sábado, 24 de maio de 2014

O Duplo Sofrimento dos Touros


Depois do longo sofrimento que os touros padecem durante as touradas, outro tipo de sofrimento os espera até serem mortos num qualquer matadouro.

Nos curros da praça, e longe dos aficionados que bateram palminhas e gritaram olés ao sofrimento animal e que se estão nas tintas para o que acontece depois, estes animais voltam a sofrer quando lhes são arrancadas as bandarilhas:



Extremamente debilitados pela dose dupla de sofrimento, são encaminhados para o camião que os levará ao seu destino final, destino esse que eles pressentem.

Atenção, o audio/vídeo que se segue, contém sons que podem ferir a sensibilidade de muitos dos nossos leitores:



E se mais provas fossem necessárias, o ex-presidente da câmara municipal da Azambuja, num comentário postado no facebook, comprova o atrás afirmado, mesmo tendo em conta que o mesmo foi feito porque é um defensor de touradas com a morte do animal na arena.


Por muito que a indústria tauromáquica continue a vomitar aberrações tais como os touros têm uma vida de rei, não sofrem assim tanto, etc., a verdade é que este negócio lhes enche os bolsos e lhes permite viver à tripa forra, comprar montados e criar mais e mais animais, porque sabem que à parte do lucrativo negócio da venda dos mesmos, ainda vão receber subsídios estatais, europeus e camarários.

Tudo o que envolve tauromaquia é um asco, um vómito, um universo de gente atrofiada, que começa nos ganadeiros, passa pelos “artistas”, empresários tauromáquicos e aficionados para terminar nos políticos que se deixam corromper prometendo que jamais permitirão a abolição do espectáculo.

Só erradicando este cancro que assola o país poderemos evoluir.

Prótouro
Pelos touros em liberdade

sexta-feira, 23 de maio de 2014

OPINIÕES E COMENTÁRIO (II)

 A PROPÓSITO DO PROGRAMA PRÓS & CONTRAS DE 12.05.2014 (II)
FESTA BRAVA

“Festa, só se for para tauromáquicos, pois que para touros, cavalos e abolicionistas trata-se exclusivamente de fonte de enorme stress e sofrimento. Para abolicionistas acresce ainda o facto de ser motivo para indignação e constante mágoa, o que temos a “agradecer” ao lobby tauromáquico e ao status quo em Portugal”.
Entendo que para se combater a praga tauromáquica há que incidir na educação, a começar por crianças e jovens, a quem se deve revelar a virtude e o dever do respeito pelo bem estar dos animais e, pelo contrário, o mal e a iniquidade que a agressão aos animais implica.
Assim se poderia interromper o ciclo vicioso da fixação tauromáquica para crianças e jovens que estão a ser influenciados pelo meio aficcionado representado por pais, professores, padres, escolas de toureio, touradas, etc, sem que lhes seja revelada a terrível fonte de stress e de sofrimento que a tauromaquia realmente representa.

Muito reveladoras a este respeito são as intervenções de António Moreno, presidente do CACMA (Colectivo Andaluz Contra o Maltrato Animal) feitas no Parlamento da Catalunha. Estão gravadas em vídeo e disponíveis no You Tube. São de um enorme interesse, um exemplo vivo do que acontece nos meios aficcionados e de como se perpetua a aficcion.. Foi toureiro, caçador, pescador, formado pelo meio onde cresceu e seguindo o exemplo do pai e familiares. Fizeram-no crer durante o seu desenvolvimento que os toureiros eram bons, valentes, heróis e que os cavalos eram bons, que os aficcionados eram cultos e amigos, que a tourada era um espectáculo cultural, uma festa, um divertimento. Adorava o seu cão. Especismo perfeito! O touro era considerado a besta maligna, a fera que devia ser toureada, torturada e morta. O animais eram para serem caçados, talvez torturados e devorados, os peixes eram para serem pescados e comidos. Tudo lhe foi transmitido progressivamente, sem contraditório. Aos 35 anos teve um clic ao lidar um touro e reparar, finalmente, no seu olhar desesperado e no borbulhar do sangue que saía da boca às golfadas. Pela primeira vez reconhecera o que é um touro. Abandonou tudo, para sempre! Evoluiu naquele instante! Nunca mais caçou, pescou ou toureou. Deixou de se alimentar de animais.Tornou-se um dedicado protector. E tudo isso revelou a um Parlamento mudo a escutá-lo. Impressionante!

(tenciono abordar a seguir as falaciosas, fantasiosas, quase incríveis intervenções e negações dos tauromáquicos, frequentemente eles comentando e interrompendo a argumentação dos abolicionistas de modo politiqueiro e demasido consentido, com destaque para o Helder Milheiro, um parlador e destabilizador bastante atrevido, sem ter dito algo de positivo).

Vasco Reis

OPINIÕES E COMENTÁRIO

 A PROPÓSITO DO PROGRAMA PRÓS & CONTRAS DE 12.05.2014
FESTA BRAVA.

Festa, só se for para tauromáquicos, pois que para touros, cavalos e abolicionistas trata-se exclusivamente de fonte de enorme stress e sofrimento. Para abolicionistas acresce ainda o facto de ser motivo para indignação e constante mágoa, o que temos a “agradecer” ao lobby tauromáquico e ao status quo em Portugal.

Os tauromáquicos têm a seu favor uma tradição cruel, legislação de excepção permissiva, subsídios, falácias, negócios.
Nós, abolicionistas, temos a consciência, a ciência, a compaixão e a ética como aliados, tudo para protecção de touros, cavalos, pessoas e prestígio do país.

Enfrentaram-se duas equipas debatendo: uma CONTRA e a outra PRÓ TAUROMAQUIA.
Falanges de apoio a cada uma das equipas numa proporção de cerca de 1 para 3 ?
O tempo concedido foi mais extenso para a equipa PRÓ.
A moderadora actuou a favor dos PRÓ. Foi recompensada no fim do programa com efusivos agradecimentos, beijos e abraços de adeptos da tauromaquia.
Serviu a tauromaquia e ajudou a justificar a opção da RTP e do seu presidente, Alberto da Ponte, pela publicitação dos cruéis, vergonhosos, bárbaros espectáculos, à custa do sofrimento de touros e cavalos e da nossa indignação e da nossa contribuição forçada, ao contrário do que deveria ser um serviço público de qualidade e evoluído.
Por essas e por outras não assisto aos programas da televisão pública desde há muito.
Acho que devíamos ter abandonado a sala, quando percebemos o logro, assim como fez o Nuno Costa. Fica para a próxima?

A intervenção de todas e de todos abolicionistas foi positiva, ou seja elucidativa, bem fundamentada. digna, educada, assim também a do grupo de apoio, em contraste com a facção PRÓ TAUROMAQUIA. A tarefa era difícil, até pelo ruído e pelas provocações dos PRÓS com pouca moderação da FCF.

Mas não compartilho da afirmação de que os bovinos de lide usufruem de uma vida muito boa até serem arrancados daí e empurrados para o sacrifício da lide.
Imagino, ao contrário, o sofrimento no marcar a fogo ou a frio e o que se passa em tentas e em treinos e festejos taurinos privados por esse país fora, em escolas de toureio, em acções de varas com aguilhões de campinos, etc.

Não compartilho qualquer entendimento com tauromáquicos, quando se aborda a tauromaquia. Qualquer proeminente, intelectual, artista, escritor que defenda a coisa, deixa de ter o meu interesse, a minha consideração. Esqueço ou ignoro a sua prestação. Arrumo-o numa lista a não consultar. Quem defende tortura de animais, seja por que razão se invoque, para mim não tem interesse e não é boa pessoa, nem pode ser bom político.
Não reconheço a tauromaquia como arte. Para mim é requintada malvadez e não merece qualquer admiração, aplauso e, muito menos, autorização e subsídio.
Embora não seja só isso, é sempre a continuação de uma série de tradições bárbaras, para satisfação da agressividade e do gosto desumano pelo espectáculo de tortura e morte.
Reconheço, no entanto, que outras atitudes podem ser úteis em abordagem com politicos sobre a tauromaquia. Mas, comigo não!
Entendo que para se combater esta praga há que incidir na educação, a começar por crianças e jovens, a quem se revelarão as vantagens do respeito pelo bem estar de animais não humanos e humanos para tudo e para todos e, pelo contrário, o mal que a agressão aos animais implica.

Vasco Reis,
médico veterinário

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Sobre o tratamento dos cavalos e dos instrumentos que são usados para os domar

O cavalo é um animal que procura evitar o perigo através da fuga. No entanto, este animal sociável, generoso, tornado submisso, é obrigado na lide a enfrentar o touro pelo respeito/receio que o cavaleiro lhe incute por meio da voz, por inclinações do corpo, por pressão das pernas e pela pressão e dor que instrumentos utilizados pelo cavaleiro lhe provocam (serreta, freio, bridão, barbela, rédeas, esporas).

O sofrimento psicológico e físico do cavalo está sempre presente na lide e incide principalmente no foro psíquico, na boca através de freio e bridão, na mandíbula pela barbela, no chanfro pela serreta e no ventre pelas esporas.

O grau de sofrimento depende da acção do cavaleiro ser mais ou menos violenta, provocando mais ou menos dor. A acção da serreta pode ser forte a ponto de ferir o chanfro e até partir os ossos nasais subjacentes ao chanfro. Há casos de cavalos que morrem durante a lide por síncope cardíaca provocada por esforço e por pânico.

A tourada significa enorme sofrimento para touros e cavalos.


Tauricida Espanhol Multado por Maltrato Animal
*No caso desta punição, tratou-se simplesmente de resultado de violência bem detectada ou de mais atenção prestada por quem denunciou, mas não se trata de um caso isolado.

Vasco Reis, médico veterinário
 aposentado

O percurso do Cavalo usado no toureio à portuguesa


Como animal veloz que é, procuraria a segurança pondo-se à distância daquilo que lhe pareça estranho ou que considere ser perigoso.

Mas, no treino e na lide montada, ele é dominado pelo cavaleiro, seja pelo “Hackamore”/ serreta / serrilha, “jaquima” em espanhol, actuando contra o chanfro e provocando maior ou menor incómodo, seja pelos ferros na boca, puxados pelas rédeas e actuando sobre a língua e as gengivas (bridão - com acção de alavanca - e freio, ambos apertados contra as gengivas por uma corrente de metal à volta do maxilar inferior, a barbela), artefactos susceptíveis de se tornarem muito castigadores.*1

É incitado pela voz do cavaleiro e por outras acções, chamadas de “ajudas”, como sejam as esporas que são cravadas no ventre, provocando dor e, frequentemente, feridas sangrentas.
É impelido para a frente pela acção das esporas, devido à dor que elas lhe provocam, e a voltar-se ou parar pela tracção das rédeas, devido ao incómodo ou dor que provocam, seja no chanfro, ou na boca e, também, pelo inclinar do corpo do cavaleiro.*2
Ao ser utilizado pelo cavaleiro como veículo para combater e vencer o touro, o cavalo é submetido a enorme ansiedade e esforço, o que até lhe pode causar a morte por colapso dos aparelhos respiratório e circulatório.

Resumindo: o cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso.
Portanto, a afirmação de cavaleiros tauromáquicos de que gostam dos seus cavalos e que lhes querem proporcionar bem estar, soa estranha e hipócrita.
A lei é omissa quanto ao controlo de dopagem, o que permite manipulações e abusos para serem mascaradas situações dolorosas e problemas de saúde, especialmente dos membros do cavalo.
Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.

Vasco Reis, médico veterinário
 aposentado

terça-feira, 20 de maio de 2014

A Psicologia do Touro de Lide


O texto que abaixo transcrevemos e traduzimos e que é apenas um excerto do original, descreve e bem o comportamento dos touros de lide ou bravos.
Este texto pertence ao “El Cossío”, a enciclopédia tauromáquica Os Touros.

O “El Cossío”, é um tratado técnico e histórico escrito por José Maria de Cossío e que foi publicado pela primeira vez em 1943. É o tratado mais extenso e documentado que existe sobre tauromaquia e corridas de touros. Daí ser definido com a “a Bíblia dos touros”.
Os sublinhados são da nossa autoria.

A Psicologia do Touro de Lide

Em todos os animais existem fenómenos tais como os digestivos ou respiratórios, que ocorrem quase que inadvertidamente: são os fenómenos orgânicos. Em contrapartida existem outros, tais como efeitos de um tóxico ou reacções à luz, ao som ou outros agentes exteriores que impressionam o animal, que tem consciência dos mesmos e que pertencem à categoria dos psíquicos. Como tal, no touro, tal como em todos os animais superiores, fenómenos desta natureza acontecem.
Toda a consciência supõe um sujeito que percebe ou sente. As propriedades deste eu ou as suas reacções especiais são o que chamamos carácter.

Para pontualizar como e quais destes fenómenos psíquicos se apresentam no touro, devemos estudá-lo na natureza. Os animais carnívoros, guiados pelo seu instinto de preservação, buscam uma presa viva que os alimente e estão sempre dispostos a atacar e a matar; são dotados de combatividade permanente e sempre prontos para a luta. As suas faculdades mentais foram treinadas desta forma e fazem com que sejam astutos e peritos em perseguir e caçar a sua presa.

Os ruminantes, entre os quais se encontram os touros, animais herbívoros, pelo contrário, não necessitam de atacar ninguém. O touro não ataca nenhuma espécie de animais, nem ataca o homem. O que um animal herbívoro faz é defender-se de um que seja carnívoro. Por isso os bovinos têm fortes reacções defensivas e são medrosos e assustadiços.Tão medrosos que já no séc. XVI Diego Ramírez de Haro observava que o touro quando pasta o faz recuando. Esperam sempre o ataque, sobretudo quanto se encontram isolados da manada ou quando têm que defender a sua prole. Quando tal acontece, investem sem sequer se aperceberem da superioridade que o inimigo possa ter e fazem-no sempre de forma cega e imparável.

As investigações do padre jesuíta Laburu

A investida do touro é um instinto que existe em qualquer animal, investe para se defender, como o leão para apanhar a sua presa e como todos os animais na época de cio. O bezerro, poucas horas depois de nascer já mostra instinto de investir mesmo que mal se consiga aguentar de pé.

Em colectividade, o touro verdadeiramente bravo nunca investe contra os outros e consciente do seu poder, é pacífico e calmo.

O touro muge de diversas formas e expressa distintamente o seu estado de animo: muge quando está com o cio, quando luta, quando pede ajuda ou quando foge.

Os estudos de Sanz Egaña

O touro investe em objectos ou seres em movimento, por medo; o touro ante um movimento, repara e assusta-se; o medo fá-lo correr sem direcção; o touro investe na capa porque esta lhe molesta a visão e cansa a sua retina e devido a essa dor investe, para se libertar da mesma.

A sensação

As sensações do touro são muito intensas, especialmente as do olfacto e audição. Se um touro morre em certo lugar e esse lugar não foi perturbado, podem passar 3 ou 4 anos e todas as reses que por ali passam cheiram-no e mostram que se deram conta de tal facto. O menor ruído que se faça no campo ou na praça põe a rês em guarda e a sua atitude demonstra inquietude. Qualquer objecto brilhante ou de cores vivas assusta-a. Embora a vista do touro não seja muito desenvolvida ao contrário do que acontece com outros animais, cores como os cinzentos, verdes ou azuis pálidos, ferem muito menos a sua sensibilidade que os vermelhos ou amarelos.

Vida afectiva

O touro sente simpatia ou antipatia por pastores ou lugares nos quais encontra sensações gratificantes ao ponto de se deixar acariciar por crianças. Não gosta de variar de lugar, come sempre no mesmo sítio e recordando lugares onde viveu, pode percorrer distâncias enormes, voltando se puder, ao seu campo quando é separado dele; tem uma facilidade enorme em recordar e reconhecer caminhos.

Vida activa

Devido ao seu instinto de associação, os touros gostam de viver em manada e excitam-se quando se vêem sós daí que ataquem tudo o que lhes aparece pela frente.

Prótouro
Pelos touros em liberdade

domingo, 18 de maio de 2014

Bestiais Farpas portuguesas:



Dr. Francisco Flores in "Um Documentário Bestial".
 http://youtu.be/2w2bDOiouT4


Artigo 43º do Regulamento do Espectáculo Tauromáquico
Ferragem
1 - A ferragem destinada à lide de touros e novilhos obedece às características seguintes:

a) As bandarilhas devem medir 70 cm de comprimento, ser enfeitadas com papel de seda de variadas cores e rematadas com um ferro de 8 cm, com um arpão de 4 cm de comprimento e 20mm de largura;

b) As farpas ou ferros compridos e os ferros curtos devem medir, respectivamente, 140 cm e 80 cm de comprimento, com ferragem idêntica à da bandarilha, mas com dois arpões, e ser enfeitados e rematados da mesma forma que as bandarilhas.

2 - As bandarilhas a colocar a duas mão pelo cavaleiro devem medir 90 cm de comprimento.

3 - Os ferros compridos devem partir de modo que 35 cm fiquem na rês e o restante na mão do cavaleiro.

4 - A ferragem a utilizar na lide de garraios ou vacas deve ser enfeitada da mesma forma que as bandarilhas e rematada com um ferro que não exceda 3 cm de comprimento, com arpão até 1 cm de largura.

5 - ...


Juventude anti-tourada Portugal & Mundo

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O touro tem uma vida de rei durante 5 anos e depois sofre na arena durante 20 minutos

Deveria preocupar-nos o carácter doentio de criar animais para os sujeitar a um ritual de tortura antes de os matar. Até porque sabemos que violência é violência, qualquer que seja a vítima e não é por acaso que diversos estudos no âmbito da psicologia, demonstrem que todos os serial killers treinaram os seus dotes primeiro em animais.

É a sede de dominar e de subjugar que emana deste tipo de cultura, donde provém igualmente a violência doméstica (em que o mais forte necessita permanentemente de afirmar a sua superioridade através da submissão dos mais fracos).

Se o simples abandono de animais de estimação é consensualmente condenado pela população, por que motivo devemos aceitar que outros torturem touros, por mais bem estimados que sejam?


(DES)Argumentos:  tauromaquia
Fonte

É melhor a vida de um touro de lide do que a dos bois para consumo


Nenhum mal pode ser justificável por comparação com outro mal maior.

Corredor da Morte


O touro gosta da lide, sente-se respeitado

Deve ser resultado de algum estudo de opinião em que entrevistaram os touros à saída da arena...

Este é mais um paradoxo da defesa da tauromaquia: por um lado acusam os que a ela se opõem de antropomorfizar o touro quando falam em sofrimento mas, por outro não têm qualquer pudor em afirmar que o touro sente honra, arrogância ou paixão por ser ludibriado e ferido num ambiente hostil, longe dos seus pares.

A valentia, a inteligência contra a força bruta

Há quem prove diariamente que a valentia e a inteligência são superiores à força bruta, através da literatura, da filosofia, da ciência, da tecnologia, da política, da intervenção social.

A corrida de touros está concebida de forma a que um dos lados esteja preparado para vencer e o outro condicionado para perder. Não é por acaso que as praças são redondas, que os cornos são despontados e embolados, que os toureiros aprendem as técnicas de melhor enganar o touro, que a música toca, que o público grita, que a sequência e o tamanho das bandarilhas é precisamente aquele.

Assumindo que a inteligência é a capacidade de resolver novos problemas, o touro – o tal animal irracional – é o único que a tem que usar, porque é aquele que não sabe o que o espera. Se ensinássemos o touro (sim, são capazes de aprender, como todos os outros animais, através de estímulos positivos e negativos) a apontar ao corpo e não à muleta, a não reagir às primeiras agressões e esperar que o torturador se exponha cada vez mais, a virar a cabeça de lado no momento do encontro com o forcado? E se, sobretudo, o fizéssemos sem o conhecimento prévio de toureiros e forcados? Aí o desfecho seria seguramente outro e já não seria “justo”.

Basta ver os gestos repetidos e as expressões grotescas de triunfo dos toureiros para perceber o carácter supérfluo, primitivo e inútil da necessidade de um ritual em que o homem pretende demonstrar a superioridade sobre um animal. É fácil de perceber que uma coisa destas ao invés de elevar o homem, bestializa-o.

É ainda importante considerar a própria pertinência de perpetuar um ritual primitivo em que, supostamente, se confrontam a inteligência e a força bruta. Acima de tudo, é um ritual de vaidade, supérfluo e desnecessário. Alegar que tal confronto é uma das essências da tourada é afirmar que o homem precisa de provar que é intelectualmente superior a um animal, o que é verdadeiramente absurdo.

Concluindo: houve inteligência sim, mas a montante, na construção desta sequência. Mas sabemos bem do que a inteligência sem empatia é capaz.

A oposição à tauromaquia é uma luta da cidade contra o campo


Essa é uma falsa questão, já que não podemos falar genericamente de pessoas do campo sem estarmos a estereotipar um grupo. As pessoas do campo são tão iguais e tão diferentes como todas as outras: podem ser generosas, compassivas, inteligentes, brutas, gananciosas, violentas, egoístas, divertidas, taciturnas... podemos continuar indefinidamente, sem nunca chegar a uma conclusão de jeito.

A oposição à tauromaquia é uma luta da razão e da sensibilidade - valores transversais a todas as pessoas, independentemente da sua origem - contra a paixão cega das emoções fortes.

O touro não sofre


Sabemos que é reprovável causar sofrimento por motivos triviais. Mas o que é facto é que o touro tem que sofrer durante o espetáculo com que se deleitam os aficionados.

Por isso parece-lhes melhor defender a ideia absurda de que um animal que sente uma mosca a picar-lhe os flancos, por uma espécie de passe de mágica, numa arena não sente ferros de 8cm de comprimento com um arpão de 4cmx2cm a enterrarem-se-lhe na carne e a dilacerarem-lhe músculos, vasos sanguíneos e nervos.

Para conferir alguma credibilidade a este absurdo, invocam muitas vezes um pseudo- estudo do porf. Illera, que obviamente não conseguiu passar pelo crivo do peer review. E como não conseguiu publicar em revistas científicas, optou por publicar as suas conclusões em revistas tauromáquicas que o acolheram de braços abertos e divulgaram até à exaustão.

Entre os argumentos pseudo-científicos frequentemente associados à alegação de que o touro não sofre, a questão da adrenalina costuma ter um papel de destaque. Dizem que a secreção de adrenalina como elemento inibidor de dor é a prova de que o touro não sofre com as agressões que sofre durante a lide. A auto-contradição é evidente: a secreção de adrenalina ocorre em momentos de claro perigo e tensão e é o mais claro indicador de que o touro está, efectivamente, a sofrer. Senão, a adrenalina não seria sequer necessária.

Puro bom senso.

Controvérsia sobre o sofrimento dos touros 
O touro picado não sente dor - As lérias do prof.Juan Carlos Illera  

domingo, 11 de maio de 2014

- Touradas: Património ou barbaridade?


Walter Benjamin disse que toda a nossa civilização assenta em barbárie. Sendo isso verdade, tendo os humanos baseado a sua civilização em estratégias de domínio e subjugação, será errado querer mudar essa forma de estar no mundo? 
Não me parece. Errado é persistir num modelo profundamente injusto. É tempo de abolição.

O único argumento legítimo e verdadeiro que têm os aficionados, é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos. 
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. 
Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. 
A pergunta é simples: é eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim? 
Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral.
Passando agora a mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pró-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano.
por Cristina D'Eça Leal

O vídeo da promoção do Prós e Contras.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Premiar a irresponsabilidade?


Foi com estupefacção que tivemos conhecimento de que a Associação Portuguesa de Deficientes distinguiu a reportagem da CMTV 'Pegar a vida' com o prémio Dignitas 2013 na categoria de Jornalismo Digital.

Entendíamos se a referida reportagem aproveitasse para expor e condenar os comportamentos de risco que levam muitos jovens a comprometer a sua integridade física em exercícios de dominação e bravata numa lógica machista de exibicionismo puro.
Mas não, a referida reportagem entra num caminho ostensivamente condenável: a glorificação desses comportamentos aberrantes.

Move-nos não um ódio cego contra a tauromaquia, mas o entendimento de que é imperioso erradicar a ideia de que algumas vidas valem menos do que outras.

Como se sentirão as pessoas que se lesionaram permanentemente como resultado de acidentes de trabalho, na tentativa de salvarem vidas ou por acidentes provocados por outrem, ao depararem com o destaque dado a esta notícia? O que sentirão os inúmeros portadores de deficiência deste país em situação de carência económica perante esta festa e a angariação fácil de 100.000€ para premiar a irresponsabilidade?
Defraudadas, seguramente, inclusive pela própria associação que as deveria representar e defender.

CAPT - Campanha Abolicionista da tauromaquia em Portugal

fonte da notícia: cmjornal

domingo, 23 de março de 2014

Touradas em queda livre: 2013 foi o ano com menos espetáculos realizados desde o início do século

O número de espectáculos tauromáquicos em Portugal tem vindo a diminuir, e 2013 foi o pior dos últimos 14 anos.
Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), órgão responsável por assegurar o exercício da actividade, bem como licenciar e fiscalizar, afirma no seu relatório anual, que a diminuição do numero de espectáculos e de espectadores não tem a ver com a crise que o pais atravessa, “apesar do contexto económico, observa-se não ter existido uma diminuição relevante do número de espectáculos”, no entanto 2013 foi o ano em que menos espectáculos viu serem realizados.
Tendo-se realizado, por exemplo 360 eventos no ano 2000 e 372 no ano de 2002, no ano de 2013 realizaram-se apenas 241 espectáculos. Enquanto que no ano 2002 foram cerca de 620 mil espectadores a assistir aos espectáculos, no ano de 2013 foram apenas cerca de 440 mil, sendo que a maior queda foi registada entre 2011 e 2012,uma perda de 21% de espectadores no total. Este é um espectáculo de incidência sazonal e com maior representação no centro e sul do pais. As corridas de touros continuam a ser o evento mais vezes realizado com cerca de dois terços do total de espectáculos enquanto as novilhadas populares o evento com menos expressão.
Estará também o mundo a olhar para as touradas com outros olhos?

a historia das touradas 3 Touradas em queda livre: 2013 foi o ano com menos espetáculos realizados desde o início do séculoFoto: Cultura Mix

O YouTube, maior site de vídeos online, decidiu há alguns meses fechar um dos maiores canais de touradas existentes na plataforma. Na altura, um porta voz do site afirma que as regras do site sao claras, e que “ não são tolerados comportamentos incorrectos ou maus tratos a animais”, serão admitidos vídeos de touros mas “ não com a matança do touro”.
Em Portugal já foi pedido o fim dos dinheiros públicos para este tipo de actividades.
No site do governo foi disponibilizada uma plataforma de acção cívica onde todos os cidadão poderão apresentar propostas ao executivo. Coincidentemente ou não, o movimento vencedor da segunda edição deste programa foi Rui Manuel, com “Fim dos dinheiros públicos para as touradas” com cerca de 3000 apoiantes .
Na última edição candidataram-se 324 movimentos num universo de 33 mil apoiantes e 3500 seguidores no Facebook, tendo Rui Manuel assegurado uma reunião com o Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, para apresentação do movimento.
No entanto a componente histórica e cultural fará com que seja necessário mais tempo e dialogo para o atingir dum consenso em relação aos direitos dos animais.

quarta-feira, 19 de março de 2014

TOUROS e TOURADAS – - “IGNORÂNCIA”, “LEVIANDADE” ou “PRECONCEITO” da ONU?

Carlos Amaral: Homeopata, Budista, Critico da ONU Burlão, Charlatão ou só Tretas?
Grupo Central Anti Tourada: Os defensores da industria tauromáquica e críticos da ONU. 
Os homeopatas, filósofos, humanistas e adeptos de crianças assistirem às bandarilhas no animal....
leia os links para perceber melhor!


TOUROS e TOURADAS – - “IGNORÂNCIA”, “LEVIANDADE” ou “PRECONCEITO” da ONU?
Category: Opinião
Created on Saturday, 15 March 2014 14:28
Written by Carlos Amaral
Este texto, como não podia deixar de ser, é baseado num relatório divulgado no dia 5 de Fevereiro, no qual o Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselhou Portugal a criar legislação que restrinja a participação de crianças em touradas, referindo estar “preocupado com o bem-estar físico e mental das crianças envolvidas em treino para touradas, bem como com o bem-estar mental e emocional das crianças enquanto espectadores que são expostas à violência das touradas”. Pois bem, será importante aqui referir que, na base desta decisão pseudo preocupada, aliás, hipócrita deliberação, está um relatório da organização não-governamental Franz Weber.
Para quem não saiba, nasci na Ilha Terceira, e fui criado bem perto da criação de touros e da realização das touradas, convivendo familiarmente com alguns criadores (ganaderos) de “gado bravo” e, honestamente perece-me que não tornei-me “bravo”, nem traumatizado, muito menos violento e despido de humanidade. Pelo contrário, aprendi nessa minha vivência infantil e de adolescente a respeitar os animais, a reverenciar a sua existência, a acatar a sua nobreza, o seu porte e, sobretudo, a sua presença, natureza e majestade.  Naturalmente, tornei-me muito mais humano e respeitador da multidiversidade animal. E, sobre isto, não restam dúvidas!
Neste texto não quero de forma alguma convencer os movimentos “anti-touradas” para que, as mesmas, possam continuar a existir. Muito menos falar da violência dos “touros de morte”, pois essa realidade há muito foi banida da nossa cultura ancestral. Também, e de igual forma, não desejo aqui fazer a apologia dos sofrimentos momentaneamente infligidos pelas “farpas” nos touros aquando das suas lides em praça, pois penso que isso pode e deva ser modificado. Todavia, não quero perder-me na hipocrisia e cinismo da eventual legislação acima referida que provavelmente nascerá desse tão apregoado relatório. E são muitas as razões que levar-me-ão a esta actual posição. Vejamos:
Por exemplo, ainda não vi preocupação continuada ou reiterada da ONU com a violência no lar que compromete a formação e a integridade da criança ou do adolescente. E penso que seria importante verificar e estudar, que os conflitos da violência doméstica se dão nas relações de poder, em que o adulto é considerado o centro da casa e o dono da vida da criança, podendo bater, espancar e humilhar. Neste contexto, penso que existe uma diferença entre a violência doméstica e a familiar. A primeira é analisada pelo âmbito onde a violência acontece, no caso o lar; e a segunda, é caracterizada pela ligação e pelo vínculo de parentesco entre quem pratica e quem está sofrendo a agressão. Os números não são subjectivos, nem nos podem deixar indiferentes: em Portugal, nas suas diversas regiões, e nos Açores também, lamentavelmente a violência doméstica não é ficção, é pura realidade. Aparentemente, as mulheres casadas são as principais vítimas. A palavra “aparentemente” é aqui usada intencionalmente, porque existem outras vítimas, tão importantes quanto as agredidas, que muitas vezes são esquecidas no drama da violência doméstica: as crianças. Fico realmente admirado, direi até aturdido, em verificar que a ONU não reparou ainda que, por trás do silêncio dessas mulheres, existe frequentemente um sofrimento sem fim e marcas que por vezes ficam para toda a vida. Isto acontece porque, no cenário de guerra, a luta é travada entre pessoas com as quais a criança se identifica e que são, para ela, figuras de suporte. Portanto, testemunhar a violência de um pai sobre o outro, segundo estudos realizados, produz efeitos tão negativos na criança como quando ela é o alvo directo da violência por parte das figuras parentais. E quando o conflito se instala dentro de portas, não há forma de poupar sofrimento aos mais pequenos pois, ainda que se trate de bebés, estes captam os sinais de duelo, mesmo não lhes sabendo dar um nome, nem compreendendo o seu significado. Imediatamente as crianças começam a fazer uma leitura dos conflitos, muitas vezes fazem-no de forma incorreta, atribuindo a si próprias a responsabilidade pelo mau trato físico ou pelas discussões constantes entre os pais. Frequentemente, os próprios pais, em vez de tentarem minorar o sofrimento das crianças, usam-nas como uma “arma” contra o outro progenitor. Deste modo, a vergonha em revelar aos outros que os pais vivem em guerra faz com que a criança se feche e viva só na sua trincheira, com problemas sérios em termos emocionais, cognitivos e comportamentais. Penso, com toda a sinceridade, que a violência doméstica seja um problema de saúde pública difícil de ser solucionado, pois são raros os dados que mostram a realidade desse tipo de violação. Mas, também penso que a ONU, sendo o que é, devia interessar-se mais por esta vertente social e educacional, aliás, reformadora, em vez de mexer na cultura dos povos pela periferia sem nada realmente perpetrar endogenamente pelos mesmos.
A Tourada à corda, tourada ou corrida de touros à corda, é um divertimento tauromáquico tradicional nos Açores, com particular expressão na ilha Terceira, acreditando-se ser a mais antiga tradição de folguedo popular do arquipélago. Para quem ainda desconheça alguns detalhes, esta modalidade tauromáquica é específica dos Açores e caracteriza-se pela corrida de quatro touros adultos da raça brava da ilha Terceira ao longo de um arraial montado numa rua ou estrada, num percurso máximo que regra geral é de 500 metros. O animal é controlado por uma corda atada ao seu pescoço (daí a designação do tipo de tourada) e segura por seis homens (os pastores) que conduzem a lide e impedem a sua saída para além do troço de via estipulado. A lide é conduzida por membros do público, em geral rapazes, embora seja admissível a presença de capinhas contratados. Após a lide, os animais são devolvidos às pastagens sendo repetidamente utilizados, embora com um período de descanso mínimo de oito dias. Historicamente, o primeiro registo conhecido da realização de uma tourada à corda data de 1622, ano em que a Câmara Municipal de Angra organizou um daqueles eventos, enquadrado nas celebrações da canonização de São Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loiola. Assim, a realização de corridas de touros à corda foi adquirindo ao longo dos tempos um conjunto de características, fixadas por normas e regras de cariz popular que hoje se encontram legalmente codificadas. Essas normas estabelecem os procedimentos de saúde e bem-estar animal a seguir em relação aos touros, os sinais correspondentes aos limites do arraial (riscos no chão), os sinais a utilizar na largada e recolha do touro (foguetes). E para a protecção dos espectadores os touros não estão “em pontas”, isto é, têm sempre a ponta dos chifres cobertas por algo que proporcione a protecção do espectador, as regras a seguir na armação dos palanques e na protecção dos espectadores e ainda a actuação dos capinhas, que são toureiros improvisados que executam sortes recorrendo a um guarda-sol, a uma varinha, a um bordão enconteirado ou a uma samarra, fenómeno altamente apreciado nesse tipo de festejos.
Em suma, e em abono da verdade, nunca como profissional de saúde recebi em consulta criança ou adolescente algum traumatizado por ter assistido às touradas, nem por ter feito parte das escolas de tauromaquia. Recebi e recebo SIM, indivíduos profundamente perturbados pela violência doméstica que referi aqui, e por tantas outras coisas existentes, e que mereceriam desde sempre o apoio da ONU!
Fonte: Copyright © 2014 Correio dos Açores

QUEM É Carlos Amaral?
O Prof. Dr. Carlos Amaral, nascido Na Ilha Terceira, Açores, forma-se nos Estados Unidos, em Medicina Natural (Naturopatia e Homeopatia) cujo doutoramento conclui em 1979 pela United SchoolofNaturopathyandAlliedSciencesof Jersey City, em New Jersey.

Em 1984 é doutorado em Teologia Universal pela Universidade de Metafísica de Los Angeles

Em 1985 é doutorado pela mesma Universidade em Ministério Esotérico e Metafísica da Divindade.

Em 1986 é-lhe concedido pela mesma Universidade o título de Doutor «Honoris Causa» em Humanidades. Especializou-se em Medicina Complementar e Acupunctural na International University for Complementary Medicines (Medicina Alternativa) em Londres e Colombo - Sri Lanka - no ano de 1989.

Em 1990 recebeu pela Universidade de Medicinas Complementares de Sri Lanka o título de Doutor em Ciências de Investigação Biológica e Homeopática (Honoris Causa).

É membro efectivo de inúmeras organizações internacionais de Medicina Biológica, Acupunctura e Radiónica, nomeadamente: - nos Estados Unidos, da Associação de Médicos Naturopatas de Minnesota, da Associação de Medicina Homeopática do Arizona e da Academia de Ciências de Nova Iorque. - No Sri Lanka, da Universidade Internacional de Medicinas Alternativas, em Colombo. - Na Colômbia, do Colégio Médico Homeopático do Atlântico e do Instituto de Recuperação Mitocondrial Corporal, nos Estados Unidos e em França.

Em Portugal, é membro efectivo da Associação Portuguesa de Naturopatia, com sede em Lisboa; Membro-Delegado Internacional do Conselho Federativo Europeu e dos Colégios de Medicina Tradicional. É, também, membro do International Institute on MetabolicDiseasesandCancer (I. R. M. C.); Membro do Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Ibero Americana de Hipnose Condicionativa.

É igualmente membro efectivo de algumas instituições esotéricas.
A experiência espiritual que possui adquire-a, fundamentalmente, através das inúmeras digressões efectuadas na Índia, Egipto, Nepal e Tibete.

Na Índia e no Nepal realiza diversas conferências com grupos espiritualistas e é no Tibete que é iniciado no Lamaísmo Tibetano.

Sendo Budista, e mercê da sua dedicação ao Ensinamento da Filosofia Budista, e ainda pelos méritos que lhe são reconhecidos, após um período de “retiro” e reflexão, recebe em 1980, na Índia, em Dharamsala, o «Manto Amarelo Lamaísta», considerado o mais alto galardão por ele recebido.




Carlos Amaral
17/3
A DEFESA dos ANIMAIS / A DEFESA das CRIANÇAS DESPROTEGIDAS / E O RADICALISMO, FUNDAMENTALISMO, INCOMPREENSÃO e DESELEGÂNCIA de uma desconhecida que se apresenta com o nome de EVELINA MELO
O texto de hoje irá abordar de forma conveniente os actos de fundamentalismo, superstição contemporânea, julgamento maldoso, crítica infame que qualquer um de nós pode nas páginas do facebook sofrer, sem qualquer aparente defesa ou direito de argumentação maior, pois as pessoas não querem elegantemente argumentar, ouvir o contraditório, mas, tão-somente, afrontar, ofender, ultrajar e espezinhar a dignidade humana na falsa e leviana pretensa de neste caso “defender os animais” e as “criancinhas indefesas”, e tudo isso a propósito de um artigo publicado na coluna “Directo ao Assunto”, divulgado no passado dia 15 de março, intitulado “Touros e Touradas – Ignorância, Leviandade ou Preconceito da ONU?”, e assinado por mim como colunista deste jornal do arquipélago.

E começo também por dizer, que a incompreensão e a maldade são, provavelmente, as armas mais letais existentes no planeta Terra. Este nosso planeta azul tão perdido no Universo, que possui na sua superfície uma forma de vida intrigante, sediciosa, altamente briguenta e rancorosa, que são os gabáveis animais humanos. Realmente gostaria de continuar a idealizar que fossemos capazes de entendermo-nos, de amar-nos, respeitarmo-nos, de compreendermo-nos, e isso pelo nosso grau de inteligência. Mas, face à presença demolidora e frenética da senhora Evelina Melo, no meu mural, sou obrigado a dizer que não o somos, infelizmente!

Efectivamente, não o somos em decorrência das nossas naturais imperfeições, e em virtude desta “maldição” chamada comunicação. Realmente, e em abono da verdade, o ser humano precisa comunicar e interagir tendo em vista ser um animal gregário, mas fá-lo com tanta imperfeição que só consegue semear e colher destruição, amargor, corrupção, tristeza e ódio nas suas tentativas de fazer-se ouvir. Todavia, se verdadeiramente cientes do que transmitem ou cautelosos na avaliação de uma ou mais expressões usadas, jamais haveria dor.

Entretanto, e ainda a propósito, a incompreensão reside no desacerto entre aquilo que dizemos, e naquilo que queremos dizer, tal como naquilo que escutamos e naquilo que interpretamos e comentamos. E nessa confusão reside ainda o inseparável egoísmo de muita gente que manipula esse mundo de informação da maneira que o interlocutor bem desejar. É por isso, que a incompreensão aqui retratada desencoraja a tentativa de novos diálogos. Na verdade, os pontos de interrogação que pairam sobre a cabeça das pessoas são, no mínimo, frustrantes para alguém que gosta de ser compreendido de primeira, que é o meu caso!

Mas, tudo isto, por via da publicação nesta minha coluna da minha opinião sobre a advertência da ONU relativamente às crianças que assistem às touradas. E relativamente ao assunto, volto a reiterar o mesmo sem retirar palavra alguma, vírgula ou ponto, apesar do descontentamento e da perseguição dessa senhora Evelina Melo que “assaltou” a minha página do facebook com execrações, julgamentos, críticas insanas, confundindo “alhos com bugalhos”, e atribuindo-me falsidade ideológica quando afirmou que um verdadeiro budista não pode nem deve defender a violência e sofrimento das touradas... como se isso estivesse impresso no texto referido... como se eu tivesse feito a apologia dessa bestialidade... Enfim, o equívoco, a intransigência, a maldade propositada, o fundamentalismo empregue, e o radicalismo com que essa senhora se expressou e me acusou de ser “aficionado” deixa muito a desejar ao movimento “anti-touradas” nos Açores. Imaginem - essa senhora até bloqueou-me na internet no contacto com os meus amigos, clientes e utentes prejudicando a minha actividade online e a minha disponibilidade profissional diária para atender dezenas de solicitações. Para além de ser ultrajantemente pusilânime, a senhora em questão demonstrou não só a deselegância com que quis ofender a minha dignidade humana, de colunista, de pensador, e de cidadão, mas, também, quis rancorosamente “castigar-me” por estar disponível aqui a dar o meu contributo como articulista, ou seja, de fazer pensar!

Em suma, e voltando ao artigo sobre as touradas, quero aqui apelar para uma melhor leitura do texto referido, no qual, encontrarão os leitores sérios e atentos uma isenção absoluta sobre a continuidade da realização das touradas, inclusive, encontrarão um apelo para que as mesmas possam sofrer uma modificação no uso de farpas e outros utensílios que possam trazer sofrimento – directo ou indirecto - aos animais que, com eles aprendi no meu tempo de criança, sem sombra de dúvida, a respeitá-los, a amá-los e a cuidar deles como meus pares e companheiros de jornada, muito antes do agora célebre aparecimento do conceito do “especifismo” nascido no “anarquismo organizado”. Ative-me, simplesmente, na história da “Festa Brava” na Ilha Terceira e, por conseguinte, na advertência pseudo-científica que a ONU difundiu sobre os pretensos traumas da criança que assiste às touradas, opinando que a mesma foi pretensiosa, despropositada, ignorante, leviana e preconceituosa. E através dessa opinião, quis frisar que a violência maior e traumática reside nos lares onde o analfabetismo, alcoolismo, desumanidade, superstição, insalubridade, falta de recursos materiais e de trabalho é que fazem com que a nossa sociedade fique violenta, cruel, sádica e inumana. Foi exactamente tudo isto que quis explicar e elucidar aos leitores que pensam e raciocinam como pessoas livres, acessíveis, dispostas e alforriadas de qualquer preconceito para um melhor diálogo sobre a sempre possível transformação social e eventual alteração das suas festividades laicas ou religiosas; pois, nessas últimas, teríamos muito a articular sobre a violência psicológica que podem trazer a uma criança em desenvolvimento. Entretanto, sobre este sensível e proibitivo tema, a ONU não estará disponível para discutir e advertir, dado que, será sem sombra de dúvida, um repto a temer porque mexerá com as crenças dos indivíduos, dos povos e das nações nas quais essa organização se nutre e sustenta, muitas vezes hipocritamente!

Caro leitor, finalizo dizendo: imaginem quantos duelos, quantas pelejas, quantas guerras, quantas dores, quantos mal-entendidos, quantos corações fragmentados não teriam sido evitados se as pessoas fossem apenas um pouco mais sinceras em fazer conhecer as suas reais intenções ou os seus autênticos anseios?




Lama que não é Lama
Em todo o mundo, o Lama é reconhecido como um símbolo de paz, amor, bondade e humildade na comunidade.
Faz o bem, incute a paz interior individual e colectiva.
Todos eles têm valores como a tolerância, paciência e compaixão...
Tudo isto para contar um episódio que se passou com um meu familiar gravemente doente que procurou uma alternativa e não foi isto que encontrou após um anúncio no Diário de noticias da Madeira publicado por este Senhor, que se diz Lama numa pseudo clínica de Santa Cruz.
Após a marcação de uma consulta que teve inicio às 19h00 e acabou pelas 4h00 da manha do dia seguinte, a mesma foi iniciada com o suposto Lama, que falava repetidamente da sua pessoa eu, eu e eu, muitos discursos e vastos diplomas, especialista em medicina ortomolecular, convencendo-nos que a medicina convencional estava a matá-lo e que acabaria por morrer antes de chegar ao Verão.
Saímos com promessas de cura.
Ora, nesse mesmo dia pelas 11h00 horas, recebemos um telefonema do Sr. Lama dizendo que tinha estudado o caso e que a cura incluía um pacote de tratamento cujo valor era exorbitante. De imediato deu-nos o NIB da conta bancária da Tia cujo balcão está sediado nos Açores.
Não vou falar em valores porque o meu familiar está muito fragilizado e tem vergonha de revelar ao público.
Após este episódio, iniciou um tratamento, sem explicar em quê que o mesmo consistia e a partir daí foi um inferno....(note-se que nunca fez um plano do tratamento apenas era administrado uma injecção diariamente, na sua pseudo clínica de Santa Cruz).
Quando o abordávamos sobre o tratamento, o falso Lama fazia palestras maçadores e ameaçadoras de morte, autênticas lavagens de cérebro, era rude, malcriado, humilhando o doente fragilizado, culpando-o da sua doença.
Passada uma semana este Sr voltou com um novo golpe, disse-nos que tinha consultado o universo e teria que alterar o tratamento, (como por ex. 1 caixa de injectáveis de 5 ampolas que custa 50€ pediu-nos 2500€). Este valor seria novamente depositado na conta da tia.
Fomo-nos apercebendo que este Sr de Lama nada tinha pelas suas atitudes, cujo conceito mencionei inicialmente...
O objectivo deste Sr é dizer mal da Medicina convencional.
Aproveita-se da fragilidade dos doentes para extorquir dinheiro, não passa recibos, não faz planos de tratamento apenas apresenta um pacote que engloba tudo, prometendo a cura, com valores incalculáveis.
Por tudo isto, acabamos por desistir ficando sem o dinheiro e com o meu familiar ainda mais debilitado.
Face ao exposto, venho alertar a todas as pessoas doentes e sem esperança, que estejam atentas e tenham cuidado com este tipo de pessoas que se proclamam Mestres do universo.
Por último, e queremos ainda informar que ao desistir do tratamento o aldrabão e suposto Lama, recusou-se a entregar toda a medicação adquirida e não utilizada, tendo a PSP de Santa Cruz intervir para fornecer para que este Sr. nos fornecesse os recibos.
A medicação essa lá ficou para o Sr. Lama extorquir novamente dinheiro a alguém com supostas esperanças de cura.

esse sr trabalhou num consultório em lisboa, perto do IPO. fui lá pela primeira vez com a minha avó, que sofre de mieloma múltiplo. nem preciso contar o que aconteceu: basicamente, o mesmo que aconteceu a esse sr!
levou muito dinheiro, foi super mal educado e aproveita-se da fragilidade das pessoas, entrando na sua intimidade e culpando as pessoas da doença!
não é pedagógico, só diz que curou actrizes conceituadas e blá, blá, blá!
considero vergonhoso esse sr continuar a dar consultas e levar este dinheiro todo!
leva as pessoas a fazerem tratamentos com injecções diárias e kilos de medicamentos naturais! obriga as pessoas a deslocarem-se diáriamente pra fazer as injecções, e 6 meses depois volta a pedir mais dinheiro porque diz que o tratamento não resultou. porquê? sempre por culpa do doente!
culpa, culpa, culpa!
esse sr devia ser preso... se for necessário depor contra esse sr, estou de inteira disponibilidade!
cumprimentos
17/06/2010

 Treta da semana: à vossa saúde!
No blog da Heloisa Miranda, que promete ser um rico filão para esta rubrica semanal, um budista de nome Carlos Amaral e cognome Lama Khetsung Gyaltsen escreve sobre cristais e mais uma baralhada de coisas. Segue-se um comentário do presidente da União Budista Portuguesa, declarando que «não pode garantir a fiabilidade da orientação budista das actividades do Sr. Carlos Amaral e declina qualquer responsabilidade pelas mesmas» e um tortuoso e prolongado contraponto do Carlos Amaral (9), cujos textos e vídeos (10) recomendo a quem sofra de insónias.
 9 - Zen, Cristais: A Discussão Instala-se.
10- Vídeos de Lama Khetsung Gyaltsen, O Direito Primordial à Felicidade 


Declaração - importante!
2008-05-07
Tendo tido conhecimento de várias actividades promovidas pelo Dr. Carlos Amaral - que se tem apresentado com o título de Venerável Lama Khetsung Gyaltsen e como representante de Sua Santidade o Dalai Lama - , em nome da tradição budista, e que têm sido objecto de polémica e dúvidas, a União Budista Portuguesa declara publicamente que o referido senhor, havendo solicitado há cerca de 5 anos a inscrição de uma associação por si dirigida na União Budista Portuguesa, e tendo-lhe sido solicitada a apresentação do seu historial e credenciais, que permitissem o reconhecimento da sua legitimidade, nunca o fez. Por este motivo a União Budista Portuguesa não pode garantir a fiabilidade da orientação budista das actividades do Sr. Carlos Amaral e declina qualquer responsabilidade pelas mesmas. 
O Presidente da Direcção
Paulo Borges


terça-feira, 11 de março de 2014

Machado de Assis e as touradas


Proteção aos animais é dimensão pouco conhecida de Machado de Assis 

Em 15 de março de 1877 os leitores da revista carioca Ilustração Brasileira se depararam com uma crônica, escrita por Machado da Assis, que trazia a seguinte provocação:

“O certo é que se eu quiser dar uma descrição verídica da tourada de domingo passado, não poderei, porque não a vi. [...] Não sou homem de touradas; e se é preciso dizer tudo, detesto-as.

Um amigo costuma dizer-me: –Mas já as viste? –Nunca! – E julgas do que nunca viste? Respondo a este amigo, lógico, mas inadvertido, que eu não preciso ver a guerra para detestá-la, que nunca fui ao xilindró, e todavia não o estimo. Há coisas que se prejulgam, e as touradas estão nesse caso.”

Mesmo afirmando que não assistia a touradas – última moda no Rio de Janeiro do Segundo Império – Machado demonstrou ter plena consciência do grau de crueldade que envolvia a “diversão”.

Ao invés de descrever detalhadamente em suas crônicas o “grande” evento chamado tourada, Machado optou por problematizar a nefasta experiência. Escreveu ele:

“E querem saber porque detesto as touradas? Pensam que é por causa do homem? Ixe! É por causa do boi, unicamente do boi. Eu sou sócio (sentimentalmente falando) de todas as sociedades protetoras dos animais. O primeiro homem que se lembrou de criar uma sociedade protetora dos animais lavrou um grande tento em favor da humanidade; [...].”

Quando menciona as sociedades protetoras dos animais, Machado de Assis estava possivelmente se referindo ao movimento iniciado na Inglaterra em 1824 com a fundação da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals e que, desde então, vinha tendo vários desdobramentos em países da Europa e nos Estados Unidos. Ele chamava a atenção sobre ações internacionais para refletir sobre a realidade brasileira.

A partir de um tema que para muitos era considerado banal, como as touradas, Machado lembrava aos leitores que, entre várias outras instituições que não funcionavam ou nem existiam em terras brasileiras naquele período, estaria aquela, voltada aos animais.

De forma irônica, indagava: “Não digo que façamos nesta Corte uma sociedade protetora de animais: seria perder tempo. Em primeiro lugar, porque as ações não dariam dividendo, e ações que não dão dividendo...Em segundo lugar,  haveria logo contra a sociedade uma confederação de carroceiros e brigadores de galos. Em último lugar, era ridículo. Pobre iniciador! Já estou a ver-lhe a cara larga e amarela com que havia de ficar, quando visse o efeito da proposta! Pobre iniciador! Interessar-se por um burro! Naturalmente são primos? – Não; é uma maneira de chamar a atenção sobre si. – Há de ver que quer ser vereador da Câmara: está-se fazendo conhecido. –Um charlatão. Pobre iniciador!”

Ao declarar-se sócio, “sentimentalmente falando”, de todas as sociedades protetoras dos animais, o escritor chamava também a atenção para o fato de que, no Brasil daquele período, mesmo que alguém quisesse tornar-se sócio “efetivo”, seria impossível, porque não existia nenhuma entidade semelhante em todo o território nacional.

As sociedades protetoras dos animais chegaram muito tardiamente ao país. Foi só em 1895 que surgiu a primeira organização do gênero: a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), com sede na cidade de São Paulo. Não deixa de ser sintomático ter sido São Paulo a iniciar o movimento no Brasil. A cidade, naquele período, experimentava um intenso processo de transformações urbanas, socioculturais e científico-tecnológicas que tiveram impactos profundos sobrea vida dos animais. Isso não significa que não houvesse, em outros locais do país, crueldades, maus tratos,abandono e exploração dessas criaturas. Assim, o que não significa que não existissem manifestações contra essas atitudes, Machado de Assis, no Rio, é um dos exemplos dos mais ilustres e esclarecedores.

As primeiras referências sobre a presença de sociedades protetoras dos animais no Riode Janeiro também podem ser encontradas em outra crônica de Machado, publicada em1889, no jornal Gazeta de Notícias, em que simula a narração de um diálogo entre ele e uma personalidade não identificada. Nessa conversa o escritor comenta sobre o caráter ainda precário dessas iniciativas no Brasil e as condições lamentáveis em que viviam os burros que puxavam carroças e bondes, além dos cães abandonados na cidade.

Quase 50 anos depois, em 1943, mais exatamente em 27 de abril, a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa), oficialmente iniciava suas importantes atividades no Rio de Janeiro. De sua longa história fizeram parte pessoas como o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade e a romancista cearense Rachel de Queiroz.

Como eles, Machado de Assis muito provavelmente continuaria sendo defensor dos animais e se manteria simpático e ao mesmo tempo crítico a todas as sociedades protetoras que viessem a existir. Mas, mais que tudo, o criador do inesquecível cão Quincas Borba talvez ficasse perplexo e sensibilizado com os milhares de sócios, voluntários e simpatizantes que, com incansável luta e esperança, continuam enfrentando diariamente os mais difíceis desafios para proteger os animais. E para que essas sociedades continuem existindo em praticamente todas as regiões do planeta.

Machado talvez tenha sido o primeiro grande escritor brasileiro a se preocupar, em vários e tocantes momentos de sua obra, com o destino reservado aos animais. Um sublime exemplo e ser seguido e jamais esquecido.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O paralelismo entre a tauromaquia e o mito do Minotauro

Tauromaquia: do grego ταυρομαχία. Combate com touros.

Cnossos, Creta: o berço dos primeiros eventos com touros originou uma das histórias mitológicas mais trágicas e fascinantes do mundo; a lenda do Minotauro ainda assombra-nos pela crueza dos acontecimentos, envolvida num acto de bestialidade que deu origem a um ser híbrido assassino de humanos.


Fresco no palácio de Cnossos, representando o culto do touro através da prova da resistência física com as mãos nuas - 1500 a 1400 a.C.

Todavia, como poderá estar este mito interligado com as corridas de touros?

A religião minoica era recheada de rituais orientados para o culto da vegetação. A morte e o renascimento dos deuses, bem como a representação simbólica e sagrada de alguns animais, eram a base primordial da cultura religiosa praticada. O touro, como um dos animais sagrados, eram obviamente utilizados nos cultos, especialmente em combates.
A magnificência e imponência do animal não passaram de todo despercebidas, originando o mito perturbador do Minotauro: este, rapidamente, tornou-se no símbolo do animalesco, roçando a barbaridade, a irracionalidade e o caos.

É importante salientar que apesar da crueldade do Minotauro estar associada ao seu lado animal, tal afirmação é incongruente: sabemos que o touro não mata pessoas por bel-prazer e que, muito menos, alimenta-se delas. Já o caso muda de figura em relação ao próprio ser humano, que não hesita em matar o seu semelhante num piscar de olhos. Podemos, desta forma, considerar que a violência imensa do Minotauro deve-se mais pelo seu lado humano: todavia, assim como as mulheres, os animais eram utilizados nos mitos para representar uma esfera negativa, daí a conspurcação exclusivamente feminina nesta história (a relação física de Pasífae com um touro) e a simbologia da destruição aliada somente à figura do animal presente no Minotauro.

O mito: o rei Minos de Cnossos recebeu um touro branco, vindo dos mares, como aprovação do deus Poseídon pelo seu reinado. Apesar de ter conhecimento do dever de sacrificar o animal em homenagem ao deus, Minos ficou tão admirado pela sua beleza sobrenatural que decidiu mantê-lo e sacrificar outro na esperança que tal passasse incógnito.
A tentativa de lubridiar Poseídon falhou: este, furioso, lançou um feitiço a Pasífae, esposa do rei, para que esta se apaixonasse perdidamente pelo touro branco. A mulher solicitou a ajuda de Dédalo para conseguir envolver-se amorosamente com o animal. O artesão construiu uma espécie de vaca em madeira, cujo interior abrigava e disfarçava Pasífae.
O acto sexual deu origem ao monstruoso Minotauro: o seu crescimento suscitou problemas ao tornar-se cada vez mais feroz. Por ser fruto de uma união não-natural entre um humano e um animal não-humano não tinha qualquer fonte natural de alimento, atacando e devorando homens para a sua sobrevivência. Minos decidiu recorrer à genialidade de Dédalo para arquitectar um imenso labirinto próximo ao seu palácio, no qual o ser híbrido foi encerrado.
 

Representação do Minotauro num vaso ático de 515 a.C.

Veja-se que o labirinto não é somente o símbolo da perdição: os minóicos detestavam espaços fechados - o palácio e as restantes residências apresentavam imensas divisões em aberto - e o facto do labirinto ter paredes altíssimas que permitiam ver o exterior sem poder alcançá-lo constituía uma fobia extrema que levava à loucura. O Minotauro, como humano, sofria com a solidão: como touro, sofria com a clautrofobia imensa do ambiente. Sabe-se que os touros adoram estar em liberdade e que necessitam de luz solar para o seu bem-estar: num labirinto escuro e frio tal era inacessível ao ser mitológico. Essa dupla castração despertou a violência extrema que acompanhou o monstro até à sua morte. E é aí que a tauromaquia e o mito aproximam-se ainda mais.

Os gregos odiavam os cretenses. Acusavam-nos de mentirosos, arrogantes e traidores. O próprio poeta Homero quase nunca indicou o povo de Creta nos seus poemas, exceptuando n'A Íliada - em que estes lutavam ao lado de Tróia.
O mito do Minotauro foi, então, transformado num conto heróico ateniense através de Teseu: o filho de Egeu ofereceu-se como sacríficio, relacionado com a taxa imposta por Minos, por este ter saído vencedor numa guerra contra Atenas. Essa taxa comportava a entrega de sete jovens rapazes e sete donzelas, a cada nove anos, para serem devorados pelo Minotauro. Deste modo, o rei cretense dava a certeza que não repetiria qualquer ataque bélico à cidade grega.
Ariadne, filha de Minos, apaixonou-se por Teseu. Mortificada por este estar prestes a ser engolido pelo assombroso labirinto, entregou-lhe um novelo de lã para marcar o caminho e assim conseguir sair ileso. Munido de uma espada, Teseu entregou-se ao labirinto de pedra e matou o Minotauro com um único golpe, cortando-lhe a cabeça.

Esta viragem no mito influenciou a visão humana sobre o touro: os atenienses cortaram com o véu sagrado que protegia-o e sacrificavam-no num verdadeiro culto sanguinário. O touro era agora simbolizado como uma besta hedionda e perigosa e matá-lo era sinónimo de coragem e força: o presente perfeito para os deuses do Olimpo. Os combates com touros intensificaram-se, com os actos violentos a aumentar cada vez mais. Havia até um costume absurdo que implicava a morte de um touro: tal arrastava-se numa espécie de jogo de acusações para descobrir-se quem, na verdade, o matou (?!).
A tradição de utilizar o touro para eventos, que resultavam invariavelmente na sua morte, foi absorvida pelos romanos após a invasão, que também utilizavam variados animais nos circos mortais, e consequentemente enraizada na Península Ibérica. A tourada que hoje em dia continua a ser realizada é, de facto, fruto de uma cultura que negativizou a imagem do touro em detrimento de um povo que era odiado. Foi pela rivalidade e pela inimizade entre homens que o grande animal viu a sua vida a ser selvaticamente alterada ao longo dos tempos. Mas quiçá, tal e qual como uma história tem um ponto final, a barbaridade que continua a ser-lhe administrada findará também.

domingo, 26 de janeiro de 2014

"Agricultouros" ~ Touros plantam biodiversidade?


Ou será uma falácia para servir a ânsia de inventar vantagens ambientais da criação de gado bravo que serve para as touradas???
A informação objectiva que eu tenho, é que o gado bravo ocupa largas áreas da Ilha Terceira, o que impede que essas áreas sejam percorridas por pessoas/turistas com gosto por passeios na natureza.
Por isso, tais potenciais turistas devem procurar outros destinos, que não a Ilha Terceira.
A presença desses animais representa um perigo para quem inadvertidamente, ou por não conhecer a zona, ande por ali.
Já aconteceram ataques por touros. 
- A tourada à portuguesa implica uma enorme tortura para touros e cavalos e é degradante para a sociedade e para o prestígio do país.
- A Sorte de Varas como autorizada em Espanha, não é permitida em Portugal. É uma modalidade de tortura maquiavélica destinada a perfurar e destruir musculatura do pescoço do touro, que deixará de poder levantar a cabeça ao investir contra o toureiro. O animal sangrando, debilitado, torturado por dores fortíssimas, fica impossibilitado para a luta.
Agora as autoridades estão "generosamente" a autorizar este massacre para agradar aos visitantes do FORUM, desrespeitando a lei proibitiva.
- A tourada à corda é propagandeada como atractivo turístico e como evento festivo, muito interessante, popular, emocionante, desopilante, lucrativo, etc.
Na realidade o que ali acontece é grave:
- um grande sofrimento psico-somático para o touro, que arrisca ser ferido gravemente e até a morte;
- elementos do público, mais afoitos, mais exibicionistas, mais alcoolizados, mais estúpidos, menos ágeis, arriscam-se a sofrer acidentes mais ou menos graves e até mortais por quedas, colhidas pelo touro, síncopes, etc,
- despesas várias, desde organizativas (policiamento, bombeiros, ambulância, pessoal médico e enfermeiro, médico veterinário. etc) até outras, mais do que prováveis, em consequência de acidentes, tais como, de exames clínicos, hospitalização, cirurgia, morgue, autópsia, funeral, tudo à custa de dinheiros públicos alimentados pelos impostos dos contribuintes; 
Daí resulta uma reputação lastimável para a cultura, para a ética das gentes, das autoridades, da Ilha, da Região.
O interesse pelo turismo na Terceira fica muito abalado.
É enorme a vergonha que recai sobre a Ilha Terceira e os Açores, por tanta exploração, por tanta tortura, por tanta mentira!
Vasco Reis