro”

João Moura (cavaleiro)
A cabeça do "Ferrolho" na parede.
João Moura: Este cavalo foi o cavalo mais célebre que eu tive, e o que mais me ajudou na minha carreia, foi o "Ferrolho".

Mesa feita com as patas do "Ferrolho"
[Narração] Mas tem outras recordações do "Ferrolho", a cauda, a pele, e até das patas fez esta original mesa. Noutra sala tem mais trofeus.

Decoração de outra sala na casa de João Moura.
JM: São touros que toureei em Madrid, onde... cortei-lhe as orelhas que são os máximos trofeus e  que sai pela porta grande.

Jornalista: E matou-os?

JM: Sim, foram mortos em Madrid.

Jornalista:
 E porque é que guarda as cabeças?

JM:
 São... são touros importantes porque sair pela porta grande de Madrid é o sonho de qualquer toureiro.

[Narração] (..) para continuar com a tradição familiar conta agora com o filho de 14 anos.

João Moura Júnior:
  É uma grande responsabilidade...ser filho de uma... uma grande figura... do toureio mundial...é muito custoso... desde pequeno... que... gostei sempre de touros e cavalos, e o meu sonho é... ser toureiro. Estudar até... ao nono ano e... depois começar a tourear...

Jornalista:
 Mais do que o nono ano, não?

JMJ:
 Não...

[Narração] Sónia Matias não tinha na família ninguém ligado às touradas, apesar disso um dia foi ao campo pequeno e gostou tanto que decidiu ser toureira. Tinha 12 anos.

Jornalista:
 O que é que os seus pais disseram?

Sónia Matias (Toureira): 
Que eu não ‘tava bem da cabeça. É mesmo esta a expressão que eles me utilizaram(...)

[Narração]
 Mas apesar do ar feminino, Sónia garante que é tão capaz de tourear como qualquer homem, e conta que até já matou touros das três vezes que actuou a Espanha.

Manuel Gonçalves (Empresário Tauromáquico)
Manuel Gonçalves: Os toureiros é uma classe média/alta, em questão económica.

MG:
 Um toureiro pode ganhar até 10.000 contos por corrida. (...) São... são bem pagos.

[Narração] É o mais antigo empresário tauromáquico português (...) mas diz que os tempos já são como dantes.

MG:
 Neste momento é mais fácil perder 5.000 contos do que ganhar 500 contos. O público é o elemento essencial de qualquer espectáculo. (..) numa praça de touros de 10.000 lugares, estarem lá 1.000... não há ambiente, e o espectáculo morre um bocadinho por isso.

[Narração]
 Numa tourada os touros são os únicos que tudo perdem e nada ganham.

Hélder Queiroz (Forcados do Aposento da Moita)
[Narração] Diz que encara o touro na arena pelo espírito de aventura(...)
Nos grupos de forcados as mulheres também não são bem-vindas.


Hélder Queiroz: (...)Acho que o lugar das mulheres é ‘tarem ao nosso lado... noutro, noutro... separados, acompanharem-nos, ‘tarem connosco no jantar, nos apoiar-nos em casa, darem-nos força, e desejarem-nos sorte, acho que isso é o lugar principal da mulher para os forcados.(...)”

Os touros

[Narração] Sem eles não haveria forcados, nem toureiros, nem tourada, são os actores principais num espectáculo que para eles é sempre uma corrida para a morte.
[Narração] João Moura e o filho praticam quase diariamente com bezerras, esta tem cerca de um ano.
Antes de entrar na arena cortaram-lhe tanto os cornos que o animal não parou de sangrar, e o facto de ser apenas uma bezerra não a impediu de ser cravada com várias bandarilhas durante o treino.
As pessoas ligadas à tauromaquia ficam incomodadas quando se fala em crueldade contra os animais.


MG: “Minha senhora, minha senhora, minha senhora, o touro existe, só e exclusivamente para as touradas, é um animal que existe só para isto!”

Jornalista:
 Não acha que é um espectáculo cruel?

José Pedro Pires da Costa: 
Não, de maneira nenhuma.

Jornalista:
 Não acha que é cruel para com o touro?

JPPC:
 Claro que não!

Jornalista:
 Porquê?

JPPC: 
Porquê? Porque... porque... sei lá, é complicado agora estar a responder...

Jornalista:
 Gostas de animais?

JMJ:
 Gosto... cavalos, de toiros.

Jornalista:
 Achas que gostas de toiros?

JMJ:
 Gosto, gosto de toiros.

Jornalista:
 Mas estás disposto a andar a... a espetá-los. E eventualmente a matá-los.

JMJ: 
Pois, a matá-los também.

Jornalista:
 Achas que isso é maneira de gostar?

JMJ:
 Ah, não sei. Mas é a profissão, tem de ser assim.

Jornalista:
 Nunca teve pena de um toiro?

SM:
 Não [risos] Não, acho que não. [mp3]

Luís Rouxinol:
 O touro é... nasce com... com a finalidade em ser toureado.

João Moura:
 É um touro bravo que é criado só para ser toureado.

Hélder Queiroz:
 Os touros não sofrem naquela altura, podem sofrer mais tarde...

Jornalista:
 Por que é que diz isso?

HQ:
 Porque... essa... a raça desse touro foi lidada para isso, este touro foi criado para isso, não... não... ele foi, a genética dele não faz com que ele sofra dentro da praça...

JPPC:
 As pessoas que não gostam de corridas de touros deviam de se informar, informaracerca do que é uma corrida de touros.

SM:
 Nós somos livres de gostar do que gostamos, só vai à arena quem gosta.

MG:
 Deus criou o Homem e criou os animais, para que os animais servissem o homem, não é para que o homem sirva os animais.

JPPC:
 Não há ninguém que goste mais dos animais do que eu.

A Tourada

[Narração] Dentro dos curros os animais estão agitados, pior estariam se soubessem o que lhes vai acontecer.
Os touros são conduzidos para este pequeno compartimento e imobilizados com um barrote e com cordas, só depois os curraleiros lhes cortam as pontas dos cornos. No final põem-lhes protecções de cabedal.
 [mp3]

[Narração] (...)numa coisa todos os toureios são iguais nenhum sai para uma corrida sem pedir protecção divina

SM: 
Sempre que venho para as corridas trago estes santinhos que me acompanham, sempre que chego ao hotel a primeira coisa que eu faço é colocá-los, neste caso foi nesta mesinha (...) para depois antes de ir para a corrida fazer as minhas rezas... e quando voltar agradecer.

Jornalista: 
Traz sempre os mesmos?

SM:
 Sim, trago sempre os mesmos. Por vezes tenho... tenho excepções, vou por exemplo, mostrar aqui a nossa senhora dos toureiros que é a Macarena, que é uma das santinhas que eu nunca me esqueço em casa, embora os outros também não esqueça, mas esta é tipo indispensável, também uso na casaca.

[Narração] (..) na praça ninguém quer saber dos sentimentos do touro, e muitos nem imaginam que mal saem da arena os animais têm de passar por outro mau bocado. Voltam a ser amarrados para que os curraleiros lhes retirem as bandarilhas. O director de corrida não nos deixou fazer imagens, alegou que seria demasiado impressionantes para o público. Aqui fica o som do protesto dos touros enquanto os homens lhes cortam a carne para retira a farpa. [mp3]
Entretanto nas bancadas o público vibra com as estucadas dos cavaleiros, mas emoção a sério é quando alguma coisa corre mal.
Duas horas depois a corrida chega ao fim. Todos se saíram bem, forcados e cavaleiros já só sonham com o descanso, e com o banho.


LR:
 (...)Depois daqui corrida vou tomar o meu banhinho e jantar descansado com a minha família.

[Narração] Nos curros, os touros não têm direito a jantar nem a água, nem sequer a um desinfectante que lhe alivie as feridas. Vão ter que esperar que abra o matadouro mais próximo para então serem mortos. Se a corrida for a um sábado só são abatidos segunda de manhã. Às vezes, quando algum touro se destaca pela bravura, o ganadeiro decide poupar-lhe a vida e usá-lo como reprodutor. Mas a verdade é que nenhum dos animais desta corrida mereceu a clemência dos homens.


in “Vermelho e Negro”, reportagem exibida na SIC na semana de 9 de Junho de 2003
Jornalista (e narração da reportagem): Cristina Boavida
Imagem: Odacir JúniorEdição: Marco Carrasqueira



“Vermelho e Negro”

Assista ao vídeo e reportagem:
As touradas: Violência e Maltrato dos Animais